Iniciativa da Associação Ilê Asé Opô Alafunbí reúne oficinas, rodas de diálogo, práticas de bem viver e culinária ancestral com apoio de KOINONIA
O território de Itinga, em Lauro de Freitas (BA), recebe, entre os meses de julho e setembro, o Festival do Dendê: Ancestralidade, Conhecimento e Sabor, uma iniciativa da Associação Ilê Asé Opô Alafunbí que promove a valorização dos saberes tradicionais afro-brasileiros, o fortalecimento das comunidades de matriz africana e ações de enfrentamento ao racismo religioso.
Com apoio de KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço, o festival reúne atividades de formação, cultura, arte e cuidado coletivo, reconhecendo os terreiros e os territórios periféricos como espaços de produção de conhecimento, resistência e transformação social.
Ao longo de três meses, cerca de 80 jovens da Região Metropolitana de Salvador participarão de uma programação que soma 64 horas de formação, distribuídas entre oficinas, rodas de diálogo e atividades educativas. O projeto também prevê momentos abertos à comunidade, fortalecendo o intercâmbio entre participantes, moradores e organizações parceiras.
A metodologia está organizada em quatro eixos principais. A oficina Culinária Ancestral – Sabores do Dendê promove o resgate dos conhecimentos da cozinha de terreiro por meio da preparação de alimentos tradicionais como acarajé e abará, fortalecendo o empreendedorismo comunitário e o reconhecimento da culinária afro-brasileira como patrimônio ancestral.
Já a Roda de Diálogo – Ancestralidade, Direitos e Resistência propõe debates sobre racismo religioso, intolerância, direitos humanos, juventudes periféricas e direitos das comunidades tradicionais de matriz africana, incentivando o protagonismo social e a construção coletiva de estratégias de enfrentamento às violações de direitos.
O eixo Defesa Pessoal – Corpo, Proteção e Autonomia é voltado especialmente para mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade, utilizando práticas inspiradas na capoeira e no boxe para fortalecer a autoestima, a segurança e o enfrentamento às violências de gênero.
Complementando a programação, a oficina Bem Viver e Autocuidado – Saberes das Folhas resgata conhecimentos tradicionais sobre ervas, folhas e práticas ancestrais de cuidado presentes nas comunidades de terreiro, fortalecendo a relação entre espiritualidade, natureza, saúde e qualidade de vida.
Entre os momentos de formação, a programação contará, no dia 18 de julho, com uma atividade conduzida por KOINONIA, reforçando a parceria construída com organizações que atuam historicamente na defesa da liberdade religiosa, dos direitos humanos e dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana.
O encerramento do Festival do Dendê está previsto para 12 de setembro, com a realização da Exposição Cultural – Memória, Arte e Identidade, que reunirá produções desenvolvidas durante as oficinas, apresentações artísticas e manifestações culturais construídas ao longo do projeto.
Ao promover encontros entre ancestralidade, cultura, formação e participação comunitária, o Festival do Dendê reafirma a educação popular e os saberes tradicionais como instrumentos fundamentais para o fortalecimento das identidades afro-brasileiras, da memória coletiva e do combate à intolerância religiosa.
Realização: Associação Ilê Asé Opô Alafunbí.
Apoio: KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço.

