Projeto Mulheres Vivas encerra primeiro ciclo de oficinas com celebração, afeto e compromisso coletivo

O primeiro semestre do Projeto Mulheres Vivas: cuidar de si, cuidar da comunidade, realizado por Koinonia Presença Ecumênica e Serviço, com apoio da FAU, chegou ao fim celebrando os caminhos percorridos por cerca de 25 mulheres da Ocupação Rio Branco, na região central de São Paulo. O encontro, que aconteceu no último sábado dia 04 de julho,  contou também com a participação de algumas crianças, reforçando o caráter comunitário da iniciativa.

A oficina marcou o encerramento do primeiro ciclo de atividades do projeto, reunindo aprendizados, memórias e reafirmando o compromisso coletivo de seguir construindo espaços de cuidado, fortalecimento comunitário e promoção dos direitos humanos junto às mulheres da ocupação.

Um dos momentos mais marcantes da oficina foi a escrita de cartas. Cada participante recebeu o desafio de escrever uma mensagem de incentivo para outra mulher do grupo. Para algumas, a atividade despertou lembranças e emoções; para outras, representou um desafio ainda maior, já que nem todas tiveram acesso a um processo de alfabetização efetivo. Em um bonito movimento de ajuda mútua, ninguém ficou para trás. Entre conversas, apoio e incentivo, todas conseguiram escrever suas cartas.

Depois de um tempo de silêncio e leitura, vieram as lágrimas. Algumas mulheres se emocionaram profundamente ao ouvir palavras de reconhecimento, carinho e esperança escritas por outras companheiras de caminhada.

Na sequência, cada participante recebeu seu Caderno de Autocuidado, preparado especialmente para o projeto como um convite permanente à escuta de si e ao fortalecimento da autonomia. O material reúne atividades voltadas à reflexão sobre a própria vida, os sentimentos, as relações e os direitos, com perguntas como “Como estou me sentindo hoje?”, “O que me faz forte?” e “Quais são os meus direitos e quais preciso fortalecer em minha vida?”, entre outras propostas que incentivam o autocuidado, a autoestima e o reconhecimento da própria dignidade. Ao folheá-lo, muitas mulheres identificaram o material como um “diário”, tão comum nas décadas de 1980 e 1990 e que, para várias delas, nunca foi uma possibilidade. Com cuidado e curiosidade, escolheram algumas atividades, registraram suas reflexões e compartilharam suas histórias em voz alta, transformando o caderno em um espaço de memória, escuta e fortalecimento.

Na atividade final, intitulada “O que floresceu em nós?”, o grupo fez uma retrospectiva dos encontros realizados ao longo do semestre. As participantes destacaram a importância das oficinas para o fortalecimento da autoestima, da convivência e da construção de uma rede de apoio, manifestando o desejo de dar continuidade ao projeto nos próximos meses.

O encerramento aconteceu em roda, ao som do refrão “Canta, canta, minha gente, deixa a tristeza pra lá…”, reafirmando o compromisso coletivo de seguir cuidando de si para encontrar forças para cuidar da comunidade. A celebração terminou ao redor de uma mesa preparada com comidas típicas das festas juninas, compartilhando não apenas alimentos, mas também a alegria de reconhecer que o cuidado, quando vivido em comunidade, continua florescendo. Seguimos semeando futuros, fortalecendo vínculos e reafirmando que o cuidado também é um direito humano.

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