
No dia 16 de setembro, o Terreiro Olufanjá (Ilê Axé Iyá Olufandê), liderado pela Iyalorixá Mãe Nicinha de Nanã no bairro Beiru/Tancredo Neves, em Salvador, recepcionou um encontro de lideranças de terreiro, atividade que fez parte do Programa de Escuta Territorializada, promovido pela Ouvidoria do Supremo Tribunal Federal (STF) em parceria com a Ouvidoria Cidadã da Defensoria Pública do Estado da Bahia.
O evento reuniu diversas lideranças para uma conversa direta com a Justiça.
A escuta foi conduzida pela juíza-ouvidora do STF, Dra. Flávia da Costa Viana, e pela ouvidora Tamikwan Pataxó, da Defensoria Pública da Bahia.
Marcaram presença e compartilharam suas vivências Mameto Kamurici, do Terreiro São Jorge Filho da Gomeia; Mãe Mônica Barbosa, do Centro de Umbanda Irmão Carlos; Pai Josias do Ilê Asé Oba Paleomon, guardião da Pedra de Xangô; Ogã Elias Conceição, do Terreiro Olufanjá e integrante do CONIRB; e Camila Chagas, advogada e assessora de KOINONIA, além de outras representações do povo de terreiro.
DESAFIOS ENFRENTADOS NOS TERRITÓRIOS
Durante a roda de conversa, as lideranças relataram os desafios enfrentados no dia a dia.
Entre os principais problemas apresentados estiveram os ataques e a destruição de símbolos sagrados, o preconceito contra o uso de roupas tradicionais e os impactos do avanço das construções e da especulação imobiliária sobre os territórios.
A regularização das terras dos terreiros foi apontada como algo urgente para proteger esses espaços, a cultura e a ancestralidade.
EDUCAÇÃO E RACISMO RELIGIOSO
Na área da educação, os participantes lembraram que o racismo religioso ainda é uma realidade nas escolas.
Por isso, destacaram a importância de reforçar o ensino da história e da cultura afro-brasileira, além de preparar melhor os professores e os funcionários públicos que atendem a população.
ESCUTA E DIÁLOGO COM AS COMUNIDADES
No encerramento, a juíza-ouvidora Flávia da Costa Viana ressaltou que estar presente nos territórios ajuda as instituições a entenderem não apenas os pedidos, mas também a vida e a realidade das pessoas.
Para ela, compreender a ligação profunda entre terra, pertencimento e ancestralidade contribui para construir um diálogo muito mais próximo e verdadeiro com as comunidades.

