Feira da Dandara chega à terceira edição fortalecendo a agricultura familiar, a identidade quilombola e o protagonismo das mulheres

A comunidade de Dandara realizou, no dia 7 de agosto, a terceira edição de sua feira anual, reunindo comunidades tradicionais, produtores e produtoras da agricultura familiar, movimentos sociais, projetos sociais e serviços públicos em um espaço de comercialização, encontro e articulação comunitária.

KOINONIA esteve presente na atividade, representada por sua diretora executiva, Ana Gualberto, reafirmando a parceria construída com a comunidade ao longo dos anos e o compromisso da organização com o fortalecimento das comunidades tradicionais.

A Feira da Dandara surgiu durante a execução do projeto Comércio com Identidade, realizado em parceria com KOINONIA. A iniciativa nasceu como uma experiência para organizar uma atividade de comercialização dentro da própria comunidade, envolvendo também produtores de outras comunidades da região.

“Ela começa com esse objetivo inicial, como um teste, e já está na sua terceira edição.”

Embora o projeto Comércio com Identidade tenha sido encerrado no início de 2026, a feira permanece como uma iniciativa da própria comunidade, demonstrando a capacidade de organização e continuidade de ações construídas a partir das necessidades e potencialidades locais.

Para Ana Gualberto, essa permanência representa uma das principais forças do processo.

“A comunidade segue, porque esse tipo de iniciativa tem a ver com a ação da comunidade, com a organização interna da comunidade.”

Na terceira edição, a feira ampliou seu caráter de comercialização e se consolidou como um espaço de encontro entre diferentes comunidades e iniciativas.

Em sua participação no evento, Ana destacou a presença de pessoas de Tapuia e de outras comunidades, além da comercialização de produtos da agricultura familiar, projetos sociais, serviços públicos e a participação de movimentos sociais.

“É o lugar de encontro, de partilha, de intercâmbio de saberes, também de diversão, de serviços públicos, de articulação política.”

A diversidade de participantes evidencia a capacidade da feira de criar conexões para além da própria comunidade, aproximando diferentes atores e fortalecendo redes locais.

Segundo Ana, a experiência também demonstra a importância de construir estratégias de comercialização que tenham a ação comunitária como ponto de partida.

“É fruto desse trabalho de construir estratégias de comercialização que sejam pautadas para além dos parceiros, mas com ação local. Essa é uma potência muito grande.”

A partir dessa organização, a comunidade consegue estabelecer relações com o poder público, outras organizações e comunidades, transformando a feira em uma ferramenta de fortalecimento da autonomia e das redes de cooperação.

A comunidade de Dandara possui uma trajetória marcada pela presença negra tradicional e por uma relação histórica com a comunidade quilombola de Pimenteira, da qual é considerada “filha”.

Embora constituída como assentamento, Dandara preserva uma história diretamente relacionada às lutas e à presença das comunidades quilombolas na região. Essa herança se expressa nas formas de organização comunitária, na produção e nas iniciativas voltadas ao fortalecimento da identidade local.

Nesse processo, as mulheres ocupam um papel fundamental. Entre as iniciativas desenvolvidas está a Roça das Mulheres, que reúne mulheres da comunidade em torno da produção e da comercialização.

Durante a terceira edição da feira, esse protagonismo também esteve presente, reforçando a importância da participação feminina na construção da economia comunitária.

“Seguimos acreditando nesse futuro da agricultura familiar e na potência das mulheres.”

Casa das Mulheres será novo espaço de formação e comercialização

Como parte desse processo de fortalecimento, a comunidade de Dandara prevê para 2026 a inauguração da Casa das Mulheres.

O espaço deverá funcionar como ponto de comercialização, mas também como ambiente de formação, realização de atividades e acolhimento de visitantes e parceiros.

“Vai ser um espaço também de comercialização, mas também de formação, onde a gente vai poder realizar as atividades e receber as pessoas que forem às comunidades.”

A iniciativa amplia as possibilidades de organização e geração de renda para as mulheres e reforça a perspectiva de construção de espaços permanentes de autonomia e fortalecimento comunitário.

Para KOINONIA, acompanhar esse processo significa reconhecer e fortalecer iniciativas protagonizadas pelas próprias comunidades.

“É isso, tá por aqui, sempre em parceria com as comunidades. Seguimos, seguimos acreditando nesse futuro da agricultura familiar e da potência das mulheres.”

A terceira edição da Feira da Dandara reafirma, assim, a força de uma iniciativa que nasceu como experiência de comercialização e hoje se consolida como espaço de encontro, partilha, geração de renda, intercâmbio de saberes e articulação política, fortalecendo a agricultura familiar e o protagonismo das mulheres da comunidade.

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