Conferência livre sobre ODS debate produção de dados para enfrentar desigualdades sociais no Brasil

No dia 19 de maio de 2026, organizações da sociedade civil, coletivos, pesquisadores e lideranças territoriais participaram da conferência livre “ODS como e para quem? Por uma democracia com justiça social, racial, de gênero e climática”. O encontro integrou as mobilizações em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e promoveu reflexões sobre os desafios da produção de dados voltados ao enfrentamento das desigualdades no Brasil.




A atividade reuniu representantes de diferentes organizações e territórios para discutir como as informações produzidas por instituições públicas e organismos internacionais muitas vezes não conseguem retratar de forma adequada a realidade vivida por populações historicamente marginalizadas. Entre os temas debatidos estiveram as desigualdades raciais, de gênero e renda, além da necessidade de ampliar a participação popular na construção de diagnósticos e indicadores sociais.

Durante a conferência, integrantes do Datalab apresentaram reflexões sobre a distância entre os dados oficiais e as experiências concretas das populações vulnerabilizadas, apontando limitações metodológicas que dificultam a visibilização das desigualdades enfrentadas por mulheres, pessoas negras e moradores de territórios periféricos. Os debates destacaram a importância de produzir informações que contribuam para a formulação de políticas públicas mais eficazes e comprometidas com a justiça social.

Os participantes foram divididos em grupos de trabalho para construir propostas relacionadas à coleta, leitura e compartilhamento de dados. As discussões abordaram a criação de metodologias participativas, a formação de pessoas dos próprios territórios para atuar na produção de informações locais e a construção de redes de colaboração entre organizações da sociedade civil.

Entre as contribuições apresentadas, destacou-se a necessidade de fortalecer processos de letramento de dados, desenvolver cartilhas de formação popular e ampliar a capacidade das comunidades de sistematizar informações sobre suas próprias realidades. Também foram debatidas estratégias para mapear desigualdades, identificar iniciativas de transformação social já existentes nos territórios e promover o cruzamento de dados produzidos por diferentes organizações.

Outro ponto ressaltado pelos participantes foi a importância da produção cidadã de dados como instrumento de incidência política. A construção coletiva de informações sobre moradia, renda, acesso a direitos e desigualdades territoriais foi apontada como uma ferramenta fundamental para fortalecer a participação social e subsidiar ações de enfrentamento às múltiplas formas de exclusão presentes no país.



Embora a atividade não tenha alcançado o número mínimo de participantes necessário para sua validação como conferência oficial, o encontro fortaleceu o diálogo entre organizações e gerou propostas que serão sistematizadas e compartilhadas posteriormente. O processo reafirma a importância da articulação da sociedade civil na construção de caminhos para uma democracia comprometida com a justiça social, racial, de gênero e climática.

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