Mulheres Vivas promove reflexão sobre cuidado, direitos e resistência em Heliópolis

No sábado, 15 de agosto, o projeto Mulheres Vivas retomou suas atividades em Heliópolis com a oficina “Quem cuida de quem cuida de todo mundo?”. O encontro reuniu 22 mulheres, além de aproximadamente cinco crianças, em uma tarde dedicada à reflexão sobre a sobrecarga feminina, o direito ao cuidado e a importância das redes de apoio construídas coletivamente.

A atividade também foi um momento de reencontro e valorização da trajetória de 14 anos do grupo de mulheres, marcado pela organização coletiva, pela resistência e pela luta por moradia. A partir das experiências compartilhadas, as participantes puderam revisitar histórias de cuidado, maternidade, comunicação, organização das ocupações e enfrentamento das dificuldades vivenciadas ao longo dessa trajetória.

Um dos momentos centrais da oficina foi a dinâmica “Linha do cuidado”. Por meio de objetos simbólicos, as mulheres compartilharam histórias e memórias relacionadas às responsabilidades e aos desafios presentes em suas vidas. Um telefone, por exemplo, trouxe reflexões sobre a importância da comunicação e dos vínculos construídos dentro do movimento. Já uma chave de fenda remeteu às ocupações, às mudanças e à resistência de mulheres que encontraram umas nas outras força para continuar a luta por moradia.

A tesoura também despertou emoção entre as participantes. Uma das mulheres contou que chegou ao movimento grávida, sem muita esperança, e hoje sua filha tem 13 anos. Ao falar sobre os preconceitos enfrentados ao longo do caminho, compartilhou o desejo de, em breve, utilizar aquela mesma tesoura para cortar a fita da casa nova.

Outro objeto escolhido foi um limão, que provocou lembranças sobre os “azedumes” da vida e sobre a necessidade de transformar situações difíceis em força para seguir adiante. As histórias revelaram diferentes formas pelas quais as mulheres têm construído estratégias de resistência e cuidado umas com as outras.

Na roda de conversa “Quem cuida de quem cuida?”, perguntas disparadoras abriram espaço para discutir a sobrecarga feminina, a dificuldade de estabelecer limites e dizer “não”, as violências contra as mulheres, os direitos e a importância da solidariedade dentro do movimento. As participantes também compartilharam situações em que se sentiram diminuídas por serem mulheres, mas ressaltaram a resistência e a disposição de continuar lutando por si mesmas e pelas meninas que crescem dentro do movimento.

O encontro também reservou espaço para o autocuidado. Em uma prática coletiva de relaxamento e massagem, mulheres acostumadas a cuidar de outras pessoas puderam experimentar, por alguns minutos, a experiência de receber cuidado. Mãos que trabalham, carregam, organizam e sustentam a vida encontraram um momento de descanso, afeto e acolhimento.

A experiência foi sintetizada por uma das participantes ao afirmar: “Hoje vou pra casa mais leve e vou dormir fácil e feliz!”. A fala traduz o sentido do encontro, que terminou com um abraço e um gesto simbólico de compromisso com o cuidado coletivo.

A oficina reforçou que cuidar de si não significa deixar de cuidar das outras. Significa reconhecer que quem cuida também precisa ser cuidada e que as redes construídas entre mulheres podem fortalecer a luta, a esperança e a vida coletiva.

Mulheres Vivas — cuidado, direitos, resistência e esperança.

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