Quilombolas em ação pelo clima: projeto encerra ciclo com podcasts, cartilha e plano de ação para o futuro

O encerramento do projeto “Quilombolas: agentes de ação pelo clima” foi marcado pelo lançamento de materiais produzidos pelas próprias agentes quilombolas, unindo comunicação, memória e sistematização de estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas. A iniciativa reafirma um dos pilares do projeto, que é o protagonismo das comunidades na construção de narrativas e soluções a partir de seus territórios e saberes tradicionais.

Entre os destaques está o podcast “No Clima da Terra Preta”, idealizado e conduzido pelas agentes quilombolas Marcely do Nascimento, da comunidade quilombola do Acarai, em Camamu, Bahia, e Iane Lima, da comunidade quilombola da Ilha da Marambaia, no Rio de Janeiro. A produção apresenta episódios gravados diretamente dos territórios, reunindo lideranças locais em diálogos sobre identidade, organização comunitária e preservação ambiental.

No episódio gravado no Baixo Sul baiano, a conversa evidencia o papel da juventude na continuidade das lutas e no fortalecimento da organização coletiva. Já no produzido em Mangaratiba (RJ), o diálogo destaca a relação entre permanência no território, cultura e preservação ambiental, revelando como essas dimensões estão profundamente conectadas no cotidiano quilombola.

Mais do que registros, os episódios reforçam que a agenda climática já é vivida nos territórios quilombolas, onde práticas ancestrais e formas de organização comunitária se apresentam como respostas concretas à crise ambiental.

“Acho que uma coisa muito importante é a gente poder ouvir a voz de quem está lá no território, fazendo a coisa acontecer, contribuindo para a preservação. Ter esse entendimento do local com o global, e de como essas questões externas afetam o território, é fundamental”, destaca Pedrina Belém – KOINONIA

“É um material que traz uma potência enorme de conteúdo e de vozes das pessoas do território. Dar visibilidade a esse protagonismo é muito importante”, completa.

Seguindo a linha de construção coletiva, outro pilar do projeto, temos a cartilha “Do racismo ambiental ao bem viver”. O material reúne reflexões, dados, experiências e análises sobre os impactos das mudanças climáticas nos territórios, evidenciando também as formas de resistência e cuidado construídas pelas comunidades.

Esta cartilha foi escrita a várias mãos. Na verdade, reúne diversas vozes, muitas delas silenciadas quando se desenhou esse modelo de sociedade em que vivemos, baseado na exploração desenfreada da natureza e na acumulação da riqueza nas mãos de poucos”, destaca a apresentação do documento, escrita por Rosa Peralta, Assessora de Relações Institucionais de KOINONIA e coordenadora do projeto.

“Nestes tempos de emergência climática, está cada vez mais difícil não ouvir o que dizem os povos dos campos, das florestas e das águas, entre eles, as comunidades quilombolas”, aponta Peralta em relação à urgência de escuta diante da crise climática.

Ao reunir conceitos, testemunhos e experiências dos territórios do Rio de Janeiro e da Bahia, a cartilha se consolida como instrumento político e pedagógico, fortalecendo a circulação de saberes quilombolas e sua incidência no debate climático.

“Foi muito mais do que um processo. Foi uma troca verdadeira, cheia de aprendizados e momentos que eu vou levar comigo. Saio do projeto com o coração cheio por tudo que a gente viveu junto”, afirma Fernanda Santos Mendonça – Quilombo Jatimane, Nilo Peçanha, Bahia

Como parte dos desdobramentos do projeto, os agentes também construíram coletivamente um plano de ação para a continuidade das iniciativas. Elaborado a partir de rodas de conversa virtuais entre agentes do Rio de Janeiro e da Bahia e consolidado em encontro presencial, o documento expressa o compromisso de dar seguimento às ações para além do ciclo do projeto.

O plano foi fortalecido durante a reunião geral que antecedeu a I Cúpula das Vozes Quilombolas pelo Clima, realizada em novembro de 2025, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. Ele reúne propostas como formação contínua, educação climática, mutirões comunitários, intercâmbios entre territórios e fortalecimento da incidência política.

“Que a gente saia do projeto como continuidade dos nossos territórios, contribuindo para uma humanidade melhor, com mais amor e mais consciência”, ressalta Pedrina Belém – KOINONIA

A apresentação de todos os materiais aconteceu durante um encontro virtual entre agentes quilombolas e equipe do projeto. Na ocasião, foram compartilhadas percepções sobre toda trajetória vivida em um espaço atravessado por escuta, afeto e reconhecimento. Deste momento emergiram reflexões sobre os desafios, conquistas e transformações proporcionadas pela experiência.

“Foi uma forma de ver o mundo que eu nunca tinha imaginado”, compartilha Laiane Valeriano dos Santos – Quilombo Jatimane, Nilo Peçanha, Bahia.

A finalização do ciclo foi acompanhada por emoção. Para parte dos participantes, o projeto representou não apenas uma formação, mas um espaço de fortalecimento coletivo, pertencimento e valorização de suas histórias e conhecimentos.

“O que a gente construiu aqui é sobre o futuro que queremos para os nossos filhos. É sobre seguir nos nossos territórios, fortalecendo a vida, com mais consciência, mais união e mais amor”, conclui Pedrina Belém – KOINONIA

Ao reunir comunicação, sistematização de saberes e planejamento estratégico, o projeto “Quilombolas: agentes de ação pelo clima” deixa um verdadeiro legado que ultrapassa seus marcos formais: vozes fortalecidas, redes articuladas e caminhos abertos para a continuidade da ação quilombola frente à crise climática.

KOINONIA segue reafirmando seu compromisso com as comunidades quilombolas e com a continuidade das ações construídas ao longo do projeto, reconhecendo que esse legado permanece vivo nos territórios, nas vozes, nas práticas e nas articulações que continuam pulsando. Diante da crise climática, são esses saberes, vínculos e estratégias coletivas que apontam horizontes possíveis, onde a defesa da vida, do território e do bem viver seguem no centro da luta quilombola.

Sobre o projeto “Quilombolas: agentes de ação pelo clima”
A realização do projeto contou com o apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), cuja parceria foi fundamental para viabilizar as ações desenvolvidas. Com este apoio, foram fortalecidas iniciativas voltadas à justiça climática, possibilitando a formação de agentes quilombolas, a produção de conteúdos em diferentes formatos e a construção de estratégias coletivas nascidas nos territórios e compartilhadas publicamente. Mais do que um suporte institucional, essa colaboração reafirma a importância de investir em soluções construídas a partir das comunidades, reconhecendo seu protagonismo na defesa do meio ambiente e na construção de respostas à crise climática.

Confira os podcasts “No Clima da Terra Preta”  Clicando aqui!


Confira a cartilha “Do racismo ambiental ao bem viver”  Clicando aqui!


Confira o “Plano de Ação 2026” Clicando aqui!


Confira a versão para impressão em A3 do “Plano de Ação 2026”  Clicando aqui!




Ana Gualberto
Diretora executiva de KOINONIA

Rosa Peralta
Coordenação do Projeto e Assessora de relações institucionais de KOINONIA

Equipe do projeto
Nathalia Gouveia
Pedrina Belém do Rosário
Amanda de Souza

Agentes Quilombolas de Ação pelo Clima
Fernanda Santos Mendonça — Quilombo Jatimane, Nilo Peçanha (BA)
Laiane Valeriano dos Santos — Quilombo Jatimane, Nilo Peçanha (BA)
Marcely do Nascimento — Quilombo Acaraí, Camamu (BA)
Raiane Lima — Quilombo Ilha da Marambaia, Mangaratiba (RJ)
Regina Soares — Quilombo Fazenda Espírito Santo, Cabo Frio (RJ)
Renato Kinupa — Quilombo Bongaba, Magé (RJ)
Rosilane Almeida — Quilombo Camorim, Rio de Janeiro (RJ)
Valéria Cristina da Silva Leite — Quilombo Alto da Serra do Mar, Rio Claro (RJ)

Natasha Arsenio
Gabriel Luiz dos Santos
Comunicação KOINONIA

Katia Simões
Tecnologia da Informação

Naiara Alves
Ana Lucia Barbosa
Luciano Carvalho
Laerte Alves
Administração KOINONIA
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