Projeto Mulheres Vivas promove oficina de autocuidado e fortalecimento coletivo em ocupação no centro de São Paulo


No último dia 28 de março, o projeto 
Mulheres Vivas, desenvolvido por KOINONIA, com apoio do Fondo de Acción Urgente (FAU) e em parceria com o Movimento por Moradia do Centro e Região (MMCR), promoveu a oficina “Cuidar de Si, Cuidar da Comunidade”, na Ocupação Rio Branco, no centro de São Paulo.

A atividade, voltada principalmente para as mulheres, reuniu cerca de 30 participantes, entre mulheres, homens e crianças, em um espaço de acolhimento, escuta e fortalecimento coletivo.

A programação teve início com uma acolhida conduzida por Lídia Lima, colaboradora de KOINONIA, ao som da canção “Maria, Maria”, de Milton Nascimento. A proposta incluiu uma dinâmica de movimento e reflexão sobre o território, evidenciando os pesos e as violências que a sociedade impõe sobre os corpos femininos.

Na sequência, Raquel Benato, doutoranda do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), conduziu uma oficina de colagem, na qual as participantes puderam compartilhar suas trajetórias de vida antes da chegada às ocupações, resgatando memórias, desafios e processos de reconstrução.

Ao concluir a atividade, Benato lembrou que “independente de ser família de sangue, o movimento [por moradia] é família. É uma ligação, um vínculo que vai além de parentesco”. A partir daí, o encontro se desdobrou em um espaço de escuta sensível e troca entre os participantes, que puderam refletir sobre suas vivências, reconhecer sinais de violência e fortalecer redes de apoio dentro e fora das ocupações.

Gleis Marques, estudante de Direito e integrante do MMCR, junto às também estudantes de Direito Marina Oliveira e Letícia Barros, encerrou a manhã com uma fala sobre o feminicídio e contribuiu para a abertura de uma roda de conversa sobre a importância do cuidado diante do aumento da violência contra as mulheres.

Mesmo com a densidade do tema, o encontro foi marcado por um ambiente seguro e acolhedor, no qual as participantes se sentiram à vontade para compartilhar dores, medos, mas também esperanças e o desejo de seguirem “vivas e vivendo”, como propõe o projeto.

A gente vai aprendendo dentro do movimento a ser dona de si, a ver o tamanho da nossa força. O movimento faz parte da nossa vida. Não tem como sair do movimento, ele fica enraizado. Aqui, a gente aprende a ser mulher, a lutar pelos nossos direitos, a se empoderar, saber quem eu sou e qual o nosso lugar na sociedade. E eu posso estar onde eu quiser estar!”, concluiu Maria Conceição Soares, assistente social do MMCR.

O próximo encontro do projeto Mulheres Vivas está previsto para o dia 11 de abril. Todos os detalhes serão compartilhados nos canais oficiais de KOINONIA e demais instituições envolvidas na ação.

Sobre o projeto Mulheres Vivas

Em parceria com o Movimento de Moradia do Centro e Região (MMCR), o projeto Mulheres Vivas acontece até maio de 2026 com o objetivo de fortalecer o autocuidado integral das mulheres, unindo corpo, mente, segurança, tecnologia e redes de apoio, pensando na possibilidade de fortalecer nossa luta por sobrevivência e dignidade. A ação conta com o apoio do Fondo de Acción Urgente (FAU).









Conheça o Fondo de Acción Urgente (FAU)

O Fondo de Acción Urgente (FAU) atua no fortalecimento de movimentos sociais e feministas na América Latina e no Caribe. Com foco na transformação das relações de poder no sistema de financiamento, o FAU promove formas mais justas e equitativas de acesso a recursos, oferecendo apoio ágil e flexível. Sua atuação também se destaca na resposta a contextos de crise e risco, priorizando a proteção, a segurança integral e o cuidado coletivo de defensoras e defensores de direitos e territórios. Sua visão é contribuir para uma região onde a vida digna e a justiça sejam garantidas, e onde esses grupos possam exercer plenamente seus direitos, além de seguir impulsionando transformações frente às desigualdades estruturais.

KOINONIA é o repassador de recursos no Brasil do FAU – Fondo de Accion Urgente América Latina e Caribe desde 2022. Por meio desta parceria garantimos que 45 apoios a defensoras de direitos humanos em situações de emergência chegasse de forma célere nas organizações locais.

Para saber mais, acesse: https://fondoaccionurgente.org.co/

Sobre o Movimento por Moradia do Centro e Região (MMCR)

O Movimento por Moradia do Centro e Região (MMCR) é uma organização de luta por moradia, criada em 2012, que atua na defesa do direito à cidade e à dignidade para populações em situação de vulnerabilidade. Liderado por Dona Jomarina Abreu, referência histórica na luta por moradia desde a década de 1990, o movimento é composto majoritariamente por mulheres; cerca de 200 delas participam ativamente da construção cotidiana dessa luta. O MMCR também se destaca por seu compromisso com a proteção e o cuidado das mulheres: não há registro de feminicídio dentro do movimento, que adota uma postura firme de enfrentamento à violência de gênero, não tolerando qualquer tipo de agressão. Homens que desrespeitam essa diretriz são imediatamente convidados a se retirar, reafirmando o compromisso do coletivo com um espaço seguro, solidário e pautado no respeito. Saiba mais em: https://www.instagram.com/mmcroficial/

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