KOINONIA participa da I Caminhada de mulheres evangélicas que mobiliza Salvador contra o feminicídio

A caminhada realizada em um 7 de março, em Salvador, representa um marco político
e religioso de grande relevância.



Primeiro porque nos mostra a ruptura com o conservadorismo hegemônico: através
do rompimento com as narrativas que associa o evangelicalismo apenas a pautas
conservadoras. Segundo, porque mulheres evangélicas ocuparam as ruas para afirmar
que fé e defesa dos direitos das mulheres não são opostos, desafiando interpretações
teológicas que historicamente as silenciaram.



“Evangélicas contra o Feminicídio” nasce da união entre igrejas históricas (Anglicana,
Presbiteriana Unida, Batista Nazareth), coletivos negros e evangélicos (Rede de
Mulheres Negras, Cuxi, MNE), organizações ecumênicas (KOINONIA, CESE), frentes
feministas (8M Bahia) e projetos comunitários (Colar de Licuri, Associação MTA,
Empodere sua Irmã), Mulheres Evangélicas Pela Igualdade de Gênero- EIG. Essa
coalizão demonstra, na prática, que o feminicídio é enfrentado em suas dimensões de
gênero, raça e classe.

Ao intercalar falas de denúncia com louvores, a caminhada cria uma estratégia
poderosa: traduz a pauta feminista para a linguagem da fé, acolhendo espiritualmente
enquanto ocupa o espaço público.
 

Duplo enfrentamento: O movimento atua tanto na cobrança por políticas públicas
contra a violência quanto no debate interno às igrejas sobre relações abusivas e
teologias que subordinam mulheres.

Realizada na véspera do Dia Internacional da Mulher, a caminhada amplia o feminismo
ao demonstrar que mulheres de fé também estão nas ruas contra o feminicídio.
Segundo Dagmar Santos, “a Caminhada é corajosa e necessária. Ao constituir-se a
partir da união plural entre denúncia política e espiritualidade, o movimento redefine
o lugar público das mulheres evangélicas no Brasil, afirmando que a defesa da vida é,
também, testemunho de fé”.


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