Durante o mês de março de 2026, o coletivo Omi Sọrọ, assessorado por KOINONIA, realizou atividades de planejamento e assistência religiosa no conjunto penal feminino de Salvador, fortalecendo ações de cuidado espiritual, escuta e promoção de direitos no sistema prisional.
No dia 14 de março, foi realizada, no escritório de KOINONIA, uma reunião com lideranças religiosas e representantes de organizações parceiras com o objetivo de avaliar as ações desenvolvidas ao longo de 2025 e planejar o calendário de atividades para 2026. Durante o encontro, o grupo definiu o nome do coletivo — Omi Sọrọ, expressão em iorubá que significa “águas que falam” — reafirmando sua identidade e atuação inter-religiosa.
Participaram da reunião Mameto Alana de Carvalho, do Terreiro Maza Kessimbi Amazi; Ogan Elias Conceição, do Conselho Inter-religioso da Bahia (CONIRB) e do Terreiro Olufanjá; e Dagmar Santos, da organização Evangélicas por Igualdade de Gênero (EIG).
Dando continuidade às ações, no dia 21 de março, o coletivo realizou a assistência religiosa mensal no conjunto penal feminino. A atividade reuniu internas em um espaço de escuta, partilha e expressão, integrando o calendário anual construído pelo grupo.
Apesar de o período concentrar diferentes marcos simbólicos, a atividade teve como foco a temática da transgeneridade, considerando a presença de mulheres trans entre as internas, a atuação de Mameto Alana de Carvalho — mulher trans e liderança religiosa — e a proximidade com o Dia Internacional da Visibilidade Transgênero, celebrado em 31 de março.
Durante o encontro, as participantes também realizaram atividades de pintura, promovendo um ambiente de acolhimento, respeito à diversidade e fortalecimento de vínculos.


Como desdobramento das ações desenvolvidas pelo coletivo, foi elaborada a cartilha “Assistência Religiosa de Matriz Africana”, uma publicação construída a partir das experiências das lideranças que atuam no sistema prisional feminino de Salvador, reunindo práticas, reflexões e aprendizados sobre o cuidado espiritual em contextos de privação de liberdade.
A cartilha foi lançada em 28 de janeiro de 2026, em Salvador, reunindo lideranças religiosas, representantes institucionais e integrantes do grupo que atuam na assistência religiosa no conjunto penal feminino.
👉 Acesse a cartilha:
https://koinonia.org.br/publicacoes/cartilha-assistencia-religiosa-de-matriz-africana/18320/
O material está disponível gratuitamente e integra os esforços de promoção da liberdade religiosa, sistematização de experiências e fortalecimento de iniciativas voltadas à garantia de direitos de mulheres privadas de liberdade.
A atuação do coletivo Omi Sọrọ reafirma a importância do cuidado espiritual, da diversidade religiosa e da articulação entre diferentes tradições como caminhos fundamentais para a promoção da dignidade e dos direitos humanos no sistema prisional.

