No dia 11 de abril, a ocupação Santa Vitória, na região central de São Paulo, abriu suas portas para a segunda oficina do projeto “Mulheres Vivas: cuidar de si, cuidar da comunidade”, organizado por KOINONIA e financiado pelo Fondo de Acción Urgente (FAU). Neste encontro, o foco foi o autocuidado físico e emocional, com a participação de Jussara Oliveira e Gabriela Camuçatto, nutricionista e personal trainer do projeto 1Q de Afeto.
Jussara conduziu uma degustação guiada, propondo uma experiência simples e profunda. “A ideia era que as pessoas pudessem saborear um alimento com mais presença, percebendo o sabor, a textura, sem julgamento, colocando em prática esse conceito de alimentação possível – sem as modinhas da internet, que fazem a gente se achar incompetente, porque não tem o café da manhã perfeito ou as marmitinhas congeladas e pesadas, feitas para a semana, sem levar em consideração nossa realidade, nossa regionalidade e nossas possibilidades”, explicou.
A dinâmica aconteceu com a degustação de uvas – com calma, sem pressa, explorando cheiro, textura e sabor. Uma pausa real, rara, necessária. Em meio ao exercício, Marinez Ribeiro, uma das participantes, caiu na risada e disse:
“Enquanto como a uva, eu me remeto aos tempos romanos, em que os reis comiam suas frutas, deitados e relaxados. (risos) Vai saber se em algum tempo eu não fui uma rainha, né?”, brincou.
O grupo inteiro riu. Mas a fala também provocou reflexão: o quanto essa experiência de pausa, degustação, prazer e cuidado parece distante da realidade de muitas mulheres, quando, na verdade, deveria ser um direito cotidiano?
As participantes interagiram bastante: partilharam memórias e receitas, falaram sobre suas escolhas e também sobre as dificuldades reais, como manter o consumo de água e frutas no dia a dia.
De forma leve e lúdica, registraram em desenhos: os alimentos e hábitos que desejam fortalecer e aquilo que precisa de mais atenção em suas rotinas. Partilharam seus registros como um pacto pessoal, de autocuidado.
Na sequência, Gabriela conduziu uma vivência corporal. A ideia era partir do corpo como primeiro território, “lugar onde a gente vive, sente e registra nossas experiências, inclusive os atravessamentos sociais”.
Após um momento de sensibilização, o grupo foi convidado a se movimentar em uma proposta inspirada no forró – não como técnica, mas como experiência de conexão, ritmo e presença no corpo.
O encontro foi finalizado com um convite simples e potente: seguir olhando para o próprio corpo com mais cuidado e buscando movimentos prazerosos de autocuidado no cotidiano.

Sobre o projeto Mulheres Vivas
Em parceria com o Movimento de Moradia do Centro e Região (MMCR), o projeto Mulheres Vivas acontece até maio de 2026 com o objetivo de fortalecer o autocuidado integral das mulheres, unindo corpo, mente, segurança, tecnologia e redes de apoio, pensando na possibilidade de fortalecer nossa luta por sobrevivência e dignidade. A ação conta com o apoio do Fondo de Acción Urgente (FAU).
Conheça o Fondo de Acción Urgente (FAU)
O Fondo de Acción Urgente (FAU) atua no fortalecimento de movimentos sociais e feministas na América Latina e no Caribe. Com foco na transformação das relações de poder no sistema de financiamento, o FAU promove formas mais justas e equitativas de acesso a recursos, oferecendo apoio ágil e flexível.
Sua atuação também se destaca na resposta a contextos de crise e risco, priorizando a proteção, a segurança integral e o cuidado coletivo de defensoras e defensores de direitos e territórios. Sua visão é contribuir para uma região onde a vida digna e a justiça sejam garantidas, e onde esses grupos possam exercer plenamente seus direitos, além de seguir impulsionando transformações frente às desigualdades estruturais.
KOINONIA é o repassador de recursos no Brasil do FAU – Fondo de Acción Urgente América Latina e Caribe desde 2022. Por meio desta parceria, foram garantidos 45 apoios a defensoras de direitos humanos em situações de emergência, chegando de forma célere às organizações locais.
Para saber mais: https://fondoaccionurgente.org.co/
Sobre o Movimento por Moradia do Centro e Região (MMCR)
O Movimento por Moradia do Centro e Região (MMCR) é uma organização de luta por moradia, criada em 2012, que atua na defesa do direito à cidade e à dignidade para populações em situação de vulnerabilidade.
Liderado por Dona Jomarina Abreu, referência histórica na luta por moradia desde a década de 1990, o movimento é composto majoritariamente por mulheres — cerca de 200 participam ativamente da construção cotidiana dessa luta.
O MMCR também se destaca por seu compromisso com a proteção e o cuidado das mulheres: não há registro de feminicídio dentro do movimento, que adota uma postura firme de enfrentamento à violência de gênero, não tolerando qualquer tipo de agressão. Homens que desrespeitam essa diretriz são imediatamente convidados a se retirar, reafirmando o compromisso do coletivo com um espaço seguro, solidário e pautado no respeito.
Saiba mais: https://www.instagram.com/mmcroficial/
Sobre o 1Q de Afeto
O projeto tem como propósito ajudar pessoas a criarem novos hábitos de forma saudável, leve e gradual, sem proibições ou sacrifícios. Propõe uma nova rota de saúde integrativa e bem-estar, incentivando o despertar do corpo e utilizando o afeto como estratégia para construir hábitos saudáveis de forma prazerosa.
Saiba mais: https://1qdeafeto.com.br/


