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Sob forte presença quilombola e institucional, cerimônia celebra titulação em São José da Serra

A Comunidade Quilombola de São José da Serra, em Valença (RJ), conquistou a titulação coletiva de parte de seu território no dia 28 de março, em uma cerimônia que reuniu autoridades, lideranças quilombolas e organizações da sociedade civil, com presença de KOINONIA. A entrega de 217 hectares marca a primeira titulação, no estado do Rio de Janeiro, de áreas desapropriadas de particulares destinadas a um quilombo, representando um avanço histórico na luta pelo direito à terra e pela permanência no território ancestral.

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Quilombolas de Alcântara – MA conquistam titulação histórica de seu território

O Governo Federal anunciou uma série de medidas voltadas à garantia de direitos territoriais para comunidades quilombolas em diferentes regiões do país, marcando um avanço significativo na política de reparação histórica no Brasil.

Durante a abertura da 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, foram assinados nove decretos de interesse social e entregues 18 títulos de domínio, beneficiando mais de 6 mil famílias quilombolas.

Entre os principais destaques está a titulação do território quilombola de Alcântara, no Maranhão. A medida reconhece oficialmente uma área de 45,9 mil hectares e garante o direito à terra para cerca de 3.350 famílias quilombolas da região.

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Quilombo São José da Serra recebe titulação coletiva histórica no Rio de Janeiro

No próximo dia 28 de março, a Comunidade Quilombola de São José da Serra, localizada no distrito de Santa Isabel do Rio Preto, em Valença (RJ), viverá um marco histórico com a titulação coletiva de seu território, realizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

A cerimônia acontecerá a partir das 9h e contará com a presença de lideranças quilombolas de toda a região, além de autoridades federais, estaduais e municipais.

Com uma área de 476,30 hectares, o território abriga importantes referências naturais e simbólicas, como matas preservadas, uma cachoeira considerada sagrada e um jequitibá centenário, que representa a permanência ancestral da comunidade. Atualmente, o quilombo é composto por 31 famílias, que mantêm práticas tradicionais de uso da terra baseadas na solidariedade e na subsistência, com o cultivo de alimentos como milho, feijão, arroz, mandioca e hortaliças.

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Quilombo da Ilha da Marambaia receberá a Medalha Chico Mendes de Resistência 2026

O Quilombo da Ilha da Marambaia, localizado em Mangaratiba, no Rio de Janeiro, será um dos homenageados com a Medalha Chico Mendes de Resistência 2026, uma das mais importantes honrarias no campo dos direitos humanos.

Organizada pelo Grupo Tortura Nunca Mais-RJ em parceria com diversas entidades, a medalha reconhece ativistas, organizações e trajetórias comprometidas com a defesa da democracia, da memória e da justiça social. Tradicionalmente realizada no dia 1º de abril, data que marca o golpe militar de 1964 e simboliza a necessidade permanente de denúncia e resistência, a cerimônia acontecerá no dia 30 de março, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro.

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Juventude de terreiro se reúne em Salvador para celebrar tradições de matriz africana e fortalecer participação política

No dia 21/03, Dia Nacional das Tradições de Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, Koinonia e juventude de diversos terreiros de Salvador realizou o “piquenique da juventude” no Dique do Tororó, espaço sagrado de Salvador às 9h da manhã. Com o objetivo de fortalecer os laços e avançar no debate sobre *juventude e eleições*, o encontro contou com a presença jovens de 18 à 29 anos, pertencentes a religiões de matriz africana e com interesse na atuação política à partir do pertencimento de terreiro.

Um dos momentos importantes da atividade foi dedicado à memória e à continuidade dos processos organizativos da juventude de terreiro, que teve como marco inicial a primeira versão do projeto, realizada há 10 anos, intitulada A Bala Não Escolhe a Sua Fé

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Destruir para dominar: ataque ao patrimônio cultural brasileiro em marcha

A estupidez não é apenas uma pobreza do pensamento. Não se limita à incapacidade intelectual. Envolve coisa pior: incorpora o ódio. Carrega em seu seio uma aversão à inteligência, uma ojeriza à cultura.

O imbecil furioso se sente incomodado por tudo que chama à reflexão. Detesta a ciência, tem repugnância pela arte. Odeia a beleza que é incapaz de fruir. Como nada consegue criar, consagra-se à destruição. O cultivo da memória social aborrece o homem castrado pela estupidez. Ele abraça, portanto, o programa neofascista, que requer a mutilação da história. O vandalismo é sua única competência.

NOTÍCIAS Koinonia (4)

Mulheres vivas: para além do 8 de março

Há cinco anos, entramos em pânico diante da constatação de que estávamos vivendo uma pandemia. Ninguém sabia ao certo o que aquilo significava, mas, aos poucos, fomos tomando consciência de que se tratava de algo perigoso, assustador e mortífero. Embora houvesse pessoas que negassem o fato, ele estava dado e fazia estragos em diversas partes do mundo, impulsionando as pesquisas científicas em busca de antídotos e soluções para aquela crise sem fronteiras.

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KOINONIA participa da I Caminhada de mulheres evangélicas que mobiliza Salvador contra o feminicídio

No dia 7 de março, mulheres de diversas confissões de fé participaram da I Caminhada das Mulheres Evangélicas contra o Feminicídio, realizada entre a Praça do Campo Grande e a Praça da Piedade, em Salvador (BA). Durante o percurso, aconteceram falas em defesa do direito à vida e pelo enfrentamento ao feminicídio, intercaladas por momentos de louvor.

A atividade foi organizada pelo movimento Evangélicas contra o Feminicídio, em parceria com diversas organizações, coletivos e igrejas, entre elas Empodere sua Irmã, Cuxi Coletivo Negro Evangélico, MUPPS, CESE, Rede de Mulheres Negras Evangélicas, 8M Bahia, Movimento Negro Evangélico da Bahia e KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço, entre outras iniciativas de mulheres de fé comprometidas com a defesa da vida e o enfrentamento da violência de gênero.

Ritual de oferendas aos orixás

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O texto discute o racismo ambiental como uma expressão do racismo estrutural que afeta diretamente comunidades quilombolas na Bahia. Esse fenômeno ocorre quando impactos ambientais negativos — como poluição, contaminação da água, uso intensivo de agrotóxicos, mineração e degradação dos territórios — recaem de forma desproporcional sobre populações negras e tradicionais, muitas vezes sem que elas participem das decisões sobre o uso de seus próprios territórios.

Na Bahia, onde existem mais de 800 comunidades quilombolas, essas populações enfrentam conflitos fundiários, demora na titulação das terras, ausência de políticas públicas e violência contra lideranças. Apesar disso, o artigo destaca as formas de resistência quilombola, que incluem organização política, articulação com movimentos sociais, práticas agroecológicas, fortalecimento da educação comunitária e a preservação da espiritualidade e da ancestralidade.

Resistência e luta pela terra

Racismo Ambiental e Resistência Quilombola na Bahia

Este artigo analisa o cenário do racismo ambiental enfrentado pelas comunidades quilombolas na Bahia, destacando as múltiplas formas de resistência articuladas por essas populações. A partir de uma perspectiva crítica e interseccional, o texto evidencia como a violência ambiental é uma extensão do racismo estrutural no Brasil, atingindo de forma desproporcional povos negros e tradicionais. Ao mesmo tempo, reconhece o protagonismo quilombola na luta por justiça ambiental, territorialidade e direitos ancestrais.