Diálogo sobre Orientações Sexuais e Identidades e Expressões de Gênero na África

Foto: Mike Garcia/ WSCF

Artigo: Uma jornada necessária e urgente rumo à uma comunidade afirmativa e inclusiva:
Diálogo sobre Orientações Sexuais e Identidades e Expressões de Gênero na África

Por Natália Blanco*

 

No último mês de julho a Federação Universal dos Movimentos Estudantis Cristãs – FUMEC realizou na capital do Quênia, Nairóbi, África, o segundo Programa Interregional sobre Identidade, diversidade e diálogo (IDD). A iniciativa inédita no cenário dos Movimentos Estudantis Cristãos (MECs) africanos aconteceu durante os dias 10 a 16 de julho e reuniu cerca de 30 representantes dos movimentos de diversos países do continente Africano, Ásia, Oriente Médio, América Latina e América do Norte.

Foram 6 dias de imersão em estudos no Centro de Conferência Desmond Tutu (AACC) pensando novas leituras de textos bíblicos, discussões em grupos, e dinâmicas desafiadoras que nos fizeram refletir. Sem falar nas discussões em pequenos grupos, muito importante para compartilhar o que cada região vem discutindo, ou não, sobre o tema, e como é possível fazer relações com outros contextos.

Fomos inspirades por um grupo de pessoas referência no assunto, que trouxeram provocações riquíssimas para refletir à luz da Bíblia, dos Direitos Humanos e da realidade, qual o papel, como povo ecumênico, estamos exercendo.

Quando concordamos ou nos mantemos em silêncio diante da morte e da opressão de corpos e mentes, a quem o nosso cristianismo está servindo? Temos conosco a imagem de um Jesus que caminhou junto com o povo, que abraçou e foi desafiado pelo grito das pessoas?

Foto: Divulgação / WSCF

E por isso é tão fundamental sermos igreja que caminha. Uma fé que é descolada da realidade de nada serve. Pensando nisso, também tivemos a oportunidade de conhecer 3 organizações no Quênia que de certa forma trabalham com questões relacionadas na periferia da grande Nairóbi. Em especial conhecemos a Nuture Network, uma organização formada por um grupo de jovens migrantes e artistas LGBTQI+ de Ruanda que estão se refugiando no Quênia, em busca de melhores condições de vida.

Tivemos a oportunidade de escutar suas histórias de luta e resistência, pessoas que tiveram o direito à vivenciar a própria família, vida social, fé e qualquer outro aspecto negado em seu país, e por isso estão vivendo como uma organização de mídia independente produzindo conteúdo para redes sociais a fim de conseguirem gerar alguma renda para sobreviverem em comunidade.

Ao final desses dias muito intensos de escuta e diálogo o grupo de IDD da FUMEC Global redigiu uma Carta de posicionamento. Claro que desde o início a proposta do encontro não foi chegar á uma opinião unânime sobre o tema da sexualidade e identidade entre as pessoas participantes, mas como parte de um movimento global de juventudes, iniciar a discussão dentro do contexto africano.

A África é uma região conhecida pelo conservadorismo em relação aos dogmas religiosos cristãos, principalmente se tratando da discussão sobre direitos da população LGBTQI+, e tudo que envolve a diversidade sexual e de gênero. Em muitos países do continente a homossexualidade é ilegal e em alguns lugares, até sob pena de morte. E tudo isso muitas vezes pautado e respaldado pela defesa de valores africanos e sobretudo pelo discurso religioso cristão que condena a “imoralidade”.

Assim como consta na carta produzida pelo grupo, “África é o lar de muitas pessoas LGBTQI+ sofrendo em silêncio como eles não podem vir em público, porque é tabu pela cultura, um crime por lei e considerada um pecado pela igreja. Elas são rejeitadas por suas próprias famílias, a sociedade e até mesmo pela igreja. A maioria dos países africanos tem leis que criminalizam a homossexualidade. Como resultado, as pessoas LGBTQI+ vivem com medo ou se escondem ou fugiram de seus países para procurar asilo em países que são mais seguros.  Vivendo como refugiados, eles também passam por experiências muito traumáticas de leis duras, humilhação pública e ataques. A cultura africana e a Igreja condenam a homossexualidade como um pecado contra os deuses na concepção da criação da humanidade e não acolhendo ou abraçando pessoas LGBTQI+.”

Mas a pergunta interessante que o amigo Alex Chege, membro do MEC do Quênia, faz é: “mas estamos realmente protegendo “valores africanos” ou “valores bíblicos”? Não é irônico que essa mesma religião que estamos “defendendo” quando somos anti  LGBTQI+ não é originalmente africana e é usada por anos e anos como ferramenta para diluir fortemente os valores africanos, seja nas divisões do continente, das culturas e nossas formas de governo?”

É importante perceber como as estruturas de poder se beneficiam com o não avanço das discussões de gênero e sexualidade.

 

Na América Latina

A partir de uma perspectiva latinoamericana , podemos fazer uma reflexão e conexão com a nossa realidade. É claro que a vivência LGBTQI+ na América Latina e Caribe é muito diferente da vivência africana.

Temos visto experiências de igrejas e pessoas que resistem e tem se levantado e se posicionado diante das injustiças e da promoção da vida; outros sopros de teologia estão sendo produzidos e discutidos mesmo com a propaganda anti “ideologia de gênero” que insiste em deslegitimar através do discurso religioso os direitos das mulheres e todas as pessoas que fogem do padrão heteronormativo. Muitas pessoas LGBTQI+ estão reivindicando o direito de viver a fé e caminhar com o Cristo que caminhou com as pessoas.

Mas ao mesmo tempo percebemos que as ferramentas de discurso institucionalizadas usadas para a não promoção de direitos são muito parecidas com o que escutamos na África. Como o discurso conservador, que sempre existiu, vem tomado cada vez mais espaços.

Nossa região vem enfrentando nos últimos períodos, o aumento de recrudescimento de políticas públicas, o avanço do conservadorismo no cenário geopolítico e de discursos religiosos fundamentalistas e radicais, a perseguição contra pautas que signifiquem avanço de direitos como a discussão de gênero e violência, desigualdade social, raça e sexualidade.

A Bíblia é um livro instigante e fazer uma releitura dos textos que ela contém a partir de novos pontos de partida, olhares e perspectivas são fundamentais para entendermos as opressões que nos atravessam e que atravessavam o povo daquela época também. É essencial que nós como juventude ecumênica tenhamos esse discernimento para entender que o cristianismo, “o povo do livro” pode sim, ser usado como instrumento de libertação ou o aprisionamento.

Quênia, Zimbabwe, República Democrática do Congo, Malawi, Zâmbia, Madagascar, Uganda, Ruanda, Nigéria, Canadá, Brasil, Filipinas, Índia, Bangladesh, Austrália, Malásia, Sri Lanka, África do Sul, Reino Unido e Líbano foram os países representados e que se comprometeram a levar adiante este processo de diálogo. Na esperança de construir uma comunidade inclusiva para a justiça e a paz, onde as pessoas de diferentes orientações sexuais e identidades e expressões de gênero e características sexuais sejam afirmadas e celebradas.

A FUMEC ALC também tem iniciado esta jornada de diálogo para ser de fato uma comunidade ecumênica que afirma e celebra a diversidade. México, Colômbia, Cuba, Argentina e Brasil já vem realizando atividades sobre o tema, como rodas de diálogo, ações de incidência pública, ciclos de formação e etc.

No Brasil tivemos a recém experiência do 1º Congresso igrejas e comunidade LGBTQI+ em uma Comunidade Anglicana, realizado pela Paróquia da Santíssima Trindade e KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço. Uma iniciativa de pessoas e organizações baseadas na fé, causando incômodo nos setores conservadores.  Mas a mensagem é única: nosso cristianismo é o cristianismo que caminha com o povo. Nosso cristianismo é o que serve para a vida e não para a morte.

Não é afirmar que abraçamos a diversidade sexual e de gênero somente se eles permanecerem reféns nas mesmas estruturas de poder que os oprime. Não há sentido em acolher e afirmar a diversidade e reprimir outros aspectos de suas vidas. E isso inclui toda experiência dessas pessoas, seja física ou espiritual.

Entendemos que as mudanças virão se dialogar com as pessoas, e  não necessariamente apenas com os líderes das igrejas e movimentos. Temos que ler a Bíblia com o povo, a partir da experiência das pessoas, a partir de uma leitura popular. Sempre questionando se nosso discurso é apenas para poder e reforço de injustiças.

Vemos que a luta dos direitos das minorias, população LGBTQI+, mulheres, migrantes, pobres, indígenas, entre outras, não pode ser possível sem uma interseccionalidade, sem ter a visão de que estas são questões que estão dentro de um sistema econômico que fortalece as desigualdades e falta de oportunidades.

Nós olhamos e entendemos as desigualdades dentro desses temas. E isso passa por uma análise das classes sociais e das relações econômicas de poder. É necessário refletir sobre a situação de vulnerabilidade em que essas pessoas muitas vezes se encontram.

Vemos que não é certo aceitar as pessoas LGBTQI+ em nossas práticas, mas obrigá-los a seguir as mesmas leis, normas e costumes para “caber nas instituições”.  Também é necessário incluir experiências, limites, dores, desejos e sonhos, e reconhecendo nossos erros do passado, para olhar à frente com amor, esperança e empatia.

Entendemos que o segredo para se viver na unidade da diversidade é o diálogo. E um diálogo que abrace à todas as pessoas, um diálogo que construa pontes e não mais muros. Seguimos, ainda mais desafiades a continuar na busca pela justiça e um lugar na casa comum para todas as pessoas.

 

*Jornalista, comunicadora em KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço – ACT Aliança, integrante da Rede Ecumênica da Juventude – REJU, articulando também no movimento das Fé_ministas, Evangelicxs Pela Diversidade e leiga na Igreja Metodista da Vila Mariana – SP.

 

Contraponto: Religiosos progressistas e Comunidade LGBTI+ se unem em congresso e lançam carta frente ao aumento fundamentalismo nas religiões e na política

 

Documento enfatiza que discursos religiosos não devem ser instrumentos de opressão nas vidas LGBTI+ e que a narrativa cristã fundamentalista não é a única possível, entre outras questões.

Acesse a carta na íntegra em: http://bit.ly/CartaIgrejasComunidadeLGBTI   

A carta foi elaborada durante o 1º Congresso Igrejas e Comunidade LGBTI+ que aconteceu na Paróquia da Santíssima Trindade IEAB em São Paulo em parceria com KOINONIA Presença Ecumênica durante o feriado de Corpus Christi.

O documento que marca um posicionamento político, é assinado por pessoas das mais diversas igrejas e comunidades de fé e traz como proposta a afirmação de “pessoas lésbicas, gays, bissexuais, assexuais, travestis, transexuais, não binárias, intersexo, queer e outras expressões de gênero” frente às diversas religiosidades e comunidades de fé, além de denunciar experiências de exclusão e opressão contra essas pessoas.

No momento em que a sociedade brasileira vive um governo pautado e guiado por uma moral religiosa, o crescimento dos fundamentalismos religiosos acentua discursos contra a diversidade sexual e de gênero.

Por isso, a carta propõe um alerta à sociedade para a situação de vulnerabilidade da população LGBTI+ trazendo para o debate as questões dogmáticas de comunidades cristãs que em geral tendem a excluir e reforçar as vulnerabilidades e silenciar essas pessoas.

“Lamentamos e denunciamos que, como estratégia para alcançar representatividade, muitas lideranças políticas e midiáticas do campo religioso, sobretudo entre cristãos, estejam se apropriando e instrumentalizando o imaginário e a linguagem religiosa e teológica para produzir e disseminar pânico moral, ressentimento, medo e ódio a partir de expressões como “ideologia de gênero” e reforço da ‘hombridade’”, consta no documento.

Pessoas de diferentes partes do Brasil e de outros países como Estados Unidos, Argentina, Paraguai passaram por 3 dias de debates e mesas no 1º Congresso Igrejas e Comunidade LGBTI+. Temas como representatividade política, epidemia de HIV/ Aids, políticas públicas, acolhimento nas igrejas, experiências de resistência e leituras bíblicas a partir de outras teologias, foram abordados.

Com cerca de 200 participantes em média, e encontro reuniu não apenas pessoas leigas e lideranças do mundo religioso como protestantes, católicas, evangélicas pentecostais e neopentecostais, adventistas, budistas, lideranças de religiões de matriz afro e afrobrasileira mas também representantes da política como a deputada estadual Erica Malunguinho e Renato Simões, movimentos sociais e também pesquisadores/as da temática.

 

Bloco Interreligioso chamou a atenção na Parada do Orgulho LGBTI+ em São Paulo

No domingo, 23 de junho, grupos que participaram do congresso se juntaram a outras frentes religiosas para compor o bloco “Gente de Fé Contra a LGBTfobia”na Parada LGBTI+ na Paulista.

Carregando uma faixa com o nome do bloco, religiosas e religiosos paramentados eram aplaudidos e cumprimentados por muitas pessoas que viam o grupo passar. Atrás dos representantes.

A ideia surge também a partir da necessidade do resgate dessa espiritualidade LGBTI+, especialmente ao relembramos este ano os 50 anos de Stonewall, como a história da ativista trans Sylvia Rivera, que ao lado de Marsha Johnson foram destaques na noite de Stonewall. O que a história muitas vez não conta é sua trajetória como membra e coordenadora na Igreja da Comunidade Metropolitana ICM (Metropolitan Church Community, primeira comunidade cristã denominada inclusiva.

O Rev. Alex Silva Souto da Igreja Metodista Unida dos Estados Unidos, que participou de uma das mesas do congresso e caminhou com bloco na parada, destaca “Se a comunidade LGBTQIA+ tiver experiências positivas com comunidades religiosas, e vice versa todos ganharemos com isso. Como disse Rev. Dr. Martin Luther King Jr., “ninguém é livre até que todos estejam livres “, não há paz e liberdade sem justiça, e amor que é amor de verdade é incondicional além de palavras baratas”.

Para o Reverendo Budista Tetsuji do movimento Rainbow Shanga, “notamos muito a expressão de surpresa, emoção e apoio de muitas pessoas durante a caminhada e que nunca imaginariam em uma festa linda uma marcha de protesto contra a lgbtfobia por religiosos, ao mesmo tempo afirmando que há sim outras formas da população LGBT+ expressar suas religiosidades”.

Mais sobre o 1º Congresso Igrejas e Comunidade LGBTI+:
http://bit.ly/CongressoIgrejasComunidadeLGBTI

Nas redes sociais: confira a hashtag #IgrejasEComunidadeLGBTI

Evento do Congresso no Facebook (com mais fotos): http://bit.ly/EventoCongresso

Evento do Bloco da Parada no Facebook (com mais fotos):  http://bit.ly/BlocoGenteDeFeContraLGBTFOBIA

Artigo: “Você gosta de mim, mesmo sendo gay?”

Foto: Julio Cesar Silva/ Divulgação KOINONIA

Por Daniela Leão, 
Mestra em Ciências da Religião pela UMESP
Para KOINONIA

Essa pergunta me surpreendeu outro dia no watsapp. Minha primeira reação foi perguntar: “Como assim? Tá, sou sua amiga, mas o que eu tenho a ver com a sua sexualidade?” A segunda foi: “Por que você está me perguntando isso?”

Não consigo parar de pensar nesse fato! Claro que minha amiga estava angustiada e precisava da minha aprovação. Então, eu dei: “Eu te acolho, te gosto, te respeito, te aceito. (e ponto final!)” Mas por que essa necessidade? Tenho para mim que a resposta está na quantidade de desaprovação que ela tem recebido ultimamente.

Poucas vezes eu paro para pensar nas pessoas que são “desaprovadas” pela sociedade, sabia? Minha vida é tão cheia de aprovações… Olha só: nunca repeti de ano na escola, tenho carro e casa próprios, família de comercial de margarina, ocupo espaços de liderança na igreja etc, etc, etc. Enfim, aos olhos do mundo: estou aprovadíssima, tenho méritos, sou uma pessoa de sucesso! Ou Deus me abençoou? Mas… e quem vive sob o constante jugo da desaprovação? Essa pessoa não tem méritos, não é um sucesso? Deus não a abençoou?

Foi tentando analisar essa situação que me dei conta de que o que eu tive foi acesso a um privilégio socialmente construído e sorte! E isso não tem nada a ver com Deus. Tive o privilégio de ter tido tempo para sempre me dedicar aos estudos como prioridade na minha vida, privilégio de ter encontrado um bom trabalho, sorte de ter encontrado o meu marido antes de ele conhecer outra pessoa mais interessante do que eu, sorte de ter nascido heterossexual numa família de classe média, sorte de ter um dom que a comunidade acolha e com o qual me permita colaborar, privilégio de ter encontrado o motivo pelo qual eu vivo. Simplesmente tive sorte e privilégios!

Como posso querer invocar a bênção de Deus somente para mim e as/os socialmente aprovadas/os? Quer dizer que Deus nos abençoou e esqueceu-se da minha amiga e das/os outras/os? Jamais! Ele jamais os deixaria, os deixa ou virá a deixá-los sem a Sua bênção, todos os dias, sobre as suas vidas! Deus nunca abandonará ninguém. Ainda que uma mãe abandone um filho, Ele jamais o fará!

A angústia que minha Bela amiga sente não nasce da falta da bênção de Deus, mas da discriminação que a sociedade (incluindo a sua comunidade de fé) tem praticado para com ela. É a constante tentativa de colocá-la dentro de um padrão ou tentar mantê-la à margem – longe dos olhos dos preconceituosos – por não conseguir padronizar-se que se fazem presentes nas narrativas que ela escuta diariamente que a angustia e a faz sofrer. É a confusão que se faz entre a bênção de Deus e a aprovação social, somada à falta de amor para acolher a diversidade da criação de Deus que faz com que as/os marginalizadoras/es construturas/es de regras (neste caso, heteronormativas) não a reconheçam como igual, tratando-a como “não abençoada” ou “fora do padrão”, “desqualificada” para o convívio com os demais. Tal situação envia-lhe a mensagem: “esconda-se!”, o que provoca sensação de não pertencimento, gerando angústia no coração da Bela.

E, assim como minha amiga, muitas pessoas sentem que não pertencem a um grupo. Agora, pensemos nessa constatação neurocientífica: pertencer a um grupo, amar e ser amado pelos integrantes desse grupo é uma necessidade humana que precisa ser atendida, sem a qual não conseguimos alcançar o nosso pleno potencial como ser humano. A angústia causada pela falta de acolhimento em grupo é uma das grandes causas de transtornos físicos e mentais, porque é vital que seres humanos estejam em relação, uns com os outros. Quando se trata de relações sexuais, isso não é diferente.

Numa sociedade predominantemente cristã como a nossa, ainda mais cruel do que normatizar comportamentos e apontar os que estiverem “fora do normal” é classificar a homossexualidade (ou qualquer outra forma de expressão da sexualidade humana) como pecado. Ao fazer isso, somamos o peso da culpa à angústia causada pela sensação de não pertencimento. Notemos que essa “pecaminização” não trata de qualquer culpa, mas da pior: a culpa sem redenção. Por quê? Porque a sexualidade é uma pulsão, um movimento interno que direciona a vida e, uma vez descobertas suas condições sexuais, seres humanos não podem mais desfazer-se dessa pulsão. Nesse raciocínio acachapante de “pecaminizar” uma condição sexual, não há resgate possível para essa culpa, daí a profunda crueldade dessa ação.

Quando tomamos contato com narrativas contidas nos Evangelhos sobre a vida de Jesus, percebemos que Cristo praticou incessantemente o acolhimento às/os socialmente excluídas/os. Curou leprosos, acolheu prostitutas, cobradores de impostos e todos as/os pechadas/os como pecadoras/es de sua época. O nazareno gerou (no sentido de fazer germinar) ambientes de amor e acolhimento em volta de si. E os frutos desses ambientes tornaram-se permanentes. Por onde quer que passasse, as pessoas O aceitavam como filho de Deus porque ele amava e acolhia como o próprio Deus. Ao anunciar o Reino de Deus como um lugar onde todas/os teriam assento, Ele atende à necessidade humana de pertencimento a um grupo, de amar e ser amado pelos integrantes desse grupo. Foi essa a fé que nos alcançou. E esses relatos permanecem vivos e falam conosco sobre a psique humana desde sempre, inclusive nos dias de hoje.

Além de nos anunciar um espaço onde TODAS e TODOS caibam, os Evangelhos proclamam Jesus como o Cordeiro de Deus que TIRA o pecado do mundo. Olha que maravilha! Jesus TIROU O PECADO DO MUNDO! Então, se Jesus já tirou o pecado do mundo, quem somos nós, pequeninos diante da grandeza de Deus, para introduzi-lo novamente? É muita petulância!

Se formos verdadeiramente cristãs/os e quisermos segui-lo, a nossa missão não é a de fazer planilhas que classifiquem as pessoas, podando-as e fazendo-as ficar adequadas às regras sociais inventadas (sabe-se lá quando) por seres humanos. Também não é excluir quem quer que seja do nosso convívio, tampouco condenar ao anonimato as/os socialmente classificadas/os como “não adequadas/os”. Ao contrário de julgar e padronizar comportamentos, somos chamadas/os para proclamar a libertação que só Jesus pode dar! Nesta semana aprendi que libertação é a ação da palavra. Portanto, ao nos chamar para proclamarmos a Sua libertação, Jesus nos convida a agirmos de forma a promover a liberdade das/os cativa/os nas mais diferentes prisões em que se encontrem.

A missão para a qual Jesus nos convida é a de continuar contando a Sua história, vivendo e anunciando as Boas Novas da Sua vida. E para isso, Eles nos deixou várias instruções. Trago algumas que nos alimentam a esperança: “Acolham, não julguem. Não olhem nem apontem para o comportamento dos outros, preocupem-se com os seus próprios e os corrijam. Não se preocupem com o mundo, eu já o venci. Espalhem amor. Se alguém te magoar, perdoe. Tenham bom ânimo, acreditem: Eu sou o cordeiro que tira o pecado do mundo!”

De minha parte, eu te acolho, Bela amiga! A você, a sua companheira, a sua família e a todas/os que se sentirem marginalizadas/os e sem o necessário apoio para viver e praticar o amor humano. Vamos nos somar para livrar-nos uns aos outros das culpas e das angústias que o mundo nos impõem. Não se engane: todos nós somos podados ou praticamos a auto poda para sermos consideradas/os “normais” ou seja, para agirmos dentro das normas. Umas/uns sofrem mais, claro, outras/os (como eu), menos. Mas sabemos que Deus não quer que ninguém viva pela metade. Ao enviar Seu filho Jesus, o Pai quis que tivéssemos vida em abundância!

Não digo que terei sempre palavras acolhedoras, nem que saberei agir sempre da melhor forma. Também fui educada para julgar. Mas, se me quiserem, quero estar com vocês, desconstruindo normas que aprisionam e denunciando privilégios dos quais poucos possam gozar. Quero estar junto de vocês, construindo e espalhando o Reino de Deus, aprendendo juntas/os sobre a liberdade para a qual Jesus nos libertou. Não tenho medo, Deus está nos guardando, o próprio Cristo segue conosco e é o Espírito Santo quem nos anima e consola! E sigamos até o fim dos tempos… de opressão.

Igrejas e Comunidades LGBTI+ realizam Congresso em São Paulo

Movimentos sociais do campo e das cidades, representantes religiosos e pessoas LGBTI+ discutem fundamentalismo e exclusão em nome da religião

Texto: Mario Manzi – CPT e Wesley Lima – MST
Fotos: Julio Cesar Silva – Divulgação: Koinonia Presença Ecumênica

O 1º Congresso Igrejas e Comunidades LGBTI+, realizado entre os dias 19 e 23 de junho, na Paróquia da Santíssima Trindade, da Igreja Anglicana em São Paulo, reuniu as duas questões propostas no nome do Congresso, com o objetivo de construir unidade em torno da luta contra a LGBTfobia, tendo como principal desafio romper com o conservadorismo e o fundamentalismo religioso presentes na história brasileira. O Congresso foi realizado pela Paróquia da Santíssima Trindade e por Koinonia Presença Ecumênica e Serviço com o apoio de Igreja Episcopal Anglicana do Brasil/Junta Nacional de Educação Teológica (JUNET); Christian Aid Brasil; Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo; AHF Brasil.

O Congresso incluiu-se na programação de uma das maiores festas de luta do Orgulho LGBT do país, a Parada do Orgulho LGBTI+ de São Paulo. Especificamente no Congresso estiveram presentes cerca de 200 pessoas, entre elas, representantes de organizações sociais pelos direitos da população LGBTI+, entidades nacionais e internacionais e movimentos populares.

Ao analisar o processo histórico de lutas da população LGBTI+ em nosso país e o avanço do pensamento conservador nos últimos anos, principalmente a partir do discurso de ódio utilizado pelo atual presidente Jair Bolsonaro (PSL), Nancy Cardoso, teóloga e integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), afirmou que neste momento é central “celebrar a vida” à mesa de abertura, denominada “Fotografia do Momento Político, Econômico, Religioso, Movimento Social e suas implicações na Vida dos LGBTI+”.

Cardoso emendou: “Deus é amor. Mas existe um discurso que destrói as comunidades LGBTI+; destrói os corpos. Esse discurso é fundamentalista e destrói também as famílias. Por isso precisamos pensar uma teologia que consiga reconstruir a vida, as comunidades, a coletividade”.

“Existem conteúdos comuns que criminalizam a luta e os corpos LGBT. Existe um processo de globalização dessa cruzada. Nós somos reduzidos a uma teologia do corpo, que tem como base a disciplina dos corpos. Nesse sentido, se constrói uma discussão sobre o que é natural.”

Além disso, Cardoso pontuou que há, hoje, um movimento de uma Articulação dos Fundamentalistas Religiosos com o objetivo de ocupar espaços importantes mundialmente com um discurso conservador, normatizando as formas de viver e de amar, ampliando o debate em torno da ideologia de gênero. Entre eles, ela destaca o Congresso Mundial da Família, o Observatório, Vaticano e a Aliança Mundial da Juventude.
Para Renan Quinalha, professor de Direito da Unifesp – que também compunha a mesa –, a desqualificação do debate público é apontada como um dos piores pontos do atual governo “O pior estrago já está feito”. Como estratégia, o movimento deve sempre pensar o próximo passo, vez que a conquista de direitos não é um fim, que muitas vezes o desafio é conseguir fazer vigorar o direito conquistado. “O Direito Penal nunca resolveu problema nenhum em nossa sociedade, tem um recorte de classe, de raça muito importante”, afirmou em referência à criminalização pelo Superior Tribunal Federal (STF) da criminalização da homofobia. Apesar da análise, Quinalha classificou como positiva a resposta do STF ao ciclo de atropelos vivido neste governo Bolsonaro.

Igreja Anglicana

À mesa “Desafios da inclusão LGBTI+ na Comunhão de Igrejas Anglicanas: pistas de caminhos teológicos e pastoriais”, o reverendo Gustavo Gilson, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, descreveu brevemente o processo de conquista de espaço dentro da instituição a qual ele faz parte. Para ele ocorre uma “tensão entre o evangelho da radicalidade do amor e uma ideia da religião da lei, da normatividade, que quase sempre está a serviço de poderes econômicos e políticos”. Para ele os discursos religiosos e cristãos têm tido papel forte na reprodução e fortalecimento no modelo de poder cis-heteronormativo, portanto é necessário pensar um outro “modelo de eclesialidade” e enfrentar a misoginia e a lgbtfobia. “Não é uma necessidade apenas a quem se identifica, é uma questão de toda a Igreja, de toda a religião.”

Mesa “Jesus Cristo, rainha do céu” composta apenas por representantes trans

“Eu sei o que eu passei para ver Deus sorrir para mim”

Um deus que nem sempre sorriu para suas e seus filhas, filhos e filhxs. A frase é da pastora Alexya Salvador, da Igreja Comunidade Metropolitana (ICM). Junto a ela, somam-se diversas trajetórias expostas na mesa “Jesus Cristo, Rainha do Céu”, que convergem nos testemunhos de rejeição das igrejas e comunidades àquelas e àqueles que não se enquadravam nos padrões de normatividade sexual e de gênero eleitos por essas igrejas.

Esses lugares de fé foram pontuados como, por vezes, fechados a esses corpos que rejeitavam ou contestavam o controle das denominações religiosas. Pouco ou nada acolhedores a transgêneros, transexuais e travestis, esses lugares negavam a acolhida de deus.

Há um novo cenário. Alexya é hoje a primeira pastora trans da América Latina. E é a partir das trajetórias dessas pessoas excluídas, e por estas pessoas, que ela propõe o debate. “Entender que a partir de nós se desponta um cenário até então não visto, não falado, não só dentro de seus ambientes, mas para o mundo.”

Portas fechadas

Ao corpo travesti de Keila Simpson foi negado o acesso a deus pela igreja. “A igreja foi me mostrando a visão dela, que ela tinha comigo, e a Igreja foi começando a me excluir dela.” Foi nas ruas que Keila construiu sua religiosidade. “Deus me aceita da forma que eu sou, como prostituta trans de 53 anos. Na religião a gente vê exclusão, assepsia das pessoas. As igrejas estão incitando o ódio e a violência.”

O Congresso foi então debatido, em seu curso, pela mesa. Realizado no ambiente eclesial da paróquia, o lugar foi discutido, bem como a mesa formada apenas por pessoas trans. “Eu jamais pensei que fosse possível sentar nesse lugar. Meu rompimento foi com o homem, não com deus.”

Também na mesa, a ialorixá Fernanda de Morais, que descreveu todo o processo para tornar-se ialorixá no Candomblé, religião por vezes considerada como mais acolhedora às pessoas LGBTI+. Na fala de Fernanda, contudo, foi pontuado todo o processo de posicionamento que enfrentou para conquistar espaço dentro da religião a que faz parte.
No dia anterior, a deputada estadual por São Paulo, Erica Malunguinho (Psol), também falava aos presentes sobre a importância do Congresso, durante a mesa “Representatividade política de comunidades de fé e o respeito aos direitos LGBTI+”. “Esse encontro é uma resposta propositiva ao sistema que oprime.” Malunguinho ressaltou o papel da religiosidade na narrativa hegemônica, devendo ser também responsabilizada em um processo de reparação. “Processos de colonização não vem apenas com força bélica, mas como arte, cultura e religiosidade.”

Não há mais espaço para o quase

A dissociação entre política e religião foi debatida na mesa da qual fez parte a deputada. O cenário de retrocessos na esfera da conquista de direitos foi tratado, tendo sido consenso a necessidade de discutir os projetos de lei que tocam as comunidades LGBTI+. Renato Simões ao abordar a importância da representatividade política, pontuou sobre a necessidade das pessoas LGBTI+ se envolverem nos debates políticos. À fala dele somou-se a do pastor José Barbosa Junior, da Campanha Jesus cura a homofobia, que também tratou do envolvimento das pautas de combate ao racismo.

Organizações do Campo

Não só movimentos, organizações e pessoas de origem (ou da luta) urbana fizeram parte do 1o Congresso Igrejas e Comunidade LGBTI+. Presentes à ocasião, representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Pastoral da Juventude Rural (PJR) participaram ativamente das atividades e lembraram as pessoas LGBT’s do campo e suas pautas específicas.

Parada

No dia 23 de junho, durante a 23a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, os participantes do Congresso somaram-se ao bloco inter-religioso “Gente de Fé”, que levou à Avenida Paulista o discurso de cidadania religiosa para as pessoas LGBTI+. Um dia antes o Congresso realizado no bairro de Santa Cecília, havia produzido e debatido à exaustão carta aberta à sociedade, durante plenária ocorrida após as oito mesas temáticas do Congresso e a realização de nove oficinas. O documento deve ser publicado em breve.

Bloco Gente de Fé Contra a LGBTfobia em São Paulo. Foto: Julio Cesar Silva/ Divulgação KOINONIA

 

Veja também:  Da igreja à Parada LGBTI. Quem era o bloco interreligioso que agitou a Paulista

1º Congresso Igrejas e Comunidade LGBTI+ vai debater o respeito à diversidade nas comunidades religiosas em São Paulo

 

RELACIONADO: Religiosos de diferentes tradições se reúnem em bloco contra a LGBTfobia na Parada do Orgulho LGBTI+ em São Paulo – O bloco vai reunir diferentes tradições e organizações religiosas para afirmar que diversidade e fé são complementares e que o discurso religioso não deve mais ser ferramenta para excluir, silenciar, negligenciar e violentar corpos LGBTI+.

 

Representatividade política, epidemia de HIV/ Aids, políticas públicas, acolhimento nas igrejas, experiências de resistência e leituras bíblicas a partir de outras teologias, são alguns exemplos dos temas que serão abordados durante os 4 dias de evento

KOINONIA  e a a parceira Paróquia da Santíssima Trindade IEAB em São Paulo estão a frente da organização do 1º Congresso Igrejas e Comunidade LGBTI+ vai acontecer agora durante os dias 19 a 23 de junho, nas dependências da Trindade em São Paulo.

No mês marcado pelo Dia Internacional do Orgulho LGBTI+, que neste ano relembra os 50 anos da Revolta de StoneWall, a cidade vai receber pela primeira vez um evento que vai discutir a diversidade sexual e de gêneros a partir de uma perspectiva ecumênica, interreligiosa e latino-americana.

As mesas e oficinas de diversos temas como saúde, políticas públicas, política, inclusão, arte, entre outros, vão reunir lideranças políticas e religiosas, movimentos sociais e defesa dos direitos humanos, pessoas que pesquisam ou são interessadas na relação entre espiritualidade e questões LGBTI+.

O objetivo é além de discutir e refletir sobre espiritualidade e diversidade mas também estreitar laços dos espaços religiosos para minimizar o preconceito e intolerância no contexto desafiador do crescimento dos fundamentalismos e da fragilização de direitos de LGBTI+. O evento se encerra com um bloco de religiosos pela diversidade na Parada do Orgulho LGBTI+ no dia 23 de junho.

O congresso é um esforço coletivo de diversas organizações. As inscrições estão abertas e custam R$ 50 como forma de colaborar com bolsas para pessoas que gostariam de ir mas não tem recursos financeiros. Além disso foi criada uma vaquinha virtual para colaboração com essas bolsas.

 

Importância do movimento ecumênico e inter-religioso no enfrentamento de discursos religiosos fundamentalistas

É urgente e necessária a integração e reaproximação dos setores progressistas das religiões com o compromisso da afirmação e promoção dos direitos da comunidade LGBTI+ dado o contexto de retrocessos dos direitos LGBTI+ na maioria da região Latino Americana; o aumento significativo do fundamentalismo com campanhas  “contra a Ideologia de Gênero” e “Escola sem Partido”; e o aumento das desigualdades e violências que gera o aumento das vulnerabilidades da população LGBTI+ .

Colocar todo cristão e/ou comunidade cristã dentro deste pacote é um equívoco, e é sobre isso que o “1º Congresso Igrejas e Comunidade LGBTI+” vai tratar.

A verdade é que as comunidades baseadas na fé cristã têm apresentado diferentes posições nas questões envolvendo suas espiritualidades e a diversidade sexual e de gênero. Ora apoiando e acolhendo, ora excluindo ou invisibilizando seus fiéis e suas lideranças, tornando, ou não, seus espaços religiosos seguros.

E por isso o Congresso surge como uma demanda que vai além da análise de conjuntura; promoção de exemplos de ações inspiradoras no campo religioso e LGBTI+; a criação de redes de articulação de iniciativas existentes; e fortalecimento de atores para incidência pública na defesa dos direitos em um contexto de enfrentamentos e busca de proteção.

O Congresso busca utilizar a experiência de ecumenismo amplo, que no Brasil tem importância desde o período da ditadura militar, demonstrou ser uma importante ferramenta para o avanço do debate em pautas muitas vezes consideradas tabus no ambiente religioso.

Uma perspectiva ampla de ecumenismo permite estender a mesa para todas as pessoas de boa vontade, sejam elas de fé ou não, mas que compartilhem de um compromisso com a justiça e a inclusão de todas as pessoas.

 

KOINONIA e a pauta LGBTI+

KOINONIA já atua há mais de 20 anos com a temática, sendo Direitos da População LGBTI+ um dos nossos eixos de trabalho. 

Saiba mais:

A espiritualidade do orgulho LGBTI+
Solidariedade ao Jean Wyllys e à população LGBTI+
Juventude, sexualidade e direitos humanos: construindo pontes e aprendizados
Como o aumento do fundo partidário para mulheres abre discussões sobre gênero e diversidade LGBTI+ na política

Meu Corpo, Minha Fé

No último sábado, 02/02, aconteceu a Roda de diálogo Meu corpo, minha fé: violências e abusos da religião. Parceria entre KOINONIA, Reju São Paulo (Rede Ecumênica da Juventude), Evangélicas pela Igualdade de Gênero e Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito.

Pudemos escutar grandes contribuições de mulheres como Ivone Gebara, teóloga, filósofa e freira católica; Priscila Queiroz, assistente social e ativista da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito; Samantha Lodi, comunicóloga, historiadora, doutora em Educação, membro da ABPE (Associação Brasileira de Pedagogia Espírita) e do Coletivo Educacional de Mulheres Maria Lacerda de Moura. Maryuri Mora Grisales, teóloga, cientista da religião e ativista da Rede Ecumênica da Juventude; Iyá Adriana Toledo , zeladora do Ilê Axé Omó Nanã e integrante da Frente Interreligiosa Dom Paulo Evaristo Arns por Justiça e Paz. Sarah de Roure, coordenadora do programa para o Brasil da Christian Aid Brasil, Valeria Vilhena, teóloga, pesquisadora e fundadora da Evangélicas pela Igualdade de Gênero; e Angelica Tostes, teóloga, ativista inter-religiosa e da Rede Ecumênica da Juventude.

Ester Lisboa, de KOINONIA, também pode compartilhar sobre a iniciativa da Rede Religiosa de Proteção à Mulher Vítima de Violência, que aposta no potencial das comunidades religiosas para o acolhimento, buscando transformá-las em espaços de informação e prevenção da violência contra mulheres de diferentes faixas etárias.

O encontro, também proporcionou momentos de desabafos, compartilhar de sentimentos e vivências que nos fazem refletir para agir. Movimentos como Católicas Direito de Decidir, Diversidade Católica, entre outros.

“A gente entende que nossa missão profética é vir afirmar a nossa presença dentro dos espaços religiosos. E mostrar que a igreja cristão não é essa aí que está e não nos representa. Não é essa igreja cis hetero normativa, branca. É uma igreja diversa, é uma igreja plural, que reflete a imagem de um Deus plural, de um deus que é trindade, que nós acreditamos”, contribuiu Cris Serra, da Diversidade Católica.

De luto, à luta!

Também tivemos a honra de contar com uma participação à distância de Sabrina de Campos Bittencourt, ativista que há anos trabalhou denunciando e lutando contra a violência e opressão para com as mulheres nas comunidades religiosas, como no último caso noticiado de João de Deus. Sabrina, de 38 anos nos deixou no mesmo sábado, cometendo suicídio aos 38 anos.
Ela era porta-voz do movimento COAME – Combate ao Abuso no Meio Espiritual, responsável coletivamente em conjunto com Grupo Vítimas Unidas, por denunciar, acolher as vítimas e articular com a sociedade civil os crimes cometidos por líderes religiosos.

KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço se solidariza com a famílias e amigos de Sabrina, na certeza de que sua luta não será em vão nesta jornada por um mundo mais justo e igualitário para todas as mulheres, todas as pessoas.

Confira as fotos do encontro: https://goo.gl/KTMr2S

 

Fotos e texto: Natália Blanco/ KOINONIA.

 

Neste ano, especificamente em abril, KOINONIA celebra 25 anos de existência. Anos de muita luta por direitos, desafios e também de alegrias. Conheça KOINONIA.

Solidariedade ao Jean Wyllys e à população LGBTI+

A notícia sobre um contexto de ódio e difamações que se mantém no Brasil nos entristece.
Estamos em solidariedade com Jean Wyllys (único deputado federal LGBTI+ eleito assumido) e sua decisão que deve ser respeitada e divulgada como denúncia de um ambiente adverso. Se o país está ameaçador para uma figura pública e parlamentar eleita, nossas atitudes e preces se voltam para o conjunto invisível da fragilizada população LGBTI+. Quantas ameaças e necessidades de afastamentos e violências vão se cumprir?
Seguiremos na resistência e na solidariedade, e seremos voz onde e quando pudermos fazer coro, com os desejos de paz e direitos com justiça pra todas as pessoas!

#KOINONIA25anos
#KOINONIApordireitos
#OAmorLançaForaTodoMedo

Neste ano, especificamente em abril, KOINONIA celebra 25 anos de existência. Anos de muita luta por direitos, desafios e também de alegrias. Conheça KOINONIA.

#ActuandoUnidas – KOINONIA e ACT Aliança pela fim da violência de gênero!

(Versión en español al final de la página)

Entre os meses de julho a novembro de 2018, muitas ações de KOINONIA continuaram a estar focadas nos eixos temáticos que promovem e fortalecem direitos das mulheres e da população LGBTI+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersexos e outras identidades e orientações sexuais), suscitando e aprofundando, também entre religiosos, o debate sobre os temas da não-discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, assim como o da questão da violência contra a mulher.

  • No campo da promoção da igualdade de gênero, tiveram seguimento às ações de fortalecimento do protagonismo das mulheres quilombolas com ênfase no fortalecimento da autonomia econômica centrada na identidade negra, através do projeto Comércio com Identidade apoiado pela Secretaria Estadual de Trabalho, Emprego e Renda e Pão Para o Mundo.
    • Apoio e participação em debates, caminhadas e seminários do movimento Julho das Pretas, na cidade de Salvador, Bahia. (Em 25 de julho de 1992, a Primeira Reunião de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, na República Dominicana, foi concebida como um dia de luta para refletir sobre a condição das mulheres negras na América Latina e no Caribe, e venceu a criação de Julho das Pretas).
    • Foram realizadas oficinas, reuniões de avaliação, atividades de intercâmbio, feiras das mulheres quilombolas (agricultoras/pescadoras), em temas como enfrentamento e combate à violência contra as mulheres, fabricação de bio-jóias, turismo comunitário e gastronomia/restaurantes de quilombos, construção de logomarca de produtos e estratégias de comunicação centrada na identidade negra, empreendedorismo e comercialização.
    • As locais das ações de “Comércio com Identidade” são cidades do estado da Bahia.
    • Articulações de mulheres quilombolas no estado do Rio de Janeiro: Com a parceria de KOINONIA, mulheres quilombolas do estado do Rio de Janeiro reuniram-se em agosto discutindo o tema relações de gênero e a criação de um coletivo de mulheres quilombolas.
    • Articulações em nível nacional: Quatro mulheres quilombolas do encontro estadual do RJ participarão como delegadas do Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas em dezembro de 2018, em Goiânia, MT.

 

Na defesa dos direitos da população LGBTI+, KOINONIA tem atuado pela superação de estigmas no campo da saúde e afirmação de direitos, cujo reflexo mais grave é a vulnerabilidade do grupo – principalmente da juventude – ao HIV e outras IST (Infecções sexualmente transmissíveis). Nessa linha, temos nos empenhado na formação de lideranças para atuarem como agentes de prevenção em saúde e defesa de direitos sexuais e reprodutivos de LGBTI+. Em relação a pessoas transexuais e travestis, o eixo tem abrigado projetos e iniciativas visando incluir tais sujeitos na experiência cidadã. Não é nenhuma novidade que infelizmente o Brasil ocupa espaço em péssimas e alarmantes estatísticas quanto aos direitos da população LGBTI+ sua diversidade e intersecções.

  • Juventude, Sexualidade e Direitos Humanos e o projeto Prevenção Sem Fronteiras: A parceria de KOINONIA com o Programa Municipal de DST/ Aids de São Paulo, vem atuando desde novembro de 2017, visa à realização de oficinas em diversos espaços da juventude na periferia da cidade de São Paulo. Escolas, coletivos, associações de bairro e comunidades religiosas estão entre os espaços que o projeto circula. O objetivo é construir junto pontes de diálogo e trocar experiências de aprendizado com a juventude.
    • Foram realizadas oficinas sobre Direitos Humanos, Prevenção e Sexualidade. Lúdicas e interativas – a exemplo do jogo Prevenidas Game, que conta com uma metodologia de jogo de tabuleiro humano sobre prevenção- as oficinas abordam temas como participação juvenil, direitos humanos e comunicação positiva, aonde o jovem é instigado ao aprendizado e à disseminação de informação.
    • Os locais das ações de “ Prevenção Sem Fronteiras “ e a periferia da cidade de São Paulo.

 

  • Encontro Nacional Evangelicxs Pela Diversidade para discutir o Movimento LGBTI+, Desafios e Perspectivas no Brasil pós-eleições e estratégias de atuação. KOINONIA participou e apoiou esta reunião realizada na cidade do Rio de Janeiro, UERJ, em novembro de 2018. Evangélicxs – Juntos pela Diversidade é uma iniciativa, uma campanha e um movimento que visa ampliar e qualificar a conversação sobre a relação entre a diversidade sexual, identidade de gênero e fé cristã evangélica, levando em conta o cenário de crescente conservadorismo nas comunidades cristãs

 

Texto en Español:

Entre los meses de julio a noviembre de 2018, varias de las acciones de KOINONIA continuaron estando enfocadas en los ejes temáticos que promueven y fortalecen derechos de las mujeres y de la población LGBTT (lesbianas, gays, bisexuales, travestis, transexuales, intersexos y otras identidades y orientaciones ), suscitando y profundizando, también entre religiosos, el debate sobre los temas de la no discriminación por orientación sexual e identidad de género, así como el de la cuestión de la violencia contra la mujer.

  • En el campo de la promoción de la igualdad de género, tuvieron seguimiento a las acciones de fortalecimiento del protagonismo de las mujeres quilombolas con énfasis en el fortalecimiento de la autonomía económica centrada en la identidad negra, a través del proyecto Comercio con Identidad apoyado por Secretaría Estatal del Trabajo Renta y Empleo y la agencia de cooperación internacional Pan para el mundo.
    • Apoyo y participación en debates, caminatas y seminarios del movimiento Julio de las Pretas, en la ciudad de Salvador, Bahía. (El 25 de julio de 1992, I Encuentro de Mujeres Afro-Latinoamericanas y Afro-Caribeñas, en la República Dominicana, fue pensado como día de lucha para reflexionar sobre la condición de las mujeres negras en América Latina y el Caribe, y ganó destaque la creación del Julio de las Pretas).
    • Se realizaron talleres, reuniones de evaluación, actividades de intercambio, ferias de las mujeres quilombolas (agricultoras / pescadoras), en temas como enfrentamiento y combate a la violencia contra las mujeres, fabricación de bio-joyas, turismo comunitario y gastronomía / restaurantes de quilombos, construcción de logo de productos y estrategias de comunicación centrada en la identidad negra, el desarrollo del espíritu empresarial y la comercialización.
    • Los locales de las acciones del “Comercio con Identidad” son ciudades en el estado de Bahía.
    • La articulación de mujeres quilombolas en el estado de Río de Janeiro: Con el apoyo de KOINONIA, mujeres quilombolas del estado de Río de Janeiro se reunieron en agosto discutiendo el tema relaciones de género y la creación de un colectivo de mujeres quilombolas.
    • Articulaciones a nivel nacional: Cuatro mujeres quilombolas del encuentro estadual del RJ participarán como delegadas del Encuentro Nacional de Mujeres Quilombolas en diciembre de 2018, en Goiânia, MT.

 

En la defensa de los derechos de la población LGBTI+, KOINONIA ha actuado por la superación de estigmas en el campo de la salud y afirmación de derechos, cuyo reflejo más grave es la vulnerabilidad del grupo -principalmente de la juventud- al VIH y otras IST (Infecciones sexualmente transmisibles). En esta línea, nos hemos comprometido en la formación de liderazgos para actuar como agentes de prevención en salud y defensa de derechos sexuales y reproductivos de LGBTI+. En cuanto a personas transexuales y travestis, el eje ha acogido proyectos e iniciativas para incluir tales sujetos en la experiencia ciudadana. No es ninguna novedad que desafortunadamente Brasil ocupa espacio en pésimas y alarmantes estadísticas en cuanto a los derechos de la población LGBTI + su diversidad e intersecciones.

  • Juventud, Sexualidad y Derechos Humanos y el projeto Prevencion Sin Fronteras: La asociación de KOINONIA con el Programa Municipal de ITS / Sida de São Paulo, viene actuando desde noviembre de 2018, habiendo realizado talleres en diversos espacios de la juventud en la periferia de la ciudad de São Paulo. Escuelas, colectivos, asociaciones de barrio y comunidades religiosas están entre los espacios que el proyecto circula. El objetivo es construir junto puentes de diálogo e intercambiar experiencias e informaciones, de aprendizaje con la juventud.
    • Sobre Derechos Humanos, Prevencióny Sexualidad, se ha realizado talleres lúdicos e interactivos (por ejemplo el Prevenidas Game, una metodología de juego de tablero humano sobre prevención elaborado por los jóvenes involucrados en las acciones de KOINONIA). Otros temas son participación juvenil, derechos humanos y comunicación positiva, donde la juventud es instigada al aprendizaje y a la diseminación de información.
    • Los lugares de las acciones de la “Prevención sin Fronteras” son barrios de la periferia de la ciudad de São Paulo y el público es la juventud.
  • Encuentro Nacional de Evangelicxs por la Diversidad para dialogar sobre el Movimiento LGBTI, Desafíos y Perspectivas en Brasil post-elecciones y estrategias de atuaccion. KOINONIA participó y apoyó este encuentro celebrado en la ciudad de Río de Janeiro, UERJ, noviembre de 2018. Evangélicxs – Juntos por la Diversidad es una iniciativa, una campaña y un movimiento que pretende ampliar y calificar la conversación sobre la relación entre diversidad sexual, identidad de género y fe cristiana evangélica, llevando en cuenta el escenario de creciente conservadorismo en las comunidades cristianas

 

Declaração pública da Aliança ACT sobre solidariedade e democracia no Brasil

 

Declaração pública da Aliança ACT sobre solidariedade e democracia no Brasil

O Brasil enfrenta uma grave crise política, social, econômica e ambiental, caracterizada pela ameaça real ao Estado Democrático de Direito, que se revela na ameaça às liberdades civis, no ataque aos direitos humanos e a demais garantias fundamentais presentes na Constituição Federal.

O processo eleitoral ocorreu em cenários de violência política, comparado às ondas fascistas, de tempos passados. Símbolos da suástica apareceram em diferentes lugares públicos, em especial universidades, espaços onde circulam LGBTI+, igrejas.

A instrumentalização entre religião e política foi outra característica deste processo eleitoral. Bispos, pastores, padres têm colocado sua influência religiosa para apoiar projetos políticos claramente contrários aos direitos humanos, uma vez que reforçam a liberação do porte de armas para a população civil, defendem a o patriarcado, negam os direitos às mulheres e LGBTI+. Além da crise de instituições como Supremo Tribunal Federal, Minsitério Público Federal, experimentamos uma crise das instituições eclesiásticas.  Como ocorreu em outros países, em especial Inglaterra e EUA, no Brasil as fake news inundaram o processo eleitoral.

O resultado eleitoral autoriza o crescimento de posições fascistas. A democracia está em risco.

O atual contexto se caracteriza pelo aumento da intolerância, do racismo e da violência. Há um crescimento da violência de gênero e um retrocesso na justiça de gênero (são 12 mulheres assassinadas por dia). As violações de direitos humanos contra a população negra é uma prática sistemática, os dados do homicídio da juventude negra revelam o poder de extermínio do racismo brasileiro: 63 mortes de jovens negros por dia. Quanto aos indígenas, são assassinados mais de 100 por ano e cerca de 800 morrem por desnutrição e doenças (10% crianças menores de 5 anos) por ano e já são mais de 100 suicídios de indígenas por ano.

Em um país que não reconhece o valor da diversidade religiosa, não surpreende a atual perseguição às espiritualidades afro-brasileira e indígena. Ambas sofrendo vários tipos de ameaça e pressão. Tais pressões revelam o vínculo entre interesses financeiros de grupos ligados à mineração, agronegócio e mercado imobiliário, uma vez que, uma forma de desterritorialização de tradições indígenas, por exemplo, é justamente atacar ou eliminar sua religião, que oferece a cosmovisão e o sentido de vida a estes povos.  

Destaca-se o aumento dos crimes contra defensores de direitos humanos, com prisões arbitrárias, criminalização e assassinatos: segundo a Comissão Interamericana, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), três a cada quatro assassinatos de defensores de direitos humanos no mundo aconteceram na América Latina, concentrados no Brasil e na Colômbia, sendo em média, um assassinato a cada cinco dias no Brasil.

No dia 15 de outubro de 2018 foi publicado o Decreto 9.527 que cria a Força-tarefa de Inteligência para o enfrentamento do crime organizado. Sem esclarecer o que se compreende como crime organizado, organizações de Direitos Humanos e movimentos sociais identificam este Decreto como um meio de criminalização e perseguição contra organizações sociais que atuam em favor da justiça socioambiental, direitos humanos e organização popular.

Nós, Organizações Baseadas na Fé, nos vemos diante de um imperativo ético e profético.

Nossa fé é política na medida em que assume a responsabilidade cristã que vem do Batismo. É esta fé que nos compromete incondicionalmente com a dignidade humana, com o cuidado dos bens comuns, com a cultura da paz e da não violência, com a promoção dos direitos humanos e da justiça, expressos claramente no Evangelho, em especial, nas Bem-aventuranças (Mt 5.1-12), e nas práticas de misericórdia (Mt 25.35-45).

Portanto, denunciamos:

O fascismo e as suas ameaças à democracia;

As perseguições à espiritualidade afro-brasileira e indígena, e afirmamos a importância do enfrentamento às intolerâncias religiosas;

A violência de gênero;

A criminalização e assassinatos das Defensoras e Defensores dos Direitos Humanos, Civis, Políticos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (DHESC-A) em movimentos sociais, em redes e em organizações de ativismo e solidariedade social.

E chamamos à ação:

Os governos e organizações internacionais, para denunciarem essa situação e atuarem para a proteção e a garantia da segurança daqueles e daquelas que lutam pela causa da justiça e da paz, defensores e defensoras dos DHESC-A;

A solidariedade internacional em seus diversos organismos de diaconia, de ajuda e de financiamentos multilaterais e dos Estados, de modo a garantir um processo econômico com modelos inclusivos, de respeito à autogestão, autorregulação e participação dos povos tradicionais, das minorias e de todas as pessoas e comunidades excluídas do mercado de trabalho e de produtos, e a garantir o uso das riquezas do país para a redução das desigualdades socioeconômicas, para não deixar ninguém para trás, conforme os compromissos da Aliança ACT em seu documento sobre Desenvolvimento Transformador;

As instâncias de advocacy multilaterais à defesa do Estado Democrático de Direitos, que proteja, garanta e promova a realização permanente dos DHESC-A, e que invista em todos os mecanismos possíveis de redução das desigualdades e garantia da justiça de gênero, em colaboração com todos os membros da nossa Aliança e outros fóruns de ACT, bem como outros fóruns e redes de defesa dos direitos humanos, bem como com a comunidade ecumênica global;

Todas as iniciativas inter-religiosas que valorizam a importância da democracia direta, participativa e ampla, para difundirem a importância do Estado Laico, que deve zelar pela livre manifestação de todas as religiões e que deve pautar as políticas públicas a partir dos direitos civis e constitucionais, sem estar baseado em uma religião específica.

Juventude, sexualidade e direitos humanos: construindo pontes e aprendizados

Por Natália Blanco/ KOINONIA

Cidade Tiradentes é um daqueles bairros bem afastados do Centro de São Paulo. Você anda, anda, anda e nunca chega. E quando chega, o clima parece, por vezes, com aquelas cidadezinhas de interior. Muita gente circulando nas ruas, muitas casas, comércios, serviços.

Um deles é o CEDESB – Estação do Saber, antigo Centro da Juventude. Lá, mais de 100 pessoas, em sua maioria jovens e adolescentes, participam de cursos de capacitação nas áreas de administração e recursos humanos. A turma da manhã é bem diversa. Adultos, idosos, adolescentes, jovens. A turma da tarde, por conta do horário, é basicamente formada por adolescentes.

Há cerca de 7 quilômetros dali, fica a Escola Estadual Professor Guerra Junqueiro, em Guaianazes. O trajeto de carro, entre os dois lugares é de 20 minutos. De transporte público, mais de 1 hora. Um lugar também repleto de juventude.

E há mais ou menos 10 quilômetros de Guaianazes está o espaço da organização de jovens São Mateus em Movimento, no bairro de São Miguel, também na zona leste de São Paulo.

Bairros vizinhos, com uma população de perfil parecido e com muitos dos mesmos problemas na falta de planejamento de políticas públicas. Além disso, o que mais essas regiões têm em comum? Uma juventude com vontade de ser, de aprender, absorver, se descobrir e descobrir um mundo cheio de possibilidades.

São nestes espaços que as oficinas do projeto Prevenção Sem Fronteiras*, parceria de KOINONIA com o Programa Municipal de DST/ Aids de São Paulo, vem atuando desde abril de 2018. O objetivo não é “levar conhecimento” sobre as questões de direitos humanos, prevenção e sexualidade, e sim construir junto pontes de diálogo e trocar experiências de aprendizado com a juventude.

Para Beatriz Barbosa, 14 anos e aluna da E. E. Guerra Junqueiro, “a gente tem que saber nossos direitos na sociedade agora que estamos na nossa adolescência, para quando chegarmos à idade adulta sabermos respeitar o direito do próximo é saber lutar pelos nossos. Uma pessoa tem o direito de sair na rua sem ser assediada ou atacada pelas outras pessoas. Todos temos os mesmos direito não importa se é gay, lésbica e etc.”

A metodologia das oficinas engloba temas como participação juvenil, direitos humanos, intolerância religiosa, comunicação, prevenção e sexualidade. E além dos momentos de roda de conversa, são realizados momentos práticos de dinâmica como, por exemplo, o jogo Prevenidas Game, um jogo de tabuleiro humano sobre prevenção.

E Mariane Cardoso, de 15 anos e também aluna acrescenta: “Eu achei muito legal o jogo da prevenção, muitas vezes a gente não tem uma abertura para falar em casa sobre o assunto, temos vergonha. É legal conversar sobre isso para a gente saber o que fazer”.

Confira outras materiais, notas, vídeos e fotos do projeto Prevenção Sem Fronteiras na nossa página no Facebook.

 

 

Vídeo Prevenção Sem Fronteiras: Direitos? A gente precisa deles? Pra quê?

 

Vídeo Prevenção Sem Fronteiras: Fé X Intolerância

 

*O projeto Prevenção Sem Fronteiras visa a realização de oficinas sobre Sexualidade, Direitos Humanos e Prevenção em diversos espaços da juventude na cidade de São Paulo. Escolas, coletivos, associações de bairro e comunidades religiosas estão entre os espaços que o projeto visa circular. Com oficinas lúdicas e interativas com temas como participação juvenil, direitos humanos e comunicação positiva, o jovem é instigado ao aprendizado e à disseminação de informação.