KOINONIA participa de seminário sobre injustiça e desigualdades em São Paulo

 

Foto: Natália Blanco/ KOINONIA para Christian Aid

Por: Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC
Com adaptações

Injustiça e Desigualdades no Brasil hoje: Desafios Teológicos e Respostas de Fé. Este foi o tema de um seminário promovido pela Christian Aid, dias 5 e 6 de setembro, em São Paulo, e que contou com a participação do CONIC, representado pela secretária-geral Romi Bencke.

O objetivo era promover debates entre teólogas/os e diferentes atores da sociedade civil (movimentos sociais, organizações baseadas na fé, ONG´s, Igrejas) para a inovação de respostas ecumênicas ao retrocesso de direitos e controle dos recursos naturais em nosso país.

Contextualização

O trabalho de igrejas e organizações baseadas na fé por justiça social é reforçado por formulações teológicas que oferecem respostas aos desafios de cada contexto. É nesse sentido que Christian Aid organizou o Seminário com movimentos sociais, teólogos e teólogas, igrejas e organizações da sociedade civil, afinal, precisávamos debater temas como aumento da violência e do autoritarismo, desigualdade no acesso aos recursos naturais e a atuação de setores religiosos fundamentalistas foram alguns dos temas discutidos.

Debatedores
O evento iniciou com Doris Vasconcelos, representando a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), apresentando quem são as vozes proféticas na Amazônia e como a Igreja Católica vem trabalhando para defender as forças vivas na região e para promover sua presença como um sinal de esperança para os povos.
Ivanei Dalla Costa, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), mostrou os desafios enfrentados pelo MAB em suas lutas cotidianas de resistência junto às pessoas que tiveram sua existência desrespeitada e atropelada pelos megaprojetos e interesses de empresas privadas.
Pedro Abramovay, diretor para América Latina e Caribe da Open Society Foundations, apontou para o papel estratégico do Brasil na disputa entre discursos religiosos dicotômicos, e alertou para os perigos da associação entre atores religiosos e setores corruptos da sociedade latinoamericana.

Para Nancy Cardoso, teóloga da Christian Aid, a cooptação de discursos religiosos por atores que se beneficiam das injustiças é um sintoma do que Walter Benjamin chamou de parasitismo da religião pelo capitalismo: “A Bíblia nunca foi tão importante, e a Bíblia não quer dizer nada”. Nancy afirmou que uma interpretação radical do Evangelho nos permite ver que toda riqueza e concentração de recursos de parábolas é negativa. Através como Ezequiel e O Jovem Rico, fica claro que o desvelamento dos mecanismos de reprodução da desigualdade é uma condição para esperança e salvação.

Segunda etapa
A seguinte mesa explorou os desafios relacionados à apropriação dos recursos naturais. O representante do MAB apresentou dados sobre as riquezas naturais do Brasil e por que o país está na mira dos interesses geopolíticos internacionais. A Sempreviva Organização Feminista (SOF) trouxe casos relacionados à organização de comunidades por seus recursos e direitos, e provocou o grupo a pensar em como manter formas de vida em comunidades que vivem em comunhão com a natureza.

O teólogo Fabio Py conduziu o público por uma reflexão sobre o movimento de Jesus, que foi um movimento de trabalhadores pobres, de camadas excluídas da população, contra a subjugação do império Romano. Para Fabio, esse Jesus permanecerá para sempre fora da historiografia oficial, e é o papel daqueles comprometidos com a justiça desenvolver uma narrativa alternativa que complemente seu legado.

Terceiro tempo
Marilia Schüller esteve representando KOINONIA, compartilhando as experiências de resistência e desafiadora no contexto atual, ao trabalhar a partir de uma perspectiva interreligiosa e ecumênica pautas na promoção de direitos com a superação da intolerância e racismo religioso, justiça de gênero, população LGBTQI+ e comunidades negras tradicionais. Foto: Natália Blanco/ KOINONIA para Christian Aid
Seguindo a mesma estrutura, a terceira mesa trouxe experiências de MST e Koinonia no enfrentamento à violência e ao retrocesso em direitos fundamentais. Suas falas convocaram à elaboração de alternativas, mas não teóricas – em termos práticos, quais são os elementos que nos levam a uma boa vida? Nesse sentido torna-se urgente construir novas pontes entre diferentes grupos culturais e lutas específicas.
O teólogo Fellipe dos Anjos conduziu uma reflexão sobre como a teologia pode ajudar nessa tarefa – mas somente se deixamos de lado as visões que colocam a religião como lugar do passado. Para Fellipe, a teologia é uma linguagem viva que legitima alguns valores e formas de vida em detrimento de outras, e a tarefa é produzir novas teologias e reafirmar novos valores.
Última mesa
Na última mesa, a reflexão teológica esteve no centro no debate e refletiu os elementos levantados anteriormente. Yuri Orozco (pelo CONIC) apresentou uma síntese das reflexões anteriores e enfatizou a necessidade de buscar novas formas de teologia que reflitam o ser humano como sujeito coletivo.
A teóloga anglicana Bianca Daebs refletiu sobre o papel privilegiado da teologia com o potencial de trazer novos sujeitos do discurso para o centro da arena.
O pastor Ricardo Gondim compartilhou sua experiência como pastor enfrentando os desafios de defender a justiça em um contexto que em as pessoas buscam saídas fáceis pela religião. “Nossa missão não é que as pessoas se sintam bem nos cultos, mas sim que sejam chamados carvalhos de justiça, plantio do Senhor, para manifestação da sua glória”, concluiu.

Diálogo sobre Orientações Sexuais e Identidades e Expressões de Gênero na África

Foto: Mike Garcia/ WSCF

Artigo: Uma jornada necessária e urgente rumo à uma comunidade afirmativa e inclusiva:
Diálogo sobre Orientações Sexuais e Identidades e Expressões de Gênero na África

Por Natália Blanco*

 

No último mês de julho a Federação Universal dos Movimentos Estudantis Cristãs – FUMEC realizou na capital do Quênia, Nairóbi, África, o segundo Programa Interregional sobre Identidade, diversidade e diálogo (IDD). A iniciativa inédita no cenário dos Movimentos Estudantis Cristãos (MECs) africanos aconteceu durante os dias 10 a 16 de julho e reuniu cerca de 30 representantes dos movimentos de diversos países do continente Africano, Ásia, Oriente Médio, América Latina e América do Norte.

Foram 6 dias de imersão em estudos no Centro de Conferência Desmond Tutu (AACC) pensando novas leituras de textos bíblicos, discussões em grupos, e dinâmicas desafiadoras que nos fizeram refletir. Sem falar nas discussões em pequenos grupos, muito importante para compartilhar o que cada região vem discutindo, ou não, sobre o tema, e como é possível fazer relações com outros contextos.

Fomos inspirades por um grupo de pessoas referência no assunto, que trouxeram provocações riquíssimas para refletir à luz da Bíblia, dos Direitos Humanos e da realidade, qual o papel, como povo ecumênico, estamos exercendo.

Quando concordamos ou nos mantemos em silêncio diante da morte e da opressão de corpos e mentes, a quem o nosso cristianismo está servindo? Temos conosco a imagem de um Jesus que caminhou junto com o povo, que abraçou e foi desafiado pelo grito das pessoas?

Foto: Divulgação / WSCF

E por isso é tão fundamental sermos igreja que caminha. Uma fé que é descolada da realidade de nada serve. Pensando nisso, também tivemos a oportunidade de conhecer 3 organizações no Quênia que de certa forma trabalham com questões relacionadas na periferia da grande Nairóbi. Em especial conhecemos a Nuture Network, uma organização formada por um grupo de jovens migrantes e artistas LGBTQI+ de Ruanda que estão se refugiando no Quênia, em busca de melhores condições de vida.

Tivemos a oportunidade de escutar suas histórias de luta e resistência, pessoas que tiveram o direito à vivenciar a própria família, vida social, fé e qualquer outro aspecto negado em seu país, e por isso estão vivendo como uma organização de mídia independente produzindo conteúdo para redes sociais a fim de conseguirem gerar alguma renda para sobreviverem em comunidade.

Ao final desses dias muito intensos de escuta e diálogo o grupo de IDD da FUMEC Global redigiu uma Carta de posicionamento. Claro que desde o início a proposta do encontro não foi chegar á uma opinião unânime sobre o tema da sexualidade e identidade entre as pessoas participantes, mas como parte de um movimento global de juventudes, iniciar a discussão dentro do contexto africano.

A África é uma região conhecida pelo conservadorismo em relação aos dogmas religiosos cristãos, principalmente se tratando da discussão sobre direitos da população LGBTQI+, e tudo que envolve a diversidade sexual e de gênero. Em muitos países do continente a homossexualidade é ilegal e em alguns lugares, até sob pena de morte. E tudo isso muitas vezes pautado e respaldado pela defesa de valores africanos e sobretudo pelo discurso religioso cristão que condena a “imoralidade”.

Assim como consta na carta produzida pelo grupo, “África é o lar de muitas pessoas LGBTQI+ sofrendo em silêncio como eles não podem vir em público, porque é tabu pela cultura, um crime por lei e considerada um pecado pela igreja. Elas são rejeitadas por suas próprias famílias, a sociedade e até mesmo pela igreja. A maioria dos países africanos tem leis que criminalizam a homossexualidade. Como resultado, as pessoas LGBTQI+ vivem com medo ou se escondem ou fugiram de seus países para procurar asilo em países que são mais seguros.  Vivendo como refugiados, eles também passam por experiências muito traumáticas de leis duras, humilhação pública e ataques. A cultura africana e a Igreja condenam a homossexualidade como um pecado contra os deuses na concepção da criação da humanidade e não acolhendo ou abraçando pessoas LGBTQI+.”

Mas a pergunta interessante que o amigo Alex Chege, membro do MEC do Quênia, faz é: “mas estamos realmente protegendo “valores africanos” ou “valores bíblicos”? Não é irônico que essa mesma religião que estamos “defendendo” quando somos anti  LGBTQI+ não é originalmente africana e é usada por anos e anos como ferramenta para diluir fortemente os valores africanos, seja nas divisões do continente, das culturas e nossas formas de governo?”

É importante perceber como as estruturas de poder se beneficiam com o não avanço das discussões de gênero e sexualidade.

 

Na América Latina

A partir de uma perspectiva latinoamericana , podemos fazer uma reflexão e conexão com a nossa realidade. É claro que a vivência LGBTQI+ na América Latina e Caribe é muito diferente da vivência africana.

Temos visto experiências de igrejas e pessoas que resistem e tem se levantado e se posicionado diante das injustiças e da promoção da vida; outros sopros de teologia estão sendo produzidos e discutidos mesmo com a propaganda anti “ideologia de gênero” que insiste em deslegitimar através do discurso religioso os direitos das mulheres e todas as pessoas que fogem do padrão heteronormativo. Muitas pessoas LGBTQI+ estão reivindicando o direito de viver a fé e caminhar com o Cristo que caminhou com as pessoas.

Mas ao mesmo tempo percebemos que as ferramentas de discurso institucionalizadas usadas para a não promoção de direitos são muito parecidas com o que escutamos na África. Como o discurso conservador, que sempre existiu, vem tomado cada vez mais espaços.

Nossa região vem enfrentando nos últimos períodos, o aumento de recrudescimento de políticas públicas, o avanço do conservadorismo no cenário geopolítico e de discursos religiosos fundamentalistas e radicais, a perseguição contra pautas que signifiquem avanço de direitos como a discussão de gênero e violência, desigualdade social, raça e sexualidade.

A Bíblia é um livro instigante e fazer uma releitura dos textos que ela contém a partir de novos pontos de partida, olhares e perspectivas são fundamentais para entendermos as opressões que nos atravessam e que atravessavam o povo daquela época também. É essencial que nós como juventude ecumênica tenhamos esse discernimento para entender que o cristianismo, “o povo do livro” pode sim, ser usado como instrumento de libertação ou o aprisionamento.

Quênia, Zimbabwe, República Democrática do Congo, Malawi, Zâmbia, Madagascar, Uganda, Ruanda, Nigéria, Canadá, Brasil, Filipinas, Índia, Bangladesh, Austrália, Malásia, Sri Lanka, África do Sul, Reino Unido e Líbano foram os países representados e que se comprometeram a levar adiante este processo de diálogo. Na esperança de construir uma comunidade inclusiva para a justiça e a paz, onde as pessoas de diferentes orientações sexuais e identidades e expressões de gênero e características sexuais sejam afirmadas e celebradas.

A FUMEC ALC também tem iniciado esta jornada de diálogo para ser de fato uma comunidade ecumênica que afirma e celebra a diversidade. México, Colômbia, Cuba, Argentina e Brasil já vem realizando atividades sobre o tema, como rodas de diálogo, ações de incidência pública, ciclos de formação e etc.

No Brasil tivemos a recém experiência do 1º Congresso igrejas e comunidade LGBTQI+ em uma Comunidade Anglicana, realizado pela Paróquia da Santíssima Trindade e KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço. Uma iniciativa de pessoas e organizações baseadas na fé, causando incômodo nos setores conservadores.  Mas a mensagem é única: nosso cristianismo é o cristianismo que caminha com o povo. Nosso cristianismo é o que serve para a vida e não para a morte.

Não é afirmar que abraçamos a diversidade sexual e de gênero somente se eles permanecerem reféns nas mesmas estruturas de poder que os oprime. Não há sentido em acolher e afirmar a diversidade e reprimir outros aspectos de suas vidas. E isso inclui toda experiência dessas pessoas, seja física ou espiritual.

Entendemos que as mudanças virão se dialogar com as pessoas, e  não necessariamente apenas com os líderes das igrejas e movimentos. Temos que ler a Bíblia com o povo, a partir da experiência das pessoas, a partir de uma leitura popular. Sempre questionando se nosso discurso é apenas para poder e reforço de injustiças.

Vemos que a luta dos direitos das minorias, população LGBTQI+, mulheres, migrantes, pobres, indígenas, entre outras, não pode ser possível sem uma interseccionalidade, sem ter a visão de que estas são questões que estão dentro de um sistema econômico que fortalece as desigualdades e falta de oportunidades.

Nós olhamos e entendemos as desigualdades dentro desses temas. E isso passa por uma análise das classes sociais e das relações econômicas de poder. É necessário refletir sobre a situação de vulnerabilidade em que essas pessoas muitas vezes se encontram.

Vemos que não é certo aceitar as pessoas LGBTQI+ em nossas práticas, mas obrigá-los a seguir as mesmas leis, normas e costumes para “caber nas instituições”.  Também é necessário incluir experiências, limites, dores, desejos e sonhos, e reconhecendo nossos erros do passado, para olhar à frente com amor, esperança e empatia.

Entendemos que o segredo para se viver na unidade da diversidade é o diálogo. E um diálogo que abrace à todas as pessoas, um diálogo que construa pontes e não mais muros. Seguimos, ainda mais desafiades a continuar na busca pela justiça e um lugar na casa comum para todas as pessoas.

 

*Jornalista, comunicadora em KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço – ACT Aliança, integrante da Rede Ecumênica da Juventude – REJU, articulando também no movimento das Fé_ministas, Evangelicxs Pela Diversidade e leiga na Igreja Metodista da Vila Mariana – SP.

 

Foro Ecuménico ACT Brasil sobre la situación en la Amazonia: Brasil, nuestra casa común está em llamas

Click here and check out the English version of the statement: Brazil, Our Common Home Aflame

Confira a versão em portugês: Brasil, nossa casa comum em chamas

 

Porque el anhelo ardiente de la creación es el aguardar la manifestación de las hijas e hijos de Dios. En esperanza de ser liberada de la esclavitud y de la corrupción. Romanos 8.19;21

El Foro Ecuménico ACT Brasil (FE-ACT Brasil) se une a todas las organizaciones ambientales, movimientos sociales, pueblos y comunidades tradicionales para expresar su dolor y su extrema preocupación con respecto a la política ambiental del gobierno actual, cuyo resultado concreto es la profundización del proceso de devastación, visible en la extensa quema en la región amazónica, a niveles alarmantes.

Según datos del Instituto Nacional de Investigación Espacial (Inpe), hubo un aumento de más del 80% en el número de incendios forestales en Brasil, entre el 1 de enero y el 19 de agosto de este año, en comparación con el mismo período del año pasado. Ante esto, a la ligera e irresponsablemente, el presidente del país afirma que los incendios serían “acción criminal” de “ongueiros” para llamar la atención contra el gobierno brasileño y “su persona”.

La declaración del presidente no es sorprendente, ya que una de sus estrategias ha sido la criminalización de las organizaciones de la sociedad civil que defienden los derechos sociales y ambientales, deslegitimando y buscando mecanismos para prevenir las actividades de estas organizaciones. Esta postura se expresa en la declaración del presidente, que dice: “El tema de la quema, en mi opinión, puede haber sido potenciado por las ONG, porque perdieron dinero”.

Respaldados por el fundamentalismo religioso y económico, las fake news, las opiniones irresponsables y la contestación de la evidencia científica, en unos pocos meses, ya tenemos un escenario socio ambiental catastrófico: relajación de la legislación ambiental, adhesión irresponsable e incondicional a los intereses de la minería y los agro negocios, liberación sin criterios de cientos de pesticidas, aumento de conflictos en el campo, desmantelamiento del sistema nacional de áreas protegidas y supervisión ambiental, desterritorialización y violación de los derechos de los pueblos indígenas y pueblos y comunidades tradicionales, recortes presupuestarios en áreas estratégicas y falta de respeto a los acuerdos internacionales y a la política climática.

En reacción a las presiones de la sociedad civil y de los investigadores e investigadoras que han estado trabajando con pautas socio ambientales durante años, el ministro de Medio Ambiente, Ricardo Salles, dice que todo esto es “sensacionalismo”.

Defendemos la soberanía nacional y los derechos sobre la tierra, con sus bosques, ríos y animales, pueblos y comunidades tradicionales.

Nuestro testimonio ecuménico es la protección de la socio biodiversidad de la Creación y la defensa de las organizaciones de la sociedad civil y los movimientos sociales que repudian este proyecto político de muerte.

Fórum Ecumênico ACT Brasil, 22 agosto 2019

Acción Solidaria Ecuménica Global para la Amazonía –
¡participe! https://conic.org.br/portal/noticias/3177-participe-da-acao-global-de-solidariedade-ecumenica-pela-amazonia

Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT) on Amazon situation: Brazil, our Common Home Aflame

Consulte la versión en español de la declaración: Brasil, nuestra casa común está em llamas

Confira a versão em portugês: Brasil, nossa casa comum em chamas

“The whole creation is eagerly waiting for God to reveal his sons and daughters […]
but creation still retains the hope of being freed, like us, from its slavery to decadence”
(Romans 8:19;21)

Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE-ACT Brasil) joins in solidarity with environmental organizations, social movements, indigenous peoples, and traditional communities to express its sorrow and deepest concern about the environmental policies of the current administration, which have led to a surge in devastation of the environment – as exemplified by the fires raging in the Amazon region – to alarming levels.

According to National Institute for Space Research (Inpe) data, the number of forest fires in Brazil from January 1 to August 19, 2019 has surged more than 80% compared to the same period in 2019. When confronted with this fact, the President of Brazil rashly and irresponsibly claimed that the fires could be “a criminal action” by “NGO people” to “call attention against the Brazilian government” and “himself”.

The president’s statement is unsurprising, given his strategy of criminalizing, delegitimizing, and seeking out mechanisms to prevent the operation of civil society organizations that uphold environmental rights. This stance is made clear by his allegation that “the fires, the way I see it, may have been boosted by NGOs, because they’ve lost money.”

Built on a foundation religious and economic fundamentalism, fake news, irresponsible opinions, and rejection of the scientific evidence, a catastrophic social and environmental scenario has arisen within the space of a few months: weakening of environmental legislation, irresponsible and unconditional subservience to the interests of mining concerns and agribusiness, baseless approval of hundreds of pesticide compounds, increased conflict in rural areas, systematic dismantling of the national system of environmental protection areas and environmental oversight, deterritorialization and violation of the rights of indigenous peoples and traditional communities, budget cuts to strategic areas, and noncompliance with international treaties and climate policies.

In response to pressure from society at large and from researchers who have worked on social and environmental issues for years, the Minister for the Environment, Ricardo Salles, claims this is “nothing more than sensationalism”.

We defend national sovereignty and land rights; the Earth’s forests, rivers, animals, indigenous peoples and traditional communities.

We hold an ecumenical belief in the protection of the social and biological diversity of Creation and the defense of civil society organizations and social movements that repudiate this political project of death.

Fórum Ecumênico ACT Brasil
August, 22/2019

Ação Global de Solidariedade Ecumênica pela Amazônia – participe! https://conic.org.br/portal/noticias/3177-participe-da-acao-global-de-solidariedade-ecumenica-pela-amazonia

Fórum Ecumênico ACT Brasil sobre situação na Amazônia: Brasil, a Casa Comum em chamas

Consulte la versión en español de la declaración: Brasil, nuestra casa común está en llamas

Click here and check out the English version of the statement: Brazil, Our Common Home Aflame

 

 

 

A Criação aguarda ansiosamente a manifestação das filhas e dos filhos de Deus.
Com a esperança de ser ela também libertada do cativeiro da corrupção.
Romanos 8.19;21

O Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE-ACT Brasil) une-se a todas organizações ambientais, movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais para expressar sua dor e sua extrema preocupação frente à política ambiental do atual governo, cujo resultado concreto é o aprofundamento do processo de devastação, visível nas extensas queimadas na região Amazônica, em níveis alarmantes.

Conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), houve um aumento superior a 80% no número de incêndios florestais no Brasil, entre 1º de janeiro e 19 de agosto deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Frente a isso, de maneira leviana e irresponsável, o presidente do país alega que as queimadas seriam “ação criminosa” de “ongueiros” para chamar a atenção contra o governo brasileiro e “a sua pessoa”.

A declaração do presidente não surpreende, pois uma de suas estratégias tem sido a criminalização das organizações da sociedade civil que defendem os direitos socioambientais, deslegitimando e buscando mecanismos para impedir a atuação destas organizações. Esta postura fica expressa no pronunciamento do presidente, ao dizer que: “A questão da queimada, no meu entender, pode ter sido potencializada por ONGs, pois perderam dinheiro.”

Sustentado em fundamentalismos religioso e econômico, fake news, opiniões irresponsáveis e de contestação a evidências científicas, em poucos meses, já temos um cenário socioambiental catastrófico: flexibilização da legislação ambiental, adesão irresponsável e incondicional aos interesses de mineradoras e do agronegócio, liberação sem critérios de centenas de agrotóxicos, aumento dos conflitos no campo, desmantelamento do sistema nacional de Unidades de Conservação e da fiscalização ambiental, desterritorialização e violação de direitos de povos indígenas e de povos e comunidades tradicionais, cortes no orçamento de áreas estratégicas e desrespeito a acordos internacionais e à política climática.

Em reação às pressões da sociedade civil e de pesquisadores e pesquisadoras que há anos atuam com pautas socioambientais, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirma que tudo não passa de “sensacionalismo”.

Defendemos a soberania nacional e os direitos da terra, com suas florestas, rios e animais, povos e comunidade tradicionais.

Nosso testemunho ecumênico é a proteção da sociobiodiversidade da Criação e a defesa das organizações da sociedade civil e movimentos sociais, que repudiam este projeto político de morte.

Fórum Ecumênico ACT Brasil

22 de agosto de 2019

Ação Global de Solidariedade Ecumênica pela Amazônia – participe! https://conic.org.br/portal/noticias/3177-participe-da-acao-global-de-solidariedade-ecumenica-pela-amazonia

Confira versões em inglês e espanhol da nota:

Contraponto: Religiosos progressistas e Comunidade LGBTI+ se unem em congresso e lançam carta frente ao aumento fundamentalismo nas religiões e na política

 

Documento enfatiza que discursos religiosos não devem ser instrumentos de opressão nas vidas LGBTI+ e que a narrativa cristã fundamentalista não é a única possível, entre outras questões.

Acesse a carta na íntegra em: http://bit.ly/CartaIgrejasComunidadeLGBTI   

A carta foi elaborada durante o 1º Congresso Igrejas e Comunidade LGBTI+ que aconteceu na Paróquia da Santíssima Trindade IEAB em São Paulo em parceria com KOINONIA Presença Ecumênica durante o feriado de Corpus Christi.

O documento que marca um posicionamento político, é assinado por pessoas das mais diversas igrejas e comunidades de fé e traz como proposta a afirmação de “pessoas lésbicas, gays, bissexuais, assexuais, travestis, transexuais, não binárias, intersexo, queer e outras expressões de gênero” frente às diversas religiosidades e comunidades de fé, além de denunciar experiências de exclusão e opressão contra essas pessoas.

No momento em que a sociedade brasileira vive um governo pautado e guiado por uma moral religiosa, o crescimento dos fundamentalismos religiosos acentua discursos contra a diversidade sexual e de gênero.

Por isso, a carta propõe um alerta à sociedade para a situação de vulnerabilidade da população LGBTI+ trazendo para o debate as questões dogmáticas de comunidades cristãs que em geral tendem a excluir e reforçar as vulnerabilidades e silenciar essas pessoas.

“Lamentamos e denunciamos que, como estratégia para alcançar representatividade, muitas lideranças políticas e midiáticas do campo religioso, sobretudo entre cristãos, estejam se apropriando e instrumentalizando o imaginário e a linguagem religiosa e teológica para produzir e disseminar pânico moral, ressentimento, medo e ódio a partir de expressões como “ideologia de gênero” e reforço da ‘hombridade’”, consta no documento.

Pessoas de diferentes partes do Brasil e de outros países como Estados Unidos, Argentina, Paraguai passaram por 3 dias de debates e mesas no 1º Congresso Igrejas e Comunidade LGBTI+. Temas como representatividade política, epidemia de HIV/ Aids, políticas públicas, acolhimento nas igrejas, experiências de resistência e leituras bíblicas a partir de outras teologias, foram abordados.

Com cerca de 200 participantes em média, e encontro reuniu não apenas pessoas leigas e lideranças do mundo religioso como protestantes, católicas, evangélicas pentecostais e neopentecostais, adventistas, budistas, lideranças de religiões de matriz afro e afrobrasileira mas também representantes da política como a deputada estadual Erica Malunguinho e Renato Simões, movimentos sociais e também pesquisadores/as da temática.

 

Bloco Interreligioso chamou a atenção na Parada do Orgulho LGBTI+ em São Paulo

No domingo, 23 de junho, grupos que participaram do congresso se juntaram a outras frentes religiosas para compor o bloco “Gente de Fé Contra a LGBTfobia”na Parada LGBTI+ na Paulista.

Carregando uma faixa com o nome do bloco, religiosas e religiosos paramentados eram aplaudidos e cumprimentados por muitas pessoas que viam o grupo passar. Atrás dos representantes.

A ideia surge também a partir da necessidade do resgate dessa espiritualidade LGBTI+, especialmente ao relembramos este ano os 50 anos de Stonewall, como a história da ativista trans Sylvia Rivera, que ao lado de Marsha Johnson foram destaques na noite de Stonewall. O que a história muitas vez não conta é sua trajetória como membra e coordenadora na Igreja da Comunidade Metropolitana ICM (Metropolitan Church Community, primeira comunidade cristã denominada inclusiva.

O Rev. Alex Silva Souto da Igreja Metodista Unida dos Estados Unidos, que participou de uma das mesas do congresso e caminhou com bloco na parada, destaca “Se a comunidade LGBTQIA+ tiver experiências positivas com comunidades religiosas, e vice versa todos ganharemos com isso. Como disse Rev. Dr. Martin Luther King Jr., “ninguém é livre até que todos estejam livres “, não há paz e liberdade sem justiça, e amor que é amor de verdade é incondicional além de palavras baratas”.

Para o Reverendo Budista Tetsuji do movimento Rainbow Shanga, “notamos muito a expressão de surpresa, emoção e apoio de muitas pessoas durante a caminhada e que nunca imaginariam em uma festa linda uma marcha de protesto contra a lgbtfobia por religiosos, ao mesmo tempo afirmando que há sim outras formas da população LGBT+ expressar suas religiosidades”.

Mais sobre o 1º Congresso Igrejas e Comunidade LGBTI+:
http://bit.ly/CongressoIgrejasComunidadeLGBTI

Nas redes sociais: confira a hashtag #IgrejasEComunidadeLGBTI

Evento do Congresso no Facebook (com mais fotos): http://bit.ly/EventoCongresso

Evento do Bloco da Parada no Facebook (com mais fotos):  http://bit.ly/BlocoGenteDeFeContraLGBTFOBIA

Igrejas e Comunidades LGBTI+ realizam Congresso em São Paulo

Movimentos sociais do campo e das cidades, representantes religiosos e pessoas LGBTI+ discutem fundamentalismo e exclusão em nome da religião

Texto: Mario Manzi – CPT e Wesley Lima – MST
Fotos: Julio Cesar Silva – Divulgação: Koinonia Presença Ecumênica

O 1º Congresso Igrejas e Comunidades LGBTI+, realizado entre os dias 19 e 23 de junho, na Paróquia da Santíssima Trindade, da Igreja Anglicana em São Paulo, reuniu as duas questões propostas no nome do Congresso, com o objetivo de construir unidade em torno da luta contra a LGBTfobia, tendo como principal desafio romper com o conservadorismo e o fundamentalismo religioso presentes na história brasileira. O Congresso foi realizado pela Paróquia da Santíssima Trindade e por Koinonia Presença Ecumênica e Serviço com o apoio de Igreja Episcopal Anglicana do Brasil/Junta Nacional de Educação Teológica (JUNET); Christian Aid Brasil; Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo; AHF Brasil.

O Congresso incluiu-se na programação de uma das maiores festas de luta do Orgulho LGBT do país, a Parada do Orgulho LGBTI+ de São Paulo. Especificamente no Congresso estiveram presentes cerca de 200 pessoas, entre elas, representantes de organizações sociais pelos direitos da população LGBTI+, entidades nacionais e internacionais e movimentos populares.

Ao analisar o processo histórico de lutas da população LGBTI+ em nosso país e o avanço do pensamento conservador nos últimos anos, principalmente a partir do discurso de ódio utilizado pelo atual presidente Jair Bolsonaro (PSL), Nancy Cardoso, teóloga e integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), afirmou que neste momento é central “celebrar a vida” à mesa de abertura, denominada “Fotografia do Momento Político, Econômico, Religioso, Movimento Social e suas implicações na Vida dos LGBTI+”.

Cardoso emendou: “Deus é amor. Mas existe um discurso que destrói as comunidades LGBTI+; destrói os corpos. Esse discurso é fundamentalista e destrói também as famílias. Por isso precisamos pensar uma teologia que consiga reconstruir a vida, as comunidades, a coletividade”.

“Existem conteúdos comuns que criminalizam a luta e os corpos LGBT. Existe um processo de globalização dessa cruzada. Nós somos reduzidos a uma teologia do corpo, que tem como base a disciplina dos corpos. Nesse sentido, se constrói uma discussão sobre o que é natural.”

Além disso, Cardoso pontuou que há, hoje, um movimento de uma Articulação dos Fundamentalistas Religiosos com o objetivo de ocupar espaços importantes mundialmente com um discurso conservador, normatizando as formas de viver e de amar, ampliando o debate em torno da ideologia de gênero. Entre eles, ela destaca o Congresso Mundial da Família, o Observatório, Vaticano e a Aliança Mundial da Juventude.
Para Renan Quinalha, professor de Direito da Unifesp – que também compunha a mesa –, a desqualificação do debate público é apontada como um dos piores pontos do atual governo “O pior estrago já está feito”. Como estratégia, o movimento deve sempre pensar o próximo passo, vez que a conquista de direitos não é um fim, que muitas vezes o desafio é conseguir fazer vigorar o direito conquistado. “O Direito Penal nunca resolveu problema nenhum em nossa sociedade, tem um recorte de classe, de raça muito importante”, afirmou em referência à criminalização pelo Superior Tribunal Federal (STF) da criminalização da homofobia. Apesar da análise, Quinalha classificou como positiva a resposta do STF ao ciclo de atropelos vivido neste governo Bolsonaro.

Igreja Anglicana

À mesa “Desafios da inclusão LGBTI+ na Comunhão de Igrejas Anglicanas: pistas de caminhos teológicos e pastoriais”, o reverendo Gustavo Gilson, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, descreveu brevemente o processo de conquista de espaço dentro da instituição a qual ele faz parte. Para ele ocorre uma “tensão entre o evangelho da radicalidade do amor e uma ideia da religião da lei, da normatividade, que quase sempre está a serviço de poderes econômicos e políticos”. Para ele os discursos religiosos e cristãos têm tido papel forte na reprodução e fortalecimento no modelo de poder cis-heteronormativo, portanto é necessário pensar um outro “modelo de eclesialidade” e enfrentar a misoginia e a lgbtfobia. “Não é uma necessidade apenas a quem se identifica, é uma questão de toda a Igreja, de toda a religião.”

Mesa “Jesus Cristo, rainha do céu” composta apenas por representantes trans

“Eu sei o que eu passei para ver Deus sorrir para mim”

Um deus que nem sempre sorriu para suas e seus filhas, filhos e filhxs. A frase é da pastora Alexya Salvador, da Igreja Comunidade Metropolitana (ICM). Junto a ela, somam-se diversas trajetórias expostas na mesa “Jesus Cristo, Rainha do Céu”, que convergem nos testemunhos de rejeição das igrejas e comunidades àquelas e àqueles que não se enquadravam nos padrões de normatividade sexual e de gênero eleitos por essas igrejas.

Esses lugares de fé foram pontuados como, por vezes, fechados a esses corpos que rejeitavam ou contestavam o controle das denominações religiosas. Pouco ou nada acolhedores a transgêneros, transexuais e travestis, esses lugares negavam a acolhida de deus.

Há um novo cenário. Alexya é hoje a primeira pastora trans da América Latina. E é a partir das trajetórias dessas pessoas excluídas, e por estas pessoas, que ela propõe o debate. “Entender que a partir de nós se desponta um cenário até então não visto, não falado, não só dentro de seus ambientes, mas para o mundo.”

Portas fechadas

Ao corpo travesti de Keila Simpson foi negado o acesso a deus pela igreja. “A igreja foi me mostrando a visão dela, que ela tinha comigo, e a Igreja foi começando a me excluir dela.” Foi nas ruas que Keila construiu sua religiosidade. “Deus me aceita da forma que eu sou, como prostituta trans de 53 anos. Na religião a gente vê exclusão, assepsia das pessoas. As igrejas estão incitando o ódio e a violência.”

O Congresso foi então debatido, em seu curso, pela mesa. Realizado no ambiente eclesial da paróquia, o lugar foi discutido, bem como a mesa formada apenas por pessoas trans. “Eu jamais pensei que fosse possível sentar nesse lugar. Meu rompimento foi com o homem, não com deus.”

Também na mesa, a ialorixá Fernanda de Morais, que descreveu todo o processo para tornar-se ialorixá no Candomblé, religião por vezes considerada como mais acolhedora às pessoas LGBTI+. Na fala de Fernanda, contudo, foi pontuado todo o processo de posicionamento que enfrentou para conquistar espaço dentro da religião a que faz parte.
No dia anterior, a deputada estadual por São Paulo, Erica Malunguinho (Psol), também falava aos presentes sobre a importância do Congresso, durante a mesa “Representatividade política de comunidades de fé e o respeito aos direitos LGBTI+”. “Esse encontro é uma resposta propositiva ao sistema que oprime.” Malunguinho ressaltou o papel da religiosidade na narrativa hegemônica, devendo ser também responsabilizada em um processo de reparação. “Processos de colonização não vem apenas com força bélica, mas como arte, cultura e religiosidade.”

Não há mais espaço para o quase

A dissociação entre política e religião foi debatida na mesa da qual fez parte a deputada. O cenário de retrocessos na esfera da conquista de direitos foi tratado, tendo sido consenso a necessidade de discutir os projetos de lei que tocam as comunidades LGBTI+. Renato Simões ao abordar a importância da representatividade política, pontuou sobre a necessidade das pessoas LGBTI+ se envolverem nos debates políticos. À fala dele somou-se a do pastor José Barbosa Junior, da Campanha Jesus cura a homofobia, que também tratou do envolvimento das pautas de combate ao racismo.

Organizações do Campo

Não só movimentos, organizações e pessoas de origem (ou da luta) urbana fizeram parte do 1o Congresso Igrejas e Comunidade LGBTI+. Presentes à ocasião, representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Pastoral da Juventude Rural (PJR) participaram ativamente das atividades e lembraram as pessoas LGBT’s do campo e suas pautas específicas.

Parada

No dia 23 de junho, durante a 23a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, os participantes do Congresso somaram-se ao bloco inter-religioso “Gente de Fé”, que levou à Avenida Paulista o discurso de cidadania religiosa para as pessoas LGBTI+. Um dia antes o Congresso realizado no bairro de Santa Cecília, havia produzido e debatido à exaustão carta aberta à sociedade, durante plenária ocorrida após as oito mesas temáticas do Congresso e a realização de nove oficinas. O documento deve ser publicado em breve.

Bloco Gente de Fé Contra a LGBTfobia em São Paulo. Foto: Julio Cesar Silva/ Divulgação KOINONIA

 

Veja também:  Da igreja à Parada LGBTI. Quem era o bloco interreligioso que agitou a Paulista

Juntos e juntas pelo Brasil – Christian Aid lança sua nova Estratégia Global em São Paulo

 

Na última quinta-feira, dia 30 de maio, Christian Aid realizou evento de lançamento de sua Estratégia Global 2019-2026 no Consulado da Irlanda em São Paulo. KOINONIA, como organização parceira de Christian Aid no Brasil esteve presente, além de representantes de outras organizações, a equipe internacional da Christian Aid, representantes do governo irlandês e lideranças religiosas.

O evento apresentou a estratégia e o compromisso da organização em fortalecer um movimento global por justiça e fortalecer parcerias pelo compromisso com a erradicação da pobreza extrema e suas causas estruturais, além da ampliação de vozes proféticas dos pobres e marginalizados.

“A crescente presença irlandesa na América Latina demonstra o compromisso do governo irlandês com essa parte do mundo. Parabéns à Christian Aid pelo lançamento dessa Estratégia Global!”

Barry Tumelty- Cônsul da Irlanda em São Paulo.

“(…) A Christian Aid está lançando sua estratégia global no Brasil, e como secretário geral da Aliança ACT eu quero aproveitar essa ocasião para enviar uma saudação e ressaltar a importância dessa estratégia para a nossa Aliança. (…) Como uma organização baseada na fé, a estratégia reflete a nossa crença de que todos os seres humanos são criados à imagem e semelhança de Deus, e portanto agentes de direito. A estratégia articula o desejo de que todos tenham vida em abundância e o compromisso de fazer tudo que pudermos para garantir que a nossa contribuição seja focada em realizar essa visão. Parabéns Christian Aid e seus parceiros no Brasil!

Rudelmar Bueno- Secretário Geral da Aliança ACT

“O Brasil é o primeiro país a realizar um evento de lançamento da Estratégia Global. Em um momento de muitos desafios na America Latina e de crescente pobreza, essa é uma importante expressão de solidariedade.”

-Mara Luz – Chefe da Divisão America Latina e Caribe da Christian Aid

No atual contexto de aumento da pobreza e violência no país, a Christian Aid tem um importante papel a cumprir como organização global atuando localmente. Conectando atores de fé e comunidades locais com igrejas do Reino Unido, a organização permanece junto àqueles que lutam por justiça, por dignidade e por igualdade.

 

Por: Christian Aid Brasil

Fórum Ecumênico ACT Brasil se posiciona sobre jovem evangélica que deixa o país após série de ameaças

O Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT), do qual KOINONIA e outras organizações parceiras como Conselho Nacional da Igrejas Cristãs (CONIC), Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), fazem parte, divulgou hoje a nota em apoio à ativista evangélica Camila Mantovani. Confira  a nota:

Nota de Solidariedade à Camila Mantovani e seus familiares

“Felizes as pessoas que promovem a paz,
porque serão chamadas filhas de Deus” (Mt5.9)
O Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT) expressam irrestrita solidariedade à Camila Mantovani e seus familiares.
Uma das atuações de Camila, uma jovem evangélica, é prestar solidariedade e apoio pastoral a mulheres evangélicas que sofrem violência doméstica e não conseguem romper com este ciclo porque são orientadas por lideranças religiosas de que “a mulher cristã deve ser submissa a seu marido”.
Lembramos que nas histórias do Antigo Testamento bíblico muitas mulheres ousaram desafiar o sistema opressor, entre elas, Vasti, que não se submeteu ao rei Assuero (Est 1.1-22).
Há bastante tempo, o protagonismo de Camila tem provocado a raiva de líderes religiosos evangélicos fundamentalistas. Hoje, a raiva tornou-se ódio.
As ameaças se tornaram graves. Sua casa e seus familiares passaram a ser vigiados e Camila ficou sem lugar fixo para morar. Foi obrigada a mudar a rotina. A gravidade das ameaças obriga Camila a sair do país.
O CONIC e o FEACT colocam-se ao lado de Camila e de seus familiares. Denunciam que outras pessoas evangélicas, engajadas em movimentos de promoção e defesa dos direitos humanos, estão sofrendo ameaças semelhantes.
A perseguição vivida por estas pessoas é consequência da instrumentalização da fé cristã para legitimar práticas de violência e discursos de ódio. O fundamentalismo religioso não aceita o pluralismo e nem a crítica à religião – mesmo que ela cause algum tipo de opressão ou violência.
A fé cristã não pode ser instrumentalizada para subjugar as pessoas, nem para dominar territórios, impondo medo às pessoas. A fé cristã não pode ser associada com armas e nem com o crime organizado.
A fé evangélica não é violência. Não está fundamentada no exclusivismo e nem no autoritarismo. Ela se orienta pela graça amorosa de Deus e pela liberdade.  É este o testemunho das muitas tradições evangélicas no país. Não aceitaremos que nossa tradição de fé seja instrumentalizada para a promoção do ódio, do racismo, do sexismo e outras formas de dominação e violência.
Que a paz de Jesus Cristo, seu testemunho radical de vida, contrário a todo o poder opressor estatal e religioso nos oriente e fortaleça.
Fórum Ecumênico ACT BRASIL

Conselho Mundial de Igrejas realiza mapeamento ecumênico de instalações cristãs de saúde

Com o objetivo de apoiar a advocacia, mobilização de recursos e alocação e networking entre os provedores e facilitadores cristãos de saúde, o Conselho Mundial de Igrejas (WCC) inicia um mapeamento ecumênico global de instalações de saúde cristãs.

No ano passado o Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas aprovou uma estratégia Ecumênica de saúde global destinada a fortalecer a contribuição das igrejas para “saúde e bem-estar para todos” (objetivo de desenvolvimento sustentável n º 3). E as informações do mapeamento serão úteis para as igrejas, as organizações cristãs internacionais, a OMS (Organização Mundial da Saúde) e outras agências internacionais de desenvolvimento, bem como os governos.

Muitos estabelecimentos de cuidados de saúde (HCFs) de igrejas enfrentam desafios com o financiamento de serviços, especialmente em serviços que atendem populações mais vulneráveis, com cuidados de saúde de qualidade. Outro problema é a falta generalizada de água potável adequada, saneamento e higiene em estabelecimentos de cuidados de saúde. O secretário-geral da ONU, António Guterres, já fez um apelo à ação, visando alcançar 100% de cobertura básica de serviços em todos os HCFs em todo o mundo até 2030. Além disso, a OMS lidera uma iniciativa para fortalecer a emergência e o cuidado cirúrgico essencial como um componente da cobertura universal de saúde.

No caso de projeto sociais de organizações ecumênicas, temos o exemplo de KOINONIA, que por meio de seus eixos temáticos de trabalho também atua com projetos ligados à saúde em relação à prevenção ao HIV/Aids e Outras Infecções Sexualmente Transmissíveis entre a população LGBTI+, sobretudo juventude, como atual projeto Prevenção Sem Fronteiras, bem como as rodas proporcionadas pela Rede Religiosa de Proteção à Mulher Vítima de Violência que também discute questões do bem estar físico, emocional e saúde sexual e reprodutiva das mulheres.

Exemplos como os acima mostram como uma abordagem coletiva e ecumênica pode contribuir para os serviços prestados às comunidades. Por conta disso, foi elaborado uma pesquisa online para facilitar o mapeamento. O Conselho Mundial de Igrejas também enfatiza que os dados serão armazenados pelo órgão em Genebra, de acordo com as leis suíças sobre proteção de dados e segurança e que o feedback dos dados será dado a todas as instituições participantes.

Com assistência técnica da Associação Médica Cristã da Índia, foram desenvolvidos dois questionários online destinadas às:

– Associações de saúde cristã, redes ou qualquer organização, a nível global, regional, nacional ou subnacional. Esta pesquisa está localizada em: https://cmc-biostatistics.ac.in/redcap/surveys/?s=MLK4MW7LD7

– Próprias instalações de saúde cristãs, incluindo hospitais, centros de saúde, instituições de formação ou organizações comunitárias. Esta pesquisa está localizada em: https://cmc-biostatistics.ac.in/redcap/surveys/?s=CNX7TRXDH9.