Série Mulheres

Manoela Vianna

Na véspera do Dia Internacional da Mulher, KOINONIA inicia a “Série Mulheres”, notícias que darão destaques para as falas das mulheres atendidas pelos nossos programas e aquelas que fazem KOINONIA acontecer.

Aqui apresentamos duas entrevistas com mulheres que fazem parte dos públicos dos Programas Egbé Territórios Negros e Trabalhadores Rurais e Direitos.

KOINONIA entrevista Flávia Martins

Flávia Martins é uma jovem quilombola de Campinho da Independência e dedica seu tempo a inúmeras atividades dentro de projetos desenvolvidos pela e na comunidade. Flávia é educadora de um projeto de resgate cultural da comunidade; guia do Roteiro Etno Ecológico de Campinho; garçonete do Restaurante Comunitário, recém inaugurado; e faz parte da associação de moradores de Campinho. A comunidade remanescente de quilombo Campinho da Independência fica em Paraty e é a única do estado do Rio de Janeiro a ter o título de propriedade da terra. Com essa conquista a luta dos moradores passou a se concentrar em melhorar a qualidade de vida dos quilombolas,sempre reafirmando seus valores culturais e históricos.

KOINONIA: Quais são os principais problemas enfrentados pela sua comunidade hoje?

Flávia: Uso de drogas, gravidez na adolescência e desemprego em geral. Apesar de que o trabalho que estamos fazendo de resgate cultural tem como um dos objetivos gerar renda e assim gerar emprego.

KOINONIA: Esses problemas afetam homens e mulheres do mesmo modo?

Flávia: Acho que sim…. Mas por outro lado acho que os problemas afetam mais as meninas. O problema da gravidez na adolescência acontece por falta de informação, falta de conversas abertas sobre o assunto.

KOINONIA: E na luta por melhorias homens e mulheres atuam da mesma forma?

Flávia: Aqui na comunidade sim, tudo aqui é reunião. Se estamos almoçando estamos em reunião. Os problemas vão sendo resolvidos no cotidiano. A associação procura resolver os problemas através dos projetos que desenvolvemos.

KOINONIA: Mas o papel das mulheres na comunidade é diferente dos homens?

Flávia: Aqui as mulheres são as cabeças das casas, tem seu grande valor, não se desfazendo dos homens. Na comunidade as mulheres aparecem mais do que os homens. A grande maioria das pessoas que trabalham na Casa de Artesanato são mulheres, no restaurante também, ou seja temos mais mulheres trabalhando em nossos projetos.

KOINONIA: Por que você acha que isso acontece?

Flávia: Não sei …. Talvez seja pela história da nossa comunidade que foi fundada por três mulheres.

KOINONIA entrevista Nina

Maria de Lourdes Barreto, mais conhecida como Nina, tem experiência de mais de 15 anos como educadora popular no Alto Sertão de Alagoas. Nina é assistente social e trabalhou durante muito tempo como assessora da Cooperativa de Pequenos Produtores Agrícolas dos Bancos Comunitários de Sementes (Coppabacs).

KOINONIA: Quais são as principais reivindicações da Coppabacs?

Nina: As principais lutas da Coppabacs são a busca constante por credito, assistência técnica, política agrícola, sementes para produção de seus cooperados, bem como, um dos maiores desafios, ainda hoje, é a questão do mercado, ou seja: o escoamento da produção. Isto está ligado à questão de uma Política Publica da qual ainda não funciona como deveria funcionar. Dentre outras, um elemento agravante é a ausência de acompanhamento técnico, pois às vezes consegue-se algum recurso para a produção, mas não se tem a assistência técnica.

KOINONIA: E na luta pela garantia de direitos há diferenças na atuação de homens e mulheres?

Nina: A participação das mulheres se dá nas reuniões de base: reuniões dos bancos comunitários de sementes, nas reuniões do conselho de representantes, mas ainda é tímida na parte de estar junto reivindicando junto a órgãos públicos. A presença forte ainda é do homem nos espaços de negociação referente aos pontos acima mencionados. Em relação aos sindicatos e associações temos uma participação na construção de reivindicações, elaboração de projetos, contudo a participação da mulher frente aos espaços de negociação existe, mas ainda predomina a do homem, pois as organizações sempre têm a frente o homem. Isso não quer dizer que as mulheres não participam, porém ainda é tímida neste espaço (negociação). Contudo, já foi mais tímida. Hoje em termos de números tem aumentado a inserção das mulheres nas organizações, fóruns construção de proposta para a agricultura familiar, seja nos sindicatos, bancos comunitários de sementes, associações ou na ASA [Articulação no Semi-Árido Brasileiro]. Assim, faz-se necessários conquistarmos este outro espaço que é o de estar junto negociando o que nas reuniões construímos.

 

 

 

 

 

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