Racismo religioso foi tema central da Roda de Conversa organizada por KOINONIA na Semana de Afirmação da Liberdade Religiosa

Foto: Erin McManaway

Por Camila Chagas

Aconteceu no dia 29 de janeiro de 2020, no Espaço Vovó Conceição, localizado no Terreiro da Casa Branca, a Roda de Conversa Sobre Racismo Religioso, uma das ações organizadas por KOINONIA na Semana de Afirmação da Liberdade Religiosa.

Para tratar sobre o tema, foram convidadas as professoras Elizete da Silva, historiadora e professora da Universidade Estadual de Feira de Santana e Lindinalva Barbosa, Omorixá do Terreiro do Cobre, ativista integrante da Frente Nacional Makota Valdina e da Caminhada Contra a Intolerância Religiosa do Engenho Velho da Federação.

A professora Elizete da Silva falou sobre o racismo religioso numa perspectiva histórica, explicando como as Igrejas Cristãs se relacionaram com a escravização no Brasil e como a prática do racismo reverbera nos dias atuais.

De outra ponta, a professora Lindinalva Barbosa trouxe suas vivências como mulher negra candomblecista face ao racismo e como este criou substrato para a intolerância religiosa.

A comunidade local, religiosos e pesquisadores refletiram muito atentamente sobre as questões apresentadas. Eles partilharam suas experiências, trouxeram questões e proposições de como é possível enfrentar e combater o racismo religioso.

As abordagens apresentadas pelas docentes se complementaram e ampliaram a dimensão da discussão, na perspectiva de pensar alternativas eficazes que sigam o caminho do respeito, educação, diálogo e da convivência pacífica entre as pessoas.

As pessoas presentes abordaram a importância do incentivo à educação, na ampliação de escolas comprometidas com a formação de seus discentes. Na oportunidade, foi colocado em questão o fechamento do Colégio Estadual Odorico Tavares, localizado na Vitória, bairro nobre de Salvador.

Os participantes demonstraram sua indignação com a medida do Governo do Estado da Bahia que fortalece o racismo e a exclusão social da juventude negra.

Nesse contexto, foi proposta a criação de um museu, no espaço onde está localizada a escola, como elemento de reparação ao genocídio da população negra, constituindo um centro de memória e resgate do legado africano na cultura brasileira.

Ademais, foi apontada a necessidade da participação dos cristãos na luta contra a intolerância religiosa, ressaltando a importância da comunhão com aqueles que acreditam no diálogo como fortalecimento da cultura da paz.