Quilombo São José da Serra recebe titulação coletiva histórica no Rio de Janeiro

No próximo dia 28 de março, a Comunidade Quilombola de São José da Serra, localizada no distrito de Santa Isabel do Rio Preto, em Valença (RJ), viverá um marco histórico com a titulação coletiva de seu território, realizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

A cerimônia acontecerá a partir das 9h e contará com a presença de lideranças quilombolas de toda a região, além de autoridades federais, estaduais e municipais.

Com uma área de 476,30 hectares, o território abriga importantes referências naturais e simbólicas, como matas preservadas, uma cachoeira considerada sagrada e um jequitibá centenário, que representa a permanência ancestral da comunidade. Atualmente, o quilombo é composto por 31 famílias, que mantêm práticas tradicionais de uso da terra baseadas na solidariedade e na subsistência, com o cultivo de alimentos como milho, feijão, arroz, mandioca e hortaliças.

Para Almir Fernandes, presidente da Associação do Quilombo São José da Serra, a conquista representa o reconhecimento de uma luta histórica. Segundo ele, a titulação garante segurança para o território, preserva a cultura local e fortalece o futuro das próximas gerações.

Almir também relembrou a trajetória de seu pai, Toninho Canecão, liderança histórica do quilombo falecida em 2022, que esteve entre os primeiros a lutar pelo reconhecimento do território. Sua atuação foi fundamental para a construção do caminho que resultou na titulação.

O Quilombo São José da Serra é reconhecido nacionalmente por sua tradição cultural, especialmente pela Festa do Jongo, realizada anualmente no dia 13 de maio. O evento reúne manifestações como capoeira, roda de samba e o próprio jongo, reafirmando a força da cultura afro-brasileira no território.

De acordo com o Incra, esta é a primeira vez que áreas desapropriadas de particulares no estado do Rio de Janeiro são tituladas para um quilombo, incluindo a Fazenda São José da Serra e o Sítio Boa Vista. A regularização completa do território ainda depende da conclusão de trâmites judiciais referentes a outras áreas.

A titulação acontece em uma região marcada pela história da escravidão no ciclo do café, o que reforça ainda mais o significado simbólico e político dessa conquista para a comunidade quilombola.

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Fonte: Incra RJ, publicado em março de 2026

Acesse: ATLAS – Observatório Quilombola

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