Paulo da Paz, Paulo da Oikoumene, Paulo da Esperança, Paulo Evaristo Cardeal Arns, Amigo do Povo

dom-paulo-evaristo-01Dom Paulo Evaristo Arns tem um significado especial para a família ecumênica brasileira e mundial. Ele foi um dos principais defensores dos direitos humanos durante a Ditadura Militar. Quando foi iniciado o processo de documentação das torturas ocorridas nos cárceres daquele tenebroso período, foi a solidariedade de Paulo, que juntamente com o pastor Jaime Wright, da Igreja Presbiteriana Unida, que se dispôs a realizar o maior levantamento que até então havia sido promovido, o projeto Brasil Nunca Mais.

O projeto fora encaminhado ao Conselho Mundial de Igrejas (CMI), em Genebra. A pedido de Jether Ramalho, do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI), que encaminhou o projeto, Dom Paulo assinou o mesmo e ofereceu as condições político-eclesiásticas para sua realização.

Dom Paulo sempre foi muito sóbrio sobre as relações ecumênicas, que segundo ele deveriam acontecer nas trilhas do povo oprimido, nas lutas de libertação. Por isso, animava que a Arquidiocese de São Paulo fosse rede de comunidades e um canteiro de experiências ecumênicas, dentre as quais se destaca a Pastoral do Menor, em especial na Zona Leste.

Como recorda o Pe. José Oscar Beozzo, Dom Paulo foi fundador de uma das organizações ecumênicas fundamentais para formação de milhares de militantes cristãos na América Latina, o Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Ceseep). Além de apoiar o projeto Brasil Nunca Mais, Dom Paulo pode se encontrar, em Genebra, com Paulo Freire, que, exilado, recebeu apoio do CMI e esteve a frente de projetos de Educação que eram promovidos por aquele Conselho. 

Entre os anos de 1980, Dom Paulo sempre esteve em contato com Jether, Zwinglio Dias, teólogo e assessor de KOINONIA, e depois com Anivaldo Padilha, dialogando sobre formas de apoio ao movimento ecumênico na América Latina. É por isso, dentre outras memórias e lutas comuns, que celebramos a vida de Paulo Evaristo Arns, amigo do povo, amigo dos deserdados da Terra. Ele sempre esteve aberto a promover a esperança, a criar condições para a superação dos entraves à democracia e à promoção da justiça.

Em seu caminho a justiça se conjugava com a promoção dos direitos dos trabalhadores, do povo negro, do povo indígena. Era um pastor acolhedor e animador da Profecia, aquela que levanta a todos, contrária aos marasmos. Por tudo isso que damos graças a Deus pela vida de Paulo.

KOINONIA, herdeira dessa história, se solidariza com todas as pessoas, parentes e irmãos na caminhada que segue. Que este momento em que este Profeta se encontra com a irmã Morte nos inspire a permanecermos ecumenicamente a promover a esperança, a justiça e a paz!