Papel da igreja na ditadura militar foi tema central de audiência pública no Rio

Natasha Arsenio e Manoela Vianna com edição de Anivaldo Padilha

“A fé do outro era respeitada através da compaixão pelo que era vivido por cada um naquele período”. (Letícia Contrin)

As Comissões Nacional e Estadual da Verdade do Rio de Janeiro promoveram, em setembro, uma audiência pública para discutir o papel das Igrejas durante a ditadura militar no Brasil. Foram ouvidos testemunhos de ex-presos políticos e lideranças das Igrejas protestantes e católica que tiveram importante atuação naquele período.

O evento faz parte das atividades do Grupo de Trabalho "Papel das igrejas durante a ditadura" do qual Anivaldo Padilha, Jorge Atílio Iuianelli e Zwinglio Motta, sócios de KOINONIA, são membros.
Através dos depoimentos compartilhados nos dois dias foi possível perceber que a postura das igrejas durante os 21 anos da ditadura brasileira divergiram: em alguns casos os opositores à ditadura foram apoiados pelas igrejas, mas em outros as igrejas se mostraram coniventes com o Estado. Anivaldo Padilha é um exemplo. Após ser denunciado por pastor e bispo, Anivaldo foi preso.

Marcos Arruda, presidente do PACS (Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul) foi uma das vítimas ouvidas na audiência. Arruda descreveu seus momentos de tortura e afirmou que as mulheres sofreram mais que os homens já que muitas passaram por atos de violência sexual. Para ele, é preciso fazer uma homenagem especial às mulheres. Marcos Arruda ficou 12 meses preso e 11 anos exilado. Ao voltar ao Brasil fundou o Ibase com Hebert de Souza, o Betinho.

Betinho e Lysâneas Maciel, advogado e Deputado Federal cassado pela ditadura, tiveram homenagens póstumas durante a audiência. A luta de ambos, bem como o trabalho realizado por eles, foram citados com muita emoção. “Fico muito honrada de lembrar quem foi Lysâneas e por tudo que passou no período da ditadura militar”, comentou Regina Maciel em meio a muitos agradecimentos. “Esse trabalho nos ajuda a lembrar de que a luta deve continuar. Não é porque é a nossa história, mas é algo que deve ser contado. Deixo aqui uma frase que Betinho gostava muito: ‘solidariedade não se agradece, se alegra’”, conclui Maria Nakano, esposa de Betinho.

Sobre a Comissão
A Comissão tem os trabalhos divididos em três subcomissões: Relações com Sociedade, Comunicação e Pesquisa que se dividem ainda em grupos de trabalho temáticos, que auxiliam na apuração de violações de Direitos Humanos ocorridas entre 1946 e 1988. Através do trabalho da comissão a história brasileira ganha novos capítulos que na época da ditadura não puderam ser escritos. Para Zwinglio Dias o trabalho desenvolvido vai ajudar a unir a família brasileira que foi separada pelo Golpe de 1964, trazendo o entendimento do que aconteceu há 40 anos atrás. “Era uma vergonha ser preso”, comentou o sócio de KOINONIA.

Saiba mais sobre as ações de KOINONIA  com a Comissão Nacional da Verdade

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