“Nós podemos ver o fim da AIDS no Brasil”

Entre os dias 22 e 24 de Julho, Alexandre Pupo, de KOINONIA São Paulo, participou como assessor do III AIDS e Religiões, em Crato, Ceará. O Seminário, que acontece todos os anos, é organizado pela Pastoral de AIDS e pelo Programa de DST/AIDS do município de Juazeiro do Norte/CE. A perspectiva ecumênica foi central no debate deste ano, que tinha como tema: “Ecumenismo na prática, solidariedade em ação pelo cuidado com a casa comum”.
 
IMG_5539A construção do seminário de forma inter-religiosa já é uma marca dos encontros AIDS e Religiões, que contou com a presença de católicos, candomblecistas, luteranos, presbiterianos, metodistas, espíritas e umbandistas. Esta construção se dá por entender o papel central que as comunidades de fé devem ter e têm na prevenção e conscientização sobre o HIV/AIDS e o acolhimento das pessoas vivendo com AIDS. As assessorias também foram feitas por pessoas de diferentes credos e diversas organizações de caráter ecumênico, além de representantes do poder público.  
 
Nas oficinas, a Pastora Romi Bencke, secretária do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), falou sobre “O cuidado com o Espaço Sagrado: Casa comum”; Frei Lunardi, assessor nacional da Pastoral da AIDS, trouxe o tema “HIV/ADIS e o Controle Social”; Rogério Aguiar, da Federação Luterana da Diaconia (FLD); e Alexandre Quintino, de KOINONIA, sobre “Juventude e Participação Social”.
 
O poder público trouxe, através de Gil Casimiro do Departamento Nacional de DST/AIDS, dados sobre o HIV/AIDS no Brasil hoje, com ênfase na resposta Brasileira e nos novos cenários no enfrentamento da AIDS. Celso Monteiro, do Programa Municipal de DST/AIDS de São Paulo, que é babalorixá de Candomblé, falou sobre as Religiões Afro-brasileiras, políticas de saúde e a resposta a epidemia de AIDS.
 
A oficina oferecida por KOINONIA teve como tema central o papel da juventude, discutindo entre os participantes jovens do Seminário os desafios e estratégias para combater o crescimento da infecção dos vírus nesta parcela da população. De acordo com os dados da UNAIDS, enquanto o número de infectados diminui em todo o mundo, inclusive no Brasil, o número de jovens brasileiros que se infectaram pelo HIV nos últimos 15 anos aumentou significativamente. Pensar a realidade da juventude brasileira atual e suas ambiguidades é essencial para pensar em métodos e campanhas de prevenção efetivas. A linguagem utilizada pelas religiões, muitas vezes excessivamente conservadora, e pelo poder público, técnica e fria, não tem sido efetiva. Por isso é muito importante trazer os jovens para a discussão não apenas como beneficiários das políticas públicas de saúde, mas como atores de construção de suas metodologias e linguagens, para que estas atinjam, de fato, uma população muito vulnerável ao HIV/AIDS.
 
A fala de Frei Lunardi, ao tratar sobre a importância das comunidades religiosas na luta contra a AIDS foi marcante para todos os presentes, ao afirmar que “nós podemos ver (ainda em nossas vidas) o fim da AIDS no Brasil”. De acordo com a nova estratégia adotada pela UNAIDS, até 2030 esta meta é possível. Para isso, a articulação das pessoas de fé é essencial, pois através da capilaridade que as religiões têm na sociedade brasileira, elas são parceiras necessárias para alcançar a meta de 90% da população testada, 90% dos infectados em tratamento e 90% dos que estão em tratamento, com carga viral minimizada. É a chamada estratégia 90-90-90.
 
Outro desafio feito aos presentes foi trazido por Rogério Oliveira de Aguiar da Federação Luterana de Diaconia (FLD), que apoiou o evento. A meta 90-90-90 vem junto com o chamado para o fim do preconceito contra as pessoas que vivem com AIDS. O combate à desinformação e o preconceito são questões centrais na diaconia transformadoraapresentada pelo preletor.
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“As comunidades religiosas podem servir para abrir portas ou colocar freios”, disse a Pastora Luterana Romi Bencke, e o chamamento do III Seminário de AIDS e Religiões é que elas se engajem nesta luta pela erradicação da AIDS e do preconceito para que em menos de 20 anos possamos comemorar o fim do contágio deste vírus em nosso país.

Sobre a meta 90-90-90.
• Para mais informações sobre o tema, veja o Dossiê AIDS e Religiões, organizado por KOINONIA.