Na mesma fé, no mesmo axé: II Ato Contra Intolerância Religiosa em Itaquera, São Paulo

Diante de tantas manifestações de intolerâncias religiosas, cerca de 150 pessoas de diversas religiões se reuniram no último domingo (22), em São Paulo, para realizar o II Ato Ecumênico Contra a Intolerância Religiosa (em Itaquera): Na mesma fé, no mesmo axé.  O evento teve início no Ilê Asè Maroketú Ogùn e Osòsse com destino à Paróquia Nossa Senhora do Carmo.
 
O clima chuvoso não desmotivou os presentes, que defenderam a saída dos locais de culto para promover o respeito. ”Saímos da sacralidade dos nossos templos para a sacralidade maior das ruas e do chão de cada dia”, afirma Paulo Sérgio Bezerra, Padre da igreja católica. Para o judeu Yossef Lanza, “a parte mais importante da sinagoga não é onde está a Torá, não são os bancos, mas os vidros, a janela, pois é dali que você vê o lado de fora”.
 
O ato contou com diversas intervenções artísticas promovidas pelo Coletivo Teatral Quilombo, que expôs com estatuas humanas manifestações de intolerância religiosa. Além disso, foram abordados temas sociais que necessitam um olhar atencioso pelas tradições religiosas. Durante o ato houve uma denúncia relacionada à pratica de homofobia em relação a população LGBT; Como diz Cristiane, assistente do programa Saúde e Direitos de KOINONIA, “no amor, a maior expressão do sagrado, não cabem essas regras. As casas, escolas e trabalhos já estão de portas fechadas para a população LGBT, que nós não fechemos as portas das igrejas e dos terreiros para esse povo”.
 
O encerramento aconteceu na igreja católica, com preces e clamores para um universo religioso com liberdade e paz. Como mística comum, as lideranças religiosas abençoaram os presentes com a água, lembrando sua devida importância para cada tradição. O Babalorixa Diney Ty Ososse encorajou os participantes a não desistirem da luta contra intolerância: “Não devemos ter vergonha do que somos, pois tanto na igreja, como na casa de orisá, nós acreditamos em um Deus só”. Entre batuques dos atabaques e as danças, o ato chegou ao seu fim.
 
O evento surgiu com a iniciativa da Paróquia Nossa Senhora do Carmo e do Ilê Asè Maroketú Ogùn e Osòsse e foi organizado com a colaboração de diversos grupos, dentre eles KOINONIA Presença e Ecumênica e Serviço, Igreja – povo de Deus – em Movimento, Levante Popular da Juventude, Rede Ecumênica de Juventude, Pastoral da Juventude, Movimento Espírita pelos Direitos Humanos, Coletivo Teatral Quilombo e Shil do Tatuapé.