Mensagem do Conselho de Parceiros

Num momento em que a questão dos direitos indígenas volta a ocupar lugar de destaque no cenário político nacional apresentamos para a reflexão de nossos leitores e leitoras a “Mensagem do Conselho de Parceiros” da Igreja Unida do Canadá, acompanhada de uma Moção de recomendação de acolhimento dessa Mensagem por parte da Comissão Permanente e dos Programas para Missão e Ministério dessa igreja. Expressão de um compromisso teológico conseqüente com os princípios normativos dessa igreja e, acima de tudo, com os valores do Evangelho, esta  mensagem é também um desafio para as nossas igrejas se posicionarem frente aos sofrimentos e ameaças que tanto padecem os povos originais de nosso país.


Mensagem do Conselho de Parceiros 

“… deixai correr livre o direito como um rio caudaloso, e a justiça como um ribeirão eterno!” Amós 5.24

Saudações do Conselho de Parceiros da Igreja Unida do Canadá, em nome do Criador de todas as coisas no Céu e na Terra.

Em 2013, o Conselho de Parceiros pediu à Igreja Unida do Canadá que em sua próxima reunião tivesse a oportunidade de conhecer mais sobre as questões e preocupações dos povos indígenas no Canadá e na Igreja Unida. Somos gratos à Igreja por responder a este pedido nesta reunião ocorrida no sul de Ontário, de 21 a 29 de julho de 2014.  Somos gratos às Primeiras Nações[1] que nos receberam calorosamente e compartilharam suas histórias de forma honesta. Ficamos honrados com a hospitalidade estendida a nós e profundamente comovidos com as histórias que ouvimos, as experiências vividas e os testemunhos que recebemos. Nós apreciamos a oportunidade de acompanhar os povos indígenas por um curto período de tempo em uma parte de sua jornada e estamos empenhados em continuar a acompanhar essa jornada rumo à justiça e paz para todos os povos do Canadá.

Nós, membros do Conselho de Parceiros representamos diversos contextos globais. Nós carregamos as nossas próprias experiências de colonialismo, de injustiças históricas, de discriminação, de violência, de opressão e de luta pelos direitos dos povos indígenas. Nós carregamos também experiências de resistência e de trabalho para a transformação. Recebemos as histórias e os testemunhos enraizados e informados pelos contextos daqueles que encontramos no Canadá.

Durante nosso tempo no Canadá, fomos recebidos:

  • No Território das Seis Nações na Igreja Unida de Grand River, na Capela dos Delaware e na sede de Nações em União.
  • No Território do Povo Mississauga do Novo Crédito na Igreja Unida de New Credit
  • Na Igreja Unida Moraviantown
  • No Museu Fairfield
  • No Centro de Meio Ambiente Nmaachihna
  • Na Igreja Unida Calvary, em Londres – Ontário
  • No Conselho de Ministérios Aborígenes da Igreja Unida
  • No Encontro Nacional de Espiritualidade Aborígene da Igreja Unida coordenada pelo Conselho de Ministérios Aborígenes
  • Na Nação Oneida do Tâmisa, pela Igreja Unida de Oneida
  • No Território da Ilha de Walpole pela Igreja Unida da Ilha de Walpole e do Centro do Patrimônio da Ilha de Walpole
  • No Território dos Chippewa do Tâmisa no monumento em memória a alunos e alunas do Internato Industrial de Monte Elgin
  • Na comunidade ecumênica mais ampla através de participação no “Blanket Exercise” conduzido por KAIROS

Durante o tempo nessas comunidades, fomos testemunhas e participantes nos esforços da Igreja Unida do Canadá em viver o compromisso de relações corretas e justas com os povos indígenas, bem como quanto aos processos de diálogo, discussão e reconciliação em curso.

  • Nós compartilhamos as preocupações e tristezas expressas pelas comunidades e pessoas que conhecemos.    
  • Nós aprendemos e lamentamos as muitas situações de opressão que causaram a morte de povos aborígenes.
  • Nós aprendemos e lamentamos a pobreza que continua a ser a realidade para muitos povos aborígenes. 
  • Nós aprendemos e lamentamos a exclusão social e privação econômica  experimentada por muitos dos povos aborígenes. 
  • Nós aprendemos e lamentamos o colapso das estruturas familiares em muitas comunidades aborígenes e os riscos que representam para o bem-estar dos indivíduos, famílias e comunidades. 
  • Nós aprendemos e lamentamos o fracasso do governo canadense para honrar os tratados e acordos feitos com os povos indígenas.
  • Nós aprendemos e lamentamos as implicações de subfinanciamento sistêmico para saúde e educação para os povos aborígenes do Canadá.
  • Nós aprendemos que, embora histórias de grande dor tenham sido compartilhadas, toda a verdade histórica da contínua injustiça sistêmica em relação aos povos indígenas, incluindo internatos, ainda não foi totalmente revelada. Entendemos que muitos canadenses continuam a ignorar a história e o contexto atual dos povos indígenas. Ainda há muito trabalho a ser feito pelas igrejas, sociedade civil e povos indígenas no Canadá antes que reconciliação possa ser realmente alcançada.

Em meio ao compartilhar da tristeza e da dor das pessoas e das comunidades também vimos sinais de resiliência e força de espírito entre as comunidades aborígenes que visitamos. Sentimos um movimento em direção a um novo tempo e celebramos o potencial para chegar a um tempo de transformação e completude.

Esta esperança e possibilidade precisam ser alimentadas. Como Conselho de Parceiros, nos empenhamos nosso apoio e solidariedade com a Igreja Unida e comunidades indígenas, buscando em conjunto uma visão comum de paz e de justiça com todas as pessoas que partilham anseios semelhantes.

De nossa perspectiva e experiência, acreditamos que há muito que pode ser feito pela Igreja Unida do Canadá e outros em busca dessa visão. A Igreja Unida pode fazer algumas coisas particularmente muito bem dado o seu compromisso de longa data na busca de justiça.

Como Conselho de Parceiros fazemos um apelo à Igreja Unida do Canadá para usar sua influência quanto a:

  • Pressionar o governo do Canadá para viver de acordo com a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas e os acordos de honra e tratados feitos com os povos indígenas. 
  • Pressionar o governo canadense para acelerar a resolução das reivindicações de terras ainda pendentes. 
  • Trabalhar para o tratamento justo e equitativo dos povos aborígenes do Canadá particularmente em torno de questões de saúde, habitação e educação. 
  • Envolver-se com os imigrantes recém-chegados ao Canadá, para que possam aprender sobre a história e preocupações dos aborígines e para que se juntem à construção de relações corretas e justas.  
  • Envolver-se ativamente com a sociedade civil quanto a questões indígenas.
  • Procurar maneiras de envolver e capacitar jovens indígenas, apoiando formas inovadoras de aprendizagem e recuperação das línguas, tradições e heranças culturais.
  • Encontrar novas formas de apoio às comunidades que trabalham com jovens em risco e outros que sofrem de traumas psicológicos e vícios.
  • Juntar-se a outros que aspiram à justiça e reconciliação para todos, buscando alcançar a todas as comunidades de fé para ser parte da caminhada de cura.
  • Garantir que ao desenvolver estratégias que respondam às preocupações financeiras da igreja, que a visão e o trabalho de construção de relações corretas e justas continuem a ser de alta prioridade para a alocação de recursos.
  • Sabemos por nossa própria e variada experiência que a luta por justiça é longa e difícil.  Apreciamos e damos graças a Deus pelo engajamento da Igreja Unida do Canadá no processo longo e desafiador em direção a plenitude de vida para todos. 

Nós celebramos a esperança e a resiliência que vimos em comunidades aborígines e as possibilidades de transformação que testemunhamos.  

Oferecemos à Igreja Unida e comunidades aborígenes nossas orações, incentivo e garantia de solidariedade na jornada contínua por relações corretas e justas. 

Não estamos sozinhos!

Juntos, vivemos no mundo de Deus.

Graças sejam dadas a Deus. 

Miigwetch[2].

Miguel Tomás Castro
Igreja Batista Emmanuel, El Salvador 

Esha Faki
Peace for Life, Kenya 

Peggy Mulambya Kabonde
The United Church of Zambia 

Johnson Mbillah
Program for Christian Muslim Relations in Africa

Rex Reyes
National Council of Churches in the Philippines 

Marillia Schüller
GBGM/UMC missionary in KOINONIA, Brazil 

Sunita Suna
World Student Christian Federation, Asia-Pacific Region

In absentia:

Jennifer Henry
KAIROS Canada 

Ramzi Zananiri
Department of Service to Palestinian Refugees of the Middle East Council of     Churches Israel/Palestine

 

[1]Designação de povos indígenas.

[2] Obrigada na língua Ojibwe.