Mãe Jaciara vai coordenar o Projeto Mulheres da Paz na Bahia

Márcia Evangelista

Mãe Jaciara, sucessora de Mãe Gilda no Terreiro Axé Abassá de Ogum, foi convidada por Valmir Assunção, coordenador da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate a Pobreza (Sedes) do estado da Bahia, a ocupar o cargo de coordenadora do Projeto Mulheres da Paz. O Projeto faz parte das ações do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e é realizado em parceria com o Governo da Bahia, por meio da Sedes. A nomeação foi publicada no Diário Oficial do Estado, no dia 22 de junho.

O Projeto Mulheres da Paz conta com a participação de aproximadamente 700 mulheres, distribuídas nos municípios de Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari e Simões Filho. O papel das Mulheres da Paz é mediar conflitos das famílias que possuem jovens que vivem à beira da criminalidade ou que já tiveram problemas com a lei.

Mãe Jaciara, do Terreiro Axé Abassá de Ogum, Salvador, é uma das parceiras do Programa Egbé Territórios Negros, de KOINONIA, na luta contra a intolerância religiosa. Mãe Jaciara é filha de mãe de santo Gildásia dos Santos e Santos, conhecida como Mãe Gilda, que sofreu um caso de intolerância religiosa de grande repercussão nacional: Mãe Gilda adoeceu e morreu após ter sua foto publicada em uma matéria no jornal Folha Universal, da Igreja Universal do Reino de Deus, com o título “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. Com o apoio de KOINONIA, os filhos e o marido de Mãe Gilda entraram com ação na justiça, que condenou a Igreja Universal, em agosto de 2009, a pagar R$145,2 mil de indenização. A partir da repercussão do caso foi criado oficialmente o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21 de janeiro).

KOINONIA conversou com Mãe Jaciara por telefone e perguntou sobre o que representa esse convite, depois de 10 anos de luta contra a intolerância religiosa.

“Recebo esse convite com grande satisfação, até porque já temos um trabalho de 10 anos de luta contra a intolerância, que teve início com o caso Mãe Gilda. Esse é o momento de pedir paz, de pedir uma convivência pacífica no diálogo religioso. Sinto-me contemplada porque nunca uma mulher negra e de Axé havia coordenado esse projeto na Bahia. É a primeira vez que uma religiosa de matriz africana assume o cargo.

Esse é o momento de mostrar que o Candomblé convive com as outras religiões, sem discriminar nenhuma e contemplando todas. Não serei uma coordenadora, e sim mais uma multiplicadora da PAZ. O que essas mulheres vivem eu já vivi com a minha família de Axé. Além disso, colocarei em prática a experiência que tive quando trabalhei com menores infratores junto à Fundação do Bem Estar do Menor (Funbem), em Curitiba (PR), onde coordenei uma fazendo com 80 jovens em situação de risco.”

 

Com informações da Sedes

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