Desafios da juventude negra de terreiro no mundo do trabalho em debate na Câmara Municipal de Salvador

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Ana Gualberto, assessora de KOINONIA, abre o seminário na mesa de contextualização, cujo tema foi “Comunidades Negras Tradicionais e Intolerância Religiosa no Mundo do Trabalho”.
A juventude de terreiro do projeto Axé com Arte esteve reunida, na última sexta-feira (25), no Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador, com representantes do poder público durante o seminário “Juventude Negra de Terreiros e os Desafios do Mundo do Trabalho”, que promoveu debate sobre racismo e intolerância religiosa no mercado de trabalho.
 
A primeira mesa do seminário discutiu o tema “Comunidades Negras Tradicionais e Intolerância Religiosa no Mundo do Trabalho”, que contou com a participação de Valter Júnior, articulador do Axé com Arte, Tatiana Anjos, do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), Rosana Fernandes, da Coordenadoria Ecumênica de Serviço, Stael Machado, e Ana Gualberto, assessora do programa Egbé Territórios Negros de KOINONIA.
 
Os palestrantes contextualizaram o debate apresentando problemas vivenciados pela juventude de terreiro no mundo do trabalho. Segundo Ana Gualberto, a discussão destas questões é fundamental na busca por melhorias e oportunidades para os jovens. “Temos que discutir como as políticas públicas e o governo podem auxiliar no combate à intolerância, criando mecanismos de inclusão, pois muitos jovens conseguem ingressar no mercado de trabalho, mas por conta do preconceito, não permanecem nele; outros nem mesmo acessam as oportunidades”, pontuou a assessora de KOINONIA.
 
Cleuza Juriti, representante de comunidades tradicionais de terreiro do interior da Bahia, completou a fala dos palestrantes relatando a realidade de outras cidades do estado: “quanto menores e mais distantes os municípios, mais duro o enfrentamento às intolerâncias”, observou.
 
O segundo turno do seminário abordou a temática “E o que o poder público tem a ver com isso?”, com mesa formada por Elisia Santos, da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi) do Estado da Bahia, Elder Mahin, representante do Conselho Estadual de Juventude (Cejuve), Juci Santana, coordenadora do Empreendedorismo Negro da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) do Estado da Bahia, Vilma Reis, ouvidora-geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia, e Naiara Soares, facilitadora de juventude de KOINONIA.
 
Naiara abriu a mesa com questionamentos relacionados aos assuntos tratados no primeiro debate. Em resposta, os palestrantes apresentaram ações realizadas pelo poder público. Juci Santana mostrou, através das atividades desenvolvidas pela Setre, como o empreendedorismo e a economia solidária são importantes ferramentas de promoção da juventude negra no mercado de trabalho. “É importante que nós estejamos nos espaços porque só nós sabemos o que é melhor para nós mesmos”, reforçando ainda que apenas a juventude negra pode dialogar sobre suas necessidades.
 
Finalizando o debate, Vilma Reis chamou atenção para as contradições e retrocessos pelos quais o Brasil passa no momento. “Não falamos em tolerância ou intolerância religiosa, porque a gente não quer ser tolerado, estamos falando em respeito. O que significa ‘cidadania’ para um país que ceifa a vida de 35 mil jovens negros por ano?”, questionou a ouvidora.