25 de julho: Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha

Intercâmbio entre terreiros e quilombolas na região do Baixo Sul da Bahia: resistir é trocar saberes
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Em 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana, aconteceu o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, do qual decorreram duas decisões: a criação da Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas e a definição do  25 de julho como Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha.[1]

Mais uma vez, meso que brevemente, vamos propor reflexões sobre as mulheres negras com as quais dialogamos e atuamos. Mais um 25 de julho para ser valorizado e comemorado.

Mas comemorar o que se os casos de violência contras as mulheres, principalmente as negras, aumentam a cada dia?  Comemorar o que, se os casos de meninas violentadas, violadas e exploradas crescem também? O que, se não conseguimos avançar na discussão pelo direito ao aborto legal e seguro para as mulheres? Se ainda há mulheres na zona rural que são obrigadas por seus companheiros a parir todo ano para acessar benefícios de auxílio maternidade, que é tomado pelos homens para uso próprio. Festejar o que, se ainda não conseguimos garantir nas escolas o espaço para discutir a igualdade de gênero e diversidade?

Mas afirmamos que ainda assim é necessário comemorar e valorizar a data, assim como outras , que reiteram nosso compromisso com a luta cotidiana, na busca por uma sociedade mais justa e igualitária. Precisamos colocar nossos rostos e vozes em evidencia nesta sociedade que ainda tenta nos invisibilizar e negar nossos direitos quanto cidadãs, construtoras dessa sociedade.

 Os avanços ainda são poucos, se comparados ao desejo final, mas são reais. Mesmo com o quadro já descrito temos um conjunto de políticas públicas e uma legislação que afirmam nossos direitos, criando instrumentos de proteção e apoio. Mas para a mudança desejada e necessária, precisamos de mais: que a mudança aconteça de dentro para fora. Não adianta vir de cima. É fundamental a transformação de mentalidade partindo da primeira pessoa: eu, minha família, minha comunidade, meus espaços coletivos e assim sucessivamente.

KOINONIA, como organização de assessoria a populações vulneráveis, se coloca como parceira incondicional ao lado dos grupos de mulheres negras, rurais e urbanas, indígenas, mulheres que sofrem violências e violações e que buscam igualdade. KOINONIA é comunhão no mundo de desigualdade em que vivemos, é busca de justiça e de igualdade também no campo dos direitos.

Hoje, reverenciamos as guerreiras contemporâneas com as quais podemos compartilhar momentos de luta e somos gratas àquelas que nos serviram de exemplo e inspiração para sermos KOINONIA.

Por Ana Gualberto, Assessora de KOINONIA, negra, feminista, candomblecista, mãe e disposta para luta.
 
[1] Saiba mais em http://blogueirasnegras.org/2014/07/24/porque-reverenciamos-o-25-de-julho-dia-da-mulher-afro-latino-americana-e-caribenha/