Rede de Mulheres Negras da Bahia comemora 8 anos e celebra a eficácia da campanha “Pare de Nos Matar”

As comemorações ocorrem em meio ao Julho das Pretas, totalmente virtual, e o debate mundial das questões raciais e evidencia a importância de resistência pela manutenção da vida do povo negro

 

Por: Ana Gualberto, Camila Chagas, Sheyla Klicia Silva
Com a contribuição de Natália Blanco e Luciana Faustine

Como forma de celebrar a data neste momento de pandemia a Rede de Mulheres Negras da Bahia inaugura seu canal no Youtube e estará produzindo conteúdo também por lá!

 

Confira a entrevista com as representantes da Rede de Mulheres Negras da Bahia:

 

Nesta segunda-feira a Rede de Mulheres Negras da Bahia (RMN- BA) comemora oito anos de existência. A data é celebrada juntamente com o aniversário da campanha “Pare de Nos Matar”, lançada em 13 de julho de 2016, e que hoje, quatro anos depois, ainda ecoa tanto na Bahia quanto fora do estado.

As celebrações ocorrem em um contexto em que o debate das questões raciais e resistência pela manutenção da vida e do bem-viver do povo negro se faz cada vez mais presente, tanto no Brasil quanto no mundo.

Denúncias de assassinatos da população negra no mundo, atreladas ao assassinato de George Floyd, nos EUA, que desencadeou em uma série de manifestações, compradas com as manifestações ocorridas após o assassinato de Martin Luther King, demonstram que o debate e a urgência de sua existência não são recentes e que, por isso, mais do que nunca é primordial a adesão à campanha pela sociedade e, fundamentalmente, pelo Estado.

A Rede de Mulheres Negras da Bahia, idealizada em 2012, é composta por organizações de mulheres negras, mulheres negras autônomas, organizações mistas e outros grupos afins pertencentes aos mais variados grupos de diversas orientações políticas, sexuais e religiosas.

A prioridade do coletivo é o fortalecimento individual de cada uma, construindo possibilidades de articulação e empoderamento das organizações negras.

Sendo uma organização não institucionalizada, a RMN (BA) se configura como espaço de acolhimento, afetividade, segurança e bem-estar das mulheres negras.

É um espaço suprapartidário, de organização de esquerda anticapitalista e antirracista, que trabalha pela construção da equidade racial, social, de gênero e a eliminação de todas as demais formas de discriminação e desigualdade, tornando-se um local de compreensão da diversidade das mulheres negras e fortalecendo a irmandade e solidariedade.

Para falar sobre o processo de criação da organização, o aniversário da campanha, comemoração do Julho das Pretas e a resistência das mulheres negras dentro desse contexto de luta constante, convidamos algumas mulheres integrantes do coletivo que irão expressar suas visões também acerca dos últimos acontecimentos.

 

  • A criação da RMN (BA) aconteceu no mesmo ano da Marcha das Mulheres Negras, ocorrida em Brasília, que mostrou nacional e internacionalmente a força das mulheres negras em movimento. Gostaríamos que falasse um pouco sobre a idealização da Rede e sua conexão com a organização da marcha:

 

Suely Santos, representante da RMN (BA), integrante da campanha Parem de Nos Matar e dos Coletivos Luiza Bairros e Coletivo Ângela Davis:

Eu passei a integrar a marcha a partir do convite de Lindinalva de Paula e Valdecir Nascimento. Para mim foi a descoberta de um novo mundo político. Um movimento de mulheres negras que, a partir daquele momento, torna-se protagonista na luta negra no Brasil.

Patrícia Santana, produtora cultural, Educadora Social, Comunicóloga e representante da RMN (BA):

A Rede nasce de uma articulação de mulheres negras na Conferência da Igualdade Racial da Bahia, em 2012, de onde também surge o indicativo de uma marcha nacional, feita por Nilma Bentes, militante histórica do norte brasileiro. Na época se falava muito da marcha e muitas organizações e coletivos surgiram por causa dela. Na Bahia as movimentações foram feitas em torno da construção da Rede e do fortalecimento do movimento de mulheres negras, tendo a marcha como uma agenda a ser construída, mas o foco mesmo era formação política.

Eu participei da construção da marcha de forma direta desde a organização de fichas de inscrições à coordenação dos ônibus que foram para Brasília, me lembro da agonia que foi conseguir transporte para o máximo de mulheres, pois dois dias antes do evento não tínhamos transporte para todas. Foi uma correria, mas com um pouco de organização, critérios e pressão política conseguimos construir uma delegação plural, contemplando o máximo de territórios possíveis e as mulheres foram marchar, foi incrível! A Bahia sem dinheiro e sem apoio conseguiu levar 20 ônibus para Brasília.

Helena Argolo representante da RMN (BA)integrante da campanha Parem de Nos Matar, coletivos Luiza Bairros Ângela Davis:

O processo de criação da RMN (BA) foi pautado pela democratização. É a construção de um espaço criado para agregar a maior quantidade de mulheres possível, considerando os diversos lugares de onde elas partiriam. São mulheres de diferentes cidades, terreiros, quilombos, escolas, universidades, igrejas, periferias, favelas, ocupações, coletivos, grupos, slans, coxerês, cuxixos, dentre muitos outros, sem deixar ninguém de fora. Em que pese haver a RMN (BA) em coligação direta com a RMNN, vigorou o reconhecimento da necessária autonomia organizacional de muitos destes grupos e de mulheres, individualmente, para se chegar à Brasília, o que resultou no sucesso que presenciamos.

 

  • A campanha “Pare de Nos Matar” foi lançada há quatro anos, hoje presenciamos o movimento “Vidas Negras Importam”, que demostra a urgência de ações pela manutenção da vida do povo negro no mundo. Como foi o processo de criação da campanha?

 

Suely Santos, representante da RMN (BA), integrante da campanha Parem de Nos Matar e dos Coletivos Luiza Bairros e Coletivo Ângela Davis:

A Campanha “Pare de nos Matar” surge na reunião de avaliação em Salvador, que aconteceu após o retorno da Marcha de Mulheres Negras. Nós entendíamos que era necessário indicar os próximos passos, afinal, não poderíamos enfrentar o Estado com uma Marcha. Era preciso apresentar uma proposição para encaminhamento da luta. Então a campanha vem desse entendimento, de percebermos que a morte de mulheres e da juventude negra seria um dos pilares da resistência naquele momento. A Campanha é o nosso instrumento de denúncia.

Patrícia Santana, produtora cultural, Educadora Social, Comunicóloga e representante da RMN (BA):

Eu costumo dizer que precisamos de mais uns cinco anos para conseguir dar conta do capital político que a Marcha Nacional de Mulheres Negras trouxe, a campanha “Pare de nos Matar” é um desdobramento da marcha. Ao voltarmos com toda euforia desse marco histórico que foi o ato, Tânia Palma, que viu um cartaz da delegação da Paraíba, se não me engano com a frase Parem de nos Matar, voltou dizendo que precisávamos fazer uma campanha que denunciasse as diversas violências sobre os nossos corpos, uma campanha que discutisse vida e não morte, e aí começamos a articulação.

A primeira reunião foi na sala da Ouvidoria da Defensoria Pública, entre petiscos e suco de caixinha…rs. Ali decidimos tudo,  criamos a identidade visual, o manifesto, a data de lançamento, a captação de recursos e, aos trancos e barrancos, ela faz quatro anos.

Foi lançada em vários municípios do Estado e começou a fazer zuada nas redes sociais. Eu me lembro do relato de uma das mulheres dizendo que a polícia olhou feio para ela por que estava com a camisa da campanha.

O símbolo é uma cabaça/ xequerê, quem é de axé sabe que a cabaça está presente na vida e na morte e também pela simbologia feminina, queremos discutir vida, não morte. A perspectiva é não denunciar depois que morreu, é evitar que morra!

Isso passa por diversos processos, pois não é somente o braço do estado nas periferias, é a violência obstétrica, é a depressão, é a questão da falta de assistência às mulheres vítimas de violência, são várias mazelas.

Com o tempo começamos a perceber a dimensão, a campanha virou uma hashtag e aí foi embora! Virou livro, documentário surgiram coletivos de forma nacional, eu acho ótimo! Quanto mais gente gritando, melhor.

Hoje tocamos a campanha assim como tocamos a Rede, com articulação e voluntariado na raça, temos dois marcos importantes que é a nossa participação no 2 de Julho e a nossa aula pública na praça. Nesse período estamos fazendo uma ação de comunicação nas redes, de conscientização dos protocolos de segurança de forma mais popular para ter inserção mesmo no nosso povo das periferias.

Helena Argolo representante da RMN (BA)integrante da campanha Parem de Nos Matar, coletivos Luiza Bairros Ângela Davis:

A Campanha “Pare de Nos Matar” nasceu do clamor de se alertar as autoridades e a sociedade sobre o aumento absurdo da violência contra as mulheres, cometida principalmente por seus namorados, noivos, companheiros, maridos e outros indivíduos do sexo masculino, resultando na morte delas.

Como previsto, a campanha extrapolou os limites da RMN (BA) e virou quase que de domínio público, o que para nós, mulheres negras, é positivo, porque as estatísticas apontam para uma taxa de mortalidade maior entre as mulheres de classes mais baixas, pretas e pardas e da periferia.

Isso evidencia a necessidade de se criar meios jurídicos para combater esta realidade, providências legais que protejam mulheres em situações de violência, punam de forma efetiva os praticantes de feminicídios e proponha meios de coibir tais práticas, de forma a que todes se sintam protegidos.

 

  • A pandemia do coronavírus evidenciou as desigualdades sociais e o quanto elas estão pautadas no racismo estrutural presente no País. Como a RMN (BA) tem atuado no contexto pandêmico e quais horizontes vocês enxergam para o futuro?

 

Suely Santos, representante da RMN (BA), integrante da campanha Parem de Nos Matar e dos Coletivos Luiza Bairros e Coletivo Ângela Davis:

O momento de pandemia nos instigou a criar novas formas de comunicação, então as lives têm sido a estratégia do movimento para circular as informações, buscar e dar ajuda.

Semanalmente realizamos encontros temáticos para discutirmos os desafios e as dificuldades que estamos enfrentando. São encontros internos da Rede que, dentre outras coisas, servem como espaço para formação política.

Criamos a Campanha “Cuide de Quem Cuida”, visando angariar alimentos e recursos financeiros para contribuir com as mulheres que são lideranças de grupos e comunidades, pois muitas vezes essas mulheres se dedicam a cuidar dos outras se esquecem de si mesmas. Recebemos cestas básicas, máscaras, materiais de limpeza e através de um fundo emergencial receberam recursos financeiros de pessoas que atenderam ao nosso apelo e assim conseguimos movimentar as ações de solidariedade. Destaque para a parceria com o Koinonia, a CESE, e a CUFA.

Eu acredito que o pós-pandemia vai trazer uma grave crise econômica, com mais desemprego e consequentemente mais violência. Nós, mulheres negras, na maioria das vezes já somos responsáveis pelo sustento de muitas famílias, então essa crise vai nos atingir em cheio. Por isso, urge a organização das mulheres e a ajuda de órgãos financiadores, comprometidos com nossa luta, pois vamos precisar muito de ajuda.

Patrícia Santana, produtora cultural, Educadora Social, Comunicóloga e representante da RMN (BA):

A pandemia abalou muito o movimento e as mulheres da Rede! Logo no começo, em abril, fizemos uma reunião ampliada para saber como as mulheres estavam em questão de afetividade, que é uma coisa que trabalhamos bastante em nossas ações.

Chegamos a conclusão que havia a necessidade de formar um grupo para ajudar as mulheres que são lideranças em seus espaços de atuação. Recebemos relatos de mulheres que tiravam coisas de seus armários para ajudar uma vizinha, coisa de mulher preta, né? Assim surgiu o fundo emergencial das mulheres negras e a campanha “Cuidar de quem Cuida”. Possibilitamos assistência na questão do auxílio emergencial e depois começamos as ações de solidariedade.

Aos poucos fomos estruturando de forma digital nossas formações e agora estamos entrando na era de instrumentalizar essas mulheres para lidar com esse mundo digital, que é uma barreira a ser vencida. Ainda é novo para nós essa questão do pós-pandemia, as necessidades são tantas que estamos no modo comendo e assando, ainda é um caminho longo.

Helena Argolo representante da RMN (BA)integrante da campanha Parem de Nos Matar, coletivos Luiza Bairros Ângela Davis:

A RMN (BA) está sempre tentando se antecipar com ações autônomas e em conjunto com outras organizações, não só do movimento social, mas também com diálogos propositivos com instituições como o Ministério Público e Ouvidoria Cidadã da Defensoria Pública, na tentativa de evitar manifestações de racismo, que no Brasil são corriqueiras e geoseletivas, vitimando jovens negros e negras, promovendo o que chamamos de genocídio da juventude negra.

Assassinatos como de Marielle Franco e de crianças que são vitimadas dentro de suas casas, em sala de aulas, ou em outros locais onde deveriam estar protegidas têm a capacidade de provocar comoção social e mobilizar as pessoas para a nossa luta. São reações importantes, mas nos faz questionar o porquê de a mesma comoção não acontecer nos casos de violência doméstica, que pautamos o tempo inteiro.

Ajudar as mulheres que são vítimas dessa violência, inclusive, permanece sendo a nossa pauta durante a pandemia. Conseguimos criar um fundo finaceiro que nos possibilita comprar medicamentos e oferecer atenção especial para elas, assim como prover ajuda financeira.

Para o pós-pandemia, enquanto RMN, avaliamos que continuaremos o processo de chegar aonde o governo não chega. E se chega, não é efetivo. Isso será inadiável.

 

  • Que mensagem a RMN (Ba) deixa neste de tantas celebrações e ações de resistências?

 

Suely Santos, representante da RMN (BA), integrante da campanha Parem de Nos Matar e dos Coletivos Luiza Bairros e Coletivo Ângela Davis:

A organização, a parceria, a irmandade entre as mulheres negras e os grupos de mulheres negras é fundamental neste momento. Não teríamos como passarmos por esses desafios sem a certeza de podermos contar umas com as outras. A convivência, a troca de experiência, os ensinamentos, até mesmo os conflitos nos trazem um aprendizado sem dimensões.  Eu me sinto bem sabendo que posso ligar o telefone e ouvir a outra de qualquer lugar. Como é uma diversidade de pessoas é muito difícil lidar, mas estou no melhor lugar que uma militante, ativista, poderia estar. Ainda tenho comigo pessoas amigas desde a infância e juventude, amigas do início da militância e novas amigas que adotei agora no coração. O Julho das Pretas para mim este ano é isso: pensaram que iam nos afastar e a gente se juntou mais, estamos renascendo a cada desafio.

Patrícia Santana, produtora cultural, Educadora Social, Comunicóloga e representante da RMN (BA):

É dizer que estamos firmes, centradas e cuidando umas das outras mesmo, procurando continuar a fortalecer a luta feminista, antirracista e de esquerda. É gritar sempre: Parem de nos matar!

Helena Argolo representante da RMN (BA)integrante da campanha Parem de Nos Matar, coletivos Luiza Bairros Ângela Davis:

A RMN (BA) vai sempre caminhar ao lado de pessoas e entidades que lutam de forma incansável contra a violência e a opressão. Evidenciamos a luta pelo direito à saúde, proteção à vida e garantias básicas do vem-viver de todas a mulheres negras que, conforme estatísticas oficiais, são as maiores vítimas de violência, incluindo as perpetradas pelo Estado, abarcando as práticas letais do racismo estrutural e do racismo institucional.

Uma saudação especial às jovens mulheres que contribuem para que a RMN(BA), a Campanha Pare de Nos Matar, o Julho das Pretas e demais entidades, organizações, coletivos, grupos, eventos, dentre outros, se renovem e possibilitem a continuidade das nossas caminhadas. Todas essa ações que celebramos nos permite nos permite mostrar o trabalho de militância ativismo político e acadêmico que pautam a nossa vida cotidiana na busca por melhores condições de vida para o povo negro, para as mulheres negras.

Nossos passos vêm de longe!

 

 

 

Homenagem – Gratidão de KOINONIA à Vida De Marilia Schüller

 

“Gente simples, fazendo coisas pequenas em lugares pouco importantes conseguem mudanças extraordinárias”. – Provérbio africano

A vida da gente sempre encontra sentidos quando a bandeira empunhada pelas mãos é a do compromisso com a  dignidade e pela justiça. A vida fica mais bonita quando a simplicidade ajuda a construir uma sociedade mais humana, solidária e fraterna. Dignidade e justiça para todos e todas.

Com sua presença marcante, inteligência criativa, espírito de serviço, gestos carinhosos e sorriso no olhar, Marilia Schüller sempre nos acolheu assim, especialmente nos rincões onde foi convidada a servir.

Formada em Teologia pela Faculdade de Teologia da Igreja Metodista , em São Bernardo do Campo, na década de 70, disponibilizou-se ao ministério pastoral, servindo à Igreja no Paraná. Já, em seus primeiros anos como pastora metodista, foi indicada para trabalhar no programa de combate ao racismo do Conselho Mundial de Igrejas – CMI. Por seu compromisso com a luta pelos direitos do povo negro acabou por ser enviada pela Junta de Ministérios Globais da United Methodist Church como missionária junto ao referido conselho para os programas de combate ao racismo  e defesa dos direitos das mulheres.

Em 2007, depois de anos de serviço em Genebra, Marilia retorna ao Brasil como missionária da mesma Junta metodista. Passou a engrossar os cordões de Koinonia – Presença Ecumênica e Serviço e se tornou parte efetiva nas ações de promoção da vida. Sua assessoria sempre foi notória e participativa. O eixo central da sua ação sempre esteve ligado às redes ecumênicas e da sociedade civil.

Marilia durante esses 13 anos esteve como assessora institucional para:
– Justiça de Gênero;
– Superação do racismo e por igualdades étnicas;
– Acompanhamento às iniciativas por direitos ambientais;
– Acompanhamento às representações internacionais e nacionais.

Logo, a questão ecumênica perpassou todos os temas e práticas onde esteve envolvida.

A vida também tem seus ciclos, e é chegado, agora, o ciclo que pausa as atividades de Marilia junto à Koinonia, lançando-a à novas aventuras que priorizam a si mesma e aos seus familiares.

Nós, de Koinonia, externamos nossa genuína gratidão a esta que sempre foi firme coluna nas ações em prol da vida. Entendemos que a família em Koinonia nunca se distanciará do legado que Marilia deixa. Ao contrário, nos anos de sua existência, as memórias se cruzarão e se efetivarão na utopia de um país menos desigual. As lutas continuarão e o amor será sempre o elo a nos unir.
Obrigado Marilia.

Com a sua simplicidade, grandes coisas foram construídas e certamente continuarão em expansão.

Que o supremo Mistério continue a sustentá-la em Axé, em Shalom.

Com o carinho e afeto da Diretoria, do Conselho Fiscal  e  de toda a  equipe de Koinonia.

 

Paulo Ayres

Presidente da Diretoria

KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço.

Nota de repúdio aos vetos do Presidente da República no ato de sanção da Lei nº 14.021

NOTA DE REPÚDIO

 

A Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil, juntamente com o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), o Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE ACT Brasil), o Processo de Articulação e Diálogo (PAD) e Parceiros de Misereor no Brasil, vem a público manifestar seu repúdio aos vetos do Presidente da República no ato de sanção da Lei nº 14.021, publicada no Diário Oficial da União1 no dia de hoje.

O presidente da república sancionou a lei com nada menos do que 16 vetos ao projeto original aprovado no Senado. Entre os principais vetos estão, por exemplo, à obrigação do governo garantir o acesso universal à água potável para os povos e comunidades tradicionais; à distribuição gratuita de materiais de higiene e limpeza para desinfecção em aldeias e comunidades; a facilitar o acesso ao auxílio emergencial por povos e comunidades tradicionais e pelos povos indígenas em áreas remotas. Foi vetada também a distribuição de cestas básicas, sementes e ferramentas agrícolas, a garantia da oferta e de acesso emergencial a leitos hospitalares de média e alta complexidade com atendimento das demandas diferenciadas dos povos e comunidades indígenas; além da inclusão e povos indígenas nos planos emergenciais dos municípios para atendimento de pessoas em estado grave, entre outras.

Estes vetos mostram o desprezo do governo Bolsonaro pelos povos indígenas e pelos povos e comunidades tradicionais no Brasil. É mais uma medida que resulta em genocídio em razão da ação necropolítica. Segundo os dados oficiais, os casos de Covid-19 entre povos indígenas são mais de 8 mil, com pelo menos 184 óbitos até o momento, mas levando-se em consideração o alto índice de subnotificação, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), vem fazendo um levantamento independente e aponta que são pelo menos 12.048 casos da Covid-19, 445 óbitos e

122 povos afetados no Brasil2, e o crescimento de casos está em velocidade assustadora junto aos povos indígenas. Com relação aos povos quilombolas, o Observatório da Covid-19 nos Quilombos, aponta que há pelo menos 2.590 casos confirmados da Covid-19 e 128 óbitos, com pelo menos mais 197 pessoas em situação de monitoramento.

Ao tempo em que condenamos a atitude do Poder Executivo, apelamos ao Parlamento brasileiro que derrube urgentemente os vetos presidenciais na Lei nº

14.021. A medida é necessária para enfrentar o agravamento ainda mais desastroso da situação de vida dos povos e comunidades tradicionais.

Brasil, 08 de julho de 2020.

Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil

Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)

Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE ACT Brasil)

Processo de Articulação e Diálogo (PAD)

Parceiros de Misereor no Brasil

 

1 http://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.021-de-7-de-julho-de-2020-265632745

2 https://covid19.socioambiental.org/

Terceiro webinar: Sustentabilidade da vida e economia de cuidados, desafios, estratégias e interseções

No dia 11 de junho foi realizado o terceiro webinar com o tema sustentabilidade da vida e economia de cuidados, desafios, estratégias e interseções. Nesta reunião, analisaram os impactos socioeconômicos da COVID-19 na vida de mulheres indígenas, afro-latino-americanas, no campo e na cidade.

A articuladora nacional da temática sobre direitos das comunidades negras tradicionais de KOINONIA,  Ana Guaberto participou do evento e apresentou um panorama do impacto da COVID-19 nas mulheres negras no Brasil.

Que desafios as mulheres enfrentam na crise socioeconômica gerada por COVID-19 e como isso agrava a crise de atendimento que já era evidente na região.

A situação das mulheres negras no Brasil nunca foi fácil, ou sequer vista como a situação vivenciada pelo ser mulher, e aí pensando naquela mulher que é vista como algo privado, que deve ser protegido e cuidado pelo homem que é seu  proprietário, a quem ela responde e deve obediência. Isso sendo bem rasa numa visão do ser mulher branca. Para nós mulheres negras, o nosso lugar sempre foi no espaço público lutando para garantir a sobrevivência dos seus, sofrendo por ser propriedade, mas não sendo um ser que deveria ser protegido ou cuidado. Trago este elemento histórico para reafirmar que a situação das mulheres negras, na atualidade com a pandemia, continua sendo de tentativa de manter a vida das pessoas que estão próximas e delas mesmas. A grande questão é que todas as dificuldades já enfrentadas cotidianamente por este grupo, se acentuam mais ainda com a pandemia.

A perda de renda das mulheres que estão em subempregos, as dispensas em massa das trabalhadoras domésticas (mais de 80% negras), a permanência das crianças e adolescentes em casa, sem escola e merenda escolar, aumentando as despesas, a dependência de auxílios dos governos para arcar com as despesas mínimas, são alguns elementos que têm tirado o sono e a saúde das mulheres negras.

Juntamente a estes elementos do âmbito econômico, trago a vulnerabilidade da situação da saúde pública que não garante atendimento a pessoas doentes, nem de forma preventiva e muito menos nos atendimentos emergências. A falta de acesso a saneamento básico e água tratada é outra situação a ser observada:

Segundo um levantamento do IBGE[1], no país há cerca de 11,4 milhões de famílias formadas por mães solteiras, sendo 7,4 milhões negras. Cerca de 40% desses lares não têm acesso a direitos básicos, como rede de esgoto, 8,8% não usufruem de coleta de lixo e 13,95% não recebem abastecimento de água. Já no caso de famílias com mulheres brancas, mesmo as que estão em situação de vulnerabilidade social, as estatísticas são diferentes. 27,7% não têm acesso a rede de esgoto. 3,7% não conta com coleta de lixo e 9,4% não recebe abastecimento de água. Do total da população brasileira 48% não tem acesso a saneamento básico.

Estes números nos ajudam a compreender o porquê de mais de 70% dos doentes e mortos por Covid 19 serem negros ou pardos no Brasil, sendo quase 60% homens. Quem cuida destes doentes?

Estamos lutando no Brasil para manter a transparência nos números e dados das pessoas, referentes a doença, para que isso ajude na construção de ações de combate e prevenção, principalmente por meio dos municípios e estados, já que o governo federal optou claramente por uma política genocida para eliminar a população mais vulnerabilizada no Brasil.

Mais um elemento que trago, é a violência doméstica que cresce a cada dia. Hoje fazer uma denúncia, conseguir uma medida protetiva, torna-se mais difícil com a pandemia. As mulheres estão tendo que conviver com seus agressores nas suas casas e não contam com os poucos equipamentos de serviço e acolhimentos às vítimas, em pleno funcionamento.

O que as organizações baseadas na fé (OBFs) estão fazendo em sua diaconia para acompanhar essas mulheres?

Nós de KOINONIA acompanhamos as ações principalmente dos terreiros de candomblé em Salvador que tem sido espaços de acolhimento e distribuição de alimentos e itens de higiene nas suas comunidades. Em nossos diálogos com as lideranças, questionamos como estão as situações de violência e conflitos nas localidades. Estamos trocando informações, orientações de como agir e que encaminhamentos dar nos casos mais urgentes. A Rede de Mulheres Negras da Bahia tem sido uma articulação que tem propagado muita informação e acompanhado casos de mulheres e população LGBTQI+ que também tem sofrido muitas violências.

No baixo sul, a Articulação de Mulheres tem se reunido regularmente com a equipe de KOINONIA para coordenar ações de produção e distribuição de máscaras nas comunidades, bem como ações de comunicação.  Nesta região não dialogamos diretamente com igrejas ou terreiros, mas um parceiro que temos, a Pastoral Católica, atua na região e dialoga conosco, na articulação de mulheres.

Quais recomendações e quais estratégias você está implementando para acompanhar essas mulheres?

Como infelizmente esta situação não se resolverá a curto prazo, pensamos em como podemos contribuir para a manutenção da vida nas comunidades. Assim acreditamos que manter o fluxo de informações de forma direta é um de nossos papéis, bem como contribuir com ajuda humanitária de forma direta, mesmo que seja com pouco.

Produzir matérias de informação específicas para as comunidades tradicionais é fundamental, tendo em vista que são programas diferentes de acesso a auxílios, existem especificidades de acordo com os municípios e regiões.

Na área urbana acreditamos ser importante ajudar as casas de candomblé a conseguir apoios para itens básicos de alimentação e higiene de forma a atender as questões mais urgentes.

O papel de KOINONIA sempre foi na produção de informações, notícias, conectar grupos e iniciativas. Assim continuamos a explicar, produzir informações diversas, criar materiais de formação a serem usados pelas comunidades, como vídeos e podcast. Nosso foco durante este período será na produção de materiais específicos para as comunidades negras tradicionais, com atenção maior as mulheres.

Acreditamos que teremos um grande desafio institucional de nos repensarmos no pós pandemia, assim como todas as organizações que atuam de forma direta com comunidades.

O FEACT Brasil tem atuado com ajuda humanitária como ACT Aliança em duas iniciativas: para indígenas com recorte de gênero liderados pela CESE, para saber mais visitem www.cese.org.br; e em São Paulo em periferias e interior liderado por KOINONIA, saiba mais em www.koinonia.org.br.

 

 

Em espanhol:

Qué desafíos enfrentan las mujeres en la crisis socioeconómica generada por el COVID-19 y cómo agudiza la crisis de los cuidados que ya se venía evidenciando en la región.

 

La situación de las mujeres negras en Brasil nunca ha sido fácil, ni siquiera se ha visto como la situación experimentada por ser mujer, y luego pensar en esa mujer que es vista como algo privado, que debe ser protegida y cuidada por el hombre que es su dueño, a quien ella responde y debe obediencia. Esto es muy superficial en una visión de ser una mujer blanca. Para nosotras, las mujeres negras, nuestro lugar siempre ha estado en el espacio público, luchando para garantizar la supervivencia de los suyos, sufriendo por ser propiedad, pero no por ser un ser que debe ser protegido o cuidado. Traigo este elemento histórico para reafirmar que la situación de las mujeres negras, hoy en día con la pandemia, sigue siendo un intento de mantener la vida de quienes están cerca de ellas y de ellas mismas. La gran pregunta es que todas las dificultades que este grupo enfrenta diariamente, se acentúan aún más con la pandemia.

La pérdida de ingresos de las mujeres que están subempleadas, los despidos masivos de trabajadores domésticos (más del 80% negros), la permanencia de niños y adolescentes en el hogar, sin comidas escolares y escolares, gastos crecientes, dependencia de la ayuda de Los gobiernos para pagar los gastos mínimos, son algunos elementos que han tomado el sueño y la salud de las mujeres negras.

Junto con estos elementos del alcance económico, traigo la vulnerabilidad de la situación de salud pública que no garantiza la atención a las personas enfermas, ni de manera preventiva, y mucho menos en la atención de emergencia. La falta de acceso a saneamiento básico y agua tratada es otra situación a observar:

Según una encuesta realizada por el IBGE, hay alrededor de 11,4 millones de familias en el país formadas por madres solteras, de las cuales 7,4 millones son negras. Alrededor del 40% de estos hogares no tienen acceso a derechos básicos, como un sistema de alcantarillado, el 8.8% no disfruta de la recolección de basura y el 13.95% no recibe suministro de agua. En el caso de las familias con mujeres blancas, incluso quienes se encuentran en una situación de vulnerabilidad social, las estadísticas son diferentes. El 27.7% no tiene acceso a la red de alcantarillado. 3.7% no tiene recolección de basura y 9.4% no recibe suministro de agua. Del total de la población brasileña, el 48% no tiene acceso a saneamiento básico.

Estas cifras nos ayudan a entender por qué más del 70% de los enfermos y asesinados por Covid 19 son negros o marrones en Brasil, casi el 60% de los cuales son hombres. ¿A quién le importan estos pacientes?

Estamos luchando en Brasil para mantener la transparencia en los números y datos de personas, refiriéndonos a la enfermedad, para que esto ayude en la construcción de acciones de combate y prevención, principalmente a través de los municipios y estados, ya que el gobierno federal claramente optó por una política. genocida para eliminar a la población más vulnerable de Brasil.

Otro elemento que traigo es la violencia doméstica que crece todos los días. Hoy presentar una queja, obtener una medida de protección, se vuelve más difícil con la pandemia. Las mujeres tienen que vivir con sus agresores en sus hogares y no tienen los pocos equipos de servicio y refugios para las víctimas, en pleno funcionamiento.

 

Qué están haciendo las OBFs en su labor de diaconía y servicio para acompañar a estas mujeres?

Nosotros en KOINONIA seguimos las acciones principalmente de los terreiros Candomblé en Salvador, que han sido espacios para recibir y distribuir alimentos y artículos de higiene en sus comunidades. En nuestros diálogos con los líderes, cuestionamos la situación de violencia y conflictos en las localidades. Estamos intercambiando información, orientación sobre cómo actuar y qué referencias dar en los casos más urgentes. La Red de Mujeres Negras de Bahía ha sido una articulación que ha difundido mucha información y ha seguido casos de mujeres y población LGBTQI + que también han sufrido mucha violencia.

En el sur bajo, la Articulação de Mulheres se ha reunido regularmente con el equipo de KOINONIA para coordinar acciones para la producción y distribución de máscaras en las comunidades, así como acciones de comunicación. En esta región, no hablamos directamente con iglesias o terreiros, pero un socio que tenemos, la Pastoral Católica, trabaja en la región y dialoga con nosotros, en la articulación de las mujeres.

 

Qué recomendaciones y qué estrategias están implementando para acompañar a estas mujeres?

Como desafortunadamente esta situación no se resolverá en el corto plazo, estamos pensando en cómo podemos contribuir al mantenimiento de la vida en las comunidades. Por lo tanto, creemos que mantener el flujo de información directamente es una de nuestras funciones, así como contribuir directamente con la ayuda humanitaria, aunque sea con poco.

Producir materiales de información específicos para las comunidades tradicionales es esencial, considerando que son diferentes programas para acceder a la ayuda, hay especificidades según los municipios y las regiones.

En el área urbana, creemos que es importante ayudar a las casas de candomblé a obtener apoyo para alimentos básicos y artículos de higiene para resolver los problemas más urgentes.

El papel de KOINONIA siempre ha sido producir información, noticias, conectar grupos e iniciativas. Así que continuamos explicando, produciendo información diversa, creando materiales de capacitación para ser utilizados por las comunidades, como videos y podcasts. Nuestro enfoque durante este período estará en la producción de materiales específicos para las comunidades negras tradicionales, con mayor atención a las mujeres.

Creemos que tendremos un gran desafío institucional para repensarnos en la pandemia posterior, así como a todas las organizaciones que trabajan directamente con las comunidades.

FEACT Brasil ha actuado con ayuda humanitaria como ACT Aliança en dos iniciativas: para los pueblos indígenas con un perfil de género dirigido por el CESE, para obtener más información, visite www.cese.org.br ; y en São Paulo, en las afueras y tierra adentro, liderado por KOINONIA, obtenga más información en www.koinonia.org.br

 

 

[1]https://fdr.com.br/2020/03/06/desigualdade-saneamento-para-maes-negras-e-menor-do-que-para-brancas/

Primeiro episódio do programa em áudio Fala Egbé

🥁 Está no ar!!!
Você está recebendo 1° episódio do programa em áudio Fala Egbé 🗞️

💬 Como as comunidades do Baixo Sul da Bahia estão vivenciando a pandemia?

🎙️ No primeiro episódio, programa desenvolvido por Koinonia Presença Ecumênica e Serviço, a coordenadora Ana Gualberto explica o significado da palavra Egbé, que além de dar nome ao programa, também é o nome do nosso informativo digital.

💡Lideranças de comunidades negras tradicionais do município de Camamu- BA contam as experiências das comunidades com a covid-19 e ainda abordamos algumas ações de solidariedades que estão ocorrendo.

✨ Agradecemos a participação das nossas companheiras de Camamu: Maria Andrelice (Dandara dos Palmares), Ana Célia (Barroso) e Marilene Silva (Pimenteira)

📌 Apresentação: Camila Chagas, advogada, educadora popular e colaboradora de Koinonia.

💌 Gostou? Encaminhe o programa para os contatos da sua rede e ajude a divulgar!

📝 Se quiser relatar algo sobre a sua comunidade ou sugerir um tema, basta enviar uma mensagem para o e-mail a nossa comunicadora Natália Blanco: comunica@koinonia.org.br

Ouça o programa aqui

Por uma KOINONIA e a Presença Ecumênica e Serviço, Jether, Presente!

Quem conheceu o Jether Ramalho participou de um legado. Visível desde os anos de jovem evangélico e depois na Confederação Evangélica do Brasil, um militante da causa da Responsabilidade Social da Igreja, de dentista bem sucedido a sociólogo e professor por opção, junto com a esposa incansável, a Lucília Ramalho, e obras sociais na Igreja Congregacional e depois na Igreja de Ipanema, fizeram de tudo sob uma fé, além da base cristã, a crença no outro e na outra como incansáveis presenças.
No início dos anos 60 se juntou aos que levaram a cabo a Conferência do Nordeste “Cristo e Processo Revolucionário Brasileiro”, onde se revelaram processos de participação e mobilização sociopolítica evangélica.
E veio o golpe e a repressão…
Vários tombaram e foram exilados, muitos de passagem pela casa generosa da Lucília e do Jether. Entre tantos até Paulo Freire foi levado à proteção ecumênica em Genebra com auxílios como o do Jether.
Pastor de Esperanças, dizia dele o Ruben Alves, que sabia de quantos movimentos de resistência o Jether com a Lucília, sua permanente companheira, ajudaram a fundar e a apoiar, para citar alguns:
Igreja e Sociedade na América Latina (ISAL), Centro Evangélico de Informação (CEI) que depois se tornou Centro Ecumênico de Documentação (CEDI) e Informação, Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), apoiou a fundação do Conselho Latino-Americano de Igrejas, fora as ONGs que apoiou nos anos 80 com a volta de exilados, tais como o Betinho e o IBASE. Enfim desde ISAL nascedouro protestante da Teologia da Libertação, nunca abandonou a fé nos princípios dessa teologia que fez a opção preferencial pelos pobres, a contra-pêlo dos evangélicos que não só apoiaram a ditadura, mas denunciaram irmãos e os levaram à tortura e morte. Jether e Lucília sempre significaram amor e dedicação à Libertação das massas oprimidas.
KOINONIA é a organização ecumênica herdeira desse legado desde o final de CEDI em 1994, assim como as OSCs em seu devidos carismas: a Ação Educativa e o ISA – Instituto Socioambiental.
Nossa vocação e um pouco de toda essa história nos constituem, hoje em dores de uma despedida nos moldes coronavirus… sem a explosão de depoimentos e amizades de tantos legados, mas no silêncio sincero, solidário e presente, tal como o nome da nossa revista Tempo e Presença de que foi editor por tantos anos. Assim seguimos de luto, com Lucília que já foi e que agora com ele se encontra, o Jether Ramalho da eterna rebeldia contra os fascismos.
Na nossa vida e na das especiais escolhas que seguimos a fazer hoje pela população negra, pela população LGBTQIA+, pelas Mulheres e as Juventudes, pelo vida sem intolerâncias, pelo Ecumenismo que não deixe ninguém de fora, pela Justiça sem limites a todas pessoas.
Por uma KOINONIA e a Presença Ecumênica e Serviço, Jether, Presente!

 

+ Leia textos de Jether Ramalho: https://www.koinonia.org.br/protestantes/acervo

“Apesar de diferenças, permaneceremos juntos “: https://koinonia.org.br/protestantes/uploads/novidades/Tempo-e-Presenca_303.pdf

Historiadores analisam a Igreja: https://koinonia.org.br/protestantes/uploads/novidades/Tempo-e-Presenca_282.pdf

Um compromisso que deve continuar: https://koinonia.org.br/protestantes/uploads/novidades/Tempo-e-Presenca_298.pdf

Sinais de esperança e de justiça: https://koinonia.org.br/protestantes/acervo/855/tempo-e-presenca/

Igrejas, sindicatos, universidades e as eleições diretas: https://koinonia.org.br/protestantes/uploads/novidades/Tempo-e-Presenca_191.pdf

As Relações do CEDI no Movimento Ecumênico: https://koinonia.org.br/protestantes/uploads/novidades/Tempo-e-Presenca_192.pdf

A dívida externa na América Latina e Caribe: desafio para todos nós: https://koinonia.org.br/protestantes/uploads/novidades/Tempo-e-Presenca_201.pdf

Vancouver: acontecimento decisivo na caminhada das igrejas: https://koinonia.org.br/protestantes/uploads/novidades/Tempo-e-Presenca_183.pdf

“As forças da morte são fortes. a dádiva da vida em cristo é ainda mais forte.”: https://koinonia.org.br/protestantes/uploads/novidades/Tempo-e-Presenca_187.pdf

Eliseu lopes, profeta de nossos tempos: https://koinonia.org.br/protestantes/uploads/novidades/Tempo-e-Presenca_332.pdf

Sobre dignidade e esperança: https://koinonia.org.br/protestantes/uploads/novidades/Tempo-e-Presenca_327.pdf

Por onde anda a dignidade de vida?: https://koinonia.org.br/protestantes/uploads/novidades/Contexto-Pastoral-Suplemento-Debate_021.pdf

A oportunidade de mudar o país: https://koinonia.org.br/protestantes/uploads/novidades/Contexto-Pastoral_21.pdf

Obstáculos não removidos: comentários à última encíclica papal sobre ecumenismo: https://koinonia.org.br/protestantes/uploads/novidades/Contexto-Pastoral_27.pdf