KOINONIA participa de seminário sobre injustiça e desigualdades em São Paulo

 

Foto: Natália Blanco/ KOINONIA para Christian Aid

Por: Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC
Com adaptações

Injustiça e Desigualdades no Brasil hoje: Desafios Teológicos e Respostas de Fé. Este foi o tema de um seminário promovido pela Christian Aid, dias 5 e 6 de setembro, em São Paulo, e que contou com a participação do CONIC, representado pela secretária-geral Romi Bencke.

O objetivo era promover debates entre teólogas/os e diferentes atores da sociedade civil (movimentos sociais, organizações baseadas na fé, ONG´s, Igrejas) para a inovação de respostas ecumênicas ao retrocesso de direitos e controle dos recursos naturais em nosso país.

Contextualização

O trabalho de igrejas e organizações baseadas na fé por justiça social é reforçado por formulações teológicas que oferecem respostas aos desafios de cada contexto. É nesse sentido que Christian Aid organizou o Seminário com movimentos sociais, teólogos e teólogas, igrejas e organizações da sociedade civil, afinal, precisávamos debater temas como aumento da violência e do autoritarismo, desigualdade no acesso aos recursos naturais e a atuação de setores religiosos fundamentalistas foram alguns dos temas discutidos.

Debatedores
O evento iniciou com Doris Vasconcelos, representando a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), apresentando quem são as vozes proféticas na Amazônia e como a Igreja Católica vem trabalhando para defender as forças vivas na região e para promover sua presença como um sinal de esperança para os povos.
Ivanei Dalla Costa, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), mostrou os desafios enfrentados pelo MAB em suas lutas cotidianas de resistência junto às pessoas que tiveram sua existência desrespeitada e atropelada pelos megaprojetos e interesses de empresas privadas.
Pedro Abramovay, diretor para América Latina e Caribe da Open Society Foundations, apontou para o papel estratégico do Brasil na disputa entre discursos religiosos dicotômicos, e alertou para os perigos da associação entre atores religiosos e setores corruptos da sociedade latinoamericana.

Para Nancy Cardoso, teóloga da Christian Aid, a cooptação de discursos religiosos por atores que se beneficiam das injustiças é um sintoma do que Walter Benjamin chamou de parasitismo da religião pelo capitalismo: “A Bíblia nunca foi tão importante, e a Bíblia não quer dizer nada”. Nancy afirmou que uma interpretação radical do Evangelho nos permite ver que toda riqueza e concentração de recursos de parábolas é negativa. Através como Ezequiel e O Jovem Rico, fica claro que o desvelamento dos mecanismos de reprodução da desigualdade é uma condição para esperança e salvação.

Segunda etapa
A seguinte mesa explorou os desafios relacionados à apropriação dos recursos naturais. O representante do MAB apresentou dados sobre as riquezas naturais do Brasil e por que o país está na mira dos interesses geopolíticos internacionais. A Sempreviva Organização Feminista (SOF) trouxe casos relacionados à organização de comunidades por seus recursos e direitos, e provocou o grupo a pensar em como manter formas de vida em comunidades que vivem em comunhão com a natureza.

O teólogo Fabio Py conduziu o público por uma reflexão sobre o movimento de Jesus, que foi um movimento de trabalhadores pobres, de camadas excluídas da população, contra a subjugação do império Romano. Para Fabio, esse Jesus permanecerá para sempre fora da historiografia oficial, e é o papel daqueles comprometidos com a justiça desenvolver uma narrativa alternativa que complemente seu legado.

Terceiro tempo
Marilia Schüller esteve representando KOINONIA, compartilhando as experiências de resistência e desafiadora no contexto atual, ao trabalhar a partir de uma perspectiva interreligiosa e ecumênica pautas na promoção de direitos com a superação da intolerância e racismo religioso, justiça de gênero, população LGBTQI+ e comunidades negras tradicionais. Foto: Natália Blanco/ KOINONIA para Christian Aid
Seguindo a mesma estrutura, a terceira mesa trouxe experiências de MST e Koinonia no enfrentamento à violência e ao retrocesso em direitos fundamentais. Suas falas convocaram à elaboração de alternativas, mas não teóricas – em termos práticos, quais são os elementos que nos levam a uma boa vida? Nesse sentido torna-se urgente construir novas pontes entre diferentes grupos culturais e lutas específicas.
O teólogo Fellipe dos Anjos conduziu uma reflexão sobre como a teologia pode ajudar nessa tarefa – mas somente se deixamos de lado as visões que colocam a religião como lugar do passado. Para Fellipe, a teologia é uma linguagem viva que legitima alguns valores e formas de vida em detrimento de outras, e a tarefa é produzir novas teologias e reafirmar novos valores.
Última mesa
Na última mesa, a reflexão teológica esteve no centro no debate e refletiu os elementos levantados anteriormente. Yuri Orozco (pelo CONIC) apresentou uma síntese das reflexões anteriores e enfatizou a necessidade de buscar novas formas de teologia que reflitam o ser humano como sujeito coletivo.
A teóloga anglicana Bianca Daebs refletiu sobre o papel privilegiado da teologia com o potencial de trazer novos sujeitos do discurso para o centro da arena.
O pastor Ricardo Gondim compartilhou sua experiência como pastor enfrentando os desafios de defender a justiça em um contexto que em as pessoas buscam saídas fáceis pela religião. “Nossa missão não é que as pessoas se sintam bem nos cultos, mas sim que sejam chamados carvalhos de justiça, plantio do Senhor, para manifestação da sua glória”, concluiu.

Política de Justiça de Gênero de KOINONIA

 

  1. INTRODUÇÃO
  • KOINONIA é organização ecumênica composta por pessoas de diferentes orientações socioculturais, políticas e religiosas, reunidas em associação civil. Sua missão é promover o movimento ecumênico e seus valores libertários, no plano nacional e internacional, e prestar serviços a grupos vulneráveis e em processo de emancipação social e política. Para isso, mobiliza a solidariedade da comunidade ecumênica, desenvolve ações de educação popular, produção de conhecimento e de informação, na construção de espaços democráticos que promovam a justiça e a igualdade, no marco dos Direitos Humanos, Civis, Políticos, Econômicos, Sociais Culturais e Ambientais (DHESC-A).
  • Os valores que norteiam KOINONIA são: o ecumenismo, a ética de solidariedade, os direitos humanos particularmente destacados nos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais, equidade de gênero, raça e etnia e o desenvolvimento transformador.
  • A pobreza, a violência doméstica, a violência sistêmica das estruturas patriarcais e homolesbotransfóbicas opressivas, ainda subsistem. Estas realidades provocam diversas desigualdades que se estabelecem nas relações entre as pessoas. As desigualdades das relações entre gêneros, homens e mulheres, entre a população T (mulheres transexuais, travestis e homens trans, +)  e entre pessoas de orientações sexuais distintas são determinantes. Superar este quadro de desigualdades é buscar a equidade de gênero. O ethos e a missão de KOINONIA impulsionam a organização a assumir um compromisso com as identidades de gênero e a equidade de gênero e a desenvolver uma política que garanta o seu avanço na vida da instituição.

 

  1. PRINCÍPIOS NORTEADORES
  • A Política de Justiça de Gênero (PJG) representa a presente compreensão da instituição quanto à promoção da equidade de gênero e, portanto, é instrumento dinâmico de compromisso, sujeito às mudanças que se façam necessárias para melhor responder a este compromisso;
  • Esta PJG lança mão da seguinte compreensão de gênero: Trata-se de uma autoatribuição individual de gênero, de caráter social e público, inclusive com consequências quanto ao nome social e ao registro civil. Entre as autoatribuições não se qualificam quaisquer aspectos de orientação sexual, sendo este de caráter individual e privado;
  • A equidade de participação de todas as pessoas independente de identidade de gênero, nos espaços de tomada de decisão e definição de políticas e culturas institucionais é uma meta vital para o compromisso com a equidade de gênero.
  • A PJG é um conjunto de referências e de critérios, datados, que orientam as práticas institucionais, tanto internas como junto aos públicos beneficiários quanto à promoção da equidade de gênero.
  • A PJG provê direção quanto às ações de gestão, de pessoal e às ações programáticas no sentido da integração do olhar e da análise de gênero que compreende as relações entre homens e mulheres, entre pessoas de identidade de gênero e orientações sexuais distintas e entre população T, às práticas e políticas globais de KOINONIA;
  • A PJG agrega valor à qualidade de trabalho, de análise e de produção de conhecimento de KOINONIA, beneficiando também o campo de relações ecumênicas e de relações com parceiros do movimento social, no qual a instituição é um agente político de mobilização e disseminação de valores;

 

  1. ESTRATÉGIAS DE PMA
  • Monitoramento e Avaliação serão realizados nas reuniões mensais no Núcleo de Articulação Institucional (NAI), assim como a tomada de decisões sobre o processo e seu seguimento;
  • Uma Comissão Interna de Gênero será convocada sempre que haja necessidade. Sua membresia será definida pelo NAI.
  • A definição das necessidades de formação e sensibilização no que diz respeito a gênero na implementação das ações e análises, serão feitas a partir do próprio pessoal, determinando a recomendação ou não de cursos, financiados ou não pela instituição conforme as disponibilidades orçamentárias e melhorias de desempenho conforme recomendações internas.
  • O caráter dinâmico de efetivação da equidade de gênero poderá demandar a realização de oficinas de sensibilização, de reflexão e análise. Estas poderão ser sugeridas pela Comissão Interna de Gênero e/outros membros do pessoal, para consideração e aprovação pelo Núcleo de Articulação Institucional ;
  • Por seu caráter dinâmico, a PJG será revisada a cada seis anos ou face demandas de adaptação institucional.

 

  1. NO PLANO DA GESTÃO
  • Orgãos de decisão:
    • Assembleia e Diretoria: nos últimos anos associados e associadas decidiram privilegiar a inclusão de mais mulheres associadas e garantir na composição da diretoria, pelo menos 2 mulheres e que pelo menos uma delas ocupe a presidência ou a vice-presidência.
    • A construção de caminhos de equidade de gênero expressa pelo equilíbrio de gênero na composição do NAI é um valor já agregado. Esta prática continuará a ser monitorada e avaliada ;
    • A presente realidade de inclusão de mulheres e de homens sem discriminar orientações sexuais ou identidade de gênero no quadro de funcionários da entidade numa forma diferenciada de funções, é também valor já agregado.
    • Continuidade da tomada de decisão baseada na consulta a colegas, na participação e transparência na prestação de contas;
    • Visibilizar na gestão população T é desafio para os próximos 3 anos.

 

  1. NO PLANO ADMINISTRATIVO
  • Gerência e Pessoal
    • Será dada continuidade à prática e reflexão que reconhece que a vida não se expressa de forma dicotômica entre a esfera doméstica e a esfera do trabalho. Nesse sentido os funcionários (a)s e colaborador (a)s têm suas esferas domésticas e de trabalho compartilhadas no nível institucional, de tal forma que a administração dos tempos individuais seja sempre tomada por medidas de produtividade mais que por horas;
    • Equidade de gênero tem sido respeitada quando da contratação de novos quadros. Em caso de candidatos/as de mesma competência, como critério interno de seleção opta-se por contratar pessoas cuja identidade de gênero tenda a equilibrar o quadro geral de gênero da instituição, à época especifica da contratação;
    • Novas pessoas contratadas receberão cópia da PJG e apresentação oral sobre a mesma;
    • Todo o quadro de pessoal deverá ser informado da existência e conteúdo da PJG da institutição. Esta deverá informar suas práticas internas à instituição e externas quanto aos públicos beneficiários;
    • A instituição considera que as necessidades de maior dedicação eventual ao tempo doméstico, para a superação de situações específicas, não devem ser computadas como empecilho ao desempenho, mas ao contrário como investimento em: equiparação de condições de trabalho (ex: com filhos x sem filhos equiparados); compensação por dedicação para a geração de resultados dentro dos prazos em outros momentos; compromisso com relações novas para chegar a uma nova sociedade;
    • Todas as funções e relações de trabalho são importantes para o funcionamento institucional. A eficiência no trabalho está relacionada a estas experiências, assim como a questões de auto-estima. Na prática de KOINONIA todo o trabalho como também toda a pessoa que o executa continuará a ser valorizada, independente da identidade de gênero da pessoa, contribuindo assim para o cumprimento das metas a que a instituição se propõe;
    • Continuidade da prática de estilos de trabalho flexíveis, de metodologias cooperativas, do respeito mútuo.

 

  1. NO PLANO PROGRAMÁTICO – 2016-2021:
  • Justiça de gênero continua a ser Eixo Transversal no Plano Estratégico 2016 -2021 e foi efetivamente contemplada na revisão do respectivo Marco Lógico e será conteúdo integrante de diagnósticos e reflexões que sejam realizados junto ao público externo, dos relatórios e monitoramentos das ações dos diferentes programas;
  • As análises da Instituição e programáticas em relação à realização dos Direitos Humanos (Direitos Civis, Políticos, Econômicos, Sociais e Ambientais), são embasadas na consideração da diversidade etnico-racial, de idade, de identidade de gênero, de região (rural, urbana, como também geográfica, de culturas, etc.) Particular atenção será dada quanto à informações sobre como esses Direitos se realizam para mulheres, para homens, para população T;
  • Colaboradoras/es e assessoras/es de pesquisas específicas : Suas reflexões deverão responder também a PJG da instituição, explicitando análises de como um respectivo tema de pesquisa impacta sobre a vida de mulheres, de homens e sempre que pertinente, na vida de população T;
  • Informação sobre a existência e conteúdo da PJG será compartilhada com os diferentes públicos nas diferentes ações;
  • A meta de participação equitativa de homens e de mulheres norteará as diferentes ações dos programas;
  • Em situações em que KOINONIA não possa determinar participantes, a meta é garantir a maior participação possível de mulheres;
  • Estimular a que diagnósticos e reflexões sejam realizados junto ao público externo sobre como os direitos se realizam na vida mulheres e homens, de população T, alimentando assim a reflexão sobre as práticas e a sensibilização sobre a equidade de gênero.
  • Os recursos bibliográficos sobre o tema continuarão a ser ampliados na documentação institucional.

 

  1. QUANTO AO ASSÉDIO SEXUAL E A VIOLÊNCIA SIMBÓLICA DE GÊNERO:
  • As ações de KOINONIA buscam a participação plena e equitativa de todas as pessoas. Deste modo, todo e qualquer ato de assédio sexual e violência simbólica de gênero não será admitido no contexto das ações da organização;
  • Entende-se como assédio sexual:
    • Todos os atos praticados com o intuito de constranger a vítima a praticar uma ação de conteúdo sexual. Incluem-se desde os comentários indesejados, ao trafico de influencia com vistas à obtenção de favores sexuais, até as formas extremas de violência, como o estupro.
    • As situações de dominação e de abuso do poder geram ações de desrespeito à integridade moral das pessoas. Assim, também é considerado assédio sexual a discriminação por motivo de sexo, com base no abuso de poder, que gera estresse e humilhação à vítima. Esses casos são expressão de falta de respeito pela outra pessoa, considerada como objeto sexual.
    • Todo o assédio sexual é também violência simbólica de gênero, que degrada e destrói a dignidade da vítima e das relações humanas.
  • Em caso de denúncia de assédio sexual por parte da pessoa vitimada, os seguintes procedimentos serão adotados:
    • Sobre a denúncia:

A denúncia deve ser feita à instância hierarquicamente superior a da vítima, desde que esta instância não inclua a pessoa denunciada, em prol da isenção. Instâncias superiores devem ser acionadas até que se alcance a isenção para apuração da denúncia;

  • Sobre as providências:
    • A instância que acolher a denúncia deve apurá-la imediatamente e prestar apoio moral e/ou outro, à vítima;
  • Em caso de culpa da pessoa denunciada, podem ocorrer as seguintes punições:
    • Repreensão e afastamento imediato do cargo e função;
    • Desligamento de todo e qualquer vínculo com KOINONIA.

 

Obs: As instâncias juridicamente estabelecidas em KOINONIA são as responsáveis por esses procedimentos.

Diálogo sobre Orientações Sexuais e Identidades e Expressões de Gênero na África

Foto: Mike Garcia/ WSCF

Artigo: Uma jornada necessária e urgente rumo à uma comunidade afirmativa e inclusiva:
Diálogo sobre Orientações Sexuais e Identidades e Expressões de Gênero na África

Por Natália Blanco*

 

No último mês de julho a Federação Universal dos Movimentos Estudantis Cristãs – FUMEC realizou na capital do Quênia, Nairóbi, África, o segundo Programa Interregional sobre Identidade, diversidade e diálogo (IDD). A iniciativa inédita no cenário dos Movimentos Estudantis Cristãos (MECs) africanos aconteceu durante os dias 10 a 16 de julho e reuniu cerca de 30 representantes dos movimentos de diversos países do continente Africano, Ásia, Oriente Médio, América Latina e América do Norte.

Foram 6 dias de imersão em estudos no Centro de Conferência Desmond Tutu (AACC) pensando novas leituras de textos bíblicos, discussões em grupos, e dinâmicas desafiadoras que nos fizeram refletir. Sem falar nas discussões em pequenos grupos, muito importante para compartilhar o que cada região vem discutindo, ou não, sobre o tema, e como é possível fazer relações com outros contextos.

Fomos inspirades por um grupo de pessoas referência no assunto, que trouxeram provocações riquíssimas para refletir à luz da Bíblia, dos Direitos Humanos e da realidade, qual o papel, como povo ecumênico, estamos exercendo.

Quando concordamos ou nos mantemos em silêncio diante da morte e da opressão de corpos e mentes, a quem o nosso cristianismo está servindo? Temos conosco a imagem de um Jesus que caminhou junto com o povo, que abraçou e foi desafiado pelo grito das pessoas?

Foto: Divulgação / WSCF

E por isso é tão fundamental sermos igreja que caminha. Uma fé que é descolada da realidade de nada serve. Pensando nisso, também tivemos a oportunidade de conhecer 3 organizações no Quênia que de certa forma trabalham com questões relacionadas na periferia da grande Nairóbi. Em especial conhecemos a Nuture Network, uma organização formada por um grupo de jovens migrantes e artistas LGBTQI+ de Ruanda que estão se refugiando no Quênia, em busca de melhores condições de vida.

Tivemos a oportunidade de escutar suas histórias de luta e resistência, pessoas que tiveram o direito à vivenciar a própria família, vida social, fé e qualquer outro aspecto negado em seu país, e por isso estão vivendo como uma organização de mídia independente produzindo conteúdo para redes sociais a fim de conseguirem gerar alguma renda para sobreviverem em comunidade.

Ao final desses dias muito intensos de escuta e diálogo o grupo de IDD da FUMEC Global redigiu uma Carta de posicionamento. Claro que desde o início a proposta do encontro não foi chegar á uma opinião unânime sobre o tema da sexualidade e identidade entre as pessoas participantes, mas como parte de um movimento global de juventudes, iniciar a discussão dentro do contexto africano.

A África é uma região conhecida pelo conservadorismo em relação aos dogmas religiosos cristãos, principalmente se tratando da discussão sobre direitos da população LGBTQI+, e tudo que envolve a diversidade sexual e de gênero. Em muitos países do continente a homossexualidade é ilegal e em alguns lugares, até sob pena de morte. E tudo isso muitas vezes pautado e respaldado pela defesa de valores africanos e sobretudo pelo discurso religioso cristão que condena a “imoralidade”.

Assim como consta na carta produzida pelo grupo, “África é o lar de muitas pessoas LGBTQI+ sofrendo em silêncio como eles não podem vir em público, porque é tabu pela cultura, um crime por lei e considerada um pecado pela igreja. Elas são rejeitadas por suas próprias famílias, a sociedade e até mesmo pela igreja. A maioria dos países africanos tem leis que criminalizam a homossexualidade. Como resultado, as pessoas LGBTQI+ vivem com medo ou se escondem ou fugiram de seus países para procurar asilo em países que são mais seguros.  Vivendo como refugiados, eles também passam por experiências muito traumáticas de leis duras, humilhação pública e ataques. A cultura africana e a Igreja condenam a homossexualidade como um pecado contra os deuses na concepção da criação da humanidade e não acolhendo ou abraçando pessoas LGBTQI+.”

Mas a pergunta interessante que o amigo Alex Chege, membro do MEC do Quênia, faz é: “mas estamos realmente protegendo “valores africanos” ou “valores bíblicos”? Não é irônico que essa mesma religião que estamos “defendendo” quando somos anti  LGBTQI+ não é originalmente africana e é usada por anos e anos como ferramenta para diluir fortemente os valores africanos, seja nas divisões do continente, das culturas e nossas formas de governo?”

É importante perceber como as estruturas de poder se beneficiam com o não avanço das discussões de gênero e sexualidade.

 

Na América Latina

A partir de uma perspectiva latinoamericana , podemos fazer uma reflexão e conexão com a nossa realidade. É claro que a vivência LGBTQI+ na América Latina e Caribe é muito diferente da vivência africana.

Temos visto experiências de igrejas e pessoas que resistem e tem se levantado e se posicionado diante das injustiças e da promoção da vida; outros sopros de teologia estão sendo produzidos e discutidos mesmo com a propaganda anti “ideologia de gênero” que insiste em deslegitimar através do discurso religioso os direitos das mulheres e todas as pessoas que fogem do padrão heteronormativo. Muitas pessoas LGBTQI+ estão reivindicando o direito de viver a fé e caminhar com o Cristo que caminhou com as pessoas.

Mas ao mesmo tempo percebemos que as ferramentas de discurso institucionalizadas usadas para a não promoção de direitos são muito parecidas com o que escutamos na África. Como o discurso conservador, que sempre existiu, vem tomado cada vez mais espaços.

Nossa região vem enfrentando nos últimos períodos, o aumento de recrudescimento de políticas públicas, o avanço do conservadorismo no cenário geopolítico e de discursos religiosos fundamentalistas e radicais, a perseguição contra pautas que signifiquem avanço de direitos como a discussão de gênero e violência, desigualdade social, raça e sexualidade.

A Bíblia é um livro instigante e fazer uma releitura dos textos que ela contém a partir de novos pontos de partida, olhares e perspectivas são fundamentais para entendermos as opressões que nos atravessam e que atravessavam o povo daquela época também. É essencial que nós como juventude ecumênica tenhamos esse discernimento para entender que o cristianismo, “o povo do livro” pode sim, ser usado como instrumento de libertação ou o aprisionamento.

Quênia, Zimbabwe, República Democrática do Congo, Malawi, Zâmbia, Madagascar, Uganda, Ruanda, Nigéria, Canadá, Brasil, Filipinas, Índia, Bangladesh, Austrália, Malásia, Sri Lanka, África do Sul, Reino Unido e Líbano foram os países representados e que se comprometeram a levar adiante este processo de diálogo. Na esperança de construir uma comunidade inclusiva para a justiça e a paz, onde as pessoas de diferentes orientações sexuais e identidades e expressões de gênero e características sexuais sejam afirmadas e celebradas.

A FUMEC ALC também tem iniciado esta jornada de diálogo para ser de fato uma comunidade ecumênica que afirma e celebra a diversidade. México, Colômbia, Cuba, Argentina e Brasil já vem realizando atividades sobre o tema, como rodas de diálogo, ações de incidência pública, ciclos de formação e etc.

No Brasil tivemos a recém experiência do 1º Congresso igrejas e comunidade LGBTQI+ em uma Comunidade Anglicana, realizado pela Paróquia da Santíssima Trindade e KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço. Uma iniciativa de pessoas e organizações baseadas na fé, causando incômodo nos setores conservadores.  Mas a mensagem é única: nosso cristianismo é o cristianismo que caminha com o povo. Nosso cristianismo é o que serve para a vida e não para a morte.

Não é afirmar que abraçamos a diversidade sexual e de gênero somente se eles permanecerem reféns nas mesmas estruturas de poder que os oprime. Não há sentido em acolher e afirmar a diversidade e reprimir outros aspectos de suas vidas. E isso inclui toda experiência dessas pessoas, seja física ou espiritual.

Entendemos que as mudanças virão se dialogar com as pessoas, e  não necessariamente apenas com os líderes das igrejas e movimentos. Temos que ler a Bíblia com o povo, a partir da experiência das pessoas, a partir de uma leitura popular. Sempre questionando se nosso discurso é apenas para poder e reforço de injustiças.

Vemos que a luta dos direitos das minorias, população LGBTQI+, mulheres, migrantes, pobres, indígenas, entre outras, não pode ser possível sem uma interseccionalidade, sem ter a visão de que estas são questões que estão dentro de um sistema econômico que fortalece as desigualdades e falta de oportunidades.

Nós olhamos e entendemos as desigualdades dentro desses temas. E isso passa por uma análise das classes sociais e das relações econômicas de poder. É necessário refletir sobre a situação de vulnerabilidade em que essas pessoas muitas vezes se encontram.

Vemos que não é certo aceitar as pessoas LGBTQI+ em nossas práticas, mas obrigá-los a seguir as mesmas leis, normas e costumes para “caber nas instituições”.  Também é necessário incluir experiências, limites, dores, desejos e sonhos, e reconhecendo nossos erros do passado, para olhar à frente com amor, esperança e empatia.

Entendemos que o segredo para se viver na unidade da diversidade é o diálogo. E um diálogo que abrace à todas as pessoas, um diálogo que construa pontes e não mais muros. Seguimos, ainda mais desafiades a continuar na busca pela justiça e um lugar na casa comum para todas as pessoas.

 

*Jornalista, comunicadora em KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço – ACT Aliança, integrante da Rede Ecumênica da Juventude – REJU, articulando também no movimento das Fé_ministas, Evangelicxs Pela Diversidade e leiga na Igreja Metodista da Vila Mariana – SP.

 

Declaração Somos Amazônia

Compromisso e fidelidade de fé

Como partes de uma comunidade ecumênica, nós que firmamos esta declaração, estamos em solidariedade com as igrejas e comunidades por toda a Amazônia. A crise ecológica da floresta exige um esforço continuo por parte dos parceiros ecumênicos para promover a paz e a justiça a níveis local, nacional, regional e internacional. É neste contexto que respaldamos e apoiamos a seguinte declaração das Igrejas Latino-Americanas:

Deus conversa conosco em toda a criação. Os céus e terra proclamam esta presença amorosa de Deus que nos dá vida na floresta, nas águas, na atmosfera, no milagre das sementes, na diversidade de tudo que existe. Todo ser que respira participa desse amor. Todo ser que respira também sabe que este amor feito mundo está ameaçado e super-explorado por um modelo econômico que tudo transforma em mercadoria e não aceita limites para sua expansão e acumulação de riqueza.

Nós, Igrejas, Conselhos e Organizações Baseadas na Fé

conscientes dessas ameaças dolorosas, iminentes e agravantes:

  • Aprendemos a ouvir o clamor da Floresta e todos os seus seres e culturas: muitas vezes fomos insensíveis e surdos a este grito que nasce no coração da Amazônia;
  • Aprendemos a abandonar nossas ideias pré-concebidas sobre a região: muitas vezes não fizemos o processo de escuta dos seres e culturas que fazem a Amazônia pulsar;
  • Aprendemos a interpretar os sinais de morte de modelos econômicos, culturais, religiosos e políticos de extrativismos intensivos e predatórios: muitas vezes não levantamos nossa voz profética na defesa de povos, espécies e territórios frente aos megaprojetos na região, financiados com capital local e global promotores da crise climática;
  • Aprendemos a encarnar nossa fé na vida e nas culturas amazônicas: muitas vezes toleramos propostas missionárias supremacistas e destruidoras da diversa presença de Deus na Amazônia;
  • Aprendemos muito com o atual processo do Sínodo Pan- Amazônico da Igreja Católica Romana e a reflexão do Papa Francisco e da Laudato Sí e queremos dialogar com este momento de espiritualidade e profecia assumindo nós também nossos compromisso e fidelidade de fé.

Em defesa da grande Amazônia, sua gente e seus seres biodiversos. Em defesa de nossa Casa Comum. Em defesa de todo ser que respira. Queremos a Amazônia viva, soberana e protegida. Nos comprometemos aos diálogos de fé e a manter nossa presença na região tendo como prioridade todos os seres e culturas da Amazônia.

  1. Garantir que as comunidades tradicionais ameaçadas (povos indígenas, afrodescendentes, ribeirinhos entre outros…) tenham acesso e controle sobre a terra e seus bens comuns.
  2. Contribuir com comunidades historicamente excluídas e marginalizadas na floresta e nas cidades para que possam participar, influenciar e decidir nos processos que afetam diretamente a elas seus territórios.
  3. Defender defensores/as de Direitos Humanos e defensoras/ es da natureza que vêm sendo constantemente ameaçados, participando de mecanismos eficazes de denúncia e proteção;
  4. Apoiar as comunidades locais a organizar alternativas econômicas sustentáveis e a fazer frente ao sistema econômico vigente enfrentando os desafios da crise climática na região;
  5. Desenvolver uma espiritualidade ecológica que nos ajude a ouvir o que o Espírito diz às Igrejas, sentindo-nos parte da Casa Comum, todo o mundo habitado.
  6. Apoiar organizações locais e iniciativas baseadas na fé no desenvolvimento desses objetivos mantendo-nos sempre informados, desafiados e ativos nesse que é para nós um imperativo de fé: SOMOS AMAZÔNIA!
  7. Convocar nossas Igrejas e Organizações Irmãs no Sul e Norte global à oração e ação, conscientes de que os perigos de extinção do planeta estão diante de todos, mas a solidariedade e a globalização da esperança é o que nos une em defesa da Casa Comum: o mundo que Deus tanto ama.

Para saber mais e apoiar a declaração “Somos la Amazonia”,

acesse o link: bit.ly/2M7fraf

FEACT realiza reunião anual de planejamento e junta forças a Marcha das Margaridas

Entre os dias 12 e 15 de agosto, foi realizada em Brasília (DF) a Reunião Anual do Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT). Organizações ecumênicas, agências de cooperação internacional e igrejas estiverem presentes para apresentação do trabalho desenvolvido pelo Fórum de 2018-2019 e para planejamento estratégico de atividades para o próximo ano.

O Fórum é membro da ACT Aliança, uma coalisão com sede em Genebra (Suíça) que reúne 151 organizações baseadas na fé e igrejas, trabalhando juntas em mais de 125 países.

No primeiro dia, foi realizado o Seminário “Testemunho ecumênico por justiça”. Reflexões sobre os princípios bíblicos da justiça e perspectivas histórias em relação às liberdades laicas foram tecidas por: Haidi Jarschel, pastora da Igreja Episcopal de Confissão Luterana do Brasil, doutora em História Cultural pela UNICAMP e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo; e Lauri Wirth, doutor em Teologia pela Universidade de Heidelberg e professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo.

 

 

 

 

 

A manhã do segundo dia (13) foi tomada por trabalhos em grupos, para construção coletiva de perspectivas sobre as formas do FEACT colocar em prática, no Brasil, os princípios ecumênicos das liberdades laicas a partir das experiências de seus membros (igrejas e organismos ecumênicos). As ideias coletadas, conjuntamente aos comentários feitos por Haidi e Laury, foram base para os insumos do planejamento do Fórum ao fim do encontro no dia 14.

Os principais resultados do Fórum (2018-2019), por eixo temático, foram apresentados ainda na tarde do dia 13: Justiça Climática, Democracia e Estado Laico, Projeto Imigrantes e Refugiados e Comunicação.

Estiveram presentes no encontro: Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), Instituto Universidade Popular (Unipop), Koinonia Presença Ecumênica, ACT Alliance, Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP), Fundação Luterana de Diaconia (FLD), Comissão Ecumênica dos Direitos da Terra (Cediter), Igreja Presbiteriana Unida (IPU), Igreja Episcopal de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), Aliança de Batistas do Brasil (ABB), Profec – Centro Ecumênico de Formação e Educação Comunitária, Processo de Articulação e Diálogo (PAD), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Paz y Esperanza, Federação Luterana Mundial (FLM), Christian Aid, Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI), Conselho Latino Americano de Igrejas – Brasil,  Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Diaconia, Projeto Imigrantes e Refugiados e Visão Mundial.

 

Marcha das Margaridas

Na manhã do dia 14, os religiosos e religiosas do FEACT se somaram à edição 2019 da Marcha das Margaridas, que reuniu mais de 100 mil mulheres  (das águas, das florestas, do campo e da cidade) e trouxe o slogan “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e liberdade contra a violência”.

As mulheres do Fórum levaram sua mensagem de solidariedade e apoio à defesa dos direitos das mulheres ao estampar a hashtag #TerrivelmenteEvangélicaseFeministas para a manifestação – uma contra-narrativa ao discurso de Damares Alves,  ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, que, ao assumir o ministério em janeiro proferiu: “O Estado é laico, mas esta ministra é terrivelmente cristã”.

 

 

 

 

 

 

“Marchamos em solidariedade às mulheres rurais e mulheres indígenas. Nós também marchamos por nós mesmas, porque somos impactadas por todos esses reveses que estão acontecendo no país. Como mulheres evangélicas e feministas, queremos denunciar este governo que promove a morte e anunciar que não daremos um passo atrás em defesa de nossas conquistas e lutas por nossos direitos”, resumiu a pastora e diretora executiva da CESE, Sônia Mota.

 

Comunicação e fortalecimento Sul-Sul

Reunião do GT de comunicação FEACT

No dia 15, foi realizada a reunião do grupo de comunicadores do FEACT, para avaliação das atividades do ano, estruturação e encaminhamentos do plano estratégico de comunicação do Fórum (à luz dos insumos construídos coletivamente ao longo da semana).

Paralelamente, entre os dias 15 e 16, foi realizada a Reunião do Processo FESUD – ACT, com o Grupo de Trabalho: Direitos Humanos, Democracia e Fundamentalismos. O encontro abordou tópicos, como: socialização dos objetivos, histórico do grupo e compromissos assumidos; informes e retomada dos desafios acumulados.

 

Com informações da ALC Noticias

Foto de capa: Natália Blanco/Koinonia Presença Ecumênica

FOTOS (Clique na imagem para acessar o álbum de fotos):

FEACT NA MARCHA DAS MARGARIDAS

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ENCONTRO FEACT 2019

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Foro Ecuménico ACT Brasil sobre la situación en la Amazonia: Brasil, nuestra casa común está em llamas

Click here and check out the English version of the statement: Brazil, Our Common Home Aflame

Confira a versão em portugês: Brasil, nossa casa comum em chamas

 

Porque el anhelo ardiente de la creación es el aguardar la manifestación de las hijas e hijos de Dios. En esperanza de ser liberada de la esclavitud y de la corrupción. Romanos 8.19;21

El Foro Ecuménico ACT Brasil (FE-ACT Brasil) se une a todas las organizaciones ambientales, movimientos sociales, pueblos y comunidades tradicionales para expresar su dolor y su extrema preocupación con respecto a la política ambiental del gobierno actual, cuyo resultado concreto es la profundización del proceso de devastación, visible en la extensa quema en la región amazónica, a niveles alarmantes.

Según datos del Instituto Nacional de Investigación Espacial (Inpe), hubo un aumento de más del 80% en el número de incendios forestales en Brasil, entre el 1 de enero y el 19 de agosto de este año, en comparación con el mismo período del año pasado. Ante esto, a la ligera e irresponsablemente, el presidente del país afirma que los incendios serían “acción criminal” de “ongueiros” para llamar la atención contra el gobierno brasileño y “su persona”.

La declaración del presidente no es sorprendente, ya que una de sus estrategias ha sido la criminalización de las organizaciones de la sociedad civil que defienden los derechos sociales y ambientales, deslegitimando y buscando mecanismos para prevenir las actividades de estas organizaciones. Esta postura se expresa en la declaración del presidente, que dice: “El tema de la quema, en mi opinión, puede haber sido potenciado por las ONG, porque perdieron dinero”.

Respaldados por el fundamentalismo religioso y económico, las fake news, las opiniones irresponsables y la contestación de la evidencia científica, en unos pocos meses, ya tenemos un escenario socio ambiental catastrófico: relajación de la legislación ambiental, adhesión irresponsable e incondicional a los intereses de la minería y los agro negocios, liberación sin criterios de cientos de pesticidas, aumento de conflictos en el campo, desmantelamiento del sistema nacional de áreas protegidas y supervisión ambiental, desterritorialización y violación de los derechos de los pueblos indígenas y pueblos y comunidades tradicionales, recortes presupuestarios en áreas estratégicas y falta de respeto a los acuerdos internacionales y a la política climática.

En reacción a las presiones de la sociedad civil y de los investigadores e investigadoras que han estado trabajando con pautas socio ambientales durante años, el ministro de Medio Ambiente, Ricardo Salles, dice que todo esto es “sensacionalismo”.

Defendemos la soberanía nacional y los derechos sobre la tierra, con sus bosques, ríos y animales, pueblos y comunidades tradicionales.

Nuestro testimonio ecuménico es la protección de la socio biodiversidad de la Creación y la defensa de las organizaciones de la sociedad civil y los movimientos sociales que repudian este proyecto político de muerte.

Fórum Ecumênico ACT Brasil, 22 agosto 2019

Acción Solidaria Ecuménica Global para la Amazonía –
¡participe! https://conic.org.br/portal/noticias/3177-participe-da-acao-global-de-solidariedade-ecumenica-pela-amazonia

Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT) on Amazon situation: Brazil, our Common Home Aflame

Consulte la versión en español de la declaración: Brasil, nuestra casa común está em llamas

Confira a versão em portugês: Brasil, nossa casa comum em chamas

“The whole creation is eagerly waiting for God to reveal his sons and daughters […]
but creation still retains the hope of being freed, like us, from its slavery to decadence”
(Romans 8:19;21)

Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE-ACT Brasil) joins in solidarity with environmental organizations, social movements, indigenous peoples, and traditional communities to express its sorrow and deepest concern about the environmental policies of the current administration, which have led to a surge in devastation of the environment – as exemplified by the fires raging in the Amazon region – to alarming levels.

According to National Institute for Space Research (Inpe) data, the number of forest fires in Brazil from January 1 to August 19, 2019 has surged more than 80% compared to the same period in 2019. When confronted with this fact, the President of Brazil rashly and irresponsibly claimed that the fires could be “a criminal action” by “NGO people” to “call attention against the Brazilian government” and “himself”.

The president’s statement is unsurprising, given his strategy of criminalizing, delegitimizing, and seeking out mechanisms to prevent the operation of civil society organizations that uphold environmental rights. This stance is made clear by his allegation that “the fires, the way I see it, may have been boosted by NGOs, because they’ve lost money.”

Built on a foundation religious and economic fundamentalism, fake news, irresponsible opinions, and rejection of the scientific evidence, a catastrophic social and environmental scenario has arisen within the space of a few months: weakening of environmental legislation, irresponsible and unconditional subservience to the interests of mining concerns and agribusiness, baseless approval of hundreds of pesticide compounds, increased conflict in rural areas, systematic dismantling of the national system of environmental protection areas and environmental oversight, deterritorialization and violation of the rights of indigenous peoples and traditional communities, budget cuts to strategic areas, and noncompliance with international treaties and climate policies.

In response to pressure from society at large and from researchers who have worked on social and environmental issues for years, the Minister for the Environment, Ricardo Salles, claims this is “nothing more than sensationalism”.

We defend national sovereignty and land rights; the Earth’s forests, rivers, animals, indigenous peoples and traditional communities.

We hold an ecumenical belief in the protection of the social and biological diversity of Creation and the defense of civil society organizations and social movements that repudiate this political project of death.

Fórum Ecumênico ACT Brasil
August, 22/2019

Ação Global de Solidariedade Ecumênica pela Amazônia – participe! https://conic.org.br/portal/noticias/3177-participe-da-acao-global-de-solidariedade-ecumenica-pela-amazonia

Fórum Ecumênico ACT Brasil sobre situação na Amazônia: Brasil, a Casa Comum em chamas

Consulte la versión en español de la declaración: Brasil, nuestra casa común está en llamas

Click here and check out the English version of the statement: Brazil, Our Common Home Aflame

 

 

 

A Criação aguarda ansiosamente a manifestação das filhas e dos filhos de Deus.
Com a esperança de ser ela também libertada do cativeiro da corrupção.
Romanos 8.19;21

O Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE-ACT Brasil) une-se a todas organizações ambientais, movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais para expressar sua dor e sua extrema preocupação frente à política ambiental do atual governo, cujo resultado concreto é o aprofundamento do processo de devastação, visível nas extensas queimadas na região Amazônica, em níveis alarmantes.

Conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), houve um aumento superior a 80% no número de incêndios florestais no Brasil, entre 1º de janeiro e 19 de agosto deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Frente a isso, de maneira leviana e irresponsável, o presidente do país alega que as queimadas seriam “ação criminosa” de “ongueiros” para chamar a atenção contra o governo brasileiro e “a sua pessoa”.

A declaração do presidente não surpreende, pois uma de suas estratégias tem sido a criminalização das organizações da sociedade civil que defendem os direitos socioambientais, deslegitimando e buscando mecanismos para impedir a atuação destas organizações. Esta postura fica expressa no pronunciamento do presidente, ao dizer que: “A questão da queimada, no meu entender, pode ter sido potencializada por ONGs, pois perderam dinheiro.”

Sustentado em fundamentalismos religioso e econômico, fake news, opiniões irresponsáveis e de contestação a evidências científicas, em poucos meses, já temos um cenário socioambiental catastrófico: flexibilização da legislação ambiental, adesão irresponsável e incondicional aos interesses de mineradoras e do agronegócio, liberação sem critérios de centenas de agrotóxicos, aumento dos conflitos no campo, desmantelamento do sistema nacional de Unidades de Conservação e da fiscalização ambiental, desterritorialização e violação de direitos de povos indígenas e de povos e comunidades tradicionais, cortes no orçamento de áreas estratégicas e desrespeito a acordos internacionais e à política climática.

Em reação às pressões da sociedade civil e de pesquisadores e pesquisadoras que há anos atuam com pautas socioambientais, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirma que tudo não passa de “sensacionalismo”.

Defendemos a soberania nacional e os direitos da terra, com suas florestas, rios e animais, povos e comunidade tradicionais.

Nosso testemunho ecumênico é a proteção da sociobiodiversidade da Criação e a defesa das organizações da sociedade civil e movimentos sociais, que repudiam este projeto político de morte.

Fórum Ecumênico ACT Brasil

22 de agosto de 2019

Ação Global de Solidariedade Ecumênica pela Amazônia – participe! https://conic.org.br/portal/noticias/3177-participe-da-acao-global-de-solidariedade-ecumenica-pela-amazonia

Confira versões em inglês e espanhol da nota:

Mensagem Pastoral da Câmara Episcopal

Mensagem Pastoral da Câmara Episcopal

 

“Mas Jerusalém, ainda há tempo para a sua salvação. Lave o mal de seu coração e

pare de fazer planos pecaminosos”Jeremias 4;14

Desde há algum tempo, temos assistido ao desmonte de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários que tem trazido imensos prejuízos, especialmente as pessoas mais vulneráveis em nosso País.

Isso por sí só já tem sido objeto de preocupação pastoral de nossa Igreja e temos afirmado isso em diversos posicionamentos pastorais na qualidade de Câmara Episcopal da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.

Há, no entanto, fatos novos e ainda mais preocupantes que nos chamam a atenção por seu caráter perverso, insano até, de se estimular a partir da política oficial dos órgãos governamentais, e do próprio Presidente da República em pessoa, a violação do direito à vida, ao meio ambiente e à dignidade intrínseca das pessoas.

O assassinato de liderança indígena Emira Waiãpi por ocasião de uma invasão armada à sua aldeia, devido aos interesses de garimpeiros de explorar a área, mostra bem que este governo patrocina, por omissão e ação, um projeto de morte. As pessoas não são prioridades. A prioridade é o lucro e quem se opor a este projeto será eliminada, não interessa se sejam defensores de direitos humanos, indígenas ou quilombolas. O Presidente ainda tem a coragem de levantar dúvidas sobre a autoria do assassinato, inclusive antes que as investigações apontem os responsáveis. E ainda tenta criminalizar os movimentos de defesa dos povos indígenas.

Outro fato a se considerar seriamente é a afirmação preocupante do Presidente da República contra o Presidente da OAB, dizendo que um dia explicaria a este último como o pai dele, Fernando Santa Cruz de Oliveira, desapareceu nos porões da ditadura. E ao fazer esta afirmação ao vivo, o fez sem esboçar nenhuma empatia, nenhum respeito à família. Não é a primeira vez que isso é feito, mas é a primeira vez que se afirma conhecer a prática de um crime sem cumprir a sua responsabilidade de servidor público número um da Nação.

Isto nos preocupa seriamente porque são atitudes publicamente assumidas por quem deveria ser guardião dos direitos e garantias individuais da Constituição.

Em nosso ministério episcopal, trabalhamos com pessoas, com seus sentimentos, esperanças e angústias. Por esta razão, manifestamos nosso repúdio a esse tipo de comportamento que, lamentavelmente é sublinhado por algumas lideranças religiosas que se afirmam como cristãs.

Este não é o Cristo que confessamos. O Cristo que afirmamos é aquele que encarnou nossa natureza, nos amou profundamente e deu a sua vida exatamente para que a morte não se tornasse a marca da sociedade. Nosso Deus nos convida a estar do lado das pessoas pobres e exploradas. A vida é o fundamento do reino de Deus. Qualquer regra ou prática que banalize a vida, a natureza e a dignidade de todos os seres, deve ser condenada como obra do Maligno.

Conclamamos nosso povo a orar e a vigiar. A testemunhar por palavras e obras o nosso compromisso com o Reino de Deus.

Com nossas orações e bênçãos,

Câmara Episcopal

Bispo Naudal Alves Gomes, Diocese Anglicana do Paraná e Primaz Bispo Maurício Andrade, Diocese Anglicana de Brasília

Bispo Renato Raazt, Diocese Anglicana de Pelotas

Bispo Francisco de Assis da Silva , Diocese Sul- Ocidental Bispo Humberto Maiztegui , Diocese Meridional

Bispo João Câncio Peixoto, Diocese Anglicana de Recife

Bispo Eduardo Coelho Grillo, Diocese Anglicana do Rio de Janeiro

Bispa Marinez Rosa dos Santos Bassotto, Diocese Anglicana da Amazônia Bispo Clóvis Erly Rodrigues, Emérito

Bispo Almir dos Santos, Emérito Bispo Celso Franco, Emérito

Bispo Jubal Pereira Neves, Emérito Bispo Orlando Oliveira, Emérito Bispo Filadelfo de Oliveira, Emérito Bispo Saulo de Barros, Emérito

Contraponto: Religiosos progressistas e Comunidade LGBTI+ se unem em congresso e lançam carta frente ao aumento fundamentalismo nas religiões e na política

 

Documento enfatiza que discursos religiosos não devem ser instrumentos de opressão nas vidas LGBTI+ e que a narrativa cristã fundamentalista não é a única possível, entre outras questões.

Acesse a carta na íntegra em: http://bit.ly/CartaIgrejasComunidadeLGBTI   

A carta foi elaborada durante o 1º Congresso Igrejas e Comunidade LGBTI+ que aconteceu na Paróquia da Santíssima Trindade IEAB em São Paulo em parceria com KOINONIA Presença Ecumênica durante o feriado de Corpus Christi.

O documento que marca um posicionamento político, é assinado por pessoas das mais diversas igrejas e comunidades de fé e traz como proposta a afirmação de “pessoas lésbicas, gays, bissexuais, assexuais, travestis, transexuais, não binárias, intersexo, queer e outras expressões de gênero” frente às diversas religiosidades e comunidades de fé, além de denunciar experiências de exclusão e opressão contra essas pessoas.

No momento em que a sociedade brasileira vive um governo pautado e guiado por uma moral religiosa, o crescimento dos fundamentalismos religiosos acentua discursos contra a diversidade sexual e de gênero.

Por isso, a carta propõe um alerta à sociedade para a situação de vulnerabilidade da população LGBTI+ trazendo para o debate as questões dogmáticas de comunidades cristãs que em geral tendem a excluir e reforçar as vulnerabilidades e silenciar essas pessoas.

“Lamentamos e denunciamos que, como estratégia para alcançar representatividade, muitas lideranças políticas e midiáticas do campo religioso, sobretudo entre cristãos, estejam se apropriando e instrumentalizando o imaginário e a linguagem religiosa e teológica para produzir e disseminar pânico moral, ressentimento, medo e ódio a partir de expressões como “ideologia de gênero” e reforço da ‘hombridade’”, consta no documento.

Pessoas de diferentes partes do Brasil e de outros países como Estados Unidos, Argentina, Paraguai passaram por 3 dias de debates e mesas no 1º Congresso Igrejas e Comunidade LGBTI+. Temas como representatividade política, epidemia de HIV/ Aids, políticas públicas, acolhimento nas igrejas, experiências de resistência e leituras bíblicas a partir de outras teologias, foram abordados.

Com cerca de 200 participantes em média, e encontro reuniu não apenas pessoas leigas e lideranças do mundo religioso como protestantes, católicas, evangélicas pentecostais e neopentecostais, adventistas, budistas, lideranças de religiões de matriz afro e afrobrasileira mas também representantes da política como a deputada estadual Erica Malunguinho e Renato Simões, movimentos sociais e também pesquisadores/as da temática.

 

Bloco Interreligioso chamou a atenção na Parada do Orgulho LGBTI+ em São Paulo

No domingo, 23 de junho, grupos que participaram do congresso se juntaram a outras frentes religiosas para compor o bloco “Gente de Fé Contra a LGBTfobia”na Parada LGBTI+ na Paulista.

Carregando uma faixa com o nome do bloco, religiosas e religiosos paramentados eram aplaudidos e cumprimentados por muitas pessoas que viam o grupo passar. Atrás dos representantes.

A ideia surge também a partir da necessidade do resgate dessa espiritualidade LGBTI+, especialmente ao relembramos este ano os 50 anos de Stonewall, como a história da ativista trans Sylvia Rivera, que ao lado de Marsha Johnson foram destaques na noite de Stonewall. O que a história muitas vez não conta é sua trajetória como membra e coordenadora na Igreja da Comunidade Metropolitana ICM (Metropolitan Church Community, primeira comunidade cristã denominada inclusiva.

O Rev. Alex Silva Souto da Igreja Metodista Unida dos Estados Unidos, que participou de uma das mesas do congresso e caminhou com bloco na parada, destaca “Se a comunidade LGBTQIA+ tiver experiências positivas com comunidades religiosas, e vice versa todos ganharemos com isso. Como disse Rev. Dr. Martin Luther King Jr., “ninguém é livre até que todos estejam livres “, não há paz e liberdade sem justiça, e amor que é amor de verdade é incondicional além de palavras baratas”.

Para o Reverendo Budista Tetsuji do movimento Rainbow Shanga, “notamos muito a expressão de surpresa, emoção e apoio de muitas pessoas durante a caminhada e que nunca imaginariam em uma festa linda uma marcha de protesto contra a lgbtfobia por religiosos, ao mesmo tempo afirmando que há sim outras formas da população LGBT+ expressar suas religiosidades”.

Mais sobre o 1º Congresso Igrejas e Comunidade LGBTI+:
http://bit.ly/CongressoIgrejasComunidadeLGBTI

Nas redes sociais: confira a hashtag #IgrejasEComunidadeLGBTI

Evento do Congresso no Facebook (com mais fotos): http://bit.ly/EventoCongresso

Evento do Bloco da Parada no Facebook (com mais fotos):  http://bit.ly/BlocoGenteDeFeContraLGBTFOBIA