Seminário sobre Mineração e Sustentabilidade das Comunidades Tradicionais

No dia 03 de abril de 2019 ocorreu em Camamu/BA o Primeiro Seminário sobre Mineração e Sustentabilidade das Comunidades Tradicionais, realizado nas dependências da Igreja Batista Metropolitana de Barcelos do Sul.

O Seminário foi promovido e organizado pelas comunidades tradicionais e pelo Conselho Pastoral dos Pescadores, com o apoio do SASOP (Serviços de Assessoria a Organizações Populares Rurais), STR (Sindicato dos Trabalhadores Rurais) e KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço. Presentes também o MAM (Movimento pela Soberania Popular na Mineração) e a Knauf, empresa já instalada com o objetivo comercial da exploração de Gipsita.

KOINONIA, apresentou parte do relatório elaborado no Baixo Sul da Bahia, dando ênfase aos impactos da mineração na vida das pessoas, em especial às mulheres. Também trouxe para o debate o trâmite jurídico/administrativo no Brasil.

O MAM, mostrou as consequências desastrosas e criminais do modelo extrativista brasileiro, trazendo como exemplo os crimes de Mariana e Brumadinho.

A representante da Ilha de Maré e CPP, trouxe uma fala das mães que resistem às doenças que atingem seus filhos, às drogas e tráfico em seus territórios, à exploração sexual e a luta das “Viúvas de Maridos Vivos” que criam os filhos e filhas da mineração, sozinhas.

Entre as denúncias feitas pelas comunidades tradicionais, a empresa Knauf é citada por explorar gipsita no primeiro trimestre de 2019, sem informação e consulta, além de uma  possível cooptação de algumas de suas lideranças. A mineradora Rio Tinto procura Bauxita na região. Os mangues estão sendo destruídos com a extração de areia para a construção civil, os moradores são ameaçados de morte e tem suas propriedades invadidas para a exploração.

Representantes da Knauf, tentaram diminuir os impactos reais de suas atividades, afirmando que a extração de Gipsita não tem risco de contaminar o lençol freático e nem produzir reações químicas na população. Segundo a empresa, o trabalho da mineradora é totalmente natural. A expectativa da empresa é abrir vagas de empregos diretos e indiretos, além de promover cursos profissionalizantes para os moradores da comunidade

Por fim foi construída uma agenda de organização e acompanhamento da atuação da mineração, seus impactos na região e marcado para o dia 16 de abril na comunidade.

Neste ano, especificamente em abril, KOINONIA celebra 25 anos de existência. Anos de muita luta por direitos, desafios e também de alegrias. Conheça KOINONIA.

Texto: Tárcito Vivas / Fotos: Tárcito Vivas e Camila Chagas / Revisão: Solange Simonato

Fotos do Seminário sobre Mineração e Sustentabilidade das Comunidades Tradicionais: