Lembra deles? “Gladiadores do Altar” da Igreja Universal serão investigados

GuardiõesEm nome dos advogados Hédio Silva Jr, Antonio Basílio Filho, Jáder Freire de Macedo Júnior e Andreia Letícia Carvalho Guimarães, o pedido de instauração de inquérito, datando do último dia 10, foi motivado por um texto publicado numa página do Facebook de nome “Gladiadores do Altar”. A publicação diz o seguinte: “(…)Destruiremos cada religião enganosa até que desapareça do nosso país! Essas religiões pagãs e de origens africana e asiática ou muçulmana não serão toleradas em nosso país! Nem o Homossexualismo! Faremos o trabalho que o governo não teve competência pra fazer! Junte-se a nós!”. A informação é do blog Umbanda EAD, que também disponibilizou uma cópia do requerimento enviado à Decradi de São Paulo.

Gladiadores 2O inquérito deve apurar a responsabilidade por crimes como propaganda de perseguição religiosa e prática, indução ou incitação a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Ambos os delitos têm pena de 1 a 4 anos de prisão. O documento que solicita a instauração do inquérito se refere aos “gladiadores” como grupo paramilitar e descreve o objetivo da mensagem como sendo o de “arregimentar pessoas com o propósito de ‘limpar’, destruir, fazer desaparecer, eliminar fieis das Religiões Afro-brasileiras, muçulmanos e homossexuais”.  

Espera-se que os autores da postagem sejam encontrados por meio de colaboração da Delegacia de Crimes Eletrônicos com a Decradi, identificando o dispositivo que divulgou e o horário de publicação da mensagem. Hoje (16), a página que teria postado o texto não foi mais encontrada no Facebook.

Relembre

Os “Gladiadores do Altar” ficaram conhecidos no início de 2015, quando vídeos do grupo foram difundidos na internet. O que a Igreja Universal define como “projeto”, é dedicado a formação de jovens que no futuro vão colaborar como pastores. Os participantes chamaram atenção por se apresentarem uniformizados encenando – com palavras de ordem, continência e formação – movimentos característicos da disciplina militar.

Na época, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) se disse chocado após assistir aos vídeos do grupo. Para ele, aquilo se tratava de uma manifestação de “fundamentalismo cristão”, que oferecia ameaça às liberdades individuais, a diversidade sexual e as manifestações culturais laicas. A Igreja Universal, por sua vez, se posicionou em nota dizendo que o comentário do parlamentar foi injurioso e que ele estava pouco informado sobre a iniciativa.

Quase dois anos depois, os “gladiadores” devem voltar ao centro do debate sobre intolerância, dessa vez, após uma mensagem que declara abertamente o ódio a adeptos de religiões não cristãs e aos homossexuais.