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Guiti - RJ

História:

A Comunidade Remanescente de Quilombo de Guiti localiza-se no município de Paraty, no sul fluminense, e é formada por famílias negras que mantêm vínculos históricos, sociais e territoriais duradouros com a terra, inserindo-se no contexto mais amplo das comunidades quilombolas da região, como Cabral e Campinho da Independência. Sua trajetória está associada a processos históricos de permanência negra no território, resistência ao pós-abolição e preservação de modos de vida tradicionais, articulando ancestralidade, memória coletiva e relação específica com o espaço ocupado.

A afirmação contemporânea da identidade quilombola de Guiti fundamenta-se no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, que assegura às comunidades remanescentes de quilombos a propriedade definitiva das terras que tradicionalmente ocupam, bem como no Decreto nº 4.887/2003, que regulamenta os procedimentos administrativos de identificação, reconhecimento, delimitação e titulação desses territórios. Nesse marco jurídico, a comunidade foi certificada como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares em 19 de dezembro de 2018, consolidando seu reconhecimento institucional e possibilitando a inserção em políticas públicas específicas voltadas às comunidades quilombolas. Em 2019, foi aberto o processo administrativo junto ao INCRA para a regularização fundiária do território tradicionalmente ocupado.

Paralelamente à luta por direitos territoriais, a comunidade de Guiti tem sido espaço de iniciativas educacionais e projetos de extensão universitária, com destaque para ações voltadas à promoção da igualdade de gênero e ao fortalecimento do protagonismo feminino. Projetos desenvolvidos por estudantes do Centro Universitário Cidade Verde (UniCV) promoveram atividades educativas, rodas de conversa e ações formativas junto às mulheres quilombolas, valorizando saberes locais, estimulando a reflexão sobre direitos e fortalecendo a participação feminina na organização comunitária.

Essas experiências extensionistas contribuem para ampliar a visibilidade social da comunidade, fortalecer vínculos entre universidade e territórios tradicionais e promover uma abordagem crítica e participativa da educação, baseada no respeito aos modos de vida quilombolas e na construção coletiva do conhecimento. Ao articular direitos territoriais, educação, gênero e cultura, a trajetória recente do Quilombo de Guiti reafirma seu papel como território vivo de resistência, produção de saberes e afirmação da identidade negra no sul fluminense.

 

Origem do nome: O nome Guiti tem origem na denominação tradicional do território onde a comunidade se formou, preservada pela memória local e pela tradição oral. Trata-se de um topônimo histórico associado à área ocupada pelas famílias negras ao longo do tempo. O nome expressa o vínculo entre a comunidade e o território ancestralmente ocupado em Paraty.

Processo:
  - Certificada

Município / Localização: Paraty

Estágio no processo e regularização territorial: Certificada pela Fundação Cultural Palmares em 19/12/2018 - Processo: 01420. 101633/2018-93 - Incra - Processo: 54000.076473/2019-25.

Referência:

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.

BRASIL. Decreto nº 4.887, de 20 de novembro de 2003. Regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 21 nov. 2003.

FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES. Certificação de Comunidade Remanescente de Quilombo – Guiti (Paraty/RJ). Portaria publicada em 19 dez. 2018. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2018.

G1. Universitária desenvolve projeto de igualdade de gênero em comunidade quilombola. G1 Paraná, 19 nov. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/pr/parana/especial-publicitario/uniao-maringaense-de-ensino/noticia/2024/11/19/universitaria-desenvolve-projeto-de-igualdade-de-genero-em-comunidade-quilombola.ghtml. Acesso em: 17 jan. 2026.

OBSERVATÓRIO DAS TERRAS QUILOMBOLAS. Dados de terras quilombolas: Comunidade Remanescente de Quilombo do Grotão (RJ). Centro de Pesquisa e Iniciativas para os Direitos das Populações (CPISP). Disponível em: https://cpisp.org.br/direitosquilombolas/observatorio-terras-quilombolas/. Acesso em: 17 jan. 2026.

UNICV – CENTRO UNIVERSITÁRIO CIDADE VERDE. Estudante do UniCV realiza projeto de extensão em comunidade quilombola. Maringá, 2024. Disponível em: https://unicv.edu.br/estudante-do-unicv-realiza-projeto-de-extensao-em-comunidade-quilombola/. Acesso em: 17 jan. 2026.

 

 

Redação: YABETA, Daniela. Quilombo Guiti (RJ). IN: Atlas do Observatório Quilombola. Observatório Quilombola. KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço, 06 de janeiro de 2026.

Pesquisas: Caio Lima; Daniela Yabeta; Maria Eduarda Goulart.

Mais informações: Daniela Yabeta é professora de História do Brasil no curso de Licenciatura em História da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS - Erechim) - Coordenadora do Observatório de História da Fronteira Sul (OHF-Sul).

Verbete atualizado em 18/01/2026


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