Violência contra o povo de Candomblé em Salvador

Márcia Evangelista

Em face dos atos de violência contra um Terreiro de Candomblé no bairro Fazenda Coutos 3, Salvador (BA), que foi desalojado por ordem do tráfico, teve um de seus Ogãs assassinado e um Pai de Santo e demais membros da comunidade religiosa ameaçados de morte, foi convocada pelo profº Ordep Serra, membro do Conselho do Programa Egbé de KOINONIA em Salvador, uma reunião realizada no dia 09 de abril, para dar início ao funcionamento da Comissão Mista, formada por povo de Candomblé e Secretária de Segurança Pública do Estado.

A reunião contou com a presença de cerca de 60 pessoas, inclusive com representantes do Nafro (Núcleo de Religiões de Matriz Africana da Polícia Militar), de KOINONIA, da AFA (Associação Afroameríndia), da Acbantu, do deputado Emiliano José (que está à frente do processo, juntamente com o professor Ordep Serra), da vereadora Vânia Galvão e de militantes do movimento negro e da juventude negra da Bahia, além de várias sacerdotisas e sacerdotes do Candomblé e de um grande número de Filhas e Filhos de Santo.

Os Terreiros estão representados na Comissão Mista por: Leonel Monteiro, presidente da AFA; Sargento Raimundo, do Nafro; e Rebeca Tarif, do Ilê Axé Abassá de Ogum. Pela Secretaria de Segurança Pública, foi indicada a Delegada Isabel, que esteve presente à reunião.

O primeiro encaminhamento foi de que a Comissão Mista deve ser formalizada oficialmente, com publicação de sua formação no Diário Oficial, para que seus membros possam agir com toda a legalidade. Por outro lado, foi reforçado o apelo aos Terreiros para que denunciem todas as agressões e que procurem o Nafro, que é o Núcleo de Religiões de Matriz Africana da Polícia Militar.

O caso do Terreiro de Pai Geraldo, em Fazenda Coutos 3, cuja comunidade, composta de 48 pessoas está desabrigada pela ação do tráfico, foi o acontecimento que tornou mais urgente uma ação de resposta do povo de Santo e do poder público, mas há outros terreiros que também estão sendo ameaçados pelo tráfico. Segundo registros da AFA, são quatro casos de violência do narcotráfico contra Terreiros em Salvador desde dezembro de 2009.

O Povo de Candomblé se posicionou com determinação a enfrentar essa situação junto com o poder público. A delegada Dra. Isabel, afirmou seu empenho em trabalhar na Comissão, mas lembrou também que o compromisso é de todos: “Segurança Pública vai além da ação policial”. Uma preocupação do povo de Santo é quanto à resposta policial que tem que ser dada nesse caso, de que esta não venha a ser usada como argumento para mais chacinas nos bairros, expondo ainda mais a juventude negra que já vem sendo assassinada diariamente em Salvador.

Finalmente, foi acordado que a veredaora Vânia Galvão e o deputado Emiliano José levarão o assunto à Câmara de Vereadores e ao Congresso Nacional e que a Comissão tratará de ver com o governo da Bahia como garantir abrigo e segurança para as famílias desalojadas. Foi lembrado também que a Comissão deve, além de encaminhar essa questão imediata, propor uma estratégia de ação constante, retomando, inclusive, a proposta de mesas de diálogo entre autoridades do Candomblé e autoridades policiais para estratégias comuns.

Com informações de Mara Vanessa, Programa Egbé – BA

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