Todo dia é dia da mulher

Márcia Evangelista

Por Ana Gualberto*

KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço atua a 15 anos junto a várias comunidades em vários estados brasileiros, apoiando-as em seus processo de emancipação e empoderamento. Não dispomos de um programa que trabalhe exclusivamente com o publico feminino, mas quando mapeamos nossas ações e público atendido nos deparamos com uma participação feminina expressiva.

Discutir a equidade e as relações de gênero é uma questão urgente para a sociedade e tem se apresentado constantemente como desafios para as organizações. Entretanto não basta que se garantam cotas de participação feminina ou que as piadas sexistas sejam abolidas. É preciso repensar o papel social da mulher e do homem, aproximá-los como sujeitos de direito comum. Para chegarmos a olhar a sociedade sem a distinção entre homens e mulheres é preciso primeiro reafirmar as diferenças e garantir direitos comuns.

Assim, KOINONIA abraça o desafio de ter um projeto exclusivo para mulheres: “Apoio ao fortalecimento político e econômico das mulheres quilombolas do Baixo Sul da Bahia”, do Programa Egbé Territórios Negros, com o financiamento do MDA-AEGRE, O projeto tem como objetivo o fortalecimento da participação política e econômica de mulheres de 18 comunidades remanescentes de quilombos da região. Este é nosso desafio em 2010. Será um ano de trabalho investindo em espaços de formação e troca de experiências, visando ampliar a participação feminina em espaços de tomada de decisão, colaborar com a melhoria da inserção na produção do grupo no mercado e, acima de tudo, dar visibilidade à mulher quilombola.

Esta é uma ação de um dos programas institucionais.Vale a pena olhar para o futuro e adiantar o que faremos hoje para colaborar com as mudanças sociais de amanhã. Acreditamos que através do diálogo, da participação, da ação política e do respeito, poderemos modificar as estruturas desta sociedade.

Lembrar o 8 de março hoje, é muito mais que afirmar que é dia da mulher, é reafirmar as lutas diárias das Marias, Elianes, Vanias, Sonias, Marilenes, Jaciaras, Terezinhas, Lauras, e todas as outras mulheres que, como diz Débora, liderança feminina da comunidade quilombola do Alto da Serra RJ: “Somos tudo, né? Fazemos de tudo um pouco.”

*Assessora do Programa Egbé Territórios Negros de KOINONIA

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