São Paulo: Ato Ecumênico em Memória dos Mortos e Desaparecidos

KOINONIA

KOINONIA,  Comissão da Verdade Vladimir Herzog, Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça, Clai (Conselho Latino Americano de Igrejas) e o Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs) convidam a população de São Paulo para o ato ecumênico em memória das vítimas de violência de agentes do Estado e pela apuração e punição desses crimes. Leia o texto de Anivaldo Padilha sobre o evento.

O ato será realizado no dia 2 de novembro, no Cemitério de Vila Formosa, em São Paulo. Leia abaixo o texto do assessor de KOINONIA, Anivaldo Padilha, sobre o evento.

ATO ECUMÊNICO EM MEMÓRIA DOS MORTOS E DESAPARECIDOS

 

“Quero trazer à memoria o que me pode dar esperança”.

(Lamentações de Jeremias, Cap. 3, vers. 21)

"Oração não é pedir. É um anseio da alma.
É uma admissão diária das próprias fraquezas.
É melhor na oração ter um coração sem palavras
do que palavras sem um coração."
(Mahatma Gandhi)

"Oração é a saudade transformada em poema."
(Rubem Alves)

 

N

este dia 2 de novembro, por causa da saudade, queremos nos reunir em oração, mesmo que para isso não tenhamos as palavras certas, nem as melhores. Dizem que quando a saudade se transforma em esperança, ela vira oração… Reunimos, portanto, o anseio da nossa alma na admissão humilde das nossas próprias fraquezas suspiradas em forma de oração/poema que inspire e provoque transformações no mundo.

A nossa saudade tem nome e sobrenome. Nós queremos recordar e homenagear as vítimas da ditadura militar brasileira. Em especial nos recordamos daqueles e daquelas que foram presos, torturados, assassinados e cujos corpos nunca foram entregues aos familiares para que tivessem sepultamento condigno.

Apresentamos em nossas preces, juntamente com os nomes dessas companheiras e companheiros, os nossos desejos para que iniciativas como a da Comissão da Verdade, da Comissão de Mortos e Desaparecidos e de todas as outras iniciativas que ocorrem nas diversas regiões do Brasil nos permitam o acesso às informações que nos foram sonegadas nesses anos bem como a justa responsabilização das pessoas que cometeram tão terríveis crimes contra a humanidade.

Ainda hoje não se sabe o para­deiro de mui­tos dos que foram per­se­gui­dos, pre­sos, tor­tu­ra­dos e “desa­pa­re­ci­dos”. Há indícios de que alguns foram joga­dos no alto mar, outros incinerados em fornos de usinas de açúcar, no Rio de Janeiro, e ainda outros simplesmente enterrados anonimamente como indigentes em covas rasas em cemitérios de periferia.

A versão atualizada da tortura e do extermínio continua a afligir especialmente os mais fragilizados da nossa sociedade. O Brasil ainda ostenta recordes de assassinato de jovens e adolescentes que são sumariamente eliminados por hediondos esquadrões da morte, autointitulados justiceiros. Quantas mães inconsoláveis choram seus filhos, sem saber do seu paradeiro, sem poder velar-lhes o corpo, sem poder lhes dar sepultura digna.

Graças à determinação e empenho daqueles e daquelas que, no passado recente, assumiram tamanho risco e enfrentaram valentemente o terror, a tortura e a morte, a ditadura chegou ao fim no Brasil. Hoje podemos vislumbrar um novo tempo de democracia, no qual os Direitos Humanos precisam ser reconquistados e respeitados.

Mas ainda há muito a fazer, pois não podemos descansar enquanto uma única mãe ou pai ou irmão ou irmã ou qualquer outro ente querido ou pessoa amiga derramar lágrimas porque os Direitos Humanos, de quem quer que seja, estejam sendo violados. Defender os Direitos Humanos é defender os nosso direito de viver em paz e justiça juntamente com aqueles e aquelas a quem amamos e a quem devemos respeitar.

Bus­camos não a vin­gança, que só res­sus­cita fan­tas­mas, mas a justa res­pon­sa­bi­li­za­ção dos que come­te­ram cri­mes con­tra os Direi­tos Huma­nos durante a dita­dura Buscamos defen­der a Vida e para que coi­sas ter­rí­veis como aque­las nunca mais tor­nem a acon­te­cer nem a nós nem às nos­sas cri­an­ças e adolescentes.

 

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