Patrimônio de Comunidades Negras e de Terreiros é recuperado

Márcia Evangelista

Em julho, depois de dois artigos postados na imprensa local da Bahia, por repórter que registrou denúncia de colaborador de KOINONIA, o Governador do Estado sustou o procedimento interno que retornava os objetos sagrados expropriados de Terreiros de Candomblé, ao acervo do Museu Estácio de Lima. Os objetos sagrados estavam no Museu da Cidade desde 1997 por recomendação do Ministério Público.

O Museu Estácio de Lima, montado na Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia, é parte do Instituto Médico Legal e tem em seu acervo objetos de crime, como armas e drogas apreendidas, de imagens de criminosos (fotos de criminosos notórios), de símbolos de aberrações naturais (cabeças de fetos gigantes, testículos de criminosos) e de símbolos das religiosidades indígena e afro-brasileira.

A inclusão de objetos sagrados do Candomblé a esse Museu correspondeu a uma concepção eugênica, racista e discriminatória presente nos primeiros estudos feitos por médicos, geralmente professores da Faculdade de Medicina da Bahia, que consideravam esta religião uma patologia.

A relevância da ação de KOINONIA, divulgada pela imprensa local, contundente em sua expressão política, tornou possível que o Governador do Estado sustasse a ação que daria continuidade ao preconceito e discriminação quanto aos objetos sagrados do Candomblé que haviam sido expropriados de Terreiros. No momento, os objetos sagrados estão sob a custódia da Secretária Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), que se pronunciou em meados de agosto a favor de que o destino desses objetos deve ter como protagonistas os Terreiros de Candomblé.

Veja o vídeo sobre o Museu Estácio de Lima produzido por KOINONIA em 1996 – como parte documental na denúncia encaminhada ao Ministério Público – no Canal de KOINONIA no site You Tube: KOINONIA15ANOS.

 

Com colaboração de Marília Schüller, Missionária da Igreja Metodista Unida e assessora do Programa RESC de KOINONIA

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