Liturgia Ecumênica em celebração ao Dia Mundial de Combate à AIDS

Carolina Maciel

 

O dia 01 de dezembro é um marco mundial por que foi instituído como o Dia Mundial de Combate à AIDS. Neste sentido, KOINONIA – Presença Ecumênica à frente desta luta como organização que abraça todas as causas que perpassam a pandemia, elabora uma sugestão de liturgia para a celebração ecumênica chamada “Entre-laços”e homenageia a memória de Ernesto Barros Cardoso (1957-1995).
Teólogo metodista, pastor na Igreja em Jundiaí, São Paulo, Ernesto foi o criador, em 1991, da Rede de Liturgia do Conselho Latino Americano de Igrejas, CLAI, que oferece recursos litúrgicos como orações, reflexões e poemas. Durante os últimos anos de sua vida, converteu sua experiência de dor em exemplo de fé e serviço ao próximo: foi membro do Grupo Consultivo de AIDS do Conselho Mundial de Igrejas, CMI, criado para ajudar as igrejas a abordar os complexos temas relacionados à questão da AIDS e da sexualidade. O texto que segue é parte de um artigo escrito para o CMI no ano de 1995.
(ENTHEOS, Revista, disponível em http://www.revistaentheos.com.br/Janeiro_2011/aids_jan_2011.htm no dia 02/12/2011)
 
Veja a programação:
Laços que chegam
Acolhida
[Prelúdio: “No amor Deus”, de Ernesto Barros Cardoso. Como ambientação, no espaço da celebração: flores e objetos/símbolos que relembrem a luta contra a AIDS e um cesto com fitas de cetim coloridas]
 
Samba de Invocação
Aberta está a porta, ó Deus!
Vem entre nós estar!
Servido está o pão, Senhor!
Vem entre nós estar!
 
Que seja o nosso teto
Maior que os nossos passos;
Que seja o nosso abraço
Maior que os nossos ombros;
Que corações sedentos
De água, de sustento, Justiça, amor, carinho,
Encontrem em nós a força
E abrigo no caminho!
Aberta está!
[PROMUSA]
 
Proseada
[Formam-se pequenos grupos, para a apresentação e partilha de intenções neste de Dia Mundial de Combate à AIDS. Neste grupo, cada pessoa constrói um laço. Ao fim, cada grupo partilha uma intenção]
 
 
O abraço
O laço é um abraço
sem medo ou embaraço
coração com coração
um só povo neste espaço.
 
P´ra isso servem os braços
para darte um terno abraço
envolve, enrola, enlaça
neste embalo me abraça.
 
O abraço é um laço
não prende, não aperta
coração com coração
uma entrega, uma oferta.
 
[Elenise Ramos, João A. Anunciação, Lisete Espíndola e Luiz Carlos Ramos (inspirado em textos de Mario Quintana, José Mário O. R. Barbosa e Clarice Leite)]
 
Laços que recordam, desejam
 
Memórias, saudades…
[Neste momento, as(os) participantes relembram de suas(seus) amigos, aquelas(es) que fazem faltam, aquelas(es) de quem se sente saudades…]
 
“Uma sensação do inconsciente coletivo: em um corpo, todos os corpos. A experiência pessoal pode criar laços de solidariedade, nos fazer sentir que estamos unidos a todos os corpos que sofrem. Isto está perto talvez de uma das canções do servo sofredor: "Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido" (Isaías 53.4). Em um corpo, todos os corpos. O corpo cansado e sofredor do mundo, o corpo oprimido e pisoteado do pobre, o corpo reprimido e violado de tantas mulheres, os corpos sem energia nem resistência de meninos e meninas…”.
 
Ernesto Barros Cardoso

Ai que saudade d’ocê

Não se admire se um dia
Um beija-flor invadir
A porta da tua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo
Ai que saudade de ocê
Se um dia ocê se lembrar
Escreva uma carta pra mim
Bote logo no correio
Com frases dizendo assim]
Faz tempo que eu não te vejo
Quero matar meu desejo
Te mando um monte de beijo
Ai que saudade sem fim
 
E se quiser recordar
Aquele nosso namoro
Quando eu ia viajar
Você caía no choro
Eu chorando pela estrada
Mas o que eu posso fazer
Trabalhar é minha sina
Eu gosto mesmo é de’ ocê
[Vital Farias]
 
Oferenda dos desejos
[Cada pessoa ofertará os seus desejos e sonhos no espaço litúrgico. O símbolo desta oferenda será o laço produzido no início da celebração]
 
“Creio que a experiência mais profunda para o que sofre sem encontrar uma razão para seu sofrimento, que se perde nas muitas perguntas e receitas para aliviar sua dor e curar as chagas do corpo e da alma, é precisamente viver uma experiência totalmente nova, baseada na transformação do enfoque e de perspectiva, na abertura à novidade da Revelação de Deus. É algo como nascer de novo, nascer no Espírito: encontrar, profundamente, na solidariedade e companheirismo, este Espírito de todos os corpos – e da totalidade da criação – no qual encontram eco os gemidos e clamores (Romanos 8) na espera da utopia da Ressurreição”.
 
Ernesto Barros Cardoso
 
Jubileu
Nossos olhos abertos estão
vendo morte, pobreza e maldade;
no entanto seguimos confiando
que o futuro está por chegar,
a esperança provoca o andar
pela fé, a justiça e a vida.
Amanhã, ao nascer do sol, virá a liberdade,
a festa e o perdão, descanso para todo o que sofre.
 
Amanhã, ao nascer do sol, a terra voltará
àquele que a perdeu e o trigo crescerá em abundância.
[Adoniran Ibarra; trad. Luiz Carlos Ramos]
 
Laços, entre-laços
Confissão de amor
Cremos no amor que lança fora todo o medo…
 
O amor que nos envolveu em nossas travessias
conduzindo-nos por novos passos e rumos;
O amor que nos levou à recordação, à memória,
com novos olhares sobre velhas coisas;
 
Cremos no amor que lança fora todo o medo…
 
O amor que se acampou em nossas vidas e nos fez falar,
transformando-nos em sua voz, seu som;
O amor que nos uniu em seus laços, em vínculos de afeto e
em irmandade nos sonhos de justiça e paz;
 
Cremos no amor que lança fora todo o medo…
 
O amor que nos inquieta a resistir à indiferença;
e nos compromete a caminhar com os desejos de mudança.
 
Cremos no amor que lança fora todo o medo…
Cremos no amor que nos coloca face-a-face…
Cremos no amor, sinal e espaço de nossa fé…
Cremos no amor, assim, amando…
[Daniel Souza]
 
 
Ciranda
Minha ciranda
 
Esta ciranda não é minha só
ela é de todos nós
A melodia principal quem diz
É a primeira voz
 
P’ra se dançar ciranda
Juntamos mão com mão
Formando uma roda
cantando esta canção
 
[Capiba]

 

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