KOINONIA reunida para fortalecer a luta por direitos

Manoela Vianna

 Foto: Paulo Ayres, presidente de KOINONIA; Moema de Miranda, diretora do Ibase; Rafael Soares de Oliveira e Fátima Melo, diretora da Fase

 

Anualmente KOINONIA se reúne em assembleia. O evento aconteceu de 19 a 21 de outubro com a participação de 30 pessoas, entre convidados, colaboradores e sócios. Foram três dias de discussões sobre conjuntura, alternativas e reflexões sobre como KOINONIA pode fortalecer a luta pela garantia de direitos. O evento também elegeu membros da diretoria e novas sócias.

A mesa de análise de conjuntura foi formada por Moema de Miranda, diretora do Ibase; Fátima Melo, diretora da Fase; e Paulo Ayres, presidente de KOINONIA.  Houve um consenso sobre o quanto frustrante os resultados da Rio+20 e  da Cúpula dos Povos foram em termos de decisões para transformação do mundo vigente. Mas os participantes alertaram que esse resultado se deu devido ao contexto social político e econômico do mundo.

Para Fátima Melo há uma crise planetária que é humana e de múltiplas dimensões, entre elas ambiental, econômica e de valores.  – O mundo caminha em passos largos para uma mudança de mais do mesmo. Assim, a Cúpula poderia ser um momento de matar um mundo e criar outro, mas foi frustrante, disse Melo. Ela explicou que estamos vivendo um padrão de políticas neo-desenvolvimentistas no qual é difícil pautar o debate público com a “população satisfeita.” Além disso, segundo Fátima, os movimentos estão divididos sobre alternativas possíveis: alguns defendem saídas privatistas em relação a natureza e bens comuns. Ela alertou que como o agronegócio gera muito dinheiro, as organizações perderam a discussão do código florestal, o que pode acontecer com o código de mineração.  “Nosso governo tem programas importantes de combate à pobreza, mas pautados na exploração da natureza. Temos que reconhecer os ganhos sociais, mas e o futuro como será?” Apesar do quadro complexo, Fátima ressaltou que há resultados positivos da Cúpula: a consistência das alianças e convergências foram aprofundadas e os participantes da Cúpula conseguiram acesso às novas mídias e até à mídia hegemônica. Como desafios para as organizações da sociedade civil, Melo indicou a constituição de espaço de debates públicos e um projeto de comunicação com a sociedade.

A diretora do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) Moema de Miranda também considera os resultados da Cúpula dos Povos frustrantes. Moema explicou que o Brasil está vivendo os resultados do que foi classificado como Lulismo. Segundo Moema, o primeiro governo Lula atingiu os grotões da sociedade por meio de um conjunto de políticas compensatórias. Essa população estava marginalizada desde república. O governo Lula interferiu nas estruturas sociais com o Bolsa Família, concessão de crédito e aumento do salário mínimo. Moema afirmou que o que propiciou isso foi uma exploração intensiva da natureza. A super exploração dos recursos naturais sem alterar a balança comercial permitiu a inclusão social dessa parcela da sociedade sem interferir no padrão dos ricos. Para ela, essa amalgama Lulista é uma festa porque trata-se de uma inclusão sem conflito o que pressupõe o crescimento sem fim. “Nós somos os estraga festa, dizendo que o planeta não vai agüentar. A lógica do consumo e crescimento ilimitado é como um crescimento de células de câncer,” lamentou Moema. Nesse sentido, ela elencou alguns desafios. Para Moema, cabe aos religiosos, a tarefa de “re-sacralizar a natureza e a vida. Temos que nos ligar ao ciclo da vida. Recuperar o humanismo. Precisamos de um reencantamento.”  Mas reconstituir a prática política, aprofundando a troca e fazendo ações libertárias sem hegemonismo e vanguardismo seriam desafios dos movimentos sociais. 

Bispo Emérito da Igreja Metodista, teólogo e presidente de KOINONIA, Paulo Ayres encerrou as falas da mesa de análise de conjuntura.  Ayres agradeceu a Moema pelo seu discurso de caráter teológico que, segundo ele, hoje muitas vezes se reduz à ciência das religiões. Paulo destacou que o crescimento da direita religiosa é um fenômeno da sociedade e não das religiões. Complementando o retrato feito por Moema de que o momento atual poderia ser considerado uma festa, Paulo afirmou que a festa geral é neopentescotal e ela faz um reencantamento religioso. Mas ao mesmo tempo alertou que as religiões serem de direita não é uma novidade: “O diferente é que a nova direita religiosa não é mais de classe média. Ela é popular, das classes que se incluíram,” concluiu Paulo.

Após as mesas discutiu-se o que foi falado em plenária e em grupos o que gerou reflexões para os próximos passos de KOINONIA. A assembleia foi encerrada com a eleição dos membros da diretoria, do Conselho Fiscal e de duas novas sócias. Ana Gualberto é assessora de KOINONIA e historiadora. Ana é colaboradora de KOINONIA desde 2001 e dedica principalmente às ações voltadas para comunidades quilombolas e de terreiros de Candomblé. Já Zeni de Lima Soares é pastora e foi a primeira mulher ordenada na Igreja Metodista do Brasil. Com larga experiência com trabalhos voltados para meninos e meninas de rua, Zeni contribuiu para a elaboração do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). 

 

Diretoria: 2013 a 2015

Presidente: Paulo Ayres Mattos

 Vice Presidente: Laís Menezes

 Secretaria: Yara Monteiro

 Tesouraria: José Adriano Filho

 Vogal: José Mauricio Arruti

 

Conselho Fiscal 2013 a 2015

Eduardo Dutra Machado

Lúcia Leiga

Mauricio de Andrade

 

Cliquei e saiba mais sobre as ações de KOINOINIA de outubro de 2011 a outubro de 2012

Visite o Observatório Quilombola

Conheça o dossiês Aids e Religião e Intolerância Religiosa 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.