KOINONIA recebe homenagem do Nepaids/USP em seminrio

Carolina Maciel

 

O Nepaids não está contente com a estabilização da epidemia de aids, afirma Vera Paiva, coordenadora desse núcleo de estudos. Segundo ela, esse era o objetivo no começo dos anos 90, mas agora é preciso abaixar a curva da epidemia. "Já temos condições para isso. Não podemos mais pensar só no controle da aids, mas sim na diminuição do numero de novas infecções e de mortes", disse.
O epidemiologista explica que os maiores desafios são diagnosticar as cerca de 300 mil pessoas que têm o vírus e não sabem e tratar mais cedo todas as pessoas com HIV, ou seja, começar o tratamento com antirretrovirais quando o paciente estiver com as células de defesa do organismo (CD4) por volta de 500 e não próximo a 350, como ocorre atualmente. “Em tratamento, a chance de uma pessoa infectada transmitir o vírus é bem menor, e assim, seria possível evitar milhares de novos contágios”, comentou. “Na Argentina e em vários países da Europa isso já começou a ser feito”, acrescentou.
Mas para que isso ocorra, ressalta Chequer, é necessária uma mobilização nacional para que a aids volte à agenda como prioridade do País. “Já conseguimos isso quando demos início ao tratamento da aids rede pública. Temos agora a possibilidade de novamente nos tornarmos um exemplo para o mundo”, disse.
A coordenadora do Programa de DST/Aids do Estado de São Paulo, Maria Clara Gianna, também defendeu o diagnostico precoce e um maior investimento público contra a doença. “Temos condições claras de fazer com que a aids deixe de ser uma epidemia no Brasil, mas para isso precisamos investir efetivamente em programas para a população em geral e para as mais vulneráveis à infecção, na prevenção da transmissão vertical e no aconselhamento e testagem do HIV”, citou.
Clara lembrou ainda que o seminário marca o encerramento do 1º Curso de Especialização em Prevenção às DST/aids no Quadro da Vulnerabilidade e dos Direitos Humanos. Apoiado pelo Programa Estadual de DST/Aids do Estado de São Paulo, o curso formou durante um ano e meio cerca de 60 pessoas que atuam na coordenação de programas municipais de DST/aids do Estado.
“A ideia foi capacitá-los ainda mais para uma resposta eficaz contra a epidemia nos municípios”, afirmou.
Estiveram entre os participantes do encontro, o diretor da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA), Richard Parker; Sofia Gruskin, da Universidade de Harvard dos Estados Unidos; os professores da USP José Ricardo Ayres, Ivan França Junior e Jorge Beloqui; o pesquisador do Departamento de Medicina da USP Alexandre Granjeiro; o diretor-adjunto do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa; o coordenador-adjunto do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Arthur Kalichman; entre outros especialistas.
Durante o evento foi também comemorado os 20 anos do Nepaids, inaugurado uma exposição virtual sobre os “30 anos de Aids no Brasil e de Prevenção”; e houve uma homenagem a algumas pessoas que contribuíram para a pesquisa, à inovação tecnológica e à reflexão crítica sobre prevenção na resposta à epidemia.
As organizações homenageadas são KOINONIA e “É de Lei”. Presentes para receber o prêmio por KOINONIA estavam Anivaldo Padilha, associado da organização e Ester Lisboa, assessora de KOINONIA e coordenadora do Programa Saúde e Direitos.
Os Profissionais da área da saúde também estiveram dentre os homenageados, a constar: Elza Salvatori Berquó (Faculdade de Saúde Pública da USP), Euclídes Ayres Castilho (Faculdade de Medicina da USP), Ruy Laurenti (USP); José da Rocha Carvalheiro (USP de Ribeirão Preto,) Paulo Roberto Teixeira (Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo), Regina Maria Barbosa (Unicamp), Amália Suzana Qualquiman (Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo), Alessandra Blengini Martins (Instituto de Psicologia da USP), Teresinha Cristina Reis Pinto (Educaids), Elisabeth Vieria Gonçalves (Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual) Sylvia Cavassim (Ecos – Comunicação em Sexualidade), Mário Scheffer (Pela Vidda-SP), William Siqueira Peres (Unesp de Assis), Fernanda Lopes (UNFPA), Sirlene Caminada (CRT-DST/Aids de São Paulo), Jorge Beloqui (USP e GIV), Karina Wolffenbuttel (CRT-DST/Aids de São Paulo), Maria Inês Battistella Nenes (Departamento de Medicina Preventiva da USP), Elizabeth Franco Cruz (USP), Gastão Vagner de Souza Campos (Unicamp).
O seminário “30 anos de Aids: a 4ª década pode ser a última” recebeu apoio da Fundação Ford, do Centro de Referência e Tratamento em DST/Aids do Estado de São Paulo e do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.
As discussões ocorreram no auditório do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, no Campus Butantã.
 
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Com informações Agência de Notícias da AIDS

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