KOINONIA participa de seminário sobre impactos dos desastres socioambientais no Rio de Janeiro

Carolina Maciel

Nos dias 26 e 27 de abril, KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviço, membro de ACT Aliança, participou do seminário sobre os impactos dos desastres socioambientais no Rio de Janeiro. Em parceria com a organização estavam o Conselho Federal de Psicologia – CFP; o FMCJS – Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social; e a entidade Cáritas e o encontro foi realizado nas dependências do Centro Atividades Comunitárias – CEAC, no bairro de Várzea, em Teresópolis.
 
Os objetivos do seminário eram: a) Reforçar e estimular formas organizativas dos/as afetados/as no enfrentamento dos impactos dos desastres socioambientais; b) Possibilitar compreensão crítica dos desastres em vista de práticas que enfrentem suas causas estruturais; c) Promover protagonismo dos/as afetados/as na realização de uma audiência pública com autoridades governamentais e, por fim, d) Integrar intercâmbio de experiências e ações junto aos afetados e promover a atuação em rede.
No período de 2007 a 2010, mais de 22 milhões de pessoas foram afetadas por desastres socioambientais em todo o país. De 2008 a 2009 esse número aumentou em 43,87%. Em 2011 mais de 900 pessoas morreram na região serrana no Rio de Janeiro. O alerta da comunidade científica, associado à sabedoria popular, não deixa dúvidas: o aquecimento global tem provocado mudanças radicais no comportamento da natureza. E mais: todo desastre climático traz em si a marca da ação humana.
Portanto, o seminário sobre os Impactos dos Desastres Socioambientais no Rio de Janeiro propôs discutir não só a problemática da região serrana, mas os grandes impactos socioambientais e políticos que esse estado tem enfrentado nos últimos tempos.
O primeiro dia contou com as palestras sobre Mudanças Climáticas e Desastres Socioambientais com o preletor Ivo Poletto; Áreas de risco x preservação permanente com Luiz Carlos Sérvulo; Marco Legal de Proteção e Defesa Civil com o deputado federal pelo Rio de Janeiro Glauber Braga e Visão crítica a partir das entidades da sociedade civil com o diretor executivo de KOINONIA, Rafael Soares de Oliveira.  Durante o dia ainda aconteceu o intercâmbio de experiências entre as entidades, organizações e participantes sobre o que tem sido feito por meio de ações alternativas e protagonistas em favor da Região Serrana.
O segundo dia na parte da manhã foi realizada uma mesa com o debate sobre as Dimensões sociopolíticas e psicossociais dos desastres: lições aprendidas em torno do caso da região serrana do Rio de Janeiro com a preletora Profª Norma Valêncio do Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais em Desastres – NEPED da Universidade Federal de São Carlos UFSCar com a descrição sobre o desastre na região e que corroborou com as palavras do diretor executivo de KOINONIA no que tange a solução dos problemas na comunidade afetada. A professora ainda informou a existência de uma tese de Doutorado no NEPED que contempla a tragédia em Teresópolis e que será defendida em breve. Para, além disso, ela conseguiu dar voz aos sentimentos mais profundos dos atingidos e foi ovacionada de pé.
 
Na sequência, foi a vez da palestrante Drª Anaíza Malhardes, do Ministério Público do Rio de janeiro, sobre Ocupação Urbana em Teresópolis, explicando as causas naturais da catástrofe e algumas providências do Ministério Público em andamento. Posteriormente, foi a vez da palestra do professor e assessor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia – Crea-RJ Adacto Ottoni.
 
Na parte da tarde houve uma audiência pública com um membro do governo federal, com a representante do Instituto Estadual do Ambiente – INEA pelo Estado e com o ouvidor do município. O deputado estadual Newton Salomão também esteve presente à audiência, entretanto, sem muita participação. O que ficou claro neste momento é que nenhuma verba apontada na Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI da Assembleia Legislativa do Rio de janeiro – Alerj foi liberada e que inacreditavelmente está bloqueada no Estado ou na Caixa Econômica. Até mesmo o INEA trabalha com verbas minguadas do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano – FECAM. Por isso, foi muito importante a fala do Rafael no dia anterior, pois na hora dos questionamentos, o público utilizou os dados para fazer cobranças.
 
Por fim, foi elaborada pelos participantes uma carta a fim de trazer a reflexão sobre a realidade da vida e a prática da cidadania. Leia na íntegra:
 
 
 
Leia livros do NEPED: http://www.ufscar.br/neped.
 
 
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