KOINONIA na 17ª Conferência Internacional de Aids

Márcia Evangelista

Entre os dias 2 e 8 de agosto aconteceu a 17ª Conferência Internacional de Aids, no México, tendo como tema geral “Ação Universal, já!”.

A Conferência reuniu cerca de 5.000 participantes, entre ativistas, cientistas, políticos e especialistas de todo o mundo à procura de meios para garantir a prevenção, o tratamento, cuidados e apoios relativos ao HIV/Aids. Foi a primeira vez que esta Conferência foi realizada na América Latina.

Rafael Soares de Oliveira, secretário executivo de KOINONIA, e Ideraldo Beltrame, multiplicador do programa Saúde & Direitos, estiveram presentes a convite da Rede Internacional de Líderes Religiosos que Vivem com ou estão Pessoalmente Afetados pelo HIV/Aids – Inerela +.

A idéia de formação desta rede internacional começou a ser discutida publicamente no ano de 2006 como uma expansão global da Anerela +, que há cinco anos vem reunindo líderes religiosos africanos. Antes dela, poucos líderes religiosos na África assumiam abertamente sua condição de portadores de HIV/Aids. Os poucos que assumiam, viviam estigmatizados em suas comunidades religiosas. Com o crescimento e aceitação da rede africana, deu-se início à sua expansão, reunindo líderes religiosos de outros continentes. Em resposta a essa necessidade de expansão, foi criada a Rede Internacional de Líderes Religiosos que Vivem com ou estão Pessoalmente Afetados pelo HIV/Aids – Inerela +.

O lançamento da Inerela + aconteceu oficialmente durante a 17ª Conferência, com líderes religiosos compartilhando suas experiências envolvendo religião e HIV/Aids.

Rafael Soares e Ideraldo Beltrame destacaram a importância do trabalho inter-religioso na América Latina e Caribe sobre HIV e Aids, além de compartilhar suas experiências pessoais de trabalho com diferentes religiões.

Em suas falas Rafael Soares compartilhou suas experiências como sacerdote (Ogan) e as vivências e visões de mundo das Comunidades de Terreiros de Candomblé. Viver é enfrentar obstáculos, mas nunca estar só, disse. O candomblé não tem moralismo ou impõe questões de comportamento. No caso do HIV, nós incentivamos a prevenção e o tratamento, pois é necessário o corpo estar bem para ter uma boa comunicação com a divindade, explicou. No entanto, segundo ele, a própria religião enfrenta estigma e discriminação no Brasil. Sofremos acusações de sermos adoradores do diabo. A intolerância religiosa é o maior problema, disse. Segundo ele, este é um dos motivos que o faz entender o estigma sofrido por portadores do HIV. “Quem é portador do HIV enfrenta a estigmatização por ter o vírus e por ser de uma religião afro-brasileira., comentou.

 

Saiba mais sobre Anerela+, acessando: www.anerela.org

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