CMI debate a criação de novo espaço de diálogo interreligioso

Márcia Evangelista

O tema do diálogo interreligioso e a sugestão de criação de um espaço comum de convivência e diálogo sobre as questões atuais deste tema, a ser chamado de Oikos, foram pontos importantes de uma das sessões de trabalho da reunião do Comitê Central do CMI, realizado em Genebra, Suíça, entre 16 e 22 de fevereiro.

As realidades de diferentes contextos mundiais, através de narrações de histórias sobre os avanços e momentos críticos de algumas regiões, foram apresentadas aos mais de 200 delegados, conselheiros e observadores presentes.

Cristãos e cristãs da Indonésia, Sri lanka e Alemanha tiveram a oportunidade de partilhar as experiências de suas igrejas e comunidades no diálogo e cooperação interreligiosa, o que encorajou os delegados e as delegadas do Comitê central a iniciar a elaboração de passos que podem ser dados para a criação de uma plataforma de união na qual o CMI teria o potencial de exercer o papel de moderador.

Para o reverendo Malungo António Pedro, pastor da Igreja Evangélica Reformada de Angola (IERA) e membro do Comitê Executivo do CMI, o CMI tem sido um exemplo vivo no envolvimento do diálogo, tendo em conta que ela congrega diferentes confissões cristãs, permitindo que haja um diálogo aberto sobre os problemas globais da atualidade, um exemplo que deve ser seguido ao nível das organizações ecumênicas continentais e nacionais. Malungo propõe a continuidade do diálogo interreligioso em todos os níveis, desde o internacional ao local, por um mundo de justiça, paz e reconciliação. Angola já deu passos significativos com a criação de um fórum interreligioso entre os evangélicos, católicos, pentecostais e neo-pentencostais, acrescentou. O pastor angolano ainda afirmou que uma das maiores contribuições do fórum que envolve líderes religiosos é a análise conjunta dos problemas políticos, sociais e econômicos do país.

A doutora Magali do Nascimento Cunha, professora da Universidade Metodista de São Paulo, Brasil, e membro do Comitê Central do CMI, caracteriza o atual momento como rico e variado. Há muitas experiências de unidade em contextos diferentes, envolvendo igrejas, organizações de serviço, pessoas jovens, mulheres e homens. No que tange o diálogo interreligioso, Cunha propõe a humildade e o respeito como prerrogativas indispensáveis. Isto significa considerar cada um na fé, como elemento principal e, por outro lado, atitudes de reconhecimento mútuo e busca de ações conjuntas.

Falando de seu contexto local Cunha acredita que o Brasil vive um momento único da sua história com a consolidação da democracia com o Presidente Lula e sua sucessora Dilma Rouseff. As igrejas brasileiras têm sido desafiadas a deixar seus territórios e testemunharem Cristo no apoio do processo de inclusão que o governo busca fazer, destacou.

De acordo a sua constatação, o movimento ecumênico local tem estado fragilizado por conta do crescimento do pentecostalismo independente, do carismátismo católico-romano e das novas expressões de fundamentalismos entre as igrejas protestantes históricas, somado pelo crescimento da mídia religiosa que expõe as teologias e ideologias mais conservadoras e anti-ecumênicas.

A confiança mútua, um dos elementos mais destacados no debate e reflexão acerca do diálogo interreligioso, também foi destacado por Malungo e Cunha como algo essencial para que as igrejas consigam superar as dogmáticas se envolvam num diálogo franco e formas mais expressivas de cooperação.

Foto: Marcelo Schneider

Fonte: ALC

 

 

 

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