Assembleia da CESE discute os desafios do ecumenismo atual

Carolina Maciel

A Assembleia anual da CESE teve como um dos seus pontos principais, além da Eleição de sua nova diretoria para o triênio 2012-2015, um debate sobre os desafios atuais para o ecumenismo brasileiro, para o qual foram convidados Jorge Atílio Iulianelli, professor de Ética Aplicada da Universidade Gama Filho – RJ e Coordenador do Programa de Ecumenismo, Diálogo e Formação de KOINONIA, o Pr. Djalma Rosa Torres da Igreja Antioquia e Presidente do CEPESC – Centro de Pesquisa, Estudos e Serviço Cristão, e Raquel Lima Catalani, representante da REJU – Rede Ecumênica da Juventude, organização ecumênica juvenil de São Paulo.

Em sua fala o Professor Atílio abordou com muita propriedade sobre os desafios políticos e teológicos: Estado laico; promoção dos direitos humanos inclusive com o seu campo dos direitos sexuais, de gênero, homoafetivos; testemunho do movimento ecumênico, da memória assim como a problemática do colaboracionismo e da resistência. A exposição também trouxe questões sobre a “economia verde” a partir da visão indígena, o valor dos pequenos gestos, a mistura de interesses econômicos e apoio de certas igrejas, a influência da mídia e disseminação de preconceitos; fraqueza do movimento ecumênico e o grande potencial que ele tem para superar essa fraqueza.

O Pr. Djalma Torres, a partir de uma abordagem pontual histórica, passando pela atual realidade do ecumenismo brasileiro, marcou em sua fala, algumas perspectivas importantes tais como: a importância de criação de uma rede nacional ecumênica, a formação de uma agenda ecumênica ampla e inclusiva, a promoção de debates sobre temas relevantes para o país, a ampliação de laços com igrejas ainda não filiadas aos organismos ecumênicos, aumentar o apoio das igrejas aos movimentos ecumênicos nacionais e a valorização e fortalecimento dos laços de fé.

Raquel Lima Catalani, representante da REJU, fez uma analogia do movimento ecumênico com um trecho do livro Grande Sertão: Veredas de João Guimarães Rosa, onde comparou o ecumenismo ao processo de travessia de um rio, onde podemos encontrar uma diversidade de existências, mas também a imprevisibilidade e barreiras dessa travessia, como as que procuramos superar na busca pela unidade intra-religiosa, o diálogo inter-religioso e a luta por direitos e justiça. Enfatizou a força da participação dos jovens nesse momento atual do ecumenismo e prosseguiu que devemos encontrar formas criativas de transpassar essas barreiras e continuar a navegar sempre e com os olhos bem abertos para todas as possibilidades que se apresentarem pelo decurso desse rio.

As falas dos palestrantes motivaram um amplo debate entre os participantes da assembleia, assim como despertaram a consciência de que os assuntos e temas abordados precisam ser discutidos de maneira mais aprofundada e contínua, a fim de que as organizações ecumênicas envolvidas em nosso contexto, tanto local como nacional, possam marcar de forma mais efetiva sua participação na construção de uma sociedade mais tolerante, justa e inclusiva.


Com informações Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE

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