Cerca de 80 pessoas participaram, em Belém (PA), do lançamento da edição brasileira do estudo “Não em Nome da Fé”, publicação produzida pelo Fórum Ecumênico de ACT Sul-América (FESUR) que documenta os impactos dos fundamentalismos na América do Sul e apresenta caminhos para o fortalecimento da democracia e da sociedade civil. O encontro reuniu representantes de igrejas que compõem a CESE, lideranças indígenas de diferentes estados da Amazônia, integrantes de organizações ecumênicas e pessoas comprometidas com a defesa dos direitos humanos nos territórios.
Representando KOINONIA, Rafael Soares de Oliveira, Secretário de Planejamento e Cooperação, participou do lançamento e reforçou o compromisso da instituição com o ecumenismo comprometido com a justiça, a defesa da democracia e a construção de redes de solidariedade nos territórios.
O estudo reúne quatro casos emblemáticos de violações de direitos na América do Sul, analisados sob perspectivas antropológica, sociopolítica e teológica. São abordadas situações envolvendo defensoras da justiça de gênero e dos direitos sexuais e reprodutivos na Argentina e na Colômbia, a violação de direitos da população trans por meio de legislações no Peru e a expropriação de territórios indígenas na Amazônia brasileira.
Durante o lançamento, Magali Cunha (Editora do Grupo Bereia) destacou a importância de compreender o contexto atual e fortalecer alianças diante do avanço de discursos e práticas antidemocráticas.
“O contexto internacional e nacional é de avanço dos feminicídios, de eleições em nossa América do Sul de fortalecimento de poderes da ultradireita nessa era Trump. Os fundamentalismos, como visão de mundo e ferramenta, estão em movimento. Nosso papel é denunciar e semear esperanças em alianças e redes, que deem as mãos para quem está nos territórios e na luta global por democracia”, afirmou.
Para Magali Cunha, a publicação cumpre um papel fundamental ao transformar denúncias em evidências concretas e mobilizadoras.
“A importância deste estudo é concretizar a denúncia em casos e ser um chamado a quem luta contra a deterioração da democracia e da sociedade civil para que se alie. Também é um desafio às pessoas que estão no poder de tomar decisões, para que sigam os dez pontos sugeridos no documento, de modo a frear e confrontar os fundamentalismos”, destacou.
As reflexões apresentadas durante o lançamento encontraram eco entre as pessoas presentes. Mãe Nalva, ialorixá de Belém do Pará, compartilhou sua preocupação com o crescimento da violência motivada pelo racismo religioso e pela intolerância.
“Eu me sentia confusa e ameaçada com o aumento recente de tantos casos de violência por racismo e intolerância religiosa, em Belém e no Brasil. Agora estou entendendo mais nosso contexto e o que estamos passando no mundo. Precisamos mais e mais nos aliar”, relatou.
A necessidade de fortalecer articulações nos territórios também foi ressaltada pela pastora Bianca Daebs, que liderou, junto a outras pessoas da CESE, encontros realizados nos nove estados da Amazônia para identificar os impactos do avanço antidemocrático dos fundamentalismos sobre povos e comunidades tradicionais.
Ao avaliar a participação de KOINONIA no evento, Rafael Soares de Oliveira reafirmou o compromisso histórico da organização com a promoção da justiça e a construção de alianças regionais.
“Representar KOINONIA neste evento relevante para a afirmação do nosso ecumenismo antifundamentalista, em solidariedade com os lutadores e lutadoras nos territórios, foi mais um laço nas redes que fomentamos no Brasil e na América do Sul, membros que somos da Aliança”, destacou.
Realizado sob a presença simbólica dos quatro elementos da natureza, o encontro reforçou a urgência de ampliar alianças entre movimentos, organizações e comunidades comprometidas com a promoção da dignidade humana, da liberdade religiosa e da construção de sociedades mais justas e democráticas.
O compromisso também dialoga com iniciativas desenvolvidas por KOINONIA voltadas ao enfrentamento da desinformação e ao fortalecimento de práticas democráticas nos territórios, especialmente no campo do combate às fake news e da defesa de informações confiáveis como parte fundamental da proteção dos direitos humanos.

