Direitos quilombolas e proteção territorial pautam visita ao Quilombo Menino Jesus

Como parte da programação da 53ª Assembleia Geral Ordinária da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), realizada em Belém (PA), participantes da Assembleia visitaram o Quilombo Menino Jesus, localizado no município de Acará, na Região Metropolitana da capital paraense. A atividade teve caráter de incidência e solidariedade junto às comunidades quilombolas que enfrentam ameaças aos seus territórios e modos de vida.

Representando KOINONIA, esteve presente o secretário de Planejamento e Cooperação, Rafael Soares de Oliveira, que integrou a comitiva formada por representantes de igrejas associadas à CESE, organizações ecumênicas e entidades comprometidas com a defesa dos direitos humanos e da justiça socioambiental.

A visita possibilitou o diálogo direto com lideranças e moradores do Quilombo Menino Jesus, comunidade certificada pela Fundação Cultural Palmares desde 2006 e que ainda aguarda a titulação integral de suas terras. Atualmente, cerca de 30 famílias vivem no território, preservando práticas tradicionais ligadas ao cultivo da castanha e do açaí, à pesca artesanal e à agricultura familiar, fundamentais para a segurança alimentar, a preservação ambiental e a manutenção de saberes ancestrais.

A comunidade, assim como outras 14 comunidades quilombolas da região, manifesta preocupação diante da proposta de instalação de um aterro sanitário no município de Acará, empreendimento que poderá receber resíduos da Região Metropolitana de Belém. As lideranças denunciam impactos socioambientais, riscos à saúde, comprometimento das atividades produtivas e a ausência de um processo adequado de consulta prévia, livre e informada às populações diretamente afetadas.

Ao final da Assembleia, a CESE divulgou uma carta pública reafirmando solidariedade à luta das comunidades quilombolas e defendendo o respeito aos seus direitos territoriais. O documento destaca que não há justiça climática sem a proteção dos povos e comunidades tradicionais e denuncia a permanência do racismo ambiental como expressão das desigualdades que historicamente atingem esses grupos.

A presença de KOINONIA na atividade reafirma seu compromisso com o fortalecimento das redes ecumênicas e com a promoção da justiça socioambiental, somando-se às iniciativas de defesa dos direitos dos povos tradicionais e do reconhecimento de seus territórios, histórias e formas de existência.



Carta de Solidariedade e Incidência emitida pela Assembleia da Cese

Fonte: Carta da 53ª Assembleia Geral Ordinária da CESE, Belém (PA), 12 de junho de 2026.

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