{"id":511,"date":"2020-10-29T13:50:16","date_gmt":"2020-10-29T16:50:16","guid":{"rendered":"https:\/\/koinonia.org.br\/amazonia\/?p=511"},"modified":"2020-10-29T13:50:16","modified_gmt":"2020-10-29T16:50:16","slug":"exortacao-apostolica-pos-sinodal-querida-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/koinonia.org.br\/amazonia\/en\/2020\/10\/29\/exortacao-apostolica-pos-sinodal-querida-amazonia\/","title":{"rendered":"Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-Sinodal &#8220;Querida Amazon\u00eda&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.synod.va\/content\/sinodoamazonico\/pt.html\"><img src=\"http:\/\/www.synod.va\/etc\/designs\/synod2018\/library\/images\/logo-sinodoamazonico.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<h2>Assembleia Especial do S\u00ednodo dos Bispos para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f4nica 6 &#8211; 27 Outubro<\/h2>\n\n\n\n<h1>Amaz\u00f4nia: Novos Caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral<\/h1>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.synod.va\/content\/sinodoamazonico\/pt.html\">S\u00ednodo Pan-Amaz\u00f4nico &#8211; Assembleia Especial do S\u00ednodo dos Bispos para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f4nica<\/a>&nbsp;\u00bb&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.synod.va\/content\/sinodoamazonico\/pt\/documentos.html\">Documentos<\/a>&nbsp;\u00bb&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.synod.va\/content\/sinodoamazonico\/pt\/documentos\/exortacao-apostolica-pos-sinodal--querida-amazonia-.html\">Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-Sinodal &#8220;Querida Amazon\u00eda&#8221;<\/a><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=12NlxjUlC8hLJy2os8C5aTu9GqujguCgi\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">INFOGRAFIAS<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2>Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-Sinodal &#8220;Querida Amazon\u00eda&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>EXORTA\u00c7\u00c3O APOST\u00d3LICA P\u00d3S-SINODAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>QUERIDA AMAZONIA<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>DO SANTO PADRE FRANCISCO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>AO POVO DE DEUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>E A TODAS AS PESSOAS DE BOA VONTADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A AMAZ\u00d3NIA QUERIDA apresenta-se aos olhos do mundo com todo o seu esplendor, o seu drama e o seu mist\u00e9rio. Deus concedeu-nos a gra\u00e7a de a termos presente de modo especial no S\u00ednodo que se realizou em Roma de 6 a 27 de outubro de 2019, concluindo com o Documento&nbsp;<em>Amaz\u00f3nia: Novos Caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>O sentido desta Exorta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ouvi as interven\u00e7\u00f5es ao longo do S\u00ednodo e li, com interesse, as contribui\u00e7\u00f5es dos C\u00edrculos Menores. Com esta Exorta\u00e7\u00e3o, quero expressar as resson\u00e2ncias que provocou em mim este percurso de di\u00e1logo e discernimento. Aqui, n\u00e3o vou desenvolver todas as quest\u00f5es amplamente tratadas no Documento conclusivo; n\u00e3o pretendo substitui-lo nem repeti-lo. Desejo apenas oferecer um breve quadro de reflex\u00e3o que encarne na realidade amaz\u00f3nica uma&nbsp;<em>s\u00edntese<\/em>&nbsp;de algumas grandes preocupa\u00e7\u00f5es j\u00e1 manifestadas por mim em documentos anteriores, que ajude e oriente para uma rece\u00e7\u00e3o harmoniosa, criativa e frutuosa de todo o caminho sinodal.<\/p>\n\n\n\n<p>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao mesmo tempo, quero apresentar de maneira oficial o citado Documento, que nos oferece as conclus\u00f5es do S\u00ednodo e no qual colaboraram muitas pessoas que conhecem melhor do que eu e do que a C\u00faria Romana a problem\u00e1tica da Amaz\u00f3nia, porque vivem l\u00e1, por ela sofrem e a amam apaixonadamente. Nesta Exorta\u00e7\u00e3o, preferi n\u00e3o citar o Documento, convidando a l\u00ea-lo integralmente.<\/p>\n\n\n\n<p>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deus queira que toda a Igreja se deixe enriquecer e interpelar por este trabalho, que os pastores, os consagrados, as consagradas e os fi\u00e9is-leigos da Amaz\u00f3nia se empenhem na sua aplica\u00e7\u00e3o e que, de alguma forma, possa inspirar todas as pessoas de boa vontade.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Sonhos para a Amaz\u00f3nia<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Amaz\u00f3nia \u00e9 um todo plurinacional interligado, um grande bioma partilhado por nove pa\u00edses: Brasil, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Equador, Guiana, Per\u00fa, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa. Todavia dirijo esta Exorta\u00e7\u00e3o ao mundo inteiro. Fa\u00e7o-o, por um lado, para ajudar a despertar a estima e solicitude por esta terra, que tamb\u00e9m \u00e9 \u00abnossa\u00bb, convidando-o a admir\u00e1-la e reconhec\u00ea-la como um mist\u00e9rio sagrado; e, por outro, porque a aten\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e0s problem\u00e1ticas deste territ\u00f3rio obriga-nos a retomar brevemente algumas quest\u00f5es que n\u00e3o devemos esquecer e que podem servir de inspira\u00e7\u00e3o para outras regi\u00f5es da terra enfrentarem os seus pr\u00f3prios desafios.<\/p>\n\n\n\n<p>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tudo o que a Igreja oferece deve encarnar-se de maneira original em cada lugar do mundo, para que a Esposa de Cristo adquira rostos multiformes que manifestem melhor a riqueza inesgot\u00e1vel da gra\u00e7a. Deve encarnar-se a prega\u00e7\u00e3o, deve encarnar-se a espiritualidade, devem encarnar-se as estruturas da Igreja. Por isso, nesta breve Exorta\u00e7\u00e3o, ouso humildemente formular quatro grandes sonhos que a Amaz\u00f3nia me inspira:<\/p>\n\n\n\n<p>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<em>Sonho com uma Amaz\u00f3nia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos nativos, dos \u00faltimos, de modo que a sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sonho com uma Amaz\u00f3nia que preserve a riqueza cultural que a carateriza e na qual brilha de maneira t\u00e3o variada a beleza humana.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sonho com uma Amaz\u00f3nia que guarde zelosamente a sedutora beleza natural que a adorna, a vida transbordante que enche os seus rios e as suas florestas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sonho com comunidades crist\u00e3s capazes de se devotar e encarnar de tal modo na Amaz\u00f3nia, que deem \u00e0 Igreja rostos novos com tra\u00e7os amaz\u00f3nicos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3>CAP\u00cdTULO I<\/h3>\n\n\n\n<h3>UM SONHO SOCIAL<\/h3>\n\n\n\n<p>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O nosso \u00e9 o sonho duma Amaz\u00f3nia que integre e promova todos os seus habitantes, para poderem consolidar o \u00abbem viver\u00bb. Mas imp\u00f5e-se um grito prof\u00e9tico e um \u00e1rduo empenho em prol dos mais pobres. Pois, apesar do desastre ecol\u00f3gico que a Amaz\u00f3nia est\u00e1 a enfrentar, deve-se notar que \u00abuma verdadeira abordagem ecol\u00f3gica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justi\u00e7a nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres\u00bb.<sup>[1]<\/sup>&nbsp;N\u00e3o serve um conservacionismo \u00abque se preocupa com o bioma, por\u00e9m ignora os povos amaz\u00f3nicos\u00bb.<sup>[2]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Injusti\u00e7a e crime<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os interesses colonizadores que, legal e ilegalmente, fizeram \u2013 e fazem \u2013 aumentar o corte de madeira e a ind\u00fastria miner\u00e1ria e que foram expulsando e encurralando os povos ind\u00edgenas, ribeirinhos e afrodescendentes, provocam um clamor que brada ao c\u00e9u:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abS\u00e3o muitas as \u00e1rvores&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>onde morou a tortura&nbsp;<br>e vastas as florestas&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>compradas entre mil mortes\u00bb.<sup>[3]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>\u00abOs madeireiros t\u00eam parlamentares&nbsp;&nbsp;<br>e nossa Amaz\u00f3nia n\u00e3o tem quem a defenda (\u2026)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>Mandam em ex\u00edlio os papagaios e os macacos (\u2026)&nbsp;<br>J\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 igual a colheita da castanha\u00bb.<sup>[4]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isto favoreceu os movimentos migrat\u00f3rios mais recentes dos ind\u00edgenas para as periferias das cidades. Aqui n\u00e3o encontram uma real liberta\u00e7\u00e3o dos seus dramas, mas as piores formas de escravid\u00e3o, sujei\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria. Nestas cidades caraterizadas por uma grande desigualdade, onde hoje habita a maior parte da popula\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f3nia, crescem tamb\u00e9m a xenofobia, a explora\u00e7\u00e3o sexual e o tr\u00e1fico de pessoas. Por isso o clamor da Amaz\u00f3nia n\u00e3o brota apenas do cora\u00e7\u00e3o das florestas, mas tamb\u00e9m do interior das suas cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio repetir aqui as an\u00e1lises t\u00e3o abrangentes e completas que foram apresentadas antes e durante o S\u00ednodo. Mas lembremos ao menos uma das vozes ouvidas: \u00abEstamos sendo afetados pelos madeireiros, criadores de gado e outros terceiros. Amea\u00e7ados por agentes econ\u00f3micos que implementam um modelo alheio em nossos territ\u00f3rios. As empresas madeireiras entram no territ\u00f3rio para explorar a floresta, n\u00f3s cuidamos da floresta para nossos filhos, dispomos de carne, pesca, rem\u00e9dios vegetais, \u00e1rvores frut\u00edferas (\u2026). A constru\u00e7\u00e3o de hidroel\u00e9tricas e o projeto de hidrovias t\u00eam impacto sobre o rio e sobre os territ\u00f3rios (\u2026). Somos uma regi\u00e3o de territ\u00f3rios roubados\u00bb.<sup>[5]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; J\u00e1 o meu antecessor, Bento XVI, denunciava \u00aba devasta\u00e7\u00e3o ambiental da Amaz\u00f3nia e as amea\u00e7as \u00e0 dignidade humana das suas popula\u00e7\u00f5es\u00bb.[6] Desejo acrescentar que muitos dramas tiveram a ver com uma falsa \u00abm\u00edstica amaz\u00f3nica\u00bb: \u00e9 sabido que, desde os \u00faltimos dec\u00e9nios do s\u00e9culo passado, a Amaz\u00f3nia tem sido apresentada como um enorme vazio que deve ser preenchido, como uma riqueza em estado bruto que se deve aprimorar, como uma vastid\u00e3o selvagem que precisa de ser domada. E, tudo isto, numa perspetiva que n\u00e3o reconhece os direitos dos povos nativos ou simplesmente os ignora como se n\u00e3o existissem e como se as terras onde habitam n\u00e3o lhes pertencessem. Nos pr\u00f3prios programas educacionais de crian\u00e7as e jovens, os ind\u00edgenas apareciam como intrusos ou usurpadores. As suas vidas e preocupa\u00e7\u00f5es, a sua maneira de lutar e sobreviver n\u00e3o interessavam, considerando-os mais como um obst\u00e1culo de que nos temos de livrar do que como seres humanos com a mesma dignidade que qualquer outro e com direitos adquiridos.<\/p>\n\n\n\n<p>13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para aumentar esta confus\u00e3o, contribu\u00edram alguns slogans, nomeadamente o de \u00abn\u00e3o entregar\u00bb,<sup>[7]<\/sup>&nbsp;como se a citada sujei\u00e7\u00e3o fosse provocada apenas por pa\u00edses estrangeiros, quando os pr\u00f3prios poderes locais, com a desculpa do progresso, fizeram parte de alian\u00e7as com o objetivo de devastar, de maneira impune e indiscriminada, a floresta com as formas de vida que abriga. Os povos nativos viram muitas vezes, impotentes, a destrui\u00e7\u00e3o do ambiente natural que lhes permitia alimentar-se, curar-se, sobreviver e conservar um estilo de vida e uma cultura que lhes dava identidade e sentido. A disparidade de poder \u00e9 enorme, os fracos n\u00e3o t\u00eam recursos para se defender, enquanto o vencedor continua a levar tudo, \u00abos povos pobres ficam sempre pobres e os ricos tornam-se cada vez mais ricos\u00bb.<sup>[8]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>14.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c0s opera\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, nacionais ou internacionais, que danificam a Amaz\u00f3nia e n\u00e3o respeitam o direito dos povos nativos ao territ\u00f3rio e sua demarca\u00e7\u00e3o, \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e ao consentimento pr\u00e9vio, h\u00e1 que rotul\u00e1-las com o nome devido:&nbsp;<em>injusti\u00e7a e crime<\/em>. Quando algumas empresas sedentas de lucro f\u00e1cil se apropriam dos terrenos, chegando a privatizar a pr\u00f3pria \u00e1gua pot\u00e1vel, ou quando as autoridades deixam m\u00e3o livre a madeireiros, a projetos miner\u00e1rios ou petrol\u00edferos e outras atividades que devastam as florestas e contaminam o ambiente, transformam-se indevidamente as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e tornam-se um instrumento que mata. \u00c9 usual lan\u00e7ar m\u00e3o de recursos desprovidos de qualquer \u00e9tica, como penalizar os protestos e mesmo tirar a vida aos ind\u00edgenas que se oponham aos projetos, provocar intencionalmente inc\u00eandios florestais, ou subornar pol\u00edticos e os pr\u00f3prios nativos. A acompanhar tudo isto, temos graves viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos e novas escravid\u00f5es que atingem especialmente as mulheres, a praga do narcotr\u00e1fico que procura submeter os ind\u00edgenas, ou o tr\u00e1fico de pessoas que se aproveita daqueles que foram expulsos de seu contexto cultural. N\u00e3o podemos permitir que a globaliza\u00e7\u00e3o se transforme num \u00abnovo tipo de colonialismo\u00bb.<sup>[9]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Indignar-se e pedir perd\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>15.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 preciso indignar-se,<sup>[10]<\/sup>&nbsp;como se indignou Mois\u00e9s (cf.&nbsp;<em>Ex<\/em>&nbsp;11, 8), como Se indignava Jesus (cf.&nbsp;<em>Mc<\/em>&nbsp;3, 5), como Se indigna Deus perante a injusti\u00e7a (cf.&nbsp;<em>Am<\/em>&nbsp;2, 4-8; 5, 7-12;&nbsp;<em>Sal<\/em>&nbsp;106\/105, 40). N\u00e3o \u00e9 salutar habituarmo-nos ao mal; faz-nos mal permitir que nos anestesiem a consci\u00eancia social, enquanto \u00abum rasto de delapida\u00e7\u00e3o, inclusive de morte, por toda a nossa regi\u00e3o, (\u2026) coloca em perigo a vida de milh\u00f5es de pessoas, em especial do habitat dos camponeses e ind\u00edgenas\u00bb.<sup>[11]<\/sup>&nbsp;Os casos de injusti\u00e7a e crueldade verificados na Amaz\u00f3nia, ainda durante o s\u00e9culo passado, deveriam gerar uma profunda repulsa e ao mesmo tempo tornar-nos mais sens\u00edveis para tamb\u00e9m reconhecer formas atuais de explora\u00e7\u00e3o humana, viol\u00eancia e morte. Por exemplo, a prop\u00f3sito do passado vergonhoso, recolhamos uma narra\u00e7\u00e3o dos sofrimentos dos ind\u00edgenas da \u00e9poca da borracha na Amaz\u00f3nia venezuelana: \u00abOs nativos n\u00e3o recebiam dinheiro, mas apenas mercadorias, e caras, que nunca acabavam de pagar. (&#8230;) Pagava, mas diziam ao ind\u00edgena: \u201cAinda est\u00e1s a dever tanto\u201d e o ind\u00edgena tinha que voltar a trabalhar (&#8230;). Mais de vinte aldeias ye\u2019kuana foram completamente arrasadas. As mulheres ye\u2019kuana foram violadas e seus seios cortados; as gr\u00e1vidas desventradas. Aos homens, cortavam-lhes os dedos das m\u00e3os ou os pulsos, para n\u00e3o poderem navegar (&#8230;), juntamente com outras cenas do sadismo mais absurdo\u00bb.<sup>[12]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>16.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta hist\u00f3ria de sofrimento e desprezo n\u00e3o se cura facilmente. E a coloniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o para; embora em muitos lugares se transforme, disfarce e dissimule,<sup>[13]<\/sup>&nbsp;todavia n\u00e3o perde a sua prepot\u00eancia contra a vida dos pobres e a fragilidade do meio ambiente. Os bispos da Amaz\u00f3nia brasileira recordaram que \u00aba hist\u00f3ria da Amaz\u00f3nia revela que foi sempre uma minoria que lucrava \u00e0 custa da pobreza da maioria e da depreda\u00e7\u00e3o sem escr\u00fapulos das riquezas naturais da regi\u00e3o, d\u00e1diva divina para os povos que aqui vivem h\u00e1 mil\u00e9nios e os migrantes que chegaram ao longo dos s\u00e9culos passados\u00bb.<sup>[14]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>17.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao mesmo tempo que nos deixamos tomar por uma s\u00e3 indigna\u00e7\u00e3o, lembremo-nos de que sempre \u00e9 poss\u00edvel superar as diferentes mentalidades de coloniza\u00e7\u00e3o para construir redes de solidariedade e desenvolvimento: \u00abo desafio \u00e9 assegurar uma globaliza\u00e7\u00e3o na solidariedade, uma globaliza\u00e7\u00e3o sem marginaliza\u00e7\u00e3o\u00bb.<sup>[15]<\/sup>&nbsp;Podem-se encontrar alternativas de pecu\u00e1ria e agricultura sustent\u00e1veis, de energias que n\u00e3o poluem, de fontes dignas de trabalho que n\u00e3o impliquem a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente e das culturas. Simultaneamente \u00e9 preciso garantir, para os ind\u00edgenas e os mais pobres, uma educa\u00e7\u00e3o adequada que desenvolva as suas capacidades e empoderamento. \u00c9 precisamente nestes objetivos que se mede a verdadeira sol\u00e9rcia e a genu\u00edna capacidade dos pol\u00edticos. N\u00e3o servir\u00e1 para devolver aos mortos a vida que lhes foi negada, nem para compensar os sobreviventes daqueles massacres, mas ao menos para hoje sermos todos realmente humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>18.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Anima-nos recordar que, no meio dos graves excessos da coloniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f3nia, cheia de \u00abcontradi\u00e7\u00f5es e lacera\u00e7\u00f5es\u00bb,<sup>[16]<\/sup>&nbsp;muitos mission\u00e1rios chegaram l\u00e1 com o Evangelho, deixando os seus pa\u00edses e aceitando uma vida austera e desafiadora junto dos mais desprotegidos. Sabemos que nem todos foram exemplares, mas o trabalho de quantos se mantiveram fi\u00e9is ao Evangelho tamb\u00e9m inspirou \u00abuma legisla\u00e7\u00e3o, como as Leis das \u00cdndias, que protegiam a dignidade dos ind\u00edgenas contra as viola\u00e7\u00f5es de seus povos e territ\u00f3rios\u00bb.<sup>[17]<\/sup>&nbsp;E dado que frequentemente eram os sacerdotes que protegiam os ind\u00edgenas de ladr\u00f5es e abusadores, aqueles \u00abpediam-nos insistentemente \u2013 contam os mission\u00e1rios \u2013 que n\u00e3o os abandon\u00e1ssemos e faziam-nos prometer que voltar\u00edamos novamente\u00bb.<sup>[18]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>19.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E, nos dias de hoje, a Igreja n\u00e3o pode estar menos comprometida, chamada como est\u00e1 a ouvir os clamores dos povos amaz\u00f3nicos, \u00abpara poder exercer com transpar\u00eancia o seu papel prof\u00e9tico\u00bb.[19] Entretanto como n\u00e3o podemos negar que o joio se misturou com o trigo, pois os mission\u00e1rios nem sempre estiveram do lado dos oprimidos, deploro-o e mais uma vez \u00abpe\u00e7o humildemente perd\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 pelas ofensas da pr\u00f3pria Igreja, mas tamb\u00e9m pelos crimes contra os povos nativos durante a chamada conquista da Am\u00e9rica\u00bb<sup>[20]<\/sup>&nbsp;e pelos crimes atrozes que se seguiram ao longo de toda a hist\u00f3ria da Amaz\u00f3nia. Aos membros dos povos nativos, agrade\u00e7o e digo novamente que, \u00abcom a vossa vida, sois um grito lan\u00e7ado \u00e0 consci\u00eancia (\u2026). V\u00f3s sois mem\u00f3ria viva da miss\u00e3o que Deus nos confiou a todos: cuidar da Casa Comum\u00bb.<sup>[21]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Sentido comunit\u00e1rio<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>20.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A luta social implica capacidade de fraternidade, um esp\u00edrito de comunh\u00e3o humana. Ent\u00e3o, sem diminuir a import\u00e2ncia da liberdade pessoal, ressalta-se que os povos nativos da Amaz\u00f3nia possuem um forte sentido comunit\u00e1rio. Vivem assim \u00abo trabalho, o descanso, os relacionamentos humanos, os ritos e as celebra\u00e7\u00f5es. Tudo \u00e9 compartilhado, os espa\u00e7os particulares \u2013 t\u00edpicos da modernidade \u2013 s\u00e3o m\u00ednimos. A vida \u00e9 um caminho comunit\u00e1rio onde as tarefas e as responsabilidades se dividem e compartilham em fun\u00e7\u00e3o do bem comum. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a ideia de indiv\u00edduo separado da comunidade ou de seu territ\u00f3rio\u00bb.<sup>[22]<\/sup>&nbsp;Estas rela\u00e7\u00f5es humanas est\u00e3o impregnadas pela natureza circundante, porque a sentem e percebem como uma realidade que integra a sua sociedade e cultura, como um prolongamento do seu corpo pessoal, familiar e de grupo:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abAquele luzeiro se aproxima&nbsp;<br>revolteiam os beija-flores&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>mais do que a cascata troa meu cora\u00e7\u00e3o&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>com esses teus l\u00e1bios regarei a terra&nbsp;&nbsp;<br>possa o vento jogar em n\u00f3s\u00bb.<sup>[23]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>21.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isto multiplica o efeito desintegrador do desenraizamento que vivem os ind\u00edgenas for\u00e7ados a emigrar para a cidade, procurando sobreviver, por vezes de forma n\u00e3o digna, no meio dos costumes urbanos mais individualistas e dum ambiente hostil. Como sanar um dano t\u00e3o grave? Como reconstruir estas vidas desenraizadas? \u00c0 vista desta realidade, \u00e9 preciso valorizar e acompanhar todos os esfor\u00e7os que fazem muitos destes grupos para preservar os seus valores e estilo de vida e integrar-se nos contextos novos sem os perder, antes pelo contr\u00e1rio oferecendo-os como uma pr\u00f3pria contribui\u00e7\u00e3o para o bem comum.<\/p>\n\n\n\n<p>22.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cristo redimiu o ser humano inteiro e deseja recompor em cada um a sua capacidade de se relacionar com os outros. O Evangelho prop\u00f5e a caridade divina que brota do Cora\u00e7\u00e3o de Cristo e gera uma busca da justi\u00e7a que \u00e9 inseparavelmente um canto de fraternidade e solidariedade, um est\u00edmulo \u00e0 cultura do encontro. A sabedoria do estilo de vida dos povos nativos \u2013 mesmo com todos os limites que possa ter \u2013 estimula-nos a aprofundar tal anseio. Por esta raz\u00e3o, os bispos do Equador solicitaram \u00abum novo sistema social e cultural que privilegie as rela\u00e7\u00f5es fraternas, num quadro de reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o das diferentes culturas e dos ecossistemas, capaz de se opor a todas as formas de discrimina\u00e7\u00e3o e dom\u00ednio entre os seres humanos\u00bb.<sup>[24]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Institui\u00e7\u00f5es degradadas<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>23.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na Enc\u00edclica&nbsp;<em>Laudato si\u2019<\/em>, lembramos que, \u00abse tudo est\u00e1 relacionado, tamb\u00e9m o estado de sa\u00fade das institui\u00e7\u00f5es duma sociedade tem consequ\u00eancias no ambiente e na qualidade de vida humana (\u2026). Dentro de cada um dos n\u00edveis sociais e entre eles, desenvolvem-se as institui\u00e7\u00f5es que regulam as rela\u00e7\u00f5es humanas. Tudo o que as danifica comporta efeitos nocivos, como a perda da liberdade, a injusti\u00e7a e a viol\u00eancia. V\u00e1rios pa\u00edses s\u00e3o governados por um sistema institucional prec\u00e1rio, \u00e0 custa do sofrimento do povo\u00bb.<sup>[25]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>24.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como est\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es da sociedade civil na Amaz\u00f3nia? O&nbsp;<em>Instrumentum laboris<\/em>&nbsp;do S\u00ednodo, que re\u00fane muitas contribui\u00e7\u00f5es de pessoas e grupos da Amaz\u00f3nia, refere-se a \u00abuma cultura que envenena o Estado e suas institui\u00e7\u00f5es, permeando todos os estratos sociais, inclusive as comunidades ind\u00edgenas. Trata-se de um verdadeiro flagelo moral; como resultado, perde-se a confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es e em seus representantes, o que desacredita totalmente a pol\u00edtica e as organiza\u00e7\u00f5es sociais. Os povos amaz\u00f3nicos n\u00e3o s\u00e3o alheios \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e tornam-se suas principais v\u00edtimas\u00bb.<sup>[26]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>25.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o podemos excluir que membros da Igreja tenham feito parte das redes de corrup\u00e7\u00e3o, por vezes chegando ao ponto de aceitar manter sil\u00eancio em troca de ajudas econ\u00f3micas para as obras eclesiais. Por isso mesmo, chegaram ao S\u00ednodo propostas que convidavam a \u00abprestar uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 proced\u00eancia de doa\u00e7\u00f5es ou outro tipo de benef\u00edcios, assim como aos investimentos realizados pelas institui\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas ou pelos crist\u00e3os\u00bb.<sup>[27]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Di\u00e1logo social<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>26.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Amaz\u00f3nia deveria ser tamb\u00e9m um local de di\u00e1logo social, especialmente entre os diferentes povos nativos, para encontrar formas de comunh\u00e3o e luta conjunta. Os demais, somos chamados a participar como \u00abconvidados\u00bb, procurando com o m\u00e1ximo respeito encontrar vias de encontro que enrique\u00e7am a Amaz\u00f3nia. Mas, se queremos dialogar, devemos come\u00e7ar pelos \u00faltimos. Estes n\u00e3o s\u00e3o apenas um interlocutor que \u00e9 preciso convencer, nem mais um que est\u00e1 sentado a uma mesa de iguais. Mas s\u00e3o os principais interlocutores, dos quais primeiro devemos aprender, a quem temos de escutar por um dever de justi\u00e7a e a quem devemos pedir autoriza\u00e7\u00e3o para poder apresentar as nossas propostas. A sua palavra, as suas esperan\u00e7as, os seus receios deveriam ser a voz mais forte em qualquer mesa de di\u00e1logo sobre a Amaz\u00f3nia. E a grande quest\u00e3o \u00e9: Como imaginam eles o \u00abbem viver\u00bb para si e seus descendentes?<\/p>\n\n\n\n<p>27.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O di\u00e1logo n\u00e3o se deve limitar a privilegiar a op\u00e7\u00e3o preferencial pela defesa dos pobres, marginalizados e exclu\u00eddos, mas h\u00e1 de tamb\u00e9m respeit\u00e1-los como protagonistas. Trata-se de reconhecer o outro e apreci\u00e1-lo \u00abcomo outro\u00bb, com a sua sensibilidade, as suas op\u00e7\u00f5es mais \u00edntimas, o seu modo de viver e trabalhar. Caso contr\u00e1rio, o resultado ser\u00e1, como sempre, \u00abum projeto de poucos para poucos\u00bb,<sup>[28]<\/sup>&nbsp;quando n\u00e3o \u00abum consenso de escrit\u00f3rio ou uma paz ef\u00e9mera para uma minoria feliz\u00bb.<sup>[29]<\/sup>&nbsp;Se tal acontecer, \u00ab\u00e9 necess\u00e1ria uma voz prof\u00e9tica\u00bb[30] e, como crist\u00e3os, somos chamados a faz\u00ea-la ouvir.<\/p>\n\n\n\n<p>Daqui nasce o sonho sucessivo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h3>CAP\u00cdTULO II<\/h3>\n\n\n\n<h3>UM SONHO CULTURAL<\/h3>\n\n\n\n<p>28.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O objetivo \u00e9 promover a Amaz\u00f3nia; isto, por\u00e9m, n\u00e3o implica coloniz\u00e1-la culturalmente, mas fazer de modo que ela pr\u00f3pria tire fora o melhor de si mesma. Tal \u00e9 o sentido da melhor obra educativa: cultivar sem desenraizar, fazer crescer sem enfraquecer a identidade, promover sem invadir. Assim como h\u00e1 potencialidades na natureza que se poderiam perder para sempre, o mesmo pode acontecer com culturas portadoras duma mensagem ainda n\u00e3o escutada e que est\u00e3o amea\u00e7adas hoje mais do que nunca.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>O poliedro amaz\u00f3nico&gt;<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>29.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na Amaz\u00f3nia, vivem muitos povos e nacionalidades, sendo mais de cento e dez os povos ind\u00edgenas em isolamento volunt\u00e1rio (<em>PIAV<\/em>).<sup>[31]<\/sup>&nbsp;A sua situa\u00e7\u00e3o \u00e9 fragil\u00edssima; e muitos sentem que s\u00e3o os \u00faltimos deposit\u00e1rios dum tesouro destinado a desaparecer, como se lhes fosse permitido sobreviver apenas sem perturbar, enquanto avan\u00e7a a coloniza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-moderna. Temos que evitar de os considerar como \u00abselvagens n\u00e3o-civilizados\u00bb; simplesmente criaram culturas diferentes e outras formas de civiliza\u00e7\u00e3o, que antigamente registaram um n\u00edvel not\u00e1vel de desenvolvimento.<sup>[32]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>30.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Antes da coloniza\u00e7\u00e3o, os centros habitados concentravam-se nas margens dos rios e lagos, mas o avan\u00e7o da coloniza\u00e7\u00e3o expulsou os antigos habitantes para o interior da floresta. Hoje, a crescente desertifica\u00e7\u00e3o obriga a novas desloca\u00e7\u00f5es muitos, que acabam por ocupar as periferias ou as cal\u00e7adas das cidades por vezes numa situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria extrema, mas tamb\u00e9m de dilacera\u00e7\u00e3o interior devido \u00e0 perda dos valores que os sustentavam. Neste contexto, habitualmente perdem os pontos de refer\u00eancia e as ra\u00edzes culturais que lhes conferiam uma identidade e um sentido de dignidade e v\u00e3o alongar a fila dos descartados. Assim interrompe-se a transmiss\u00e3o cultural duma sabedoria que, durante s\u00e9culos, foi passando de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. As cidades, que deveriam ser lugares de encontro, enriquecimento m\u00fatuo e fecunda\u00e7\u00e3o entre diferentes culturas, tornam-se palco dum doloroso descarte.<\/p>\n\n\n\n<p>31.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cada povo, que conseguiu sobreviver na Amaz\u00f3nia, possui a sua pr\u00f3pria identidade cultural e uma riqueza \u00fanica num universo multicultural, em virtude da estreita rela\u00e7\u00e3o que os habitantes estabelecem com o meio circundante, numa simbiose \u2013 de tipo n\u00e3o determinista \u2013 dif\u00edcil de entender com esquemas mentais alheios:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abHavia outrora uma paisagem que despontava com seu rio,<br>seus animais, suas nuvens e suas \u00e1rvores.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>\u00c0s vezes, por\u00e9m, quando n\u00e3o se via em lado nenhum&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>a paisagem com seu rio e suas \u00e1rvores,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>competia a tais coisas assomar \u00e0 mente dum<br>garotinho\u00bb.<sup>[33]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>\u00abDo rio, fazes o teu sangue (\u2026).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>Depois planta-te,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>germina e cresce&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>que tua raiz&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>se agarre \u00e0 terra&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>mais e mais para sempre&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>e, por \u00faltimo,&nbsp;<br>s\u00ea canoa,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>barco, jangada,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>solo, jarra,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>est\u00e1bulo e homem\u00bb.<sup>[34]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>32.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os grupos humanos, seus estilos de vida e cosmovis\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o variados como o territ\u00f3rio, pois tiveram que se adaptar \u00e0 geografia e aos seus recursos. N\u00e3o s\u00e3o iguais as aldeias de pescadores \u00e0s de ca\u00e7adores, nem as aldeias de agricultores do interior \u00e0s dos cultivadores de terras sujeitas a inunda\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, na Amaz\u00f3nia, encontram-se milhares de comunidades de ind\u00edgenas, afrodescendentes, ribeirinhos e habitantes das cidades que, por sua vez, s\u00e3o muito diferentes entre si e abrigam uma grande diversidade humana. Deus manifesta-Se, reflete algo da sua beleza inesgot\u00e1vel atrav\u00e9s dum territ\u00f3rio e das suas carater\u00edsticas, pelo que os diferentes grupos, numa s\u00edntese vital com o ambiente circundante, desenvolvem uma forma peculiar de sabedoria. Quantos de n\u00f3s observamos de fora dever\u00edamos evitar generaliza\u00e7\u00f5es injustas, discursos simplistas ou conclus\u00f5es elaboradas apenas a partir das nossas pr\u00f3prias estruturas mentais e experi\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Cuidar das ra\u00edzes<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>33.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quero lembrar agora que \u00aba vis\u00e3o consumista do ser humano, incentivada pelos mecanismos da economia globalizada atual, tende a homogeneizar as culturas e a debilitar a imensa variedade cultural, que \u00e9 um tesouro da humanidade\u00bb.<sup>[35]<\/sup>&nbsp;Isto afeta muito os jovens, quando se tende a \u00abdissolver as diferen\u00e7as pr\u00f3prias do seu lugar de origem, transform\u00e1-los em sujeitos manipul\u00e1veis feitos em s\u00e9rie\u00bb.<sup>[36]<\/sup>&nbsp;Para evitar esta din\u00e2mica de empobrecimento humano, \u00e9 preciso amar as ra\u00edzes e cuidar delas, porque s\u00e3o \u00abum ponto de enraizamento que nos permite crescer e responder aos novos desafios\u00bb.<sup>[37]<\/sup>&nbsp;Convido os jovens da Amaz\u00f3nia, especialmente os ind\u00edgenas, a \u00abassumir as ra\u00edzes, pois das ra\u00edzes prov\u00e9m a for\u00e7a que [os] far\u00e1 crescer, florescer e frutificar\u00bb.<sup>[38]<\/sup>&nbsp;Para quantos deles s\u00e3o batizados, incluem-se nestas ra\u00edzes a hist\u00f3ria do povo de Israel e da Igreja at\u00e9 ao dia de hoje. Conhec\u00ea-las \u00e9 uma fonte de alegria e sobretudo de esperan\u00e7a que inspira a\u00e7\u00f5es v\u00e1lidas e corajosas.<\/p>\n\n\n\n<p>34.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Durante s\u00e9culos, os povos amaz\u00f3nicos transmitiram a sua sabedoria cultural, oralmente, atrav\u00e9s de mitos, lendas, narra\u00e7\u00f5es, como sucedia com \u00abaqueles primitivos jograis que percorriam as florestas contando hist\u00f3rias de aldeia em aldeia, mantendo assim viva uma comunidade que, sem o cord\u00e3o umbilical destas hist\u00f3rias, a dist\u00e2ncia e a falta de comunica\u00e7\u00e3o teriam fragmentado e dissolvido\u00bb.<sup>[39]<\/sup>&nbsp;Por isso, \u00e9 importante \u00abdeixar que os idosos contem longas hist\u00f3rias\u00bb<sup>[40]<\/sup>&nbsp;e que os jovens se detenham a beber desta fonte.<\/p>\n\n\n\n<p>35.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enquanto o risco de perder esta riqueza cultural \u00e9 cada vez maior, nos \u00faltimos anos \u2013 gra\u00e7as a Deus \u2013 alguns povos come\u00e7aram a escrever para contar as suas hist\u00f3rias e descrever o significado dos seus costumes. Assim, eles pr\u00f3prios podem reconhecer explicitamente que h\u00e1 algo mais do que uma identidade \u00e9tnica e que s\u00e3o deposit\u00e1rios de preciosas mem\u00f3rias pessoais, familiares e coletivas. Alegra-me ver aqueles que perderam o contacto com as suas ra\u00edzes tentarem recuperar a mem\u00f3ria danificada. Por outro lado, nos pr\u00f3prios setores profissionais, come\u00e7ou a desenvolver-se uma maior perce\u00e7\u00e3o da identidade amaz\u00f3nica, tornando-se a Amaz\u00f3nia \u2013 mesmo para eles, muitas vezes descendentes de imigrantes \u2013 fonte de inspira\u00e7\u00e3o art\u00edstica, liter\u00e1ria, musical, cultural. As v\u00e1rias express\u00f5es art\u00edsticas, particularmente a poesia, deixaram-se inspirar pela \u00e1gua, a floresta, a vida que se agita, bem como pela diversidade cultural e os desafios ecol\u00f3gicos e sociais.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Encontro intercultural<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>36.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As culturas da Amaz\u00f3nia profunda, como ali\u00e1s toda a realidade cultural, t\u00eam as suas limita\u00e7\u00f5es; as culturas urbanas do Ocidente tamb\u00e9m as t\u00eam. Fatores, como o consumismo, o individualismo, a discrimina\u00e7\u00e3o, a desigualdade e muitos outros, constituem aspetos fr\u00e1geis das culturas aparentemente mais evolu\u00eddas. As etnias que desenvolveram um tesouro cultural em conex\u00e3o com a natureza, com forte sentido comunit\u00e1rio, apercebem-se facilmente das nossas sombras, que n\u00e3o reconhecemos no meio do suposto progresso. Assim, far-nos-\u00e1 bem recolher a sua experi\u00eancia da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>37.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 a partir das nossas ra\u00edzes que nos sentamos \u00e0 mesa comum, lugar de di\u00e1logo e de esperan\u00e7as compartilhadas. Deste modo a diferen\u00e7a, que pode ser uma bandeira ou uma fronteira, transforma-se numa ponte. A identidade e o di\u00e1logo n\u00e3o s\u00e3o inimigos. A pr\u00f3pria identidade cultural aprofunda-se e enriquece-se no di\u00e1logo com os que s\u00e3o diferentes, e o modo aut\u00eantico de a conservar n\u00e3o \u00e9 um isolamento que empobrece. Por isso, n\u00e3o \u00e9 minha inten\u00e7\u00e3o propor um indigenismo completamente fechado, a-hist\u00f3rico, est\u00e1tico, que se negue a toda e qualquer forma de mesti\u00e7agem. Uma cultura pode tornar-se est\u00e9ril, quando \u00abse fecha em si pr\u00f3pria e procura perpetuar formas antiquadas de vida, recusando qualquer mudan\u00e7a e confronto com a verdade do homem\u00bb.<sup>[41]<\/sup>&nbsp;Isto poderia parecer pouco realista, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil proteger-se da invas\u00e3o cultural. Por isso, cuidar dos valores culturais dos grupos ind\u00edgenas deveria ser interesse de todos, porque a sua riqueza \u00e9 tamb\u00e9m a nossa. Se n\u00e3o progredirmos nesta dire\u00e7\u00e3o de corresponsabilidade pela diversidade que embeleza a nossa humanidade, n\u00e3o se pode pretender que os grupos do interior da floresta se abram ingenuamente \u00e0 \u00abciviliza\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>38.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na Amaz\u00f3nia, mesmo entre os distintos povos nativos, \u00e9 poss\u00edvel desenvolver \u00abrela\u00e7\u00f5es interculturais onde a diversidade n\u00e3o significa amea\u00e7a, n\u00e3o justifica hierarquias de um poder sobre os outros, mas sim di\u00e1logo a partir de vis\u00f5es culturais diferentes, de celebra\u00e7\u00e3o, de inter-relacionamento e de reavivamento da esperan\u00e7a\u00bb.<sup>[42]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Culturas amea\u00e7adas, povos em risco<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>39.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A economia globalizada danifica despudoradamente a riqueza humana, social e cultural. A desintegra\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, que resulta das migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, afeta a transmiss\u00e3o dos valores, porque \u00aba fam\u00edlia \u00e9, e sempre foi, a institui\u00e7\u00e3o social que mais contribuiu para manter vivas as nossas culturas\u00bb.<sup>[43]<\/sup>&nbsp;Al\u00e9m disso, \u00abdiante duma invas\u00e3o colonizadora maci\u00e7a dos meios de comunica\u00e7\u00e3o\u00bb, \u00e9 necess\u00e1rio promover para os povos nativos \u00abcomunica\u00e7\u00f5es alternativas, a partir das suas pr\u00f3prias l\u00ednguas e culturas\u00bb, e que \u00abos pr\u00f3prios ind\u00edgenas se fa\u00e7am protagonistas presentes nos meios de comunica\u00e7\u00e3o j\u00e1 existentes\u00bb.<sup>[44]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>40.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em qualquer projeto para a Amaz\u00f3nia, \u00ab\u00e9 preciso assumir a perspetiva dos direitos dos povos e das culturas, dando assim provas de compreender que o desenvolvimento dum grupo social (&#8230;) requer constantemente o protagonismo dos atores sociais locais a partir da sua pr\u00f3pria cultura. Nem mesmo a no\u00e7\u00e3o da qualidade de vida se pode impor, mas deve ser entendida dentro do mundo de s\u00edmbolos e h\u00e1bitos pr\u00f3prios de cada grupo humano\u00bb.<sup>[45]<\/sup>&nbsp;E se as culturas ancestrais dos povos nativos nasceram e se desenvolveram em estreito contacto com o ambiente natural circundante, dificilmente podem ficar ilesas quando se deteriora este ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto abre passagem ao sonho sucessivo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h3>CAP\u00cdTULO III<\/h3>\n\n\n\n<h3>UM SONHO ECOL\u00d3GICO<\/h3>\n\n\n\n<p>41.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Numa realidade cultural como a Amaz\u00f3nia, onde existe uma rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o estreita do ser humano com a natureza, a vida di\u00e1ria \u00e9 sempre c\u00f3smica. Libertar os outros das suas escravid\u00f5es implica certamente cuidar do seu meio ambiente e defend\u00ea-lo<sup>[46]<\/sup>&nbsp;e \u2013 mais importante ainda \u2013 ajudar o cora\u00e7\u00e3o do homem a abrir-se confiadamente \u00e0quele Deus que n\u00e3o s\u00f3 criou tudo o que existe, mas tamb\u00e9m Se nos deu a Si mesmo em Jesus Cristo. O Senhor, que primeiro cuida de n\u00f3s, ensina-nos a cuidar dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s e do ambiente que Ele nos d\u00e1 de prenda cada dia. Esta \u00e9 a primeira ecologia que precisamos. Na Amaz\u00f3nia, compreendem-se melhor as palavras de Bento XVI, quando dizia que, \u00abao lado da ecologia da natureza, existe uma ecologia que podemos designar \u201chumana\u201d, a qual, por sua vez, requer uma \u201cecologia social\u201d. E isto requer que a humanidade (\u2026) tome consci\u00eancia cada vez mais das liga\u00e7\u00f5es existentes entre a ecologia natural, ou seja, o respeito pela natureza, e a ecologia humana\u00bb.<sup>[47]<\/sup>&nbsp;Esta insist\u00eancia em que \u00abtudo est\u00e1 interligado\u00bb<sup>[48]<\/sup>&nbsp;vale especialmente para um territ\u00f3rio como a Amaz\u00f3nia.<\/p>\n\n\n\n<p>42.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se o cuidado das pessoas e o cuidado dos ecossistemas s\u00e3o insepar\u00e1veis, isto torna-se particularmente significativo l\u00e1 onde \u00aba floresta n\u00e3o \u00e9 um recurso para explorar, \u00e9 um ser ou v\u00e1rios seres com os quais se relacionar\u00bb.<sup>[49]<\/sup>&nbsp;A sabedoria dos povos nativos da Amaz\u00f3nia \u00abinspira o cuidado e o respeito pela cria\u00e7\u00e3o, com clara consci\u00eancia dos seus limites, proibindo o seu abuso. Abusar da natureza significa abusar dos antepassados, dos irm\u00e3os e irm\u00e3s, da cria\u00e7\u00e3o e do Criador, hipotecando o futuro\u00bb.<sup>[50]<\/sup>&nbsp;Os ind\u00edgenas, \u00abquando permanecem nos seus territ\u00f3rios, s\u00e3o quem melhor os cuidam\u00bb,<sup>[51]<\/sup>&nbsp;desde que n\u00e3o se deixem enredar pelos cantos das sereias e pelas ofertas interesseiras de grupos de poder. Os danos \u00e0 natureza preocupam-nos, de maneira muito direta e palp\u00e1vel, porque \u2013 dizem eles \u2013 \u00absomos \u00e1gua, ar, terra e vida do meio ambiente criado por Deus. Por conseguinte, pedimos que cessem os maus-tratos e o exterm\u00ednio da \u201cM\u00e3e Terra\u201d. A terra tem sangue e est\u00e1 sangrando, as multinacionais cortaram as veias da nossa \u201cM\u00e3e Terra\u201d\u00bb.<sup>[52]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Esse sonho feito de \u00e1gua<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>43.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na Amaz\u00f3nia, a \u00e1gua \u00e9 a rainha; rios e c\u00f3rregos lembram veias, e toda a forma de vida brota dela: \u00abAli, no pleno dos estios quentes, quando se diluem, mortas nos ares parados, as \u00faltimas lufadas de leste, o term\u00f3metro \u00e9 substitu\u00eddo pelo higr\u00f3metro na defini\u00e7\u00e3o do clima. As exist\u00eancias derivam numa alternativa dolorosa de vazantes e enchentes dos grandes rios. Estas alteiam-se sempre de um modo assombrador. O Amazonas referto salta fora do leito, levanta em poucos dias o n\u00edvel das \u00e1guas. A enchente \u00e9 uma paragem na vida. Preso nas malhas dos igarap\u00e9s, o homem aguarda, ent\u00e3o, com estoicismo raro ante a fatalidade incoerc\u00edvel, o termo daquele inverno paradoxal, de temperaturas altas. A vazante \u00e9 o ver\u00e3o. \u00c9 a revivesc\u00eancia da atividade rudimentar dos que ali se agitam, do \u00fanico modo compat\u00edvel com uma natureza que se excede em manifesta\u00e7\u00f5es dispares tornando imposs\u00edvel a continuidade de quaisquer esfor\u00e7os\u00bb.<sup>[53]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>44.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A \u00e1gua encanta no grande Amazonas, que abra\u00e7a e vivifica tudo ao seu redor:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abAmazonas,&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>capital das s\u00edlabas d&#8217;\u00e1gua,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>pai patriarca, \u00e9s&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>a eternidade secreta&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>das fecunda\u00e7\u00f5es,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>chegam-te rios como p\u00e1ssaros\u00bb.<sup>[54]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>45.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso \u00e9 a coluna vertebral que harmoniza e une: \u00abO rio n\u00e3o nos separa; mas une-nos, ajudando-nos a conviver entre diferentes culturas e l\u00ednguas\u00bb.<sup>[55]<\/sup>&nbsp;Embora seja verdade que, neste territ\u00f3rio, h\u00e1 muitas \u00abAmaz\u00f3nias\u00bb, o seu eixo principal \u00e9 o grande rio, filho de muitos rios: \u00abDa altura extrema da cordilheira, onde as neves s\u00e3o eternas, a \u00e1gua se desprende, e tra\u00e7a tr\u00e9mula um risco na pele antiga da pedra: o Amazonas acaba de nascer. A cada instante ele nasce. Desce devagar, para crescer no ch\u00e3o. Varando verdes, faz o seu caminho e se acrescenta. Aguas subterr\u00e2neas afloram para abra\u00e7ar-se com a \u00e1gua que desceu dos Andes. De mais alto ainda, desce a \u00e1gua celeste. Reunidas elas avan\u00e7am, multiplicadas em infinitos caminhos, banhando a imensa plan\u00edcie (&#8230;). \u00c9 a Grande Amaz\u00f3nia, toda ela no tr\u00f3pico h\u00famido, com a sua floresta compacta e atordoante, onde ainda palpita, intocada pelo homem, a vida que se foi urdindo nas intimidades da \u00e1gua (&#8230;). Desde que o homem a habita, ergue-se das funduras das suas \u00e1guas e dos altos centros de sua floresta um terr\u00edvel temor: a de que essa vida esteja, devagarinho, tomando o rumo do fim\u00bb.<sup>[56]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>46.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os poetas populares, enamorados da sua imensa beleza, procuraram expressar o que este rio lhes fazia sentir e a vida que ele oferece \u00e0 sua passagem, com uma dan\u00e7a de delfins, anacondas, \u00e1rvores e canoas. Mas lamentam tamb\u00e9m os perigos que a amea\u00e7am. Estes poetas, contemplativos e prof\u00e9ticos, ajudam a libertar-nos do paradigma tecnocr\u00e1tico e consumista que sufoca a natureza e nos deixa sem uma exist\u00eancia verdadeiramente digna: \u00abSofre o mundo da transforma\u00e7\u00e3o dos p\u00e9s em borracha, das pernas em couro, do corpo em pano e da cabe\u00e7a em a\u00e7o (&#8230;). Sofre o mundo da transforma\u00e7\u00e3o da p\u00e1 em fuzil, do arado em tanque de guerra, da imagem do semeador que semeia na do aut\u00f3mato com seu lan\u00e7a-chamas, de cuja sementeira brotam solid\u00f5es. A esse mundo, s\u00f3 a poesia poder\u00e1 salvar, e a humildade diante da sua voz\u00bb.<sup>[57]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>O grito da Amaz\u00f3nia<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>47.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A poesia ajuda a expressar uma dolorosa sensa\u00e7\u00e3o que muitos compartilhamos hoje. A verdade inelud\u00edvel \u00e9 que, nas condi\u00e7\u00f5es atuais, com este modo de tratar a Amaz\u00f3nia, tanta riqueza de vida e de t\u00e3o grande beleza est\u00e3o \u00abtomando o rumo do fim\u00bb, embora muitos pretendam continuar a crer que tudo vai bem, como se nada acontecesse:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abAqueles que pensavam que o rio fosse uma corda para<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;jogar, enganavam-se.<br>O rio \u00e9 uma veia muito subtil sobre a face da terra. (\u2026)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>O rio \u00e9 uma corda onde se agarram os animais e as \u00e1rvores.<br>Se o puxarem demais, o rio poderia rebentar.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>Poderia explodir e lavar-nos a cara com a \u00e1gua e com o sangue\u00bb.<sup>[58]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>48.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O equil\u00edbrio da terra depende tamb\u00e9m da sa\u00fade da Amaz\u00f3nia. Juntamente com os biomas do Congo e do Born\u00e9u, deslumbra pela diversidade das suas florestas, das quais dependem tamb\u00e9m os ciclos das chuvas, o equil\u00edbrio do clima e uma grande variedade de seres vivos. Funciona como um grande filtro do di\u00f3xido de carbono, que ajuda a evitar o aquecimento da terra. Em grande parte, o solo \u00e9 pobre em h\u00famus, de modo que a floresta \u00abcresce realmente sobre o solo e n\u00e3o do solo\u00bb.<sup>[59]<\/sup>&nbsp;Quando se elimina a floresta, esta n\u00e3o \u00e9 substitu\u00edda, ficando um terreno com poucos nutrientes que se transforma num territ\u00f3rio des\u00e9rtico ou pobre em vegeta\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 grave, porque, nas entranhas da floresta amaz\u00f3nica, subsistem in\u00fameros recursos que poderiam ser indispens\u00e1veis para a cura de doen\u00e7as. Os seus peixes, frutos e outros dons sobreabundantes enriquecem a alimenta\u00e7\u00e3o humana. Al\u00e9m disso, num ecossistema como o amaz\u00f3nico, \u00e9 incontest\u00e1vel a import\u00e2ncia de cada parte para a conserva\u00e7\u00e3o do todo. As pr\u00f3prias terras costeiras e a vegeta\u00e7\u00e3o marinha precisam de ser fertilizadas por aquilo que o rio Amazonas arrasta. O grito da Amaz\u00f3nia chega a todos, porque a \u00abconquista e explora\u00e7\u00e3o de recursos (&#8230;) hoje chega a amea\u00e7ar a pr\u00f3pria capacidade acolhedora do ambiente: o ambiente como \u201crecurso\u201d corre o perigo de amea\u00e7ar o ambiente como \u201ccasa\u201d\u00bb.<sup>[60]<\/sup>&nbsp;O interesse de algumas empresas poderosas n\u00e3o deveria ser colocado acima do bem da Amaz\u00f3nia e da humanidade inteira.<\/p>\n\n\n\n<p>49.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o basta prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies mais vis\u00edveis em risco de extin\u00e7\u00e3o. \u00c9 crucial ter em conta que, \u00abpara o bom funcionamento dos ecossistemas, tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rios os fungos, as algas, os vermes, os pequenos insetos, os r\u00e9pteis e a variedade inumer\u00e1vel de micro-organismos. Algumas esp\u00e9cies pouco numerosas, que habitualmente nos passam despercebidas, desempenham uma fun\u00e7\u00e3o cens\u00f3ria fundamental para estabelecer o equil\u00edbrio dum lugar\u00bb.<sup>[61]<\/sup>&nbsp;E isto facilmente se ignora na avalia\u00e7\u00e3o do impacto ambiental dos projetos econ\u00f3micos de ind\u00fastrias extrativas, energ\u00e9ticas, madeireiras e outras que destroem e poluem. Al\u00e9m disso a \u00e1gua, que abunda na Amaz\u00f3nia, \u00e9 um bem essencial para a sobreviv\u00eancia humana, mas as fontes de polui\u00e7\u00e3o v\u00e3o aumentando cada vez mais.<sup>[62]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>50.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, al\u00e9m dos interesses econ\u00f3micos de empres\u00e1rios e pol\u00edticos locais, existem tamb\u00e9m \u00abos enormes interesses econ\u00f3micos internacionais\u00bb.<sup>[63]<\/sup>&nbsp;Por isso, a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 numa \u00abinternacionaliza\u00e7\u00e3o\u00bb da Amaz\u00f3nia,<sup>[64]<\/sup>&nbsp;mas a responsabilidade dos governos nacionais torna-se mais grave. Pela mesma raz\u00e3o, \u00ab\u00e9 louv\u00e1vel a tarefa de organismos internacionais e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que sensibilizam as popula\u00e7\u00f5es e colaboram de forma cr\u00edtica, inclusive utilizando leg\u00edtimos sistemas de press\u00e3o, para que cada governo cumpra o dever pr\u00f3prio e n\u00e3o-deleg\u00e1vel de preservar o meio ambiente e os recursos naturais do seu pa\u00eds, sem se vender a esp\u00farios interesses locais ou internacionais\u00bb.<sup>[65]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>51.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para cuidar da Amaz\u00f3nia, \u00e9 bom conjugar a sabedoria ancestral com os conhecimentos t\u00e9cnicos contempor\u00e2neos, mas procurando sempre intervir no territ\u00f3rio de forma sustent\u00e1vel, preservando ao mesmo tempo o estilo de vida e os sistemas de valores dos habitantes.<sup>[66]<\/sup>&nbsp;A estes, especialmente aos povos nativos, cabe receber, para al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, a informa\u00e7\u00e3o completa e transparente dos projetos, com a sua amplitude, os seus efeitos e riscos, para poderem confrontar esta informa\u00e7\u00e3o com os seus interesses e com o pr\u00f3prio conhecimento do local e, assim, dar ou negar o seu consentimento ou ent\u00e3o propor alternativas.<sup>[67]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>52.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os mais poderosos nunca ficam satisfeitos com os lucros que obt\u00eam, e os recursos do poder econ\u00f3mico t\u00eam aumentado muito com o desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico. Por isso, todos dever\u00edamos insistir na urg\u00eancia de \u00abcriar um sistema normativo que inclua limites inviol\u00e1veis e assegure a prote\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, antes que as novas formas de poder derivadas do paradigma tecno-econ\u00f3mico acabem por arras\u00e1-los n\u00e3o s\u00f3 com a pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m com a liberdade e a justi\u00e7a\u00bb.<sup>[68]<\/sup>&nbsp;Se a chamada por Deus exige uma escuta atenta do grito dos pobres e ao mesmo tempo da terra,<sup>[69]<\/sup>&nbsp;para n\u00f3s \u00abo grito da Amaz\u00f3nia ao Criador \u00e9 semelhante ao grito do Povo de Deus no Egito (cf.&nbsp;<em>Ex<\/em>&nbsp;3, 7). \u00c9 um grito desde a escravid\u00e3o e o abandono, que clama por liberdade\u00bb.<sup>[70]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>A profecia da contempla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>53.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Muitas vezes deixamos que a consci\u00eancia se torne insens\u00edvel, porque \u00aba constante distra\u00e7\u00e3o nos tira a coragem de advertir a realidade dum mundo limitado e finito\u00bb.<sup>[71]<\/sup>&nbsp;Se nos detivermos na superf\u00edcie, pode parecer \u00abque as coisas n\u00e3o estejam assim t\u00e3o graves e que o planeta poderia subsistir ainda por muito tempo nas condi\u00e7\u00f5es atuais. Este comportamento evasivo serve-nos para mantermos os nossos estilos de vida, de produ\u00e7\u00e3o e consumo. \u00c9 a forma como o ser humano se organiza para alimentar todos os v\u00edcios autodestrutivos: tenta n\u00e3o os ver, luta para n\u00e3o os reconhecer, adia as decis\u00f5es importantes, age como se nada tivesse acontecido\u00bb.<sup>[72]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>54.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m de tudo isso, quero lembrar que cada uma das diferentes esp\u00e9cies tem valor em si mesma. Ora, \u00abanualmente, desaparecem milhares de esp\u00e9cies vegetais e animais, que j\u00e1 n\u00e3o poderemos conhecer, que os nossos filhos n\u00e3o poder\u00e3o ver, perdidas para sempre. A grande maioria delas extingue-se por raz\u00f5es que t\u00eam a ver com alguma atividade humana. Por nossa causa, milhares de esp\u00e9cies j\u00e1 n\u00e3o dar\u00e3o gl\u00f3ria a Deus com a sua exist\u00eancia, nem poder\u00e3o comunicar-nos a sua pr\u00f3pria mensagem. N\u00e3o temos direito de o fazer\u00bb.<sup>[73]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>55.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aprendendo com os povos nativos, podemos&nbsp;<em>contemplar<\/em>&nbsp;a Amaz\u00f3nia, e n\u00e3o apenas analis\u00e1-la, para reconhecer esse precioso mist\u00e9rio que nos supera; podemos&nbsp;<em>am\u00e1-la<\/em>, e n\u00e3o apenas us\u00e1-la, para que o amor desperte um interesse profundo e sincero; mais ainda, podemos&nbsp;<em>sentir-nos intimamente unidos a ela<\/em>, e n\u00e3o s\u00f3 defend\u00ea-la: e ent\u00e3o a Amaz\u00f3nia tornar-se-\u00e1 nossa como uma m\u00e3e. Porque se \u00abcontempla o mundo, n\u00e3o como algu\u00e9m que est\u00e1 fora dele, mas dentro, reconhecendo os la\u00e7os com que o Pai nos uniu a todos os seres\u00bb.<sup>[74]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>56.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Despertemos o sentido est\u00e9tico e contemplativo que Deus colocou em n\u00f3s e que, \u00e0s vezes, deixamos atrofiar. Lembremo-nos de que, \u00abquando n\u00e3o se aprende a parar a fim de admirar e apreciar o que \u00e9 belo, n\u00e3o surpreende que tudo se transforme em objeto de uso e abuso sem escr\u00fapulos\u00bb.<sup>[75]<\/sup>&nbsp;Pelo contr\u00e1rio, se entrarmos em comunh\u00e3o com a floresta, facilmente a nossa voz se unir\u00e1 \u00e0 dela e transformar-se-\u00e1 em ora\u00e7\u00e3o: \u00abDeitados \u00e0 sombra dum velho eucalipto, a nossa ora\u00e7\u00e3o de luz mergulha no canto da folhagem eterna\u00bb.<sup>[76]<\/sup>&nbsp;Tal convers\u00e3o interior \u00e9 que nos permitir\u00e1 chorar pela Amaz\u00f3nia e gritar com ela diante do Senhor.<\/p>\n\n\n\n<p>57.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jesus disse: \u00abN\u00e3o se vendem cinco passarinhos por duas pequeninas moedas? Contudo, nenhum deles passa despercebido diante de Deus\u00bb (<em>Lc<\/em>&nbsp;12, 6). Deus Pai, que criou com infinito amor cada ser do universo, chama-nos a ser seus instrumentos para escutar o grito da Amaz\u00f3nia. Se acudirmos a este clamor angustiado, tornar-se-\u00e1 manifesto que as criaturas da Amaz\u00f3nia n\u00e3o foram esquecidas pelo Pai do c\u00e9u. Segundo os crist\u00e3os, o pr\u00f3prio Jesus nos chama a partir delas, \u00abporque o Ressuscitado as envolve misteriosamente e guia para um destino de plenitude. As pr\u00f3prias flores do campo e as aves que Ele, admirado, contemplou com os seus olhos humanos, agora est\u00e3o cheias da sua presen\u00e7a luminosa\u00bb.<sup>[77]<\/sup>&nbsp;Por todas estas raz\u00f5es, n\u00f3s, os crentes, encontramos na Amaz\u00f3nia um lugar teol\u00f3gico, um espa\u00e7o onde o pr\u00f3prio Deus Se manifesta e chama os seus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Educa\u00e7\u00e3o e h\u00e1bitos ecol\u00f3gicos<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>58.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, podemos dar mais um passo e lembrar que uma ecologia integral n\u00e3o se d\u00e1 por satisfeita com ajustar quest\u00f5es t\u00e9cnicas ou com decis\u00f5es pol\u00edticas, jur\u00eddicas e sociais. A grande ecologia sempre inclui um aspeto educativo, que provoca o desenvolvimento de novos h\u00e1bitos nas pessoas e nos grupos humanos. Infelizmente, muitos habitantes da Amaz\u00f3nia adquiriram costumes pr\u00f3prios das grandes cidades, onde j\u00e1 est\u00e3o muito enraizados o consumismo e a cultura do descarte. N\u00e3o haver\u00e1 uma ecologia s\u00e3 e sustent\u00e1vel, capaz de transformar seja o que for, se n\u00e3o mudarem as pessoas, se n\u00e3o forem incentivadas a adotar outro estilo de vida, menos voraz, mais sereno, mais respeitador, menos ansioso, mais fraterno.<\/p>\n\n\n\n<p>59.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De facto, \u00abquanto mais vazio est\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o da pessoa, tanto mais necessita de objetos para comprar, possuir e consumir. Em tal contexto, parece n\u00e3o ser poss\u00edvel, para uma pessoa, aceitar que a realidade lhe assinale limites; (\u2026) n\u00e3o pensemos s\u00f3 na possibilidade de terr\u00edveis fen\u00f3menos clim\u00e1ticos ou de grandes desastres naturais, mas tamb\u00e9m nas cat\u00e1strofes resultantes de crises sociais, porque a obsess\u00e3o por um estilo de vida consumista, sobretudo quando poucos t\u00eam possibilidades de o manter, s\u00f3 poder\u00e1 provocar viol\u00eancia e destrui\u00e7\u00e3o rec\u00edproca\u00bb.<sup>[78]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>60.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Igreja, com a sua longa experi\u00eancia espiritual, a sua consci\u00eancia renovada sobre o valor da cria\u00e7\u00e3o, a sua preocupa\u00e7\u00e3o com a justi\u00e7a, a sua op\u00e7\u00e3o pelos \u00faltimos, a sua tradi\u00e7\u00e3o educativa e a sua hist\u00f3ria de encarna\u00e7\u00e3o em culturas t\u00e3o diferentes de todo o mundo, deseja, por sua vez, prestar a sua contribui\u00e7\u00e3o para o cuidado e o crescimento da Amaz\u00f3nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso d\u00e1 lugar ao novo sonho, que pretendo partilhar mais diretamente com os pastores e os fi\u00e9is cat\u00f3licos.<\/p>\n\n\n\n<h3>CAP\u00cdTULO IV<\/h3>\n\n\n\n<h3>UM SONHO ECLESIAL<\/h3>\n\n\n\n<p>61.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Igreja \u00e9 chamada a caminhar com os povos da Amaz\u00f3nia. Na Am\u00e9rica Latina, esta caminhada teve express\u00f5es privilegiadas, como a Confer\u00eancia dos Bispos em Medell\u00edn (1968) e a sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 Amaz\u00f3nia em Santar\u00e9m (1972);<sup>[79]<\/sup>&nbsp;e, depois, em Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007). O caminho continua e o trabalho mission\u00e1rio, se quiser desenvolver uma Igreja com rosto amaz\u00f3nico, precisa de crescer numa cultura do encontro rumo a uma \u00abharmonia pluriforme\u00bb.<sup>[80]<\/sup>&nbsp;Mas, para tornar poss\u00edvel esta encarna\u00e7\u00e3o da Igreja e do Evangelho, deve ressoar incessantemente o grande an\u00fancio mission\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>O an\u00fancio indispens\u00e1vel na Amaz\u00f3nia<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>62.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Perante tantas necessidades e ang\u00fastias que clamam do cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f3nia, \u00e9 poss\u00edvel responder a partir de organiza\u00e7\u00f5es sociais, recursos t\u00e9cnicos, espa\u00e7os de debate, programas pol\u00edticos\u2026 e tudo isso pode fazer parte da solu\u00e7\u00e3o. Mas, como crist\u00e3os, n\u00e3o renunciamos \u00e0 proposta de f\u00e9 que recebemos do Evangelho. Embora queiramos empenhar-nos lado a lado com todos, n\u00e3o nos envergonhamos de Jesus Cristo. Para quantos O encontraram, vivem na sua amizade e se identificam com a sua mensagem, \u00e9 inevit\u00e1vel falar d\u2019Ele e levar aos outros a sua proposta de vida nova: \u00abAi de mim, se eu n\u00e3o evangelizar!\u00bb (<em>1 Cor<\/em>&nbsp;9, 16).<\/p>\n\n\n\n<p>63.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A aut\u00eantica op\u00e7\u00e3o pelos mais pobres e abandonados, ao mesmo tempo que nos impele a libert\u00e1-los da mis\u00e9ria material e defender os seus direitos, implica propor-lhes a amizade com o Senhor que os promove e dignifica. Seria triste se recebessem de n\u00f3s um c\u00f3digo de doutrinas ou um imperativo moral, mas n\u00e3o o grande an\u00fancio salv\u00edfico, aquele grito mission\u00e1rio que visa o cora\u00e7\u00e3o e d\u00e1 sentido a todo o resto. Nem podemos contentar-nos com uma mensagem social. Se dermos a vida por eles, pela justi\u00e7a e a dignidade que merecem, n\u00e3o podemos ocultar-lhes que o fazemos porque reconhecemos Cristo neles e porque descobrimos a imensa dignidade a eles concedida por Deus Pai que os ama infinitamente.<\/p>\n\n\n\n<p>64.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eles t\u00eam direito ao an\u00fancio do Evangelho, sobretudo \u00e0quele primeiro an\u00fancio que se chama querigma e \u00ab\u00e9 o an\u00fancio principal, aquele que sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar duma forma ou doutra\u00bb.<sup>[81]<\/sup>&nbsp;\u00c9 o an\u00fancio de um Deus que ama infinitamente cada ser humano, que manifestou plenamente este amor em Cristo crucificado por n\u00f3s e ressuscitado na nossa vida. Proponho voltar a ler um breve resumo deste conte\u00fado no cap\u00edtulo IV da Exorta\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>Christus vivit<\/em>. Este an\u00fancio deve ressoar constantemente na Amaz\u00f3nia, expresso em muitas modalidades distintas. Sem este an\u00fancio apaixonado, cada estrutura eclesial transformar-se-\u00e1 em mais uma ONG e, assim, n\u00e3o responderemos ao pedido de Jesus Cristo: \u00abIde pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura\u00bb (<em>Mc<\/em>&nbsp;16, 15).<\/p>\n\n\n\n<p>65.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Qualquer proposta de amadurecimento na vida crist\u00e3 precisa de ter este an\u00fancio como eixo permanente, porque \u00abtoda a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9, primariamente, o aprofundamento do querigma que se vai, cada vez mais e melhor, fazendo carne\u00bb.<sup>[82]<\/sup>&nbsp;A rea\u00e7\u00e3o fundamental a este an\u00fancio, quando o mesmo consegue provocar um encontro pessoal com o Senhor, \u00e9 a caridade fraterna, aquele \u00abmandamento novo que \u00e9 o primeiro, o maior, o que melhor nos identifica como disc\u00edpulos\u00bb.<sup>[83]<\/sup>&nbsp;Deste modo, o querigma e o amor fraterno constituem a grande s\u00edntese de todo o conte\u00fado do Evangelho, que n\u00e3o se pode deixar de propor na Amaz\u00f3nia. \u00c9 o que viveram grandes evangelizadores da Am\u00e9rica Latina como S\u00e3o Tor\u00edbio de Mogrovejo ou S\u00e3o Jos\u00e9 de Anchieta.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>A incultura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>66.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao mesmo tempo que anuncia sem cessar o querigma, a Igreja deve crescer na Amaz\u00f3nia. Para isso, n\u00e3o para de moldar a sua pr\u00f3pria identidade na escuta e di\u00e1logo com as pessoas, realidades e hist\u00f3rias do territ\u00f3rio. Desta forma, ir-se-\u00e1 desenvolvendo cada vez mais um processo necess\u00e1rio de incultura\u00e7\u00e3o, que nada despreza do bem que j\u00e1 existe nas culturas amaz\u00f3nicas, mas recebe-o e leva-o \u00e0 plenitude \u00e0 luz do Evangelho.<sup>[84]<\/sup>&nbsp;E tamb\u00e9m n\u00e3o despreza a riqueza de sabedoria crist\u00e3 transmitida ao longo dos s\u00e9culos, como se pretendesse ignorar a hist\u00f3ria na qual Deus operou de v\u00e1rias maneiras, porque a Igreja possui um rosto pluriforme, vista \u00abn\u00e3o s\u00f3 da perspetiva espacial (\u2026), mas tamb\u00e9m da sua realidade temporal\u00bb.<sup>[85]<\/sup>&nbsp;Trata-se da Tradi\u00e7\u00e3o aut\u00eantica da Igreja, que n\u00e3o \u00e9 um dep\u00f3sito est\u00e1tico nem uma pe\u00e7a de museu, mas a raiz duma \u00e1rvore que cresce.<sup>[86]<\/sup>&nbsp;\u00c9 a Tradi\u00e7\u00e3o milenar que testemunha a a\u00e7\u00e3o divina no seu povo e cuja \u00abmiss\u00e3o \u00e9 mais a de manter vivo o fogo, do que conservar as suas cinzas\u00bb.<sup>[87]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>67.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II ensinou que a Igreja, ao apresentar a sua proposta evang\u00e9lica, \u00abn\u00e3o pretende negar a autonomia da cultura. Antes pelo contr\u00e1rio, nutre por ela o maior respeito\u00bb, porque a cultura \u00abn\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sujeito de reden\u00e7\u00e3o e de eleva\u00e7\u00e3o; mas pode ter tamb\u00e9m um papel de media\u00e7\u00e3o e de colabora\u00e7\u00e3o\u00bb.<sup>[88]<\/sup>&nbsp;E, dirigindo-se aos ind\u00edgenas do Continente Americano, lembrou que \u00abuma f\u00e9 que n\u00e3o se torna cultura \u00e9 uma f\u00e9 n\u00e3o de modo pleno acolhida, n\u00e3o inteiramente pensada, nem com fidelidade vivida\u00bb.<sup>[89]<\/sup>&nbsp;Os desafios das culturas convidam a Igreja a uma \u00abatitude de prudente sentido cr\u00edtico, mas tamb\u00e9m de aten\u00e7\u00e3o e confian\u00e7a\u00bb.<sup>[90]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>68.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vale a pena lembrar aqui o que afirmei na Exorta\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>Evangelii gaudium<\/em>&nbsp;a prop\u00f3sito da incultura\u00e7\u00e3o: esta baseia-se na convic\u00e7\u00e3o de que \u00aba gra\u00e7a sup\u00f5e a cultura, e o dom de Deus encarna-se na cultura de quem o recebe\u00bb.<sup>[91]<\/sup>&nbsp;Notemos que isto implica um duplo movimento: por um lado, uma din\u00e2mica de fecunda\u00e7\u00e3o que permite expressar o Evangelho num lugar concreto, pois \u00abquando uma comunidade acolhe o an\u00fancio da salva\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito Santo fecunda a sua cultura com a for\u00e7a transformadora do Evangelho\u00bb;<sup>[92]<\/sup>&nbsp;por outro, a pr\u00f3pria Igreja vive um caminho de rece\u00e7\u00e3o, que a enriquece com aquilo que o Esp\u00edrito j\u00e1 tinha misteriosamente semeado naquela cultura. Assim, \u00abo Esp\u00edrito Santo embeleza a Igreja, mostrando-lhe novos aspetos da Revela\u00e7\u00e3o e presenteando-a com um novo rosto\u00bb.<sup>[93]<\/sup>&nbsp;Trata-se, em \u00faltima inst\u00e2ncia, de permitir e incentivar a que o an\u00fancio do Evangelho inexaur\u00edvel, comunicado \u00abcom categorias pr\u00f3prias da cultura onde \u00e9 anunciado, provoque uma nova s\u00edntese com essa cultura\u00bb.<sup>[94]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>69.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por isso, \u00abcomo podemos ver na hist\u00f3ria da Igreja, o cristianismo n\u00e3o disp\u00f5e de um \u00fanico modelo cultural\u00bb<sup>[95]<\/sup>&nbsp;e \u00abn\u00e3o faria justi\u00e7a \u00e0 l\u00f3gica da encarna\u00e7\u00e3o pensar num cristianismo monocultural e monoc\u00f3rdico\u00bb.<sup>[96]<\/sup>&nbsp;Entretanto, o risco dos evangelizadores que chegam a um lugar \u00e9 julgar que devem n\u00e3o s\u00f3 comunicar o Evangelho, mas tamb\u00e9m a cultura em que cresceram, esquecendo que n\u00e3o se trata de \u00abimpor uma determinada forma cultural, por mais bela e antiga que seja\u00bb.<sup>[97]<\/sup>&nbsp;\u00c9 necess\u00e1rio aceitar corajosamente a novidade do Esp\u00edrito capaz de criar sempre algo de novo com o tesouro inesgot\u00e1vel de Jesus Cristo, porque \u00aba incultura\u00e7\u00e3o empenha a Igreja num caminho dif\u00edcil mas necess\u00e1rio\u00bb.<sup>[98]<\/sup>&nbsp;\u00c9 verdade que, \u00abembora estes processos sejam sempre lentos, \u00e0s vezes o medo paralisa-nos demasiado\u00bb e acabamos como \u00abespectadores duma estagna\u00e7\u00e3o est\u00e9ril da Igreja\u00bb.<sup>[99]<\/sup>&nbsp;N\u00e3o tenhamos medo, n\u00e3o cortemos as asas ao Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Caminhos de incultura\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f3nia<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>70.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para conseguir uma renovada incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho na Amaz\u00f3nia, a Igreja precisa de escutar a sua sabedoria ancestral, voltar a dar voz aos idosos, reconhecer os valores presentes no estilo de vida das comunidades nativas, recuperar a tempo as preciosas narra\u00e7\u00f5es dos povos. Na Amaz\u00f3nia, j\u00e1 recebemos riquezas que prov\u00eam das culturas pr\u00e9-colombianas, tais \u00abcomo a abertura \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus, o sentido da gratid\u00e3o pelos frutos da terra, o car\u00e1ter sagrado da vida humana e a valoriza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, o sentido de solidariedade e a corresponsabilidade no trabalho comum, a import\u00e2ncia do cultual, a cren\u00e7a em uma vida para al\u00e9m da terrena e tantos outros valores\u00bb.<sup>[100]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>71.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Neste contexto, os povos ind\u00edgenas da Amaz\u00f3nia expressam a aut\u00eantica qualidade de vida como um \u00abbem viver\u00bb, que implica uma harmonia pessoal, familiar, comunit\u00e1ria e c\u00f3smica e manifesta-se no seu modo comunit\u00e1rio de conceber a exist\u00eancia, na capacidade de encontrar alegria e plenitude numa vida austera e simples, bem como no cuidado respons\u00e1vel da natureza que preserva os recursos para as gera\u00e7\u00f5es futuras. Os povos abor\u00edgenes podem ajudar-nos a descobrir o que \u00e9 uma sobriedade feliz e, nesta linha, \u00abt\u00eam muito para nos ensinar\u00bb.<sup>[101]<\/sup>&nbsp;Sabem ser felizes com pouco, gozam dos pequenos dons de Deus sem acumular tantas coisas, n\u00e3o destroem sem necessidade, preservam os ecossistemas e reconhecem que a terra, ao mesmo tempo que se oferece para sustentar a sua vida, como uma fonte generosa, tem um sentido materno que suscita respeitosa ternura. Tudo isto deve ser valorizado e recebido na evangeliza\u00e7\u00e3o.<sup>[102]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>72.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enquanto lutamos por eles e com eles, somos chamados \u00aba ser seus amigos, a escut\u00e1-los, a compreend\u00ea-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar atrav\u00e9s deles\u00bb.<sup>[103]<\/sup>&nbsp;Os habitantes das cidades precisam de apreciar esta sabedoria e deixar-se \u00abreeducar\u00bb quanto ao consumismo ansioso e ao isolamento urbano. A pr\u00f3pria Igreja pode ser um ve\u00edculo capaz de ajudar esta recupera\u00e7\u00e3o cultural numa v\u00e1lida s\u00edntese com o an\u00fancio do Evangelho. Al\u00e9m disso, torna-se instrumento de caridade, na medida em que as comunidades urbanas forem n\u00e3o apenas mission\u00e1rias no seu ambiente, mas tamb\u00e9m acolhedoras dos pobres que chegam do interior acossados pela mis\u00e9ria. \u00c9-o, igualmente, na medida em que as comunidades estiverem pr\u00f3ximas dos jovens migrantes para os ajudarem a integrar-se na cidade sem cair nas suas redes de degrada\u00e7\u00e3o. Tais a\u00e7\u00f5es eclesiais, que brotam do amor, s\u00e3o caminhos valiosos dentro dum processo de incultura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>73.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas, a incultura\u00e7\u00e3o eleva e d\u00e1 plenitude. Sem d\u00favida, h\u00e1 que apreciar esta espiritualidade ind\u00edgena da interconex\u00e3o e interdepend\u00eancia de todo o criado, espiritualidade de gratuidade que ama a vida como dom, espiritualidade de sacra admira\u00e7\u00e3o perante a natureza que nos cumula com tanta vida. Apesar disso, trata-se tamb\u00e9m de conseguir que esta rela\u00e7\u00e3o com Deus presente no cosmos se torne cada vez mais uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com um \u00abTu\u00bb, que sustenta a pr\u00f3pria realidade e lhe quer dar um sentido, um \u00abTu\u00bb que nos conhece e ama:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abFlutuam sombras de mim, madeiras mortas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>Mas a estrela nasce sem censura&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>sobre as m\u00e3os deste menino, especialistas&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>que conquistam as \u00e1guas e a noite.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>Bastar-me-\u00e1 saber&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>que Tu me conheces&nbsp;&nbsp;<br>inteiramente, ainda antes dos meus dias\u00bb.<sup>[104]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>74.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De igual modo, a rela\u00e7\u00e3o com Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, libertador e redentor, n\u00e3o \u00e9 inimiga desta vis\u00e3o do mundo marcadamente c\u00f3smica que carateriza estes povos, porque Ele \u00e9 tamb\u00e9m o Ressuscitado que penetra todas as coisas.<sup>[105]<\/sup>&nbsp;Segundo a experi\u00eancia crist\u00e3, \u00abtodas as criaturas do universo material encontram o seu verdadeiro sentido no Verbo encarnado, porque o Filho de Deus incorporou na sua pessoa parte do universo material, onde introduziu um g\u00e9rmen de transforma\u00e7\u00e3o definitiva\u00bb.<sup>[106]<\/sup>&nbsp;Ele est\u00e1, gloriosa e misteriosamente, presente no rio, nas \u00e1rvores, nos peixes, no vento, enquanto \u00e9 o Senhor que reina sobre a cria\u00e7\u00e3o sem perder as suas chagas transfiguradas e, na Eucaristia, assume os elementos do mundo dando a cada um o sentido do dom pascal.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Incultura\u00e7\u00e3o social e espiritual<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>75.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta incultura\u00e7\u00e3o, atendendo \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de pobreza e abandono de tantos habitantes da Amaz\u00f3nia, dever\u00e1 necessariamente ter um timbre marcadamente social e caraterizar-se por uma defesa firme dos direitos humanos, fazendo resplandecer o rosto de Cristo que \u00abquis, com ternura especial, identificar-Se com os mais fr\u00e1geis e pobres\u00bb.<sup>[107]<\/sup>&nbsp;Pois, \u00aba partir do cora\u00e7\u00e3o do Evangelho, reconhecemos a conex\u00e3o \u00edntima que existe entre evangeliza\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o humana\u00bb,[108] e isto exige das comunidades crist\u00e3s um claro empenho com o Reino de justi\u00e7a na promo\u00e7\u00e3o dos descartados. Para isso, \u00e9 sumamente importante uma adequada forma\u00e7\u00e3o dos agentes pastorais na doutrina social da Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>76.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao mesmo tempo, a incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho na Amaz\u00f3nia deve integrar melhor a dimens\u00e3o social com a espiritual, para que os mais pobres n\u00e3o tenham necessidade de ir buscar fora da Igreja uma espiritualidade que d\u00ea resposta aos anseios da sua dimens\u00e3o transcendente. Naturalmente, n\u00e3o se trata duma religiosidade alienante ou individualista que fa\u00e7a calar as exig\u00eancias sociais duma vida mais digna, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se trata de mutilar a dimens\u00e3o transcendente e espiritual como se bastasse ao ser humano o desenvolvimento material. Isto convida-nos n\u00e3o s\u00f3 a combinar as duas coisas, mas tamb\u00e9m a lig\u00e1-las intimamente. Deste modo resplandecer\u00e1 a verdadeira beleza do Evangelho, que \u00e9 plenamente humanizadora, d\u00e1 plena dignidade \u00e0s pessoas e aos povos, cumula o cora\u00e7\u00e3o e a vida inteira.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Pontos de partida para uma santidade amaz\u00f3nica<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>77.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim poder\u00e3o nascer testemunhos de santidade com rosto amaz\u00f3nico, que n\u00e3o sejam c\u00f3pias de modelos doutros lugares, santidade feita de encontro e dedica\u00e7\u00e3o, de contempla\u00e7\u00e3o e servi\u00e7o, de solid\u00e3o acolhedora e vida comum, de jubilosa sobriedade e luta pela justi\u00e7a. Chega-se a esta santidade \u00abcada um por seu caminho\u00bb,<sup>[109]<\/sup>&nbsp;e isto aplica-se tamb\u00e9m aos povos, onde a gra\u00e7a se encarna e brilha com tra\u00e7os distintivos. Imaginemos uma santidade com tra\u00e7os amaz\u00f3nicos, chamada a interpelar a Igreja universal.<\/p>\n\n\n\n<p>78.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um processo de incultura\u00e7\u00e3o, que implica caminhos n\u00e3o s\u00f3 individuais, mas tamb\u00e9m comunit\u00e1rios, exige um amor ao povo cheio de respeito e compreens\u00e3o. Em boa parte da Amaz\u00f3nia, este processo j\u00e1 come\u00e7ou. H\u00e1 mais de quarenta anos, os bispos da Amaz\u00f3nia do Per\u00fa assinalavam que, em muitos dos grupos presentes naquela regi\u00e3o, \u00abo sujeito de evangeliza\u00e7\u00e3o, modelado por uma cultura pr\u00f3pria, multiforme e mut\u00e1vel, est\u00e1 inicialmente evangelizado\u00bb, pois possui \u00abcertos tra\u00e7os de catolicismo popular que, embora num primeiro tempo talvez tenham sido promovidos por agentes pastorais, atualmente s\u00e3o uma realidade que o povo assumiu e at\u00e9 mudou o seu significado transmitindo-os de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o\u00bb.<sup>[110]<\/sup>&nbsp;N\u00e3o nos apressemos a qualificar como supersti\u00e7\u00e3o ou paganismo certas express\u00f5es religiosas que nascem, espontaneamente, da vida do povo. Antes, \u00e9 necess\u00e1rio saber reconhecer o trigo que cresce no meio do joio, porque, \u00abna piedade popular, pode-se captar a modalidade em que a f\u00e9 recebida se encarnou numa cultura e continua a transmitir-se\u00bb.<sup>[111]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>79.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 poss\u00edvel receber, de alguma forma, um s\u00edmbolo ind\u00edgena sem o qualificar necessariamente como idol\u00e1trico. Um mito denso de sentido espiritual pode ser valorizado, sem continuar a consider\u00e1-lo um extravio pag\u00e3o. Algumas festas religiosas cont\u00eam um significado sagrado e s\u00e3o espa\u00e7os de reuni\u00e3o e fraternidade, embora se exija um lento processo de purifica\u00e7\u00e3o e matura\u00e7\u00e3o. Um verdadeiro mission\u00e1rio procura descobrir as aspira\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas que passam atrav\u00e9s das manifesta\u00e7\u00f5es religiosas, \u00e0s vezes imperfeitas, parciais ou equivocadas, e tenta dar-lhes resposta a partir duma espiritualidade inculturada.<\/p>\n\n\n\n<p>80.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ser\u00e1, sem d\u00favida, uma espiritualidade centrada no \u00fanico Deus e Senhor, mas ao mesmo tempo capaz de entrar em contacto com as necessidades di\u00e1rias das pessoas que procuram uma vida digna, querem gozar as coisas belas da exist\u00eancia, encontrar a paz e a harmonia, resolver as crises familiares, curar as suas doen\u00e7as, ver os seus filhos crescerem felizes. O pior perigo seria afast\u00e1-los do encontro com Cristo, apresentando-O como um inimigo da alegria ou como algu\u00e9m que \u00e9 indiferente \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es e ang\u00fastias humanas.<sup>[112]<\/sup>&nbsp;Hoje \u00e9 indispens\u00e1vel mostrar que a santidade n\u00e3o priva as pessoas de \u00abfor\u00e7as, vida e alegria\u00bb.<sup>[113]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>A incultura\u00e7\u00e3o da liturgia<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>81.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A incultura\u00e7\u00e3o da espiritualidade crist\u00e3 nas culturas dos povos nativos encontra, nos Sacramentos, um caminho particularmente valioso, porque neles se unem o divino e o c\u00f3smico, a gra\u00e7a e a cria\u00e7\u00e3o. Na Amaz\u00f3nia, os Sacramentos n\u00e3o deveriam ser vistos como separa\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o, pois \u00abconstituem um modo privilegiado em que a natureza \u00e9 assumida por Deus e transformada em media\u00e7\u00e3o da vida sobrenatural\u00bb.<sup>[114]<\/sup>&nbsp;S\u00e3o uma plenifica\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o, na qual a natureza \u00e9 elevada para ser lugar e instrumento da gra\u00e7a, para \u00ababra\u00e7ar o mundo num plano diferente\u00bb.<sup>[115]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>82.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na Eucaristia vemos que, \u00abno apogeu do mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, o Senhor quer chegar ao nosso \u00edntimo atrav\u00e9s dum peda\u00e7o de mat\u00e9ria. (\u2026) [Ela] une o c\u00e9u e a terra, abra\u00e7a e penetra toda a cria\u00e7\u00e3o\u00bb.<sup>[116]<\/sup>&nbsp;Por isso, a Eucaristia pode ser \u00abfonte de luz e motiva\u00e7\u00e3o para as nossas preocupa\u00e7\u00f5es pelo meio ambiente, e leva-nos a ser guardi\u00f5es da cria\u00e7\u00e3o inteira\u00bb.<sup>[117]<\/sup>&nbsp;Assim, \u00abn\u00e3o fugimos do mundo, nem negamos a natureza, quando queremos encontrar-nos com Deus\u00bb.<sup>[118]<\/sup>&nbsp;Isto permite-nos receber na liturgia muitos elementos pr\u00f3prios da experi\u00eancia dos ind\u00edgenas no seu contacto \u00edntimo com a natureza e estimular express\u00f5es aut\u00f3ctones em cantos, dan\u00e7as, ritos, gestos e s\u00edmbolos. O Conc\u00edlio Vaticano II solicitara este esfor\u00e7o de incultura\u00e7\u00e3o da liturgia nos povos ind\u00edgenas,<sup>[119]<\/sup>&nbsp;mas passaram-se j\u00e1 mais de cinquenta anos e pouco avan\u00e7amos nesta linha.<sup>[120]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>83.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No domingo, \u00aba espiritualidade crist\u00e3 integra o valor do repouso e da festa. O ser humano tende a reduzir o descanso contemplativo ao \u00e2mbito do est\u00e9ril ou do in\u00fatil, esquecendo que deste modo se tira \u00e0 obra realizada o mais importante: o seu significado. Na nossa atividade, somos chamados a incluir uma dimens\u00e3o recetiva e gratuita\u00bb.<sup>[121]<\/sup>&nbsp;Os povos nativos conhecem esta gratuidade e este sadio lazer contemplativo. As nossas celebra\u00e7\u00f5es deveriam ajud\u00e1-los a viver esta experi\u00eancia na liturgia dominical e encontrar a luz da Palavra e da Eucaristia que ilumina as nossas vidas concretas.<\/p>\n\n\n\n<p>84.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os Sacramentos mostram e comunicam o Deus pr\u00f3ximo que vem, com miseric\u00f3rdia, curar e fortalecer os seus filhos. Por isso, devem ser acess\u00edveis, sobretudo aos pobres, e nunca devem ser negados por raz\u00f5es de dinheiro. Nem \u00e9 admiss\u00edvel, face aos pobres e abandonados da Amaz\u00f3nia, uma disciplina que exclua e afaste, porque assim acabam descartados por uma Igreja transformada numa alf\u00e2ndega. Pelo contr\u00e1rio, \u00abnas situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis em que vivem as pessoas mais necessitadas, a Igreja deve p\u00f4r um cuidado especial em compreender, consolar e integrar, evitando impor-lhes um conjunto de normas como se fossem uma rocha, tendo como resultado faz\u00ea-las sentir-se julgadas e abandonadas precisamente por aquela M\u00e3e que \u00e9 chamada a levar-lhes a miseric\u00f3rdia de Deus\u00bb.<sup>[122]<\/sup>&nbsp;Segundo a Igreja, a miseric\u00f3rdia pode tornar-se uma mera express\u00e3o rom\u00e2ntica, se n\u00e3o se manifestar concretamente no servi\u00e7o pastoral.<sup>[123]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>A incultura\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>85.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A incultura\u00e7\u00e3o deve desenvolver-se e espelhar-se tamb\u00e9m numa forma encarnada de realizar a organiza\u00e7\u00e3o eclesial e o minist\u00e9rio. Se se incultura a espiritualidade, se se incultura a santidade, se se incultura o pr\u00f3prio Evangelho, ser\u00e1 poss\u00edvel evitar de pensar numa incultura\u00e7\u00e3o do modo como se estruturam e vivem os minist\u00e9rios eclesiais? A pastoral da Igreja tem uma presen\u00e7a prec\u00e1ria na Amaz\u00f3nia, devido em parte \u00e0 imensa extens\u00e3o territorial, com muitos lugares de dif\u00edcil acesso, grande diversidade cultural, graves problemas sociais e a pr\u00f3pria op\u00e7\u00e3o de alguns povos se isolarem. Isto n\u00e3o pode deixar-nos indiferentes, exigindo uma resposta espec\u00edfica e corajosa da Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>86.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 necess\u00e1rio conseguir que o minist\u00e9rio se configure de tal maneira que esteja ao servi\u00e7o duma maior frequ\u00eancia da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, mesmo nas comunidades mais remotas e escondidas. Em Aparecida, convidou-se a ouvir o lamento de tantas comunidades na Amaz\u00f3nia \u00abprivadas da Eucaristia dominical por longos per\u00edodos de tempo\u00bb.<sup>[124]<\/sup>&nbsp;Mas, ao mesmo tempo, h\u00e1 necessidade de ministros que possam compreender a partir de dentro a sensibilidade e as culturas amaz\u00f3nicas.<\/p>\n\n\n\n<p>87.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O modo de configurar a vida e o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio dos sacerdotes n\u00e3o \u00e9 monol\u00edtico, adquirindo matizes diferentes nos v\u00e1rios lugares da terra. Por isso, \u00e9 importante determinar o que \u00e9 mais espec\u00edfico do sacerdote, aquilo que n\u00e3o se pode delegar. A resposta est\u00e1 no sacramento da Ordem sacra, que o configura a Cristo sacerdote. E a primeira conclus\u00e3o \u00e9 que este car\u00e1ter exclusivo recebido na Ordem deixa s\u00f3 ele habilitado para presidir \u00e0 Eucaristia.<sup>[125]<\/sup>&nbsp;Esta \u00e9 a sua fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, principal e n\u00e3o deleg\u00e1vel. Alguns pensam que aquilo que distingue o sacerdote seja o poder, o facto de ser a m\u00e1xima autoridade da comunidade; mas S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II explicou que, embora o sacerd\u00f3cio seja considerado \u00abhier\u00e1rquico\u00bb, esta fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o equivale a estar acima dos outros, mas \u00abordena-se integralmente \u00e0 santidade dos membros do corpo m\u00edstico de Cristo\u00bb.<sup>[126]<\/sup>&nbsp;Quando se afirma que o sacerdote \u00e9 sinal de \u00abCristo cabe\u00e7a\u00bb, o significado principal \u00e9 que Cristo constitui a fonte da gra\u00e7a: Ele \u00e9 cabe\u00e7a da Igreja \u00abporque tem o poder de comunicar a gra\u00e7a a todos os membros da Igreja\u00bb.<sup>[127]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>88.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O sacerdote \u00e9 sinal desta Cabe\u00e7a que derrama a gra\u00e7a, antes de tudo, quando celebra a Eucaristia, fonte e cume de toda a vida crist\u00e3.<sup>[128]<\/sup>&nbsp;Este \u00e9 o seu grande poder, que s\u00f3 pode ser recebido no sacramento da Ordem. Por isso, apenas ele pode dizer: \u00abIsto \u00e9 o&nbsp;<em>meu<\/em>&nbsp;corpo\u00bb. H\u00e1 outras palavras que s\u00f3 ele pode pronunciar: \u00abEu te absolvo dos teus pecados\u00bb; pois o perd\u00e3o sacramental est\u00e1 ao servi\u00e7o duma celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica digna. Nestes dois sacramentos, est\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o da sua identidade exclusiva.<sup>[129]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>89.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nas circunst\u00e2ncias espec\u00edficas da Amaz\u00f3nia, especialmente nas suas florestas e lugares mais remotos, \u00e9 preciso encontrar um modo para assegurar este minist\u00e9rio sacerdotal. Os leigos poder\u00e3o anunciar a Palavra, ensinar, organizar as suas comunidades, celebrar alguns Sacramentos, buscar v\u00e1rias express\u00f5es para a piedade popular e desenvolver os m\u00faltiplos dons que o Esp\u00edrito derrama neles. Mas precisam da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, porque ela \u00abfaz a Igreja\u00bb,<sup>[130]<\/sup>&nbsp;e chegamos a dizer que \u00abnenhuma comunidade crist\u00e3 se edifica sem ter a sua raiz e o seu centro na celebra\u00e7\u00e3o da Sant\u00edssima Eucaristia\u00bb.<sup>[131]<\/sup>&nbsp;Se acreditamos verdadeiramente que as coisas est\u00e3o assim, \u00e9 urgente fazer com que os povos amaz\u00f3nicos n\u00e3o estejam privados do Alimento de vida nova e do sacramento do perd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>90.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta premente necessidade leva-me a exortar todos os bispos, especialmente os da Am\u00e9rica Latina, a promover a ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es sacerdotais e tamb\u00e9m a ser mais generosos, levando aqueles que demonstram voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria a optarem pela Amaz\u00f3nia.<sup>[132]<\/sup>&nbsp;Ao mesmo tempo, \u00e9 oportuno rever a fundo a estrutura e o conte\u00fado tanto da forma\u00e7\u00e3o inicial como da forma\u00e7\u00e3o permanente dos presb\u00edteros, de modo que adquiram as atitudes e capacidades necess\u00e1rias para dialogar com as culturas amaz\u00f3nicas. Esta forma\u00e7\u00e3o deve ser eminentemente pastoral e favorecer o crescimento da miseric\u00f3rdia sacerdotal.<sup>[133]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Comunidades cheias de vida<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>91.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Eucaristia \u00e9 tamb\u00e9m o grande sacramento que significa e realiza a&nbsp;<em>unidade<\/em>&nbsp;da Igreja,<sup>[134]<\/sup>&nbsp;celebrando-se \u00abpara que, de estranhos, dispersos e indiferentes uns aos outros, nos tornemos unidos, iguais e amigos\u00bb.<sup>[135]<\/sup>&nbsp;Quem preside \u00e0 Eucaristia deve ter a peito a comunh\u00e3o, que, longe de ser uma unidade empobrecida, acolhe a m\u00faltipla riqueza de dons e carismas que o Esp\u00edrito derrama na comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>92.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ora a Eucaristia, como fonte e cume, exige que se desenvolva esta riqueza multiforme. S\u00e3o necess\u00e1rios sacerdotes, mas isto n\u00e3o exclui que ordinariamente os di\u00e1conos permanentes \u2013 deveriam ser muitos mais na Amaz\u00f3nia \u2013, as religiosas e os pr\u00f3prios leigos assumam responsabilidades importantes em ordem ao crescimento das comunidades e maturem no exerc\u00edcio de tais fun\u00e7\u00f5es, gra\u00e7as a um adequado acompanhamento.<\/p>\n\n\n\n<p>93.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto n\u00e3o se trata apenas de facilitar uma presen\u00e7a maior de ministros ordenados que possam celebrar a Eucaristia. Isto seria um objetivo muito limitado, se n\u00e3o procur\u00e1ssemos tamb\u00e9m suscitar uma nova vida nas comunidades. Precisamos de promover o encontro com a Palavra e o amadurecimento na santidade por meio de v\u00e1rios servi\u00e7os laicais, que sup\u00f5em um processo de matura\u00e7\u00e3o \u2013 b\u00edblica, doutrinal, espiritual e pr\u00e1tica \u2013 e distintos percursos de forma\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>94.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma Igreja de rostos amaz\u00f3nicos requer a presen\u00e7a est\u00e1vel de respons\u00e1veis leigos, maduros e dotados de autoridade,<sup>[136]<\/sup>&nbsp;que conhe\u00e7am as l\u00ednguas, as culturas, a experi\u00eancia espiritual e o modo de viver em comunidade de cada lugar, ao mesmo tempo que deixem espa\u00e7o \u00e0 multiplicidade dos dons que o Esp\u00edrito Santo semeia em todos. Com efeito, onde houver uma necessidade peculiar, Ele j\u00e1 infundiu carismas que permitam dar-lhe resposta. Isto requer na Igreja capacidade para abrir estradas \u00e0 aud\u00e1cia do Esp\u00edrito, confiar e concretamente permitir o desenvolvimento duma cultura eclesial pr\u00f3pria,&nbsp;<em>marcadamente laical<\/em>. Os desafios da Amaz\u00f3nia exigem da Igreja um esfor\u00e7o especial para conseguir uma presen\u00e7a capilar que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com um incisivo protagonismo dos leigos.<\/p>\n\n\n\n<p>95.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Muitas pessoas consagradas gastaram as suas energias e grande parte da sua vida pelo Reino de Deus na Amaz\u00f3nia. A vida consagrada, capaz de di\u00e1logo, s\u00edntese, encarna\u00e7\u00e3o e profecia, ocupa um lugar especial nesta configura\u00e7\u00e3o plural e harmoniosa da Igreja amaz\u00f3nica. Mas faz-lhes falta um novo esfor\u00e7o de incultura\u00e7\u00e3o, que ponha em jogo a criatividade, a aud\u00e1cia mission\u00e1ria, a sensibilidade e a for\u00e7a peculiar da vida comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>96.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As comunidades de base, sempre que souberam integrar a defesa dos direitos sociais com o an\u00fancio mission\u00e1rio e a espiritualidade, foram verdadeiras experi\u00eancias de sinodalidade no caminho evangelizador da Igreja na Amaz\u00f3nia. Muitas vezes \u00abt\u00eam ajudado a formar crist\u00e3os comprometidos com a sua f\u00e9, disc\u00edpulos e mission\u00e1rios do Senhor, como o testemunha a entrega generosa, at\u00e9 derramar o sangue, de muitos dos seus membros\u00bb.<sup>[137]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>97.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Encorajo o aprofundamento do servi\u00e7o conjunto que se realiza atrav\u00e9s da REPAM e outras associa\u00e7\u00f5es com o objetivo de consolidar aquilo que solicitava Aparecida: \u00abestabelecer, entre as Igrejas locais de diversos pa\u00edses sul-americanos que est\u00e3o na bacia amaz\u00f3nica, uma pastoral de conjunto com prioridades diferenciadas\u00bb.<sup>[138]<\/sup>&nbsp;Isto vale especialmente para a rela\u00e7\u00e3o entre as Igrejas confinantes.<\/p>\n\n\n\n<p>98.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, quero lembrar que nem sempre podemos pensar em projetos para comunidades est\u00e1veis, porque na Amaz\u00f3nia h\u00e1 uma grande mobilidade interna, uma migra\u00e7\u00e3o constante, muitas vezes pendular, e \u00aba regi\u00e3o transformou-se efetivamente num corredor migrat\u00f3rio\u00bb.<sup>[139]<\/sup>&nbsp;A \u00abtransum\u00e2ncia amaz\u00f3nica n\u00e3o foi bem compreendida nem suficientemente elaborada do ponto de vista pastoral\u00bb.<sup>[140]<\/sup>&nbsp;Por isso devemos pensar em grupos mission\u00e1rios itinerantes e \u00abapoiar a inser\u00e7\u00e3o e a itiner\u00e2ncia dos consagrados e consagradas ao lado dos mais desfavorecidos e exclu\u00eddos\u00bb.<sup>[141]<\/sup>&nbsp;Por outro lado, isto desafia as nossas comunidades urbanas, que deveriam cultivar com intelig\u00eancia e generosidade, especialmente nas periferias, v\u00e1rias formas de proximidade e rece\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias e jovens que chegam ao territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>A for\u00e7a e o dom das mulheres<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>99.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na Amaz\u00f3nia, h\u00e1 comunidades que se mantiveram e transmitiram a f\u00e9 durante longo tempo, mesmo dec\u00e9nios, sem que algum sacerdote passasse por l\u00e1. Isto foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 presen\u00e7a de mulheres fortes e generosas, que batizaram, catequizaram, ensinaram a rezar, foram mission\u00e1rias, certamente chamadas e impelidas pelo Esp\u00edrito Santo. Durante s\u00e9culos, as mulheres mantiveram a Igreja de p\u00e9 nesses lugares com admir\u00e1vel dedica\u00e7\u00e3o e f\u00e9 ardente. No S\u00ednodo, elas mesmas nos comoveram a todos com o seu testemunho.<\/p>\n\n\n\n<p>100.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isto convida-nos a alargar o horizonte para evitar reduzir a nossa compreens\u00e3o da Igreja a meras estruturas funcionais. Este reducionismo levar-nos-ia a pensar que s\u00f3 se daria \u00e0s mulheres um&nbsp;<em>status<\/em>&nbsp;e uma participa\u00e7\u00e3o maior na Igreja se lhes fosse concedido acesso \u00e0 Ordem sacra. Mas, na realidade, este horizonte limitaria as perspetivas, levar-nos-ia a clericalizar as mulheres, diminuiria o grande valor do que elas j\u00e1 deram e subtilmente causaria um empobrecimento da sua contribui\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>101.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jesus Cristo apresenta-Se como Esposo da comunidade que celebra a Eucaristia, atrav\u00e9s da figura de um var\u00e3o que a ela preside como sinal do \u00fanico Sacerdote. Este di\u00e1logo entre o Esposo e a esposa que se eleva na adora\u00e7\u00e3o e santifica a comunidade n\u00e3o deveria fechar-nos em conce\u00e7\u00f5es parciais sobre o poder na Igreja. Porque o Senhor quis manifestar o seu poder e o seu amor atrav\u00e9s de dois rostos humanos: o de seu divino Filho feito homem e o de uma criatura que \u00e9 mulher, Maria. As mulheres prestam \u00e0 Igreja a sua contribui\u00e7\u00e3o segundo o modo que lhes \u00e9 pr\u00f3prio e prolongando a for\u00e7a e a ternura de Maria, a M\u00e3e. Deste modo n\u00e3o nos limitamos a uma imposta\u00e7\u00e3o funcional, mas entramos na estrutura \u00edntima da Igreja. Assim compreendemos radicalmente por que, sem as mulheres, ela se desmorona, como teriam ca\u00eddo aos peda\u00e7os muitas comunidades da Amaz\u00f3nia se n\u00e3o estivessem l\u00e1 as mulheres, sustentando-as, conservando-as e cuidando delas. Isto mostra qual \u00e9 o seu poder carater\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p>102.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o podemos deixar de incentivar os talentos populares que deram \u00e0s mulheres tanto protagonismo na Amaz\u00f3nia, embora hoje as comunidades estejam sujeitas a novos riscos que outrora n\u00e3o existiam. A situa\u00e7\u00e3o atual exige que estimulemos o aparecimento doutros servi\u00e7os e carismas femininos que deem resposta \u00e0s necessidades espec\u00edficas dos povos amaz\u00f3nicos neste momento hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p>103.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Numa Igreja sinodal, as mulheres, que de facto realizam um papel central nas comunidades amaz\u00f3nicas, deveriam poder ter acesso a fun\u00e7\u00f5es e inclusive servi\u00e7os eclesiais que n\u00e3o requeiram a Ordem sacra e permitam expressar melhor o seu lugar pr\u00f3prio. Conv\u00e9m recordar que tais servi\u00e7os implicam uma estabilidade, um reconhecimento p\u00fablico e um envio por parte do bispo. Daqui resulta tamb\u00e9m que as mulheres tenham uma incid\u00eancia real e efetiva na organiza\u00e7\u00e3o, nas decis\u00f5es mais importantes e na guia das comunidades, mas sem deixar de o fazer no estilo pr\u00f3prio do seu perfil feminino.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Ampliar horizontes para al\u00e9m dos conflitos<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>104. &nbsp;&nbsp;&nbsp; Frequentemente sucede que, num determinado lugar, os agentes pastorais vislumbram solu\u00e7\u00f5es muito diferentes para os problemas que enfrentam e, por isso, prop\u00f5em formas aparentemente opostas de organiza\u00e7\u00e3o eclesial. Quando isto acontece, \u00e9 prov\u00e1vel que a verdadeira resposta aos desafios da evangeliza\u00e7\u00e3o esteja na supera\u00e7\u00e3o de tais propostas, procurando outros caminhos melhores, talvez ainda n\u00e3o imaginados. O conflito supera-se num n\u00edvel superior, onde cada uma das partes, sem deixar de ser fiel a si mesma, se integra com a outra numa nova realidade. Tudo se resolve \u00abnum plano superior que conserva em si as preciosas potencialidades das polaridades em contraste\u00bb.<sup>[142]<\/sup>&nbsp;Caso contr\u00e1rio, o conflito fecha-nos, \u00abperdemos a perspetiva, os horizontes reduzem-se e a pr\u00f3pria realidade fica fragmentada\u00bb.<sup>[143]<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>105.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isto n\u00e3o significa de maneira alguma relativizar os problemas, fugir deles ou deixar as coisas como est\u00e3o. As verdadeiras solu\u00e7\u00f5es nunca se alcan\u00e7am amortecendo a aud\u00e1cia, subtraindo-se \u00e0s exig\u00eancias concretas ou buscando culpas externas. Pelo contr\u00e1rio, a via de sa\u00edda encontra-se por \u00abtransbordamento\u00bb, transcendendo a dial\u00e9tica que limita a vis\u00e3o para poder assim reconhecer um dom maior que Deus est\u00e1 a oferecer. Deste novo dom recebido com coragem e generosidade, deste dom inesperado que desperta uma nova e maior criatividade, brotar\u00e3o, como que duma fonte generosa, as respostas que a dial\u00e9tica n\u00e3o nos deixava ver. Nos seus prim\u00f3rdios, a f\u00e9 crist\u00e3 difundiu-se admiravelmente seguindo esta l\u00f3gica que lhe permitiu, a partir duma matriz judaica, encarnar-se nas culturas grega e romana e adquirir na sua passagem fisionomias diferentes. De forma an\u00e1loga, neste momento hist\u00f3rico, a Amaz\u00f3nia desafia-nos a superar perspetivas limitadas, solu\u00e7\u00f5es pragm\u00e1ticas que permanecem enclausuradas em aspetos parciais das grandes quest\u00f5es, para buscar caminhos mais amplos e ousados de incultura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>A conviv\u00eancia ecum\u00e9nica e inter-religiosa<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>106. Numa Amaz\u00f3nia plurirreligiosa, os crentes precisam de encontrar espa\u00e7os para dialogar e atuar juntos pelo bem comum e a promo\u00e7\u00e3o dos mais pobres. N\u00e3o se trata de nos tornarmos todos mais vol\u00faveis nem de escondermos as convic\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias que nos apaixonam, para podermos encontrar-nos com outros que pensam de maneira diferente. Se uma pessoa acredita que o Esp\u00edrito Santo pode agir no diverso, ent\u00e3o procurar\u00e1 deixar-se enriquecer com essa luz, mas acolh\u00ea-la-\u00e1 a partir de dentro das suas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es e da sua pr\u00f3pria identidade. Com efeito, quanto mais profunda, s\u00f3lida e rica for uma identidade, mais enriquecer\u00e1 os outros com a sua contribui\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>107. N\u00f3s, cat\u00f3licos, possu\u00edmos um tesouro nas Escrituras Sagradas que outras religi\u00f5es n\u00e3o aceitam, embora \u00e0s vezes sejam capazes de as ler com interesse e inclusive apreciar alguns dos seus conte\u00fados. Algo semelhante, procuramos n\u00f3s fazer face aos textos sagrados doutras religi\u00f5es e comunidades religiosas, onde se encontram \u00abpreceitos e doutrinas que (\u2026) refletem n\u00e3o raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens\u00bb.<sup>[144]<\/sup>&nbsp;Temos tamb\u00e9m uma grande riqueza nos sete Sacramentos, que algumas comunidades crist\u00e3s n\u00e3o aceitam na sua totalidade ou com id\u00eantico sentido. Ao mesmo tempo que acreditamos firmemente em Jesus como \u00fanico Redentor do mundo, cultivamos uma profunda devo\u00e7\u00e3o \u00e0 sua M\u00e3e. Embora saibamos que isto n\u00e3o se verifica em todas as confiss\u00f5es crist\u00e3s, sentimos o dever de comunicar \u00e0 Amaz\u00f3nia a riqueza deste ardente amor materno, do qual nos sentimos deposit\u00e1rios. De facto, terminarei esta Exorta\u00e7\u00e3o com algumas palavras dirigidas a Maria.<\/p>\n\n\n\n<p>108.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nada disto teria que nos tornar inimigos. Num verdadeiro esp\u00edrito de di\u00e1logo, nutre-se a capacidade de entender o sentido daquilo que o outro diz e faz, embora n\u00e3o se possa assumi-lo como uma convic\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Deste modo torna-se poss\u00edvel ser sincero, sem dissimular o que acreditamos, nem deixar de dialogar, procurar pontos de contacto e sobretudo trabalhar e lutar juntos pelo bem da Amaz\u00f3nia. A for\u00e7a do que une a todos os crist\u00e3os tem um valor imenso. Prestamos tanta aten\u00e7\u00e3o ao que nos divide que, \u00e0s vezes, j\u00e1 n\u00e3o apreciamos nem valorizamos o que nos une. E isto que nos une \u00e9 o que nos permite estar no mundo sem sermos devorados pela iman\u00eancia terrena, o vazio espiritual, o c\u00f3modo egocentrismo, o individualismo consumista e autodestrutivo.<\/p>\n\n\n\n<p>109.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como crist\u00e3os, a todos nos une a f\u00e9 em Deus, o Pai que nos d\u00e1 a vida e tanto nos ama. Une-nos a f\u00e9 em Jesus Cristo, o \u00fanico Redentor, que nos libertou com o seu bendito sangue e a sua ressurrei\u00e7\u00e3o gloriosa. Une-nos o desejo da sua Palavra, que guia os nossos passos. Une-nos o fogo do Esp\u00edrito que nos impele para a miss\u00e3o. Une-nos o mandamento novo que Jesus nos deixou, a busca duma civiliza\u00e7\u00e3o do amor, a paix\u00e3o pelo Reino que o Senhor nos chama a construir com Ele. Une-nos a luta pela paz e a justi\u00e7a. Une-nos a convic\u00e7\u00e3o de que nem tudo acaba nesta vida, mas estamos chamados para a festa celeste, onde Deus enxugar\u00e1 as nossas l\u00e1grimas e recolher\u00e1 o que tivermos feito pelos que sofrem.<\/p>\n\n\n\n<p>110.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tudo isto nos une. Como n\u00e3o lutar juntos? Como n\u00e3o rezar juntos e trabalhar lado a lado para defender os pobres da Amaz\u00f3nia, mostrar o rosto santo do Senhor e cuidar da sua obra criadora?<\/p>\n\n\n\n<h3>Conclus\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<h3>A M\u00c3E DA AMAZ\u00d3NIA<\/h3>\n\n\n\n<p>111.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois de partilhar alguns sonhos, exorto todos a avan\u00e7ar por caminhos concretos que permitam transformar a realidade da Amaz\u00f3nia e libert\u00e1-la dos males que a afligem. Agora levantemos o olhar para Maria, a M\u00e3e que Cristo nos deixou. E, embora seja a \u00fanica M\u00e3e de todos, manifesta-Se de distintas maneiras na Amaz\u00f3nia. Sabemos que \u00abos ind\u00edgenas se encontram vitalmente com Jesus Cristo por muitos caminhos; mas o caminho mariano contribuiu mais que tudo para este encontro\u00bb.<sup>[145]<\/sup>&nbsp;Perante a beleza da Amaz\u00f3nia, que fomos descobrindo cada vez melhor durante a prepara\u00e7\u00e3o e o desenrolar do S\u00ednodo, penso que o melhor ser\u00e1 concluir esta Exorta\u00e7\u00e3o dirigindo-nos a Ela:<\/p>\n\n\n\n<p><em>M\u00e3e da vida,&nbsp;&nbsp;<br>no vosso seio materno formou-Se Jesus,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>que \u00e9 o Senhor de tudo o que existe.&nbsp;<br>Ressuscitado, Ele transformou-Vos com a sua luz&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>e fez-Vos Rainha de toda a cria\u00e7\u00e3o.&nbsp;<br>Por isso Vos pedimos que reineis, Maria,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>no cora\u00e7\u00e3o palpitante da Amaz\u00f3nia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Mostrai-Vos como m\u00e3e de todas as criaturas,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>na beleza das flores, dos rios,<br>do grande rio que a atravessa&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>e de tudo o que vibra nas suas florestas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>Protegei, com o vosso carinho, aquela explos\u00e3o de beleza.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Pedi a Jesus que derrame todo o seu amor&nbsp;&nbsp;<br>nos homens e mulheres que moram l\u00e1,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>para que saibam admir\u00e1-la e cuidar dela.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Fazei nascer vosso Filho nos seus cora\u00e7\u00f5es&nbsp;<br>para que Ele brilhe na Amaz\u00f3nia,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>nos seus povos e nas suas culturas,&nbsp;&nbsp;<br>com a luz da sua Palavra, com o conforto do seu amor,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>com a sua mensagem de fraternidade e justi\u00e7a.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Que, em cada Eucaristia,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>se eleve tamb\u00e9m tanta maravilha&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>para a gl\u00f3ria do Pai.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M\u00e3e, olhai para os pobres da Amaz\u00f3nia,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>porque o seu lar est\u00e1 a ser destru\u00eddo<br>por interesses mesquinhos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>Quanta dor e quanta mis\u00e9ria,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>quanto abandono e quanto atropelo&nbsp;<br>nesta terra bendita,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>transbordante de vida!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Tocai a sensibilidade dos poderosos&nbsp;<br>porque, apesar de sentirmos que j\u00e1 \u00e9 tarde,&nbsp;<br>V\u00f3s nos chamais a salvar&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>o que ainda vive.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M\u00e3e do cora\u00e7\u00e3o trespassado,<br>que sofreis nos vossos filhos ultrajados&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>e na natureza ferida,&nbsp;&nbsp;<br>reinai V\u00f3s na Amaz\u00f3nia&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>juntamente com vosso Filho.&nbsp;<br>Reinai, de modo que ningu\u00e9m mais se sinta dono&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>da obra de Deus.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em V\u00f3s confiamos, M\u00e3e da vida!&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>N\u00e3o nos abandoneis&nbsp;&nbsp;<br>nesta hora escura.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>Amen<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Dado em Roma, na Bas\u00edlica de S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, a 2 de fevereiro \u2013 Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor \u2013 do ano 2020, s\u00e9timo do pontificado.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>FRANCISCO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>____________________<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[1]<\/sup>&nbsp;Francisco, Carta enc.&nbsp;<em>Laudato si\u2019<\/em>&nbsp;(24\/V\/2015), 49:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;107 (2015), 866.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[2]<\/sup>&nbsp;S\u00ednodo dos Bispos \u2013 Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica<em>, Instrumentum laboris<\/em>, 45.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[3]<\/sup>&nbsp;Ana Varela Tafur, \u00abTimareo\u00bb, in:&nbsp;<em>Lo que no veo en visiones<\/em>&nbsp;(Lima 1992).<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[4]<\/sup>&nbsp;Jorge Vega M\u00e1rquez, \u00abAmaz\u00f3nia solit\u00e1ria\u00bb, in:&nbsp;<em>Poes\u00eda obrera<\/em>&nbsp;(Cobija-Pando: Bol\u00edvia 2009), 39.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[5]<\/sup>&nbsp;Rede Eclesial Pan-Amaz\u00f3nica (REPAM), Brasil,&nbsp;<em>S\u00edntese da contribui\u00e7\u00e3o para o S\u00ednodo<\/em>, 120; cf. S\u00ednodo dos Bispos \u2013 Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica<em>, Instrumentum laboris<\/em>, 45.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[6]<\/sup>&nbsp;<em>Discurso no encontro com os jovens<\/em>&nbsp;(S\u00e3o Paulo, Brasil 10\/V\/2007), 2:&nbsp;<em>Insegnamenti&nbsp;<\/em>III\/1 (2007), 808.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[7]<\/sup>&nbsp;Cf. Alberto C. Ara\u00fajo, \u00abImagin\u00e1rio amaz\u00f3nico\u00bb, in:&nbsp;<em>Amaz\u00f3nia real<\/em>. Ver&nbsp;<em>amazoniareal.com.br<\/em>&nbsp;(29\/I\/2014).<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[8]<\/sup>&nbsp;S\u00e3o Paulo VI, Carta enc.&nbsp;<em>Populorum progressio<\/em>&nbsp;(26\/III\/1967), 57:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;59 (1967), 285.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[9]<\/sup>&nbsp;S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II,&nbsp;<em>Discurso \u00e0 Academia Pontif\u00edcia das Ci\u00eancias Sociais<\/em>&nbsp;(27\/IV\/2001), 4:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;93 (2001), 600.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[10]<\/sup>&nbsp;Cf. S\u00ednodo dos Bispos \u2013 Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica<em>, Instrumentum laboris<\/em>, 41.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[11]<\/sup>&nbsp;V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe,&nbsp;<em>Documento de Aparecida<\/em>&nbsp;(29\/VI\/2007), 473.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[12]<\/sup>&nbsp;Ram\u00f3n Iribertegui,&nbsp;<em>Amazonas: El hombre y el caucho<\/em>, ed. Vicariato Apost\u00f3lico de Puerto Ayacucho \u2013 Venezuela, Monografia n.\u00ba 4 (Caracas 1987), 307ss.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[13]<\/sup>&nbsp;Cf. Amar\u00edlis Tupiass\u00fa, \u00abAmaz\u00f4nia, das travessias lusitanas \u00e0 literatura de at\u00e9 agora\u00bb, in&nbsp;<em>Estudos Avan\u00e7ados<\/em>, vol. 19, n. 53 (S\u00e3o Paulo, janeiro\/abril 2005): \u00abDe fato, depois de findar a primeira coloniza\u00e7\u00e3o, a Amaz\u00f4nia continuou seu trajeto de regi\u00e3o a\u00e7ulada pela antiqu\u00edssima gan\u00e2ncia, agora sob novas imposta\u00e7\u00f5es ret\u00f3ricas (\u2026) por agentes&nbsp;<em>civilizat\u00f3rios<\/em>&nbsp;que nem precisam de corporifica\u00e7\u00e3o para gerar e multiplicar as novas facetas da antiga dizima\u00e7\u00e3o, agora por via da morte devagar\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[14]<\/sup>&nbsp;Bispos da Amaz\u00f3nia do Brasil,&nbsp;<em>Carta ao Povo de Deus<\/em>&nbsp;(Santar\u00e9m \u2013 Brasil 6\/VII\/2012).<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[15]<\/sup>&nbsp;S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II,&nbsp;<em>Mensagem para o Dia Mundial da Paz<\/em>&nbsp;em 1998 (8\/XII\/1997), 3:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;90 (1998), 150.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[16]<\/sup>&nbsp;III Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe,&nbsp;<em>Documento de Puebla<\/em>&nbsp;(23\/III\/1979), 6.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[17]<\/sup>&nbsp;S\u00ednodo dos Bispos \u2013 Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica<em>, Instrumentum laboris<\/em>, 6. O Papa Paulo III, com o Breve&nbsp;<em>Veritas ipsa<\/em>&nbsp;(2\/VI\/1537), condenou as teses racistas, reconhecendo aos \u00edndios, crist\u00e3os ou n\u00e3o, a dignidade de pessoa humana, reconheceu-lhes o direito aos seus bens e proibiu que fossem reduzidos \u00e0 escravid\u00e3o. Afirmava: \u00abSendo homens como os outros, (&#8230;) n\u00e3o podem de modo algum ser privados da sua liberdade e da posse dos seus bens, nem mesmo aqueles que est\u00e3o fora da f\u00e9 de Jesus Cristo\u00bb. Este ensinamento foi reiterado pelos Papas Greg\u00f3rio XIV, com a Bula&nbsp;<em>Cum Sicuti<\/em>&nbsp;(28\/IV\/1591), Urbano VIII, com a Bula&nbsp;<em>Commissum Nobis<\/em>&nbsp;(22\/IV\/1639), Bento XIV, com a Bula&nbsp;<em>Immensa Pastorum Principis<\/em>, dirigida aos bispos do Brasil (20\/XII\/1741), Greg\u00f3rio XVI, com o Breve&nbsp;<em>In Supremo<\/em>&nbsp;(3\/XII\/1839), Le\u00e3o XIII, na&nbsp;<em>Ep\u00edstola aos Bispos do Brasil sobre a escravatura<\/em>&nbsp;(5\/V\/1888), S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, na&nbsp;<em>Mensagem aos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica<\/em>&nbsp;(Santo Domingo 12\/X\/1992), 2:&nbsp;<em>Insegnamenti<\/em>&nbsp;XV\/2 (1992), 341-347.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[18]<\/sup>&nbsp;Frederico Ben\u00edcio de Sousa Costa,&nbsp;<em>Carta Pastoral<\/em>&nbsp;(1909), ed. Imprensa do governo do Estado de Amazonas (Manaus 1994), 83.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[19]<\/sup>&nbsp;S\u00ednodo dos Bispos \u2013 Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica<em>, Instrumentum laboris<\/em>, 7.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[20]<\/sup>&nbsp;Francisco,&nbsp;<em>Discurso por ocasi\u00e3o do II Encontro Mundial dos Movimentos Populares<\/em>&nbsp;(Santa Cruz da Serra \u2013 Bol\u00edvia 09\/VII\/2015):&nbsp;<em>L\u2019Osservatore Romano<\/em>&nbsp;(ed. portuguesa de 16\/VII\/2015), 13.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[21]<\/sup>&nbsp;Francisco,&nbsp;<em>Discurso no Encontro com os Povos da Amaz\u00f3nia<\/em>&nbsp;(Puerto Maldonado \u2013 Per\u00fa 19\/I\/2018):&nbsp;<em>L\u2019Osservatore Romano<\/em>&nbsp;(ed. portuguesa de 25\/I\/2018), 8.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[22]<\/sup>&nbsp;S\u00ednodo dos Bispos \u2013 Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica<em>, Instrumentum laboris<\/em>, 24.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[23]<\/sup>&nbsp;Yana Lucila Lema,&nbsp;<em>Tamyahuan Shamakupani<\/em>&nbsp;(Com a chuva estou vivendo), 1. Ver&nbsp;<em>http:\/\/siwarmayu.com\/es\/yana-lucila-lema-6-poemas-de-tamyawan-shamu-ku-pa-ni-con-la-lluvia-estoy-viviendo\/<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><sup>[24]<\/sup>&nbsp;Confer\u00eancia Episcopal Equatoriana,&nbsp;<em>Cuidemos nuestro planeta<\/em>&nbsp;(20\/IV\/2012), 3.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[25]<\/sup>&nbsp;N. 142:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;107 (2015), 904-905.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[26]<\/sup>&nbsp;N. 82.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[27]<\/sup>&nbsp;S\u00ednodo dos Bispos \u2013 Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica<em>, Instrumentum laboris<\/em>, 83.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[28]<\/sup>&nbsp;Francisco, Exort. ap.&nbsp;<em>Evangelii gaudium<\/em>&nbsp;(24\/XI\/2013), 239:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;105 (2013), 1116.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[29]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 218:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 1110.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[30]<\/sup>&nbsp;<em>Ibidem<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[31]<\/sup>&nbsp;Cf. S\u00ednodo dos Bispos \u2013 Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica<em>, Instrumentum laboris<\/em>, 57.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[32]<\/sup>&nbsp;Cf. Evaristo Eduardo de Miranda,&nbsp;<em>Quando o Amazonas corria para o Pac\u00edfico<\/em>&nbsp;(Petr\u00f3polis 2007), 83-93.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[33]<\/sup>&nbsp;Juan Carlos Galeano, \u00abPaisajes\u00bb, in:&nbsp;<em>Amazonia y otros poemas<\/em>&nbsp;(ed. Universidade Externato de Col\u00f4mbia &#8211; Bogot\u00e1 2011), 31.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[34]<\/sup>&nbsp;Javier Yglesias, \u00abLlamado\u00bb, in:&nbsp;<em>Revista peruana de Literatura<\/em>, 6 (junho 2007), 31.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[35]<\/sup>&nbsp;Francisco, Carta enc.&nbsp;<em>Laudato si\u2019<\/em>&nbsp;(24\/V\/2015), 144:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;107 (2015), 905.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[36]<\/sup>&nbsp;Francisco, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal&nbsp;<em>Christus vivit<\/em>&nbsp;(25\/III\/2019), 186.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[37]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 200.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[38]<\/sup>&nbsp;Francisco,&nbsp;<em>Mensagem em v\u00eddeo para o Encontro Mundial da Juventude<\/em>&nbsp;<em>Ind\u00edgena<\/em>, (Soloy \u2013 Panam\u00e1 17-21\/I\/2019):&nbsp;<em>L\u2019Osservatore Romano<\/em>&nbsp;(ed. portuguesa de 22\/I\/2019), 4.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[39]<\/sup>&nbsp;Mario Vargas Llosa, Pr\u00f3logo de&nbsp;<em>El Hablador<\/em>&nbsp;(Madrid 08\/X\/2007).<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[40]<\/sup>&nbsp;Francisco, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal&nbsp;<em>Christus vivit<\/em>&nbsp;(25\/III\/2019), 195.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[41]<\/sup>&nbsp;S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc.&nbsp;<em>Centesimus annus<\/em>&nbsp;(1\/V\/1991), 50:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;83 (1991), 856.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[42]<\/sup>&nbsp;V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe,&nbsp;<em>Documento de Aparecida<\/em>&nbsp;(29\/VI\/2007), 97.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[43]<\/sup>&nbsp;Francisco,&nbsp;<em>Discurso no Encontro com os Povos da Amaz\u00f3nia<\/em>&nbsp;(Puerto Maldonado \u2013 Per\u00fa 19\/I\/2018):&nbsp;<em>L\u2019Osservatore Romano<\/em>&nbsp;(ed. portuguesa de 25\/I\/2018), 9.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[44]<\/sup>&nbsp;S\u00ednodo dos Bispos \u2013 Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica<em>, Instrumentum laboris<\/em>, 123-e.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[45]<\/sup>&nbsp;Francisco, Carta enc.&nbsp;<em>Laudato si\u2019<\/em>&nbsp;(24\/V\/2015), 144:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;107 (2015), 906.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[46]<\/sup>&nbsp;Cf. Bento XVI, Carta enc.&nbsp;<em>Caritas in veritate<\/em>&nbsp;(29\/VI\/2009), 51 [AAS 101 (2009), 687]: \u00abA natureza, especialmente no nosso tempo, est\u00e1 t\u00e3o integrada nas din\u00e2micas sociais e culturais que quase j\u00e1 n\u00e3o constitui uma vari\u00e1vel independente. A desertifica\u00e7\u00e3o e a pen\u00faria produtiva de algumas \u00e1reas agr\u00edcolas s\u00e3o fruto tamb\u00e9m do empobrecimento das popula\u00e7\u00f5es que as habitam e do seu atraso\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[47]<\/sup>&nbsp;<em>Mensagem para o Dia Mundial da Paz&nbsp;<\/em>em 2007 (8\/XII\/2006), 8:&nbsp;<em>Insegnamenti<\/em>, II\/2 (2006), 776.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[48]<\/sup>&nbsp;Francisco, Carta enc.&nbsp;<em>Laudato si\u2019<\/em>&nbsp;(24\/V\/2015), 16.91.117.138.240:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;107 (2015), 854.884.894.903.941.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[49]<\/sup>&nbsp;Documento&nbsp;<em>Bol\u00edvia: Relat\u00f3rio do Pa\u00eds. Consulta pr\u00e9-sinodal<\/em>&nbsp;(2019), 36; cf. S\u00ednodo dos Bispos \u2013 Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica<em>, Instrumentum laboris<\/em>, 23.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[50]<\/sup>&nbsp;S\u00ednodo dos Bispos \u2013 Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica<em>, Instrumentum laboris<\/em>, 26.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[51]<\/sup>&nbsp;Francisco, Carta enc.&nbsp;<em>Laudato si\u2019<\/em>&nbsp;(24\/V\/2015), 146:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;107 (2015), 906.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[52]<\/sup>&nbsp;<em>Documento com contribui\u00e7\u00f5es para o S\u00ednodo da Diocese de San Jos\u00e9 del Guaviare e da Arquidiocese de Villavicencio y Granada<\/em>&nbsp;(Colombia); cf. S\u00ednodo dos Bispos \u2013 Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica<em>, Instrumentum laboris<\/em>, 17.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[53]<\/sup>&nbsp;Euclides da Cunha,&nbsp;<em>Os Sert\u00f5es<\/em>&nbsp;(S\u00e3o Paulo 2003), 110.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[54]<\/sup>&nbsp;Pablo Neruda, \u00abAmazonas\u00bb, in:&nbsp;<em>Canto General<\/em>&nbsp;(1938), I, IV.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[55]<\/sup>&nbsp;Rede Eclesial Pan-Amaz\u00f3nica (REPAM), Brasil, Documento&nbsp;<em>Eixo da Fronteira<\/em>. Prepara\u00e7\u00e3o para o S\u00ednodo da Amaz\u00f3nia (Tabatinga \u2013 Brasil 13\/II\/2019), 3; cf. S\u00ednodo dos Bispos \u2013 Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica<em>, Instrumentum laboris<\/em>, 8.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[56]<\/sup>&nbsp;Amadeu Thiago de Mello,&nbsp;<em>Amazonas, p\u00e1tria da \u00e1gua<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[57]<\/sup>&nbsp;Vin\u00edcius de Moraes, \u00abA transforma\u00e7\u00e3o pela poesia\u00bb, in: jornal&nbsp;<em>A Manh\u00e3<\/em>&nbsp;(Rio de Janeiro 1946).<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[58]<\/sup>&nbsp;Juan Carlos Galeano, \u00abLos que creyeron\u00bb, in:&nbsp;<em>Amazonia y otros poemas<\/em>&nbsp;(ed. Universidade Externato de Colombia &#8211; Bogot\u00e1 2011), 44.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[59]<\/sup>&nbsp;Harald Sioli,&nbsp;<em>A Amaz\u00f4nia<\/em>&nbsp;(Petr\u00f3polis 1985), 60.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[60]<\/sup>&nbsp;S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II,&nbsp;<em>Discurso aos participantes num Congresso Internacional sobre \u00abAmbiente e sa\u00fade\u00bb<\/em>&nbsp;(24\/III\/1997), 2:&nbsp;<em>Insegnamenti<\/em>&nbsp;XX\/1 (1997), 521.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[61]<\/sup>&nbsp;Francisco, Carta enc.&nbsp;<em>Laudato si\u2019<\/em>&nbsp;(24\/V\/2015), 34:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;107 (2015), 860.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[62]<\/sup>&nbsp;Cf.&nbsp;<em>ibid<\/em>., 28-31:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 858-859.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[63]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 38:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 862.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[64]<\/sup>&nbsp;Cf. V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe,&nbsp;<em>Documento de Aparecida<\/em>&nbsp;(29\/VI\/2007), 86.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[65]<\/sup>&nbsp;Francisco, Carta enc.&nbsp;<em>Laudato si\u2019<\/em>&nbsp;(24\/V\/2015), 38:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;107 (2015), 862.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[66]<\/sup>&nbsp;Cf.&nbsp;<em>ibid.<\/em>, 144.187:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 905-906.921.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[67]<\/sup>&nbsp;Cf.&nbsp;<em>ibid.<\/em>, 183: o. c., 920.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[68]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 53: o. c., 868.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[69]<\/sup>&nbsp;Cf.&nbsp;<em>ibid.<\/em>, 49:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 866.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[70]<\/sup>&nbsp;<em>Documento preparat\u00f3rio do S\u00ednodo dos Bispos para a Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica<\/em>, 8.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[71]<\/sup>&nbsp;Francisco, Carta enc.&nbsp;<em>Laudato si\u2019<\/em>&nbsp;(24\/V\/2015), 56:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;107 (2015), 869.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[72]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 59:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 870.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[73]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 33:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 860.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[74]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 220:&nbsp;<em>o. c.,<\/em>&nbsp;934.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[75]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 215:&nbsp;<em>o. c.,<\/em>&nbsp;932.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[76]<\/sup>&nbsp;Sui Yun,&nbsp;<em>Cantos para o mendigo e o rei<\/em>&nbsp;(Wiesbaden 2000).<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[77]<\/sup>&nbsp;Francisco, Carta enc.&nbsp;<em>Laudato si\u2019<\/em>&nbsp;(24\/V\/2015), 100:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;107 (2015), 887.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[78]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 204:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 928.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[79]<\/sup>&nbsp;Cf. Documentos de Santar\u00e9m (1972) e Manaus (1997), in: Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil,&nbsp;<em>Desafio mission\u00e1rio. Documentos da Igreja na Amaz\u00f4nia<\/em>&nbsp;(Bras\u00edlia 2014), 9-28.67-84.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[80]<\/sup>&nbsp;Francisco, Exort. ap.&nbsp;<em>Evangelii gaudium<\/em>&nbsp;(24\/XI\/2013), 220:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;105 (2013), 1110.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[81]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 164:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 1088-1089.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[82]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 165:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 1089.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[83]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 161:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 1087.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[84]<\/sup>&nbsp;Assim o refere o Conc\u00edlio Vaticano II, no n. 44 da Constitui\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>Gaudium et spes<\/em>, quando diz: \u00ab[A Igreja] aprendeu, desde os come\u00e7os da sua hist\u00f3ria, a formular a mensagem de Cristo por meio dos conceitos e l\u00ednguas dos diversos povos, e procurou ilustr\u00e1-la com o saber filos\u00f3fico. Tudo isto com o fim de adaptar o Evangelho \u00e0 capacidade de compreens\u00e3o de todos e \u00e0s exig\u00eancias dos s\u00e1bios. Esta maneira adaptada de pregar a palavra revelada deve permanecer a lei de toda a evangeliza\u00e7\u00e3o. Deste modo, com efeito, suscita-se em cada na\u00e7\u00e3o a possibilidade de exprimir a mensagem de Cristo segundo a sua maneira pr\u00f3pria, ao mesmo tempo que se fomenta um interc\u00e2mbio vivo entre a Igreja e as diversas culturas dos diferentes povos\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[85]<\/sup>&nbsp;Francisco,&nbsp;<em>Carta ao Povo de Deus que peregrina na Alemanha<\/em>&nbsp;(29\/VI\/2019), 9.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[86]<\/sup>&nbsp;Cf. S\u00e3o Vicente de Lerins,&nbsp;<em>Commonitorium primum<\/em>, cap. 23:&nbsp;<em>PL<\/em>&nbsp;50, 668: \u00ab<em>Ut annis scilicet consolidetur, dilatetur tempore, sublimetur aetate&nbsp;<\/em>\u2013 fortalece-se com o decorrer dos anos, desenvolve-se com o andar dos tempos, cresce atrav\u00e9s das idades\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[87]<\/sup>&nbsp;Francisco,&nbsp;<em>Carta ao Povo de Deus que peregrina na Alemanha<\/em>&nbsp;(29\/VI\/2019), 9; cf. a express\u00e3o atribu\u00edda a Gustav Mahler: \u00abA tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 a salvaguarda do futuro, n\u00e3o a conserva\u00e7\u00e3o das cinzas\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[88]<\/sup>&nbsp;<em>Discurso no encontro com os professores universit\u00e1rios e os homens de cultura<\/em>&nbsp;(Coimbra 15\/V\/1982), 5:&nbsp;<em>Insegnamenti<\/em>&nbsp;V\/2 (1982), 1702-1703.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[89]<\/sup>&nbsp;<em>Mensagem aos ind\u00edgenas do Continente Americano<\/em>&nbsp;(Santo Domingo 12\/X\/1992), 6:&nbsp;<em>Insegnamenti<\/em>, XV\/2 (1982), 346; cf.&nbsp;<em>Discurso aos participantes no I Congresso Nacional do Movimento Eclesial de Empenho Cultural<\/em>&nbsp;(16\/I\/1982), 2:&nbsp;<em>Insegnamenti<\/em>, V\/1 (1982), 131.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[90]<\/sup>&nbsp;S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal&nbsp;<em>Vita consecrata<\/em>&nbsp;(25\/III\/1996), 98:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;88 (1996), 474-475.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[91]<\/sup>&nbsp;N. 115:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;105 (2013), 1068.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[92]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 116:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 1068.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[93]<\/sup>&nbsp;<em>Ibidem<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[94]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 129:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 1074.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[95]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 116:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 1068.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[96]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 117:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 1069.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[97]<\/sup>&nbsp;<em>Ibidem.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><sup>[98]<\/sup>&nbsp;S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II,&nbsp;<em>Discurso \u00e0 Assembleia Plen\u00e1ria do Pontif\u00edcio Conselho para a Cultura<\/em>&nbsp;(17\/I\/1987), 5:&nbsp;<em>Insegnamenti<\/em>&nbsp;X\/1 (1987), 125.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[99]<\/sup>&nbsp;Francisco, Exort. ap.&nbsp;<em>Evangelii gaudium<\/em>&nbsp;(24\/XI\/2013), 129:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;105 (2013), 1074.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[100]<\/sup>&nbsp;IV Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe,&nbsp;<em>Documento de Santo Domingo<\/em>&nbsp;(12-28\/X\/1992), 17.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[101]<\/sup>&nbsp;Francisco, Exort. ap.&nbsp;<em>Evangelii gaudium<\/em>&nbsp;(24\/XI\/2013), 198:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;105 (2013), 1103.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[102]<\/sup>&nbsp;Cf. Joseph Ratzinger,&nbsp;<em>Di\u00e1logos sobre a F\u00e9<\/em>, apresentados por Vittorio Messori(Ed. Verbo \u2013 Lisboa 2005), 159-165.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[103]<\/sup>&nbsp;Francisco, Exort. ap.&nbsp;<em>Evangelii gaudium<\/em>&nbsp;(24\/XI\/2013), 198:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;105 (2013), 1103<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><sup>[104]<\/sup>&nbsp;Pedro Casald\u00e1liga, \u00abCarta de navegar&nbsp;<em>(pelo Tocantins amaz\u00f3nico)<\/em>\u00bb, in:<em>&nbsp;El tiempo y la espera<\/em>&nbsp;(Santander 1986).<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[105]<\/sup>&nbsp;Como explica S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, \u00aba maneira como Deus est\u00e1 nas coisas \u00e9 tr\u00edplice: uma \u00e9 comum, por ess\u00eancia, presen\u00e7a e poder; outra, pela gra\u00e7a nos seus santos; a terceira, singular de Cristo, pela uni\u00e3o\u00bb (<em>Ad Colossenses<\/em>, c. II, lectio 2).<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[106]<\/sup>&nbsp;Francisco, Carta enc.&nbsp;<em>Laudato si\u2019<\/em>&nbsp;(24\/V\/2015), 235:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;107 (2015), 939.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[107]<\/sup>&nbsp;III Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe,&nbsp;<em>Documento de Puebla<\/em>&nbsp;(23\/III\/1979), 196.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[108]<\/sup>&nbsp;Francisco, Exort. ap.&nbsp;<em>Evangelii gaudium<\/em>&nbsp;(24\/XI\/2013), 178:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;105 (2013), 1094.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[109]<\/sup>&nbsp;Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_sp.html\"><em>Lumen gentium<\/em><\/a>, 11; cf. Francisco, Exort. ap.&nbsp;<em>Gaudete et exsultate<\/em>&nbsp;(19\/III\/2018), 10-11.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[110]<\/sup>&nbsp;Vicariatos Apost\u00f3licos da Amaz\u00f3nia Peruana, \u00abSegunda asamblea episcopal regional de la selva\u00bb (San Ram\u00f3n \u2013 Per\u00fa 05\/X\/1973), in:&nbsp;<em>\u00c9xodo de la Iglesia en la Amazonia. Documentos pastorales de la Iglesia en la Amazonia peruana<\/em>&nbsp;(Iquitos 1976), 121.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[111]<\/sup>&nbsp;Francisco, Exort. ap.&nbsp;<em>Evangelii gaudium<\/em>&nbsp;(24\/XI\/2013), 123:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;105 (2013), 1071.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[112]<\/sup>&nbsp;Cf. Francisco, Exort. ap.&nbsp;<em>Gaudete et exsultate<\/em>&nbsp;(19\/III\/2018), 126-127.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[113]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 32.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[114]<\/sup>&nbsp;Francisco, Carta enc.&nbsp;<em>Laudato si\u2019<\/em>&nbsp;(24\/V\/2015), 235:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;107 (2015), 939.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[115]<\/sup>&nbsp;<em>Ibidem.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><sup>[116]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 236:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 940.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[117]<\/sup>&nbsp;<em>Ibidem<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[118]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid<\/em>., 235:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 939.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[119]<\/sup>&nbsp;Cf. Const. sobre a Liturgia&nbsp;<em>Sacrosanctum Concilium<\/em>, 37-40.65.77.81.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[120]<\/sup>&nbsp;No S\u00ednodo, surgiu a proposta de se elaborar um \u00abrito amaz\u00f3nico\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[121]<\/sup>&nbsp;Francisco, Carta enc.&nbsp;<em>Laudato si\u2019<\/em>&nbsp;(24\/V\/2015), 237:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;107 (2015), 940.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[122]<\/sup>&nbsp;Francisco, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal&nbsp;<em>Amoris laetitia<\/em>&nbsp;(19\/III\/2016), 49:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;108 (2016), 331; cf.&nbsp;<em>ibid<\/em>., 305: o<em>. c.<\/em>, 436-437.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[123]<\/sup>&nbsp;Cf.&nbsp;<em>ibid.<\/em>, 296.308:&nbsp;<em>o. c.<\/em>, 430-431.438.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[124]<\/sup>&nbsp;V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe,&nbsp;<em>Documento de Aparecida<\/em>&nbsp;(29\/VI\/2007), 100-e.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[125]<\/sup>&nbsp;Cf. CONGREGA\u00c7\u00c3O PARA A DOUTRINA DA F\u00c9, Carta aos Bispos da Igreja Cat\u00f3lica sobre algumas quest\u00f5es concernentes ao Ministro da Eucaristia<em>&nbsp;Sacerdotium ministeriale<\/em>&nbsp;(6\/VIII\/1983):&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;75 (1983), 1001-1009.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[126]<\/sup>&nbsp;Carta ap.&nbsp;<em>Mulieris dignitatem<\/em>&nbsp;(15\/VIII\/1988), 27:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;80 (1988), 1718.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[127]<\/sup>&nbsp;S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino,&nbsp;<em>Summa Theologiae<\/em>&nbsp;III, q. 8, a. 1, resp.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[128]<\/sup>&nbsp;Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decr. sobre o minist\u00e9rio e a vida dos sacerdotes&nbsp;<em>Presbyterorum ordinis<\/em>, 5; S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc.&nbsp;<em>Ecclesia de Eucharistia<\/em>&nbsp;(17\/IV\/2003), 22:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;95 (2003), 448.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[129]<\/sup>&nbsp;Tamb\u00e9m \u00e9 pr\u00f3prio do sacerdote administrar a Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos, por estar intimamente ligada ao perd\u00e3o dos pecados: \u00abE, se tiver cometido pecados, ser-lhe-\u00e3o perdoados\u00bb (<em>Tg&nbsp;<\/em>5, 15).<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[130]<\/sup>&nbsp;<em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, 1396; cf. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc.&nbsp;<em>Ecclesia de Eucharistia<\/em>&nbsp;(17\/IV\/2003), 26:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;95 (2003), 451; Henry de Lubac,&nbsp;<em>Meditation sur l\u2019\u00c9glise<\/em>&nbsp;(Paris 1968), 101.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[131]<\/sup>&nbsp;Conc. Ecum. Vat. II, Decr. sobre o minist\u00e9rio e a vida dos sacerdotes&nbsp;<em>Presbyterorum ordinis<\/em>, 6.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[132]<\/sup>&nbsp;Impressiona o facto de haver, em alguns pa\u00edses da bacia amaz\u00f3nica, mais mission\u00e1rios para a Europa ou os Estados Unidos do que para ajudar nos pr\u00f3prios Vicariatos da Amaz\u00f3nia.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[133]<\/sup>&nbsp;No S\u00ednodo, falou-se tamb\u00e9m da falta de Semin\u00e1rios para a forma\u00e7\u00e3o sacerdotal de pessoas ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[134]<\/sup>&nbsp;Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_sp.html\"><em>Lumen gentium<\/em><\/a>, 3.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[135]<\/sup>&nbsp;S\u00e3o Paulo VI,&nbsp;<em>Homilia na Solenidade do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo<\/em>&nbsp;(17\/VI\/1965):&nbsp;<em>Insegnamenti<\/em>&nbsp;III (1965), 358.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[136]<\/sup>&nbsp;\u00c9 poss\u00edvel, por escassez de sacerdotes, que o Bispo confie uma \u00abparticipa\u00e7\u00e3o no exerc\u00edcio do servi\u00e7o pastoral da par\u00f3quia (\u2026) a um di\u00e1cono ou a outra pessoa que n\u00e3o possua o car\u00e1ter sacerdotal, ou a uma comunidade\u00bb (<em>C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico<\/em>, 517-\u00a7 2.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[137]<\/sup>&nbsp;V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe,&nbsp;<em>Documento de Aparecida<\/em>&nbsp;(29\/VI\/2007), 178.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[138]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid<\/em>., 475.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[139]<\/sup>&nbsp;S\u00ednodo dos Bispos \u2013 Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica<em>, Instrumentum laboris<\/em>, 65.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[140]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 63.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[141]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 129-d 2.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[142]<\/sup>&nbsp;Francisco, Exort. ap.&nbsp;<em>Evangelii gaudium<\/em>&nbsp;(24\/XI\/2013), 228:&nbsp;<em>AAS<\/em>&nbsp;105 (2013), 1113.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[143]<\/sup>&nbsp;<em>Ibid<\/em>., 226:<em>&nbsp;o. c.<\/em>, 1112.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[144]<\/sup>&nbsp;Conc. Ecum. Vat II, Decl. sobre as rela\u00e7\u00f5es da Igreja com as religi\u00f5es n\u00e3o-crist\u00e3s&nbsp;<em>Nostra aetate<\/em>, 2.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[145]<\/sup>&nbsp;CELAM,&nbsp;<em>III Simposio latinoamericano sobre Teolog\u00eda india<\/em>&nbsp;(Cidade de Guatemala 23-27\/X\/2006).<\/p>\n\n\n\n<p>[00189-PO.01] [Texto original: Espanhol]https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j2FKEd6-oyMhttps:\/\/www.youtube.com\/embed\/DSuMLF3HI-Ehttps:\/\/www.youtube.com\/embed\/Xs6ctzw9W_shttps:\/\/www.youtube.com\/embed\/3sAzs1R6g4Ehttps:\/\/www.youtube.com\/embed\/th93dhAKsNU<\/p>\n\n\n\n<p>(IT)&nbsp;<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1iIaU9UYmniMFJUTlz9HYQXvJV28w2HX6\">Esortazione Apostolica Post-sinodale Querida Amazon\u00eda PDF<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(EN)&nbsp;<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=19q7RmW5wVUGo2KdSUmf8WjNCpvq9VWBP\">Post-synodal Apostolic Exhortation Querida Amazon\u00eda PDF<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(FR)&nbsp;<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1gPrzaBHbdExvnFk8jv0XJbmRMs1kpTn7\">Exhortation Apostolique Post-synodale Querida Amazon\u00eda PDF<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(DE)&nbsp;<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1tmrjxx_YQDiKkWc3tsIehFqVbl6nadpM\">Nachsynodales Apostolisches Schreiben Querida Amazon\u00eda<\/a>&nbsp;PDF<\/p>\n\n\n\n<p>(PT)&nbsp;<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=18kJe51Y8vRu2SJwqS_t-VXTc_7VYiydh\">Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-Sinodal Querida Amazon\u00eda PDF<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(ES)&nbsp;<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1hGB3w_UeOIGQGr3XnfeQdgutOR1U5NL_\">Exhortaci\u00f3n Apost\u00f3lica Postinodal Querida Amazon\u00eda<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(NL)&nbsp;<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1_qzFWVL6vUx4ZQyyLv2khynDnTDNeiLg\/view?usp=sharing\">Postsynodale Exhortatie Querida Amazonia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.synod.va\/content\/sinodoamazonico\/pt\/noticias\/repam-publica-versao-popular-do-documento-de-trabalho.html\">VERS\u00c3O POPULAR DO DOCUMENTO DE TRABALHO<\/a><a href=\"http:\/\/repam.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Documento-Preparat%C3%B3rio-vers%C3%A3o-popular.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">DOC. PREPARAT\u00d3RIO \u2013 VERS\u00c3O POPULAR<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211;&nbsp;<a href=\"http:\/\/repam.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Documento-Preparat%C3%B3rio-2ed.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Baixe o Documento Preparat\u00f3rio<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211;&nbsp;<a href=\"http:\/\/repam.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Documento-Preparat%C3%B3rio-vers%C3%A3o-popular.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Documento Preparat\u00f3rio \u2013 vers\u00e3o popular<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.synod.va\/\"><strong>Secretaria Geral do S\u00ednodo dos Bispos<\/strong><\/a>&nbsp;&#8211; Via della Conciliazione 34 &#8211; 00120 Citt\u00e0 del Vaticano -synodus@synod.va&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/synod.va\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">FACEBOOK<\/a>&nbsp;\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/synod_va\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">TWITTER<\/a>&nbsp;\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/synod.va\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">INSTAGRAM<\/a>&nbsp;<strong>\u00a9&nbsp;<\/strong>2020<\/p>\n\n\n\n<p>Acesse o link para saber mais: <a href=\"http:\/\/www.synod.va\/content\/sinodoamazonico\/pt\/documentos\/exortacao-apostolica-pos-sinodal--querida-amazonia-.html\">http:\/\/www.synod.va\/content\/sinodoamazonico\/pt\/documentos\/exortacao-apostolica-pos-sinodal&#8211;querida-amazonia-.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assembleia Especial do S\u00ednodo dos Bispos para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f4nica 6 &#8211; 27 Outubro Amaz\u00f4nia: Novos Caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral S\u00ednodo Pan-Amaz\u00f4nico &#8211; Assembleia Especial do S\u00ednodo dos Bispos para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f4nica&nbsp;\u00bb&nbsp;Documentos&nbsp;\u00bb&nbsp;Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-Sinodal &#8220;Querida Amazon\u00eda&#8221;INFOGRAFIAS Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-Sinodal &#8220;Querida Amazon\u00eda&#8221; EXORTA\u00c7\u00c3O APOST\u00d3LICA P\u00d3S-SINODAL QUERIDA AMAZONIA DO SANTO PADRE&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":556,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[2],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v17.3 - 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