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Caderno de Campo | 8º Encontro Escravidão & Liberdade no Brasil Meridional


Daniela Yabeta
 
12/12/2016

Vocês sabiam que ainda hoje é muito comum pensarem que não existiu escravidão no sul do Brasil? Pois é, por mais que os historiadores tenham trabalhado em pesquisas desmistificando essa questão, de forma geral, grande parte da população ainda acredita que a terra da Gisele Bündchen e da Oktoberfest não sofreu a violência da escravidão. Acontece que, na realidade, a história foi bem diferente. Para vocês terem uma ideia, de acordo com dados da Fundação Cultural Palmares, existem hoje no sul do Brasil 141 comunidades remanescentes de quilombo certificadas: 94 no Rio Grande do Sul, 12 em Santa Catarina e 35 no Paraná.

Foi pensando nessa questão que resolvi divulgar aqui, no nosso Caderno de Campo, o 8º Encontro de Escravidão & Liberdade no Brasil Meridional, que “tem por objetivo reunir pesquisadores que se dedicam aos temas da escravidão, da liberdade e do pós-abolição na região sul do país, bem como aqueles que, tratando de temas correlatos ou estudando outros espaços, possa estabelecer conexões com a região ou com os temas privilegiados no evento”.

A primeira edição do encontro aconteceu em setembro de 2003, na cidade de Castro (PR) e desde então, o evento tem se destacado por reunir os maiores especialistas sobre a temática.

Em 2009, tive a oportunidade de participar do 4º encontro, realizado na cidade de Curitiba (PR), quando apresentei parte da minha pesquisa de mestrado sobre o tráfico ilegal de africanos escravizados na Ilha da Marambaia: “Tudo chegou sobrevivente num navio – A Auditoria Geral da Marinha contra o tráfico de africanos livres pós 1850 no Rio de Janeiro”. Na ocasião, também pude conhecer o trabalho de Marcia Naomi Kuniochi e Claudia Daiane Molet, “Uma comunidade quilombola na rota dos tropeiros: quilombolas do Limoeiro”.

Entretanto, nos encontros anteriores, que ocorreram nos anos de 2005 (Porto Alegre, RS) e 2007 (Florianópolis, SC), outras pesquisas maravilhosas sobre a questão quilombola também foram apresentadas. Destaco aqui os seguintes textos: 1) “Entre a serra e o litoral: fugas e quilombos na fronteira leste do Rio Grande do Sul e Santa Catarina”, de Luana Teixeira; 2) “Aspectos constituintes da história da comunidade quilombola presente no interior de Giruá, RS”, de Elci Deloss Tolomini, Carla Regina Wegner Copetti, Sandra Beatriz Essenberg, Savio Antônio Reginatto e Denise M. dos Santos Mello; 3) “Quilombo: africanos, índios e seus descendentes lutaram pela liberdade”, de Aldemir Fiabani; 4) “Athe a completa extinção – Quilombos em regiões florestais e a luta por liberdade no extremo sul do Brasil (Rio Pardo, séc. XIX)”, de José Paulo Eckert; 5) “Quilombo Arnesto Penna Carneiro: resistência da ancestralidade negra”, de Ana Lúcia Aguiar Melo e Dilmar Luiz Lopes.

No ano de 2011, durante o 5º encontro, participei da sessão intitulada “Comunidades negras e quilombos, ontem e hoje”. A mesa foi composta pelas seguintes pesquisas: “Comunidade quilombola de Maçambique: memória, marcadores territoriais e processos de resistência”, de Cláudio Baptista Carle e Solange de Oliveira, “Parentesco escravo e em comunidades negras rurais: um estudo de caso”, de Rosane Aparecida Rubert e Luiza Spinelli Pinto Wolff, e a primeira parte da minha pesquisa de doutorado “Marambaia versus Marinha: conflito pela titulação de um território quilombola no Rio de Janeiro”.

Em 2013, eu perdi o 6º encontro na cidade de Florianópolis (SC), mas deixo aqui registrado a pesquisa de Claudia Daiane Garcia Molet, “Casca e Limoeiro: as comunidades quilombolas no litoral negro do Rio Grande do Sul, durante o século XIX”.

O 7º encontro, trouxe mais duas pesquisas sobre quilombos. Meu projeto de pós-doutorado, “Quilombos do sul fluminense: história, memória e direito na luta pela titulação de seus territórios (RJ/1988 – tempo presente)”, e a pesquisa de Danilo Luiz Marques, “Folga Negro, Branco não vem cá: o quilombo como arte da memória negra sobre Palmares”.

Para o 8º encontro deixo aqui o convite para que todos inscrevam suas pesquisas sobre comunidades quilombolas. De acordo com a organização do evento, a inscrição de trabalhos terá duas modalidades: comunicação oral e apresentação de pôster. As propostas devem ser enviadas até dia 20 de janeiro de 2017 e o evento ocorrerá entre os dias 24/27 de maio de 2017 na cidade de Porto Alegre (RS).

Vejo vocês por lá!


Daniela Yabeta - Pós-Doutoranda em História (UFF); Editora da Revista do Observatório Quilombola;

 

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