Plataforma da Reforma Política se reúne para discutir estratégias de atuação da esquerda brasileira

Debate realizado na noite do dia 08/08.

Entre quarta (08/08) e quinta-feira (09/08) deste mês, diversos integrantes dos movimentos sociais e outros representantes da esquerda brasileira se encontram no Rio de Janeiro para o debate da Plataforma da Reforma Política.

Rafael Sorares, diretor executivo de KOINONIA esteve presente e ressaltou que entre os temas e reflexões debatidas, há um consenso de diversas é de que será impossível, até mesmo para a direita, governar com um orçamento congelado por 20 anos (Emenda Constitucional número 95, antiga “PEC 55 do fim do mundo”).

“Revogar a Emenda 95 é urgente para o mínimo de proteção e de investimento social no país. A população tem que cobrar a crise que está invadindo suas casas. É necessário que nos adiantemos, pois a direita pode querer usar nosso discurso, mas incluir um “golpe”, que seria desvincular as porcentagens obrigatórias para saúde, educação e outros itens básicos onde a atual constituição prevê toda uma proteção social”, conta.

Carmem Silva, socióloga, feminista e membra da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) ressaltou que apesar de diversos, o momento pede que os movimentos sociais estejam unidos. “As diversas iniciativas dos muitos movimentos e redes aqui representadas têm uma aparente dispersão,  mas estamos todos no mesmo campo da resistência ao golpe, com todas as consequências que trouxe, de redução e violação de direitos. Nossa tarefa está em planejar o enfrentamento comum”.

Já para Jose Antônio Moroni, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), e da direção da Plataforma “sabemos que temos um conjunto de propostas para essa institucionalidade que vivenciamos – representações, partidos, sistema de justiça, e etc. E o grande desafio é de como operarmos a partir disso. Por exemplo, sabemos do Estado e das fragilidades da democracia burguesa e sabemos do racismo e dos limites que impõe. Temos propostas para a superação dentro do sistema, que é duro e não muda. Como atuarmos pensando fora da caixa, fora esquema que o sistema político atual propõe?”.

Além disso, a fala de Silvio Caccia Bava diretor e editor – chefe do LeMonde Diplomatique Brasil, também abordou a importância de incluir os movimentos de juventude nesse processo de resistência e construção de novas perspectivas. “O grande desafio é pensarmos o que fazer para alcançar poder com as nossas propostas,  formação de base a longo prazo, e envolvendo o protagonismo da juventude, que é essencial numa conjuntura que tende a perdurar de forma autoritária e golpista, muito além do quadro eleitoral atual. Há exemplos a serem refletidos tanto de práticas nacionais como internacionais.”

Com informações de Rafael Soares/ KOINONIA.