#Caso Mãe Rosa: Intolerância e crueldade avançam

Caso mãe rosa materia
Por Rafael Soares de Oliveira, diretor executivo de KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço

KOINONIA mostra sua indignação com a intolerância crescente no País, pelas palavras do seu Diretor Executivo contra o tribunal que ontem declarou inocente o acusado do assassinato do Ogan Marco Antônio Marcelino. O crime teria entre suas motivações intolerância religiosa

Ontem, ao cair da noite, um juiz insensível e quatro jurados evangélicos, entre sete, decidiram por quatro votos a três que o assassino do Ogan Marco Antônio Marcelino era inocente. Após um processo de ameaças a testemunhas oculares do crime, que temeram ir ao júri; após reitera das petições para que o julgamento acontecesse na capital, após mobilizações nacionais em duas datas distintas por adiamentos, atentas aos fatos; mesmo com o apoio da OAB na acusação; tivemos de assistir a esse ultraje. Em cujo enredo surgiram julgadores que, evangélicos nominais, seguiram a tônica da insensibilidade e intolerância conduzida pelo juiz.

Em nome de que Deus fecham-se os olhos a um assassinato covarde e notório, não só na rua e no bairro, mas em toda a localidade, no interior da Ilha de Itaparica-BA? Em nome de que fé desumana se proscreve a justiça deixando livre o algoz que também ameaça a vida de Mãe Rosa, desde a sua prisão?

Das mãos a la pilatos desses pseudo-cristãos não escorre água,  mas o sangue de um injustiçado. E ainda pior: podem estar agora também as armas que se voltam contra a vida de uma mulher e Mãe de Santo.

Vamos fazer de tudo para evitar o pior: minimamente afastar Mãe Rosa do criminoso e seu patrão, um contraventor da região que, por trás do assassino mobilizou e coagiu testemunhas para defendê-lo. Além disso, é claro, recorrer da decisão para clamar por alguma justiça, pelos meios cabíveis. Mas tudo será feito de corações apertados pelo risco de morte da viúva, contra a mão invisível da intolerância que avança como um câncer contra todas as pessoas que clamam por justiça, igualdade e o bem comum… Tempos difíceis que se contam em falsas eternidades vendidas e por visões turvas que não vacilam em promover o mal e a crueldade em nome de crenças e identidades – proclamadas como verdades, mas que desveladas em fatos não passam de perversidades.

Gritemos pela Paz e lutemos pela Justiça os que acreditamos no Amor. Axé, Shalom, Aleluia e todas as saudações a quem crê num justo ser criador.