Inclusão do termo gênero no Plano Municipal de Educação foi tema de ato-debate na Câmara Municipal de São Paulo

Diante o atual retrocesso em que estamos vivendo com o Plano Municipal de Educação (PME), que tem sofrido pressão para a retirada de termos referentes a gênero e sexualidade, o vereador Toninho Vespoli, relator do PME na Comissão de Educação, promoveu o ato-debate “Por que discutir gênero nas escolas?” em repúdio ao ódio a educação laica e democrática.
 
A mesa foi composta por Amara Moira, travesti, doutoranda em Teoria Literária pela Unicamp, militante dos direitos de LGBTs; Ester Lisboa, assessora de programas de KOINONIA; Gisele Cristina, da organização Católicas pelo Direito de Decidir; Todd Tomorrow, militante LGBTs do PSOL; e  Toninho Vespoli, vereador de São Paulo pelo PSOL.
 
O desejo por uma educação de respeito, tendo o PME como instrumento de garantia da cidadania, norteou a discussão. Para os presentes na mesa de debate, retirar as referências de gênero do PME é negar a existência do preconceito, da violência e da intolerância que ocorrem frequentemente na sociedade e são reproduzidas na escola.
 
Ao tomar a palavra, Ester manifestou sua indignação diante da atual situação. Para ela, a ausência do conhecimento permite que as pessoas sejam manipuladas. “A ignorância mutila, castra e corrompe. Manter as pessoas com falta de conhecimento é o mesmo que colocar um guizo no nariz e conduzir sua cabeça e seus pensamentos”. A assessora de KOINONIA ressaltou a importância e a necessidade de transformação. “A mudança de cultura é gradativa, mas precisamos começar a falar abertamente sobre estes temas para substituirmos uma concepção de mundo patriarcal por uma visão de mundo diversificada. Essa conversa é necessária em todos os espaços, especialmente nas escolas”.
 
O ato foi encerrado com falas motivadoras e questionadoras de diversas pessoas, representando diferentes instituições. A conclusão foi de que se faz cada vez mais necessário o debate sobre gênero nas escolas, trabalhando o tema com os alunos, bem como com os profissionais da área, promovendo e estimulando uma cultura de respeito. Simmy Larrat, coordenadora do projeto Transcidadania – uma parceria entre KOINONIA e a Secretária Municipal dos Direitos Humanos –, destacou ainda que “universalizar também é uma forma de oprimir”. Representando alunas e alunos do projeto, Simmy fez uma releitura da canção “Comida” dos Titãs: “A gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte. A gente não quer só esquina, a gente quer escola e dignidade”.