Encontro promovido pela ONU reúne lideranças religiosas das Américas em debate sobre caminhos para frear a violência intolerante

Participantes da reunião com o conselheiro especial da ONU para a Prevenção do Genocídio e Responsabilidade de Proteger, Adama Dieng
Participantes da reunião com o conselheiro especial da ONU para a Prevenção do Genocídio e Responsabilidade de Proteger, Adama Dieng
Representada por seu diretor executivo, Rafael Soares de Oliveira, Koinonia participou do “Encontro sobre o Papel dos Líderes Religiosos das Américas na Prevenção da Incitação à Violência Capaz de Levar a Crimes Atrozes”.

Acontecendo desde o dia 28, em Washington, nos Estados Unidos, o evento teve realização do Escritório das Nações Unidas para a Prevenção do Genocídio e Responsabilidade de Proteger, The Network for Religious and Traditional Peacemakers e do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Na ocasião, as três entidades promoveram uma consulta global que servirá de base para ações conjuntas na prevenção da violência e dos genocídios ao redor do mundo. O encontro se refere ao continente americano e está em sua terceira edição. A segunda e primeira, ocorreram respectivamente na Itália e na Jordânia.

O objetivo do encontro foi elaborar um plano de ação que contemple as diferentes perspectivas dos representantes do continente. No entanto, o grupo latino-americano esperava avançar nas conversas sobre uma rede inter-religiosa que também pudesse tratar do tema proposto pela reunião, mas de olho nos diferentes contextos regionais produtores de desigualdades e injustiças – os maiores combustíveis para a intolerância.

“As vítimas da violência na América Latina têm muitos rostos: indígenas e suas religiões; negros, sobretudo, os de religiões afro-americanas; de mulheres; da população LGBT; migrantes internos como haitianos, peruanos, bolivianos e outros. Não só os deslocados por conflitos, mas também por projetos de desenvolvimento que simplesmente desconsideram essas pessoas. No campo religioso, a intolerância tem dividido populações ou se reproduzido em populações já cindidas. São intolerâncias contra os temas de gênero e a permanente demonização do outro”, analisou Rafael. Ele também explicou que o convite feito a Koinonia se deveu – além do trabalho de enfrentamento à intolerância religiosa feito pela organização no Brasil – muito ao fato de que ele próprio é Ogan candomblecista, fazendo parte de um grupo que vem sofrendo as piores conseqüências das perseguições religiosas no país.

Os principais encaminhamentos e resultados da reunião devem ser compilados em um documento com diretrizes globais para a superação da violência intolerante, ainda sem data de divulgação.

 Confira aqui o texto apresentado por Rafael Oliveira no encontro.