Comunidades Tradicionais fazem manifestação contra mineradoras na região do baixo sul da Bahia

Por Camila Chagas

Em 05 de junho é celebrado o dia mundial do Meio Ambiente. Esta data foi estabelecida pela ONU, em 1972, na Convenção de Estocolmo, com o objetivo de promover atividades de proteção e preservação do Meio Ambiente e alertar sobre os perigos das ações e omissões do Estado e da Sociedade em face dos impactos ambientais.

Na tarde do dia 05, as comunidades de Barcelos do Sul, Pratigi, Matapera, Pedra Rasa, Ilha do Tanque, Cassange, Saquaira e Algodões  fizeram uma passeata na rodovia que liga a Comunidade de Barcelos do Sul à BA001, onde está localizada uma das filiais da Knauf.

A região da Costa do Dendê tem sido alvo de empresas mineradoras. Estas chegaram nas comunidades, sem realizar consulta, e começaram a executar atividades extrativistas. As comunidades de Barcelos do Sul e circunvizinhas estão preocupadas com os impactos ambientais da mineração e os seus reflexos na pesca, agricultura, turismo e nas riquezas naturais da Baía de Camamu.

Em 03 de abril de 2019, ocorreu o I Seminário sobre Mineração e Sustentabilidade das Comunidades Tradicionais. O evento reuniu mais de noventa pessoas e teve como objetivo ampliar o diálogo sobre as ações das empresas mineradoras.

A exploração de Gipsita em Barcelos do Sul

Segundo informações divulgadas pelos representantes da empresa Knauf, aos meios de comunicação, a Baía de Camamu abriga a maior jazida de gipsita do país e existe a estimativa de que seja três vezes maior do que a da bacia de Araripe, em Pernambuco, responsável pelo fornecimento de 95% da gipsita do Brasil.

A comunidade de Barcelos do Sul está preocupada e temerosa com os riscos e danos ambientais decorrentes da exploração da gipsita pela mineradora Knauf. Há relatos de que a exploração deste minério, que serve de matéria-prima para produção de gesso, será de 200 anos. A comunidade relata que não houve diálogo e temem, a exemplo dos crimes ambientais de Mariana e Brumadinho, que os danos sejam irreversíveis.

A extração de areia em Pratigi e Matapera

As comunidades de Pratigi e Matapera estão sofrendo fortes impactos ambientais em razão da extração de areia pelas empresas Alfa e Atual. Estas estão provocando a destruição dos areais, aterrando fontes e mangues, além de deixar a estrada para Cajaíba intransitável. Também foram relatados problemas respiratórios nas crianças, em razão da quantidade de areia em suspensão. Aumentou o tráfego de veículos pesados e, por consequência, o barulho e os riscos de atropelamento de estudantes durante o percurso de ida e vinda da escola. Estes problemas também estão sendo enfrentados pela Comunidade de Pedra Rasa.

As comunidades estão juntas em defesa do Meio Ambiente e de seus Territórios e nós estamos acompanhando!

Revisão: Solange Simonato