Apoio e solidariedade do Fórum Ecumênico ACT Brasil à Pastora Lusmarina Campos Garcia

 

 

 

 

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

O Fórum Ecumênico ACT – Brasil esteve reunido entre os dias 13 a 15 de agosto de 2018, na cidade de Brasília. Entre os muitos temas refletidos na reunião, um deles foi a participação da Pa. Lusmarina Campos Garcia, no dia 06 de agosto, na Audiência Pública do Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiu a descriminalização do aborto até as 12 semanas de gestação.

Como parte do compromisso histórico do movimento ecumênico com a justiça de gênero, acolhemos a fala da Pa. Lusmarina Campos Garcia, que representou o Instituto de Estudo da Religião (ISER). Reconhecemos que a Pa. Lusmarina Campos Garcia, demaneira lúcida e responsável apresentou aspectos bíblicos e teológicos que contribuíram para o debate sobre um tema complexo de uma forma que foi além do senso comum e dos argumentos religiosos banalizados a respeito do tema.

Acreditamos que, independentemente da complexidade que o tema da criminalização das mulheres que interrompem a gravidez apresenta, ou da divergência de opiniões que o tema possa suscitar, é necessário que ele seja discutido, também desde as perspectivasbíblica e teológica. Respeitamos as compreensões de cada uma das Igrejas e nem temos a pretensão de mudá-las. No entanto, acreditamos que é necessário criar espaços seguros de diálogo e discussão não violenta sobre este tema.

Em um país religioso como o Brasil, com altos índices de feminicídio e que valoriza muito pouco a vida das mulheres, a participação da Pastora aliviou a dor de inúmeras mulheres,simbolicamente violentadas pelo discurso religioso da culpa.

Infelizmente após a audiência, a Pa. Lusmarina Campos Garcia tem sido agredida nas redes sociais, em especial por pessoas que se apresentam como cristãs. Ela recebeu ameaça de morte.Isto é um absurdo e uma violência que deve ser rejeitada pelo cristianismo ou quaisquer expressões de fé.

Nesse sentido, destacamos a urgência das instituições religiosas buscarem mecanismos de proteção sempre que suas lideranças ordenadas ou leigas, comprometidas com a promoção e defesa dos direitos humanos, com uma fé engajada em favor das pessoas pobres e com uma reflexão teológica libertária.

Em comunhão,nos solidarizamos incondicionalmente com a Pa. Lusmarina Campos Garcia. Agradecemos a sua coragem, pelo fato de, em tempos de fundamentalismose de negações do Estado Laico, ter ido ao STF dizer que asmulheres estão livres de culpa!

À Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil agradecemos especialmentepela formação teológica oferecida a muitas mulheres teólogascomo a Pa. Lusmarina,que dedicam seu ministério com ordenação à defesa dos direitos humanos, defesa das mulheres e das causas sociais. As vozes destas mulheres e de outrasteólogas de inúmeras igrejas, comprometidas com a dignidade das mulheres, têm sido de extrema relevância nestes tempos de fundamentalismo religioso.

Brasília, agosto de 2018.